{"id":10490,"date":"2021-06-09T13:00:06","date_gmt":"2021-06-09T16:00:06","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10490"},"modified":"2021-06-16T00:43:39","modified_gmt":"2021-06-16T03:43:39","slug":"violencia-obstetrica-sobre-a-experiencia-com-o-parto-nao-humanizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10490","title":{"rendered":"VIOL\u00caNCIA OBST\u00c9TRICA: sobre a experi\u00eancia com o parto n\u00e3o humanizado"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10491\" width=\"344\" height=\"361\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Apesar de tratar-se de um tema que diz respeito, exclusivamente, \u00e0s mulheres, muitas desconhecem o que vem a ser a \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d. Assim como tantas outras, eu soube de suas caracter\u00edsticas depois de ter passado pelo parto e vivenciado in\u00fameras formas desse tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Coletivo Humaniza, organiza\u00e7\u00e3o que atua difundindo o assunto e dando voz \u00e0s mulheres de Manuaus, no estado do Amazonas e por isso, premiado em 2019 com o Selo de Pr\u00e1ticas Inovadoras no enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a Viol\u00eancia Obst\u00e9trica constitui uma afronta a todas as mulheres. Pode ser reconhecida em atitudes agressivas e constrangedoras de funcion\u00e1rios de unidades de sa\u00fade envolvidos com o parto; a flagrante impaci\u00eancia; a pressa para adiantar o procedimento; o desrespeito \u00e0 vontade\/escolha da mulher; o empurr\u00e3o na barriga para \u201cajudar\u201d o beb\u00ea a sair (manobra de Kristeller); doses enormes de ocitocina para acelerar as contra\u00e7\u00f5es, potencializando as dores; o corte realizado com o argumento de ser necess\u00e1rio para o aumento do canal do parto e evitar a lacera\u00e7\u00e3o grave (procedimento chamado de episiotomia); xingamentos do tipo: \u201cquando fez voc\u00ea gostou, porque agora faz esc\u00e2ndalo?\u201d, \u201cse n\u00e3o ficar quieta, n\u00e3o vamos te atender\u201d; o impedimento de acompanhante durante o trabalho de parto, o parto e no p\u00f3s parto, dentre outros. Essas situa\u00e7\u00f5es agravam-se e\/ou ocorrem quando o local onde nascem os beb\u00eas n\u00e3o t\u00eam maternidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses casos, nem mesmo se as equipes de sa\u00fade desejarem, seria poss\u00edvel o total amparo \u00e0 mulher de forma humanizada (acolhendo o que \u00e9 seu desejo), dada a precariedade dos servi\u00e7os em hospitais que atendem in\u00fameras especialidades e onde falta um ambiente adequado para o acolhimento das mulheres em trabalho de parto. Isso tanto na rede particular, quanto na p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas no ano de 2013, durante uma exposi\u00e7\u00e3o de um v\u00eddeo-document\u00e1rio por uma colega que pesquisava o tema durante uma aula do nosso curso de mestrado, descobri, que eu tamb\u00e9m tinha sofrido viol\u00eancias na ocasi\u00e3o do meu parto. Eu, ainda adolescente, na regi\u00e3o metropolitana de BH, n\u00e3o tive acompanhante autorizado a estar do meu lado durante o trabalho de parto ou no p\u00f3s. Fui submetida \u00e0 ocitocina, que foi introduzida no soro, fazendo com que eu tivesse dores absurdas e c\u00e2imbras nas panturrilhas. A episiotomia foi feita sem que eu soubesse, poucos instantes depois de ter entrado na sala de parto, para onde eu fui, sobre uma maca, com as partes \u00edntimas descobertas. Depois do parto, tomei banho sozinha, ap\u00f3s horas suja de sangue. Meu filho, que nasceu \u00e0s 11h44min, fui ter acesso s\u00f3 no in\u00edcio da noite daquela quarta feira.<\/p>\n\n\n\n<p>As imagens que vi no filme foram um gatilho que fez com que eu desabasse em l\u00e1grimas. At\u00e9 aquele momento eu pensava que tudo que eu passei era normal e toda mulher, se um dia quisesse ser m\u00e3e, tamb\u00e9m precisaria passar por tudo aquilo. A ignor\u00e2ncia \u00e9 mesmo uma venda nos nossos olhos, que depois de retirada, jamais retorna aos olhos para encobrir a mesma coisa. A partir de ent\u00e3o, passei a observar o qu\u00e3o distantes ainda estamos de garantir as informa\u00e7\u00f5es sufi cientes para que antes, durante e p\u00f3s parto sejam momentos respeitosos e dignos \u00e0s mulheres e seus beb\u00eas. Ap\u00f3s esse meu reconhecimento, passei a observar com calma a trajet\u00f3ria de mulheres gestantes, as situa\u00e7\u00f5es de parto e os relatos de procedimentos \u201cdesconfort\u00e1veis\u201d a elas.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>Pensando nisso e nas implica\u00e7\u00f5es decorrentes do impacto psicol\u00f3gico em raz\u00e3o da viol\u00eancia obst\u00e9trica sobre a qualidade de vida das mulheres m\u00e3es, a equipe do Projeto Mulher Livre de Viol\u00eancia (MLV), vinculado ao Grupo de Extens\u00e3o e Pesquisa em Agricultura Familiar (GEPAF), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, promover\u00e1 um encontro via transmiss\u00e3o ao vivo \u2013 LIVE \u2013 nesta quarta-feira (09\/06\/2021) para o necess\u00e1rio debate sobre a Viol\u00eancia Obst\u00e9trica.<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>Segue o link para acesso ao Canal do GEPAF UFVJM, onde est\u00e3o sendo realizadas lives semanais com tem\u00e1ticas relacionadas \u00e0s mulheres:<\/strong> https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=V1-z7cGHFiM <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Viol\u00eancia Obst\u00e9trica: precisamos falar disso! | Live 6 | Projeto MLV\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V1-z7cGHFiM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10492\" width=\"843\" height=\"843\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica.png 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica-300x300.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica-150x150.png 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica-696x696.png 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Cartaz-live-Violencia-Obstetrica-420x420.png 420w\" sizes=\"(max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de tratar-se de um tema que diz respeito, exclusivamente, \u00e0s mulheres, muitas desconhecem o que vem a ser a \u201cviol\u00eancia obst\u00e9trica\u201d. 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