{"id":10596,"date":"2021-06-18T00:00:32","date_gmt":"2021-06-18T03:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10596"},"modified":"2021-06-18T00:02:31","modified_gmt":"2021-06-18T03:02:31","slug":"449-das-mulheres-violentadas-durante-a-pandemia-nao-buscaram-nenhum-tipo-de-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=10596","title":{"rendered":"44,9% das mulheres violentadas durante a pandemia n\u00e3o buscaram nenhum tipo de ajuda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-10598\" width=\"348\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres do Brasil tem sido monitorada pela equipe de pesquisadores do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), que publica achados peri\u00f3dicos em um documento denominado \u201cVis\u00edvel e Invis\u00edvel\u201d. O t\u00edtulo sugere o quanto este tipo de viol\u00eancia ainda se mostra encoberto socialmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana foi lan\u00e7ada a 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do estudo que foi encomendado pelo FBSP ao Instituto de Pesquisas Datafolha, patrocinado pela empresa Uber. Os resultados expostos n\u00e3o surpreendem, mas, preocupam. Com a pandemia, os problemas sociais se intensificaram, muitas pessoas viram suas fontes de renda diminu\u00edrem, perderam empregos, adoeceram, viram familiares, amigos e conhecidos passarem por dificuldades diversas em raz\u00e3o de tantas outras adversidades provocadas pela pandemia de Covid-19. Tudo isso, com os servi\u00e7os p\u00fablicos funcionando de forma limitada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um ano de mudan\u00e7as bruscas nas formas de viver e sem a garantia estatal de ameniza\u00e7\u00e3o dos reflexos da pandemia em curto prazo, os problemas n\u00e3o deram tr\u00e9gua. Dentre os quais, a viol\u00eancia contra as mulheres. Por meio de entrevistas, o estudo apurou que 1 em cada 4 mulheres acima dos 16 anos sofreu viol\u00eancia f\u00edsica nos \u00faltimos 12 meses. Mais da metade dos brasileiros testemunharam algum tipo de viol\u00eancia contra uma mulher neste \u00faltimo ano e 73,5% da popula\u00e7\u00e3o acredita que essa modalidade violenta cresceu durante a pandemia. Homens e mulheres foram impactados pela pandemia de formas diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMulheres reportaram n\u00edveis mais altos de estresse em casa em fun\u00e7\u00e3o da pandemia (50,9% em compara\u00e7\u00e3o com 37,2% dos homens) e permaneceram mais tempo em casa, fato provavelmente vinculado aos pap\u00e9is de g\u00eanero tradicionalmente desempenhados, dado que historicamente cabe \u00e0s mulheres o cuidado com o lar e os filhos, o que aumenta a sobrecarga feminina com o trabalho dom\u00e9stico e com a fam\u00edlia\u201d (FBSP, 2021, p.10).<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa evidencia que 4,3 milh\u00f5es de mulheres (6,3%) foram agredidas com tapas, socos ou chutes. Isso quer dizer que a cada minuto, 8 mulheres foram agredidas no Brasil. Quando se trata de viol\u00eancia verbal, como xingamentos e insultos, o quantitativo de mulheres envolvidas triplica, gira em torno de 13 milh\u00f5es (18,6%). A maioria das v\u00edtimas t\u00eam entre 16 e 24 anos de idade (35,2%), seguido das mulheres entre 25 e 34 anos. Dentre todas, as pretas experimentam n\u00edveis mais elevados de viol\u00eancia (28,3%), logo em seguida, as pardas (24,6%) e por \u00faltimo, as brancas (23,5%). As separadas ou divorciadas s\u00e3o as mais vitimadas, o que indica, ademais, hist\u00f3ricos de viol\u00eancias repetidas pelos seus parceiros \u00edntimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 sinalizados neste espa\u00e7o por diversas outras vezes, mais uma vez, foi verificado por meio da pesquisa que os principais autores de viol\u00eancia contra as mulheres s\u00e3o companheiros, ex-companheiros e familiares. O lar foi considerado o espa\u00e7o mais inseguro para a mulher, uma vez que quase a metade das entrevistadas (48,8%) sinalizou que a viol\u00eancia mais grave percebida no \u00faltimo ano, aconteceu dentro de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, as den\u00fancias \u00e0 pol\u00edcia n\u00e3o ocorreram na propor\u00e7\u00e3o que aconteceram as viol\u00eancias. A busca das mulheres por ajuda come\u00e7a no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es familiares (21,6%), depois entre amigos (12,8%) e logo em seguida, na Igreja (8,2%). Em que pese terem ocorrido agress\u00f5es graves, 44,9% das mulheres deixaram de procurar por qualquer tipo de ajuda. Entre aquelas que buscaram denunciar a viol\u00eancia, 11,8% buscaram uma delegacia da mulher; 7,5% uma delegacia comum; 7,1% a Pol\u00edcia Militar e 2,1% procuraram se informar via Central de Atendimento \u00e0 Mulher, conhecido como \u201cLigue 180\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as mulheres que sofreram viol\u00eancia, 25,1% atribu\u00edram \u00e0 perda da renda e emprego em raz\u00e3o da pandemia, como um fator importante para a intensifica\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra elas no \u00e2mbito do lar. A pesquisa indicou que as mulheres tamb\u00e9m sinalizaram a ocorr\u00eancia de ass\u00e9dio em transportes p\u00fablicos, andando na rua e no trabalho. E, nesta situa\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos 12 meses, as mulheres negras foram as mais afetadas (52,2%).<\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as pardas registrou-se 40,6% e entre brancas, 30%. Como previsto pelos estudiosos da \u00e1rea, a viol\u00eancia contra as mulheres foi intensificada com a pandemia, tornando as mulheres, principalmente as negras e pobres, ainda mais vulner\u00e1veis. (Refer\u00eancia e imagem: \u201cVis\u00edvel e Invis\u00edvel: A vitimiza\u00e7\u00e3o de Mulheres no Brasil\u201d | 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o | FBSP, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/forumseguranca.org.br\/).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"794\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-10597\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-1.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-1-227x300.png 227w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/unnamed-1-317x420.png 317w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres do Brasil tem sido monitorada pela equipe de pesquisadores do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP), que publica achados peri\u00f3dicos em um documento denominado \u201cVis\u00edvel e Invis\u00edvel\u201d. 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