{"id":11177,"date":"2021-07-22T11:00:45","date_gmt":"2021-07-22T14:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11177"},"modified":"2021-07-22T11:02:00","modified_gmt":"2021-07-22T14:02:00","slug":"a-repercussao-do-caso-pamela-hollanda-e-dj-ivis-reflexoes-sobre-o-silencio-cumplice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11177","title":{"rendered":"A repercuss\u00e3o do caso Pamela Hollanda e Dj Ivis: reflex\u00f5es sobre o sil\u00eancio c\u00famplice"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11179\" width=\"339\" height=\"355\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Juliana-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption><br><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<br>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11182\" width=\"509\" height=\"509\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5-696x696.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/unnamed-5-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 509px) 100vw, 509px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos dias, Pamela Hollanda, ex-companheira do Dj Ivis, famoso pelo trabalho art\u00edstico que desenvolve, rompeu o sil\u00eancio sobre as viol\u00eancias sofridas no \u00e2mbito familiar. Pamela publicou em uma rede social v\u00eddeos que mostram claramente as agress\u00f5es f\u00edsicas que sofreu do seu ex-companheiro ainda na fase de puerp\u00e9rio. Diante do beb\u00ea, fruto da uni\u00e3o do casal, e de outras duas pessoas, em momentos diferentes, o Dj Ivis foi flagrado dando tapas, pux\u00f5es de cabelo e chutes em Pamela. As pessoas que presenciaram as agress\u00f5es ficaram est\u00e1ticas diante do que viram.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso foi amplamente divulgado em canais de comunica\u00e7\u00e3o rapidamente, uma vez que o agressor se trata de uma pessoa bastante conhecida, que tem milhares de seguidores nas redes sociais. O que chama a aten\u00e7\u00e3o nesse caso \u00e9 o flagrante sil\u00eancio e imobilidade das pessoas que presenciaram as agress\u00f5es do Dj Ivis contra Pamela. O fato, pela dimens\u00e3o do problema que se arrasta vitimando mulheres, expressa a realidade silenciada de muitas delas. Mais do que a inseguran\u00e7a em buscar apoio em algum local, as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia ainda encontram como advers\u00e1rio, o sil\u00eancio c\u00famplice das pessoas que veem a viol\u00eancia, sabem o que ocorre e n\u00e3o se mobilizam. Est\u00e1ticas, como demonstrado nos v\u00eddeos do caso, as testemunhas reagem, provavelmente, de acordo com uma l\u00f3gica que atribui desimport\u00e2ncia \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica. Afinal, parte consider\u00e1vel da sociedade ainda acredita e reproduz que \u201cem briga de marido e mulher n\u00e3o se mete a colher\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, campanhas nacionais t\u00eam mobilizado os esfor\u00e7os de distintos setores para o enfrentamento da viol\u00eancia contra as mulheres de forma articulada, uma vez que, h\u00e1 a vis\u00e3o de que viol\u00eancias ocorridas no espa\u00e7o dom\u00e9stico devem ser tratadas como problema p\u00fablico. Para tanto, o apoio da rede de enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia \u00e9 primordial. Dentre os quais, os servi\u00e7os disponibilizados pelo Estado, representados pelos distintos setores associados \u00e0s prefeituras, aos \u00f3rg\u00e3os de Estado e tamb\u00e9m, por interm\u00e9dio de iniciativas n\u00e3o governamentais e privadas, al\u00e9m do voluntariado advindo da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio \u00e0 pandemia de Covid-19, que alterou drasticamente a rotina social, mais do que nunca, a rede de apoio \u00e0s mulheres deve estar fortalecida. Este amparo, geralmente, \u00e9 oferecido como importante marcador da solidariedade por meio das pessoas do c\u00edrculo comunit\u00e1rio das mulheres: conhecidos, vizinhos, amigos, companheiros da igreja e, principalmente, seus familiares. A pol\u00edcia, como primeiro interventor punitivo da legisla\u00e7\u00e3o pertinente, costuma ser o recurso estatal utilizado pelas mulheres. O que demonstra, sem d\u00favidas, um importante pedido de socorro, porque isso s\u00f3 ocorre quando o problema j\u00e1 chegou ao \u00e1pice.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ocasi\u00f5es em que se veem atendidas, nutrem a esperan\u00e7a do fim das agress\u00f5es, mas, a realidade concreta e dura de uma sociedade que ainda n\u00e3o abra\u00e7ou esta causa para al\u00e9m do discurso em suas redes sociais, condena muitas mulheres que se veem desamparadas, amedrontadas e inseguras para reagir ao que t\u00eam vivenciado. O sil\u00eancio c\u00famplice diz muito do que o fen\u00f4meno tem provocado nas pessoas. \u00c9 como se legitimasse a express\u00e3o: \u201cIsso n\u00e3o \u00e9 da minha conta\u201d. Assim, a apatia das testemunhas de viol\u00eancias contra as mulheres tem contribu\u00eddo para a perpetua\u00e7\u00e3o dos registros dessa natureza contra milhares de an\u00f4nimas Brasil afora e que, talvez, nunca tenham voz para manifestar o qu\u00e3o complexo \u00e9 romper o ciclo violento se lhes falta acolhimento e sobra inseguran\u00e7a de como e quando agir. <strong>Charge:<\/strong> @desenhosdonando.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, Pamela Hollanda, ex-companheira do Dj Ivis, famoso pelo trabalho art\u00edstico que desenvolve, rompeu o sil\u00eancio sobre as viol\u00eancias sofridas no \u00e2mbito familiar. Pamela publicou em uma rede social v\u00eddeos que mostram claramente as agress\u00f5es f\u00edsicas que sofreu do seu ex-companheiro ainda na fase de puerp\u00e9rio. 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