{"id":11022,"date":"2021-07-14T10:20:32","date_gmt":"2021-07-14T13:20:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11022"},"modified":"2021-07-14T11:12:42","modified_gmt":"2021-07-14T14:12:42","slug":"provas-de-masculinidade-admitem-mulheres-como-trofeus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11022","title":{"rendered":"Provas de masculinidade admitem mulheres como trof\u00e9us"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11024\" width=\"360\" height=\"377\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-1.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-1-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-1-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11023\" width=\"442\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1-696x696.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-1-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ser uma \u201cmulherzinha\u201d \u00e9 uma das regras sociais impostas aos homens. Este \u00e9 apenas um exemplo dentre as provas que eles s\u00e3o submetidos desde a inf\u00e2ncia, per\u00edodo em que a inicia\u00e7\u00e3o do garoto na masculinidade acontece. Nesta fase \u00e9 que tudo o que se refere \u00e0s mulheres \u00e9 combatido e abandonado, para a constru\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de que os homens s\u00e3o naturalmente superiores e para serem considerados homens, devem assumir a heterossexualidade, ou seja, desejar sexualmente pessoas do sexo oposto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Daniel WelzerLang, autor franc\u00eas que teoriza sobre as masculinidades, n\u00e3o h\u00e1 uma prova definitiva. Isso porque, os homens s\u00e3o provocados a demonstrar, a todo o tempo, o quanto s\u00e3o homens. Este autor associou o processo de constru\u00e7\u00e3o das masculinidades a uma esp\u00e9cie de \u201ccasa dos homens\u201d, onde cada c\u00f4modo teria uma prova diversa que o conduziria \u00e0 passagem de fase. O ritual \u00e9 realizado apenas entre os homens e envolve provas de embrutecimento f\u00edsico e emocional, por meio de \u201cbrincadeiras\u201d violentas e exaustivas. O choro, nessa circunst\u00e2ncia \u00e9 reprimido. Se o menino insiste, \u00e9 nomeado de \u201cmenininha\u201d, apelido de menor valor simb\u00f3lico social. A competi\u00e7\u00e3o desmedida \u00e9 outra prova. Assim, \u00e9 muito comum que vejamos homens competindo entre si sobre os mais diferentes aspectos: o carro mais potente, o melhor posicionamento no trabalho e tamb\u00e9m, o que \u201cpega\u201d a mulher mais gostosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Homens tendem a buscar, inconscientemente, a aprova\u00e7\u00e3o de outros homens e para tanto, precisam responder \u00e0s regras criadas pelos pr\u00f3prios, no \u00e2mbito da \u201ccasa dos homens\u201d. L\u00e1, os homens aprendem que as mulheres s\u00e3o desejadas, mas, nunca, um homem pode desejar ser como elas. Nesse espa\u00e7o de contratos masculinos, a camaradagem se destaca. Por isso, h\u00e1 solidariedade entre eles, mesmo nos momentos em que essa se transforma em cumplicidade de algo ruim a outrem. Homens validam outros homens e por isso, alguns, mesmo n\u00e3o concordando com as atitudes de seus pares, evitam confrontar se a quest\u00e3o envolve os privil\u00e9gios associados ao masculino. Dentre os quais, a escolha de mulheres, como objetos, expostas em prateleiras do amor, onde adentram no circuito competitivo, como conquista \u2013 trof\u00e9u, diante de outros homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de rela\u00e7\u00f5es de poder de homens sobre homens e de homens sobre mulheres. Em cada tempo hist\u00f3rico a ideia de masculinidade apresenta- -se de uma forma. Houve tempos em que o homem era valorizado por sua for\u00e7a f\u00edsica e coragem; em outros, por seu status e poder de compra; noutros, pela capacidade laborativa. No nosso tempo, as mulheres tornaram-se mais um dos elementos da disputa masculina por espa\u00e7os de poder e protagonismo. Nessa dire\u00e7\u00e3o, homens abominam o constrangimento diante de outros homens e aprendem o sil\u00eancio como forma de preservar a honra diante dos seus pares. Em nome dessa rela\u00e7\u00e3o de \u201clealdade\u201d, homens deixam de sair em defesa das mulheres ou de outro homem em condi\u00e7\u00e3o inferior ao que o op\u00f5e. O sil\u00eancio impera e reproduz esse tipo de cumplicidade entre homens moldados sob a no\u00e7\u00e3o de masculinidade hegem\u00f4nica. Estudos nesse sentido admitem que h\u00e1 formatos de masculinidade sendo constitu\u00eddos de outro modo, saud\u00e1veis, com respeito entre os homens, frente a outros homens e \u00e0s mulheres. <strong>Obra de refer\u00eancia:<\/strong> Sa\u00fade mental, g\u00eanero e dispositivos: cultura e processos de subjetiva\u00e7\u00e3o | Valeska Zanello, 2018. <strong>Imagem:<\/strong> @ilustraclementine.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser uma \u201cmulherzinha\u201d \u00e9 uma das regras sociais impostas aos homens. Este \u00e9 apenas um exemplo dentre as provas que eles s\u00e3o submetidos desde a inf\u00e2ncia, per\u00edodo em que a inicia\u00e7\u00e3o do garoto na masculinidade acontece. 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