{"id":10280,"date":"2021-05-28T22:20:15","date_gmt":"2021-05-29T01:20:15","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10280"},"modified":"2021-05-28T22:25:56","modified_gmt":"2021-05-29T01:25:56","slug":"mulheres-e-violencia-o-lamento-social-momentaneo-e-a-costumeira-invisibilidade-diante-de-crimes-de-feminicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10280","title":{"rendered":"Mulheres e viol\u00eancia: o lamento social moment\u00e2neo e a costumeira invisibilidade diante de crimes de feminic\u00eddio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10281\" width=\"274\" height=\"287\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-4.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-4-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-4-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social\/UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/a5a87d22-e707-4247-a2a7-1e5be90b842f.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10282\" width=\"511\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/a5a87d22-e707-4247-a2a7-1e5be90b842f.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/a5a87d22-e707-4247-a2a7-1e5be90b842f-300x186.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/a5a87d22-e707-4247-a2a7-1e5be90b842f-696x433.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/a5a87d22-e707-4247-a2a7-1e5be90b842f-676x420.jpg 676w\" sizes=\"(max-width: 511px) 100vw, 511px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Soa estranho falar de invisibilidade dos crimes de feminic\u00eddio diante da repercuss\u00e3o midi\u00e1tica que os publiciza nos canais populares de comunica\u00e7\u00e3o. Chamo a aten\u00e7\u00e3o e questiono para um tipo de visibilidade que torna o problema como mais uma not\u00edcia a ser lamentada socialmente e n\u00e3o como um problema que vem ganhando espa\u00e7o em todas as camadas sociais. Os casos repercutem \u00e0 medida das posi\u00e7\u00f5es de destaque social que a v\u00edtima ou autor disp\u00f5em. O fator social constitui um marcador importante na significa\u00e7\u00e3o de cada caso e muitas vezes, no entendimento popular da relev\u00e2ncia de uma vida ou outra nos casos de mortes violentas intencionais de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que, a indigna\u00e7\u00e3o \u00e9 moment\u00e2nea pela maioria das pessoas, instintivamente destacando como principal foco de aten\u00e7\u00e3o a figura acusada da autoria do crime, e menos, \u00e0 quem foi a v\u00edtima. O feminic\u00eddio constitui uma circunst\u00e2ncia qualificadora do crime de homic\u00eddio cometido em raz\u00e3o da condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino, quando envolve viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar e\/ou menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia tolerada socialmente, tamb\u00e9m se estende ao Estado brasileiro por meio de suas institui\u00e7\u00f5es, que, n\u00e3o raro, legitimam interlocutores empenhados em promover a revitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres. Isso ocorre quando a mulher \u00e9 culpabilizada por ter sido violentada; quando ela \u00e9 desacreditada e constrangida quando os profissionais de distintos setores que ela procura apoio n\u00e3o enxergam marcas em seu corpo; quando fica horas a esperar um atendimento p\u00fablico; e quando inexiste pol\u00edticas que as acolham de forma digna, por exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as situa\u00e7\u00f5es violentas vivenciadas por mulheres ocorrem por v\u00e1rios motivos, dentre eles, a invisibiliza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia a que est\u00e3o expostas. Essas mulheres s\u00e3o comuns, de v\u00e1rias classes sociais, idades e percep\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Esta pauta, como j\u00e1 sinalizei nesse espa\u00e7o por diversas vezes, \u00e9 suprapartid\u00e1ria. Ou seja, n\u00e3o existe uma bandeira pol\u00edtica espec\u00edfica que a defenda. Por conta disso, muitas vezes, \u00e9 utilizada em palanques pol\u00edticos de diversos matizes ideol\u00f3gicos como um problema a ser urgentemente resolvido, mas, na pr\u00e1tica, n\u00e3o passa de um inflamado discurso. Pela variabilidade de quem demanda pelos servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e9 o desafio a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que acolham a todas. No entanto, \u00e9 primordial para evitar a etapa letal dessa modalidade violenta.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher envolve um conjunto amplo de elementos e constitui um dos mais significativos mecanismos sociais com capacidade real de impedir o acesso das mulheres a posi\u00e7\u00f5es de igualdade em todos os espa\u00e7os da vida em sociedade. No trabalho, nas institui\u00e7\u00f5es religiosas e estatais, nas comunidades, na rua e no \u00e2mbito da fam\u00edlia, esta modalidade de viol\u00eancia opera como uma forma de poder, representada pela domina\u00e7\u00e3o masculina. A morte \u00e9 o \u00e1pice da viol\u00eancia contra a mulher. Na realidade brasileira, essas mortes tem ocorrido em certa medida pelo simples fato da v\u00edtima ser uma mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Como parte estrutural da sociedade, a ideia de viol\u00eancia contra as mulheres partiu de constru\u00e7\u00f5es culturais e hist\u00f3ricas, que condicionam a toler\u00e2ncia \u00e0s posturas violentas contra mulheres, tornando-as parte do cen\u00e1rio da vida social. As express\u00f5es n\u00e3o vis\u00edveis desse tipo de viol\u00eancia tem escoras, principalmente, nos sentimentos de medo e constrangimento da mulher.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que o resultado morte contra as mulheres decorrente de viol\u00eancia dom\u00e9stica, em destaque nas estat\u00edsticas, faz parte de uma s\u00e9rie de viol\u00eancias, que, nem sempre, s\u00e3o vis\u00edveis \u00e0s pessoas ao redor da mulher que a sofre. Por conta disso, \u00e9 necess\u00e1rio o exaustivo debate sobre o tema, at\u00e9 que mulheres e homens tenham o entendimento de que a viol\u00eancia contra a mulher n\u00e3o se resume \u00e0s agress\u00f5es ou les\u00f5es f\u00edsicas. Ela acontece no espa\u00e7o p\u00fablico e tamb\u00e9m no privado, fora e dentro de casa. Podem causar preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade mental das mulheres e tamb\u00e9m de outros membros da fam\u00edlia. Conforme descrito na Lei Maria da Penha, envolve al\u00e9m da viol\u00eancia f\u00edsica, a psicol\u00f3gica, moral, sexual e patrimonial. Podemos falar sobre esses tipos, em um pr\u00f3ximo texto. (Imagem: reprodu\u00e7\u00e3o Canva).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soa estranho falar de invisibilidade dos crimes de feminic\u00eddio diante da repercuss\u00e3o midi\u00e1tica que os publiciza nos canais populares de comunica\u00e7\u00e3o. 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