{"id":11398,"date":"2021-08-06T10:00:07","date_gmt":"2021-08-06T13:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11398"},"modified":"2021-08-12T23:56:40","modified_gmt":"2021-08-13T02:56:40","slug":"anuario-2021-retrato-dos-feminicidios-no-brasil-no-ano-pandemico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=11398","title":{"rendered":"Anu\u00e1rio 2021: retrato dos feminic\u00eddios no Brasil no ano pand\u00eamico"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Juliana.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-11399\" width=\"357\" height=\"374\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Juliana.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Juliana-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Juliana-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 357px) 100vw, 357px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz. <br>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/FBSP-2021.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-11400\" width=\"567\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/FBSP-2021.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/FBSP-2021-300x230.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/FBSP-2021-80x60.png 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/FBSP-2021-549x420.png 549w\" sizes=\"(max-width: 567px) 100vw, 567px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Anu\u00e1rio Brasileiro no ano pand\u00eamico de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2021 explicitou, mais uma vez, o qu\u00e3o importante s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o conta do percentual de crimes de feminic\u00eddio quantificados de forma qualificada a partir dos homic\u00eddios femininos. Estes, por sua vez, contemplam uma s\u00e9rie de outras motiva\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o a viol\u00eancia dom\u00e9stica ou discrimina\u00e7\u00e3o\/ menosprezo pela condi\u00e7\u00e3o de sexo feminino, que tiveram por consequ\u00eancia a viol\u00eancia letal intencional de mulheres. Os dados fornecidos pelas secretarias de seguran\u00e7a p\u00fablica dos estados da federa\u00e7\u00e3o compilam informa\u00e7\u00f5es das pol\u00edcias civil, militar e federal, al\u00e9m de outras fontes oficiais associadas \u00e0 \u00e1rea de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em meio ao primeiro ano de enfrentamento da pandemia da Covid-19 \u2013 2020, as informa\u00e7\u00f5es revelaram que houve redu\u00e7\u00e3o das notifica\u00e7\u00f5es oficiais de crimes relacionados \u00e0 viol\u00eancia contra meninas e mulheres, ao passo que, no mesmo per\u00edodo, houve acr\u00e9scimo do n\u00famero de Medidas Protetivas de Urg\u00eancia deferidas pelos Tribunais de Justi\u00e7a, se comparado ao ano anterior \u2013 2019. Al\u00e9m disso, os chamados telef\u00f4nicos de viol\u00eancia dom\u00e9stica para a Pol\u00edcia Militar, via 190 cresceram.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar que a legisla\u00e7\u00e3o sobre o crime de feminic\u00eddio no Brasil \u00e9 relativamente recente (2015). Sendo que, no \u00e2mbito das pol\u00edcias e do sistema de justi\u00e7a criminal como um todo, h\u00e1 entraves no que tange \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o do que deve ser considerado um feminic\u00eddio. \u00c9 sabido que, embora haja a produ\u00e7\u00e3o de dados em propor\u00e7\u00e3o importante, eles n\u00e3o s\u00e3o tratados de forma qualificada de modo a permitir a aproxima\u00e7\u00e3o da realidade brasileira dos casos que decorrem de situa\u00e7\u00f5es que envolvam o crime de feminic\u00eddio, uma vez que os estados da federa\u00e7\u00e3o tratam essas informa\u00e7\u00f5es de formas distintas.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>Por meio do Anu\u00e1rio 2021 foi poss\u00edvel destacar alguns aspectos-chave para a compreens\u00e3o do cen\u00e1rio atual dos crimes de feminic\u00eddio:<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>1)<\/strong> A propor\u00e7\u00e3o de homic\u00eddios femininos classificados como feminic\u00eddio varia entre estados &#8211; A m\u00e9dia nacional d\u00e1 conta de que 34,5% dos homic\u00eddios s\u00e3o qualificados como crimes de feminic\u00eddio. No entanto, alguns estados encontram-se bastante acima dessa m\u00e9dia. Como exemplo, Mato Grosso (59,6%), Roraima (56,3%), e Santa Catarina (55,3%). Minas Gerais qualificou 51,7% dos homic\u00eddios femininos como feminic\u00eddio. Dentre os estados que menos qualificaram feminic\u00eddios est\u00e3o: Cear\u00e1 (8,2%), Rio Grande do Norte (17,3%) e Esp\u00edrito Santo (20,3%). Essa oscila\u00e7\u00e3o percentual ocorre, de certa forma, em raz\u00e3o das diferen\u00e7as de interpreta\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es que alimentam os bancos de dados dos respectivos estados;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2)<\/strong> A maioria dos feminic\u00eddios no Brasil s\u00e3o feminic\u00eddios \u00edntimos &#8211; Grande parte desse tipo de crime \u00e9 cometido pelo parceiro \u00edntimo da v\u00edtima, companheiro ou ex-companheiro. Em 2020, isso ocorreu em 81,5% dos casos;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3)<\/strong> As mulheres que mais s\u00e3o vitimadas por feminic\u00eddios t\u00eam\/tinham entre 18 e 24 anos &#8211; Dentre as v\u00edtimas de diferentes faixas et\u00e1rias, as negras assumiram a maior fatia dos crimes de feminic\u00eddio (61,8%). Nos demais crimes, elas chegam a representar 71% das v\u00edtimas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4)<\/strong> O local da morte violenta foi a resid\u00eancia e ela aconteceu entre 18h e 24h &#8211; Mais da metade das v\u00edtimas sofreu a viol\u00eancia letal dentro de casa durante a noite.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5)<\/strong> O instrumento utilizado foi, principalmente, a arma branca &#8211; \u201cPor ser um crime de \u00f3dio e perpetrado por algu\u00e9m pr\u00f3ximo, muitas vezes em casa e ap\u00f3s uma s\u00e9rie de outras viol\u00eancias, o autor utiliza-se do que encontra a frente para o feminic\u00eddio (p.99)\u201d. Isso explica porque mais da metade desse tipo de crime (55%) ocorreu por meio de instrumentos diversos, dentre os quais \u201c[&#8230;] facas, tesouras, canivetes, peda\u00e7os de madeira [&#8230;]\u201d. O Anu\u00e1rio refor\u00e7a ainda que, neste ano, houve a escalada de acesso aos registros de posse de armas de fogo (100,6%) que alerta sobre s\u00e9rios riscos de desfechos tr\u00e1gicos no que tange a esta modalidade de viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong> A viol\u00eancia contra meninas e mulheres no ano pand\u00eamico. BUENO, Samira; ENBERGER, Marina B.; SOBRAL, Isabela. In: Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/6-a-violencia-contra-meninas-e-mulheres-no-ano-pandemico.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Anu\u00e1rio Brasileiro no ano pand\u00eamico de Seguran\u00e7a P\u00fablica 2021 explicitou, mais uma vez, o qu\u00e3o importante s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es que d\u00e3o conta do percentual de crimes de feminic\u00eddio quantificados de forma qualificada a partir dos homic\u00eddios femininos. 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