{"id":12483,"date":"2021-10-11T23:39:41","date_gmt":"2021-10-12T02:39:41","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=12483"},"modified":"2021-10-15T00:19:41","modified_gmt":"2021-10-15T03:19:41","slug":"os-novos-rumos-da-socioeducacao-a-integracao-em-pauta-na-politica-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=12483","title":{"rendered":"OS NOVOS RUMOS DA SOCIOEDUCA\u00c7\u00c3O, A INTEGRA\u00c7\u00c3O EM PAUTA NA POL\u00cdTICA P\u00daBLICA:"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>&#8220;O CASO DE MINAS GERAIS\u201d<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12484\" width=\"643\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-5.jpg 571w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/1-5-300x190.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 643px) 100vw, 643px\" \/><figcaption><strong>Professor Jeferson Botelho<\/strong>. Professor de Direito Penal e Processo Penal. Especializa\u00e7\u00e3o em Combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, antiterrorismo e combate ao Crime Organizado pela Universidade de Salamanca \u2013 Espanha. Autor de obras jur\u00eddicas. Advogado em Minas Gerais<br><br><strong>Leandro Almeida<\/strong>. Subsecret\u00e1rio de Atendimento Socioeducativo \u2013 SUASE \u2013 Secretaria de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica de Minas Gerais. Administrador P\u00fablico, Especialista em Pol\u00edtica P\u00fablica e Socioeduca\u00e7\u00e3o PUC-Minas. Mestrando em Seguran\u00e7a P\u00fablica e Cidadania da Universidade do Estado de Minas Gerais &#8211; Faculdade de Pol\u00edticas P\u00fablicas Tancredo Neves<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>A primeira ideia que uma crian\u00e7a precisa ter \u00e9 a da diferen\u00e7a entre bem e o mal. E a principal fun\u00e7\u00e3o do educador \u00e9 cuidar para que ela n\u00e3o confunda o bem com a passividade e o mal com a atividade.\u201d (MARIA MONTESSORI)<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO.<\/strong> Considerando a relev\u00e2ncia da implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas e as evid\u00eancias encontradas pelas ci\u00eancias sociais, pode-se afirmar que as inova\u00e7\u00f5es mais significativas introduzidas nessa \u00e1rea, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, foram aquelas que tornaram poss\u00edvel a redu\u00e7\u00e3o do crime e a ressocializa\u00e7\u00e3o a partir de abordagens pautadas por aspectos de gest\u00e3o bem definidos e integra\u00e7\u00e3o de atores relevantes. Ainda assim, a busca por resultados efetivos de projetos em pol\u00edticas p\u00fablicas que modernizem modelos e processos institucionais, continua apresentando-se como gargalo estrutural da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Dentre os maiores desafios observa-se a aus\u00eancia de planejamento, a falta de integra\u00e7\u00e3o das equipes, e a indefini\u00e7\u00e3o na clareza de suas compet\u00eancias, bem como o aprimoramento profissional. O objetivo deste trabalho consiste na associa\u00e7\u00e3o de fatos relevantes ocorridos nas \u00faltimas d\u00e9cadas no contexto das pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a e defesa social, sobretudo no tocante \u00e0 rela\u00e7\u00e3o a Pol\u00edtica Socioeducativa, seu fator hist\u00f3rico, os avan\u00e7os permitidos ap\u00f3s advento da carta constituinte e do ECA &#8211; Estatuto da Crian\u00e7a e Adolescente e os aspectos inseridos no contexto da execu\u00e7\u00e3o desta pol\u00edtica. Amparados pelo olhar te\u00f3rico das abordagens e das produ\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, este artigo busca oportunizar reflex\u00f5es sobre os aspectos de integra\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o desenvolvidos no Estado Minas Gerais, seus desdobramentos e necessidades voltados para o desenvolvimento de uma pol\u00edtica p\u00fablica de seguran\u00e7a e defesa social, inclusiva e verdadeiramente cidad\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Seguran\u00e7a, pol\u00edtica, gest\u00e3o, social, integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>NOTAS INTRODUT\u00d3RIAS<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno infracional juvenil passou por significativas mudan\u00e7as ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas e a maneira do Estado em geri-lo, tamb\u00e9m precisou se alterar.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi partindo da evolu\u00e7\u00e3o do chamado c\u00f3digo de menores, que em suas duas vers\u00f5es, que esteve vigente de 1927 a 1990, era o referencial jur\u00eddico institucional que pautava as a\u00e7\u00f5es direcionadas a crian\u00e7as e adolescentes, atendendo conjuntamente casos relacionados a atos infracionais, abandono e outros abusos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O processo de democratiza\u00e7\u00e3o no que culminou na consagra\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o de 1988 j\u00e1 demarcou novos rumos no olhar para com as crian\u00e7as e adolescentes do nosso Pa\u00eds. Como est\u00e1 descrito no art. 227:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">\u201c\u00c9 dever da fam\u00edlia, da sociedade e do Estado assegurar \u00e0 crian\u00e7a, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria, al\u00e9m de coloc\u00e1-los a salvo de toda forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o\u201d. (BRASIL, 1988).<\/p>\n\n\n\n<p>Ratificando aspira\u00e7\u00f5es internacionais sobre a mat\u00e9ria, o Presidente Fernando Collor de Melo, sanciona em 13 de julho de 1990, O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA), revogando em mesmo ato, demais disposi\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias, leis n\u00ba 4.513 de 1964 e lei n\u00ba 6.697 de 1979 (c\u00f3digo de menores), determinando novas campanhas informativas acerca do novo dispositivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O legislador buscou efetivar as novas aspira\u00e7\u00f5es, dando manifesta \u00eanfase a representa\u00e7\u00e3o de prioridade da crian\u00e7a e adolescente frente as pol\u00edticas p\u00fablicas, assim citando em seu artigo <\/strong><strong>4\u00ba,5\u00ba e 6\u00ba:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 dever da fam\u00edlia, da comunidade, da sociedade em geral e do poder p\u00fablico assegurar, com absoluta prioridade, a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos referentes \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao esporte, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00fanico. A garantia de prioridade compreende:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>a) primazia de receber prote\u00e7\u00e3o e socorro em quaisquer circunst\u00e2ncias;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>b) preced\u00eancia de atendimento nos servi\u00e7os p\u00fablicos ou de relev\u00e2ncia p\u00fablica;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>c) prefer\u00eancia na formula\u00e7\u00e3o e na execu\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas sociais p\u00fablicas;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>d) destina\u00e7\u00e3o privilegiada de recursos p\u00fablicos nas \u00e1reas relacionadas com a prote\u00e7\u00e3o \u00e0 inf\u00e2ncia e \u00e0 juventude.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>&nbsp;<a><\/a>Art. 5\u00ba Nenhuma crian\u00e7a ou adolescente ser\u00e1 objeto de qualquer forma de neglig\u00eancia, discrimina\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, crueldade e opress\u00e3o, punido na forma da lei qualquer atentado, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o, aos seus direitos fundamentais.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 6\u00ba Na interpreta\u00e7\u00e3o desta Lei levar-se-\u00e3o em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exig\u00eancias do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condi\u00e7\u00e3o peculiar da crian\u00e7a e do adolescente como pessoas em desenvolvimento\u201d. (BRASIL, 1990)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A reforma positivada pela constituinte 88, ratificada no ECA (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente), buscou tamb\u00e9m imputar tratamento adequado, ao fen\u00f4meno da criminalidade juvenil, apontando as medidas socioeducativas com o objetivo de alcan\u00e7ar a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo ato cometido, sem, contudo, desviar-se do car\u00e1ter educativo da medida como sentido priorit\u00e1rio, conforme preceitua a legisla\u00e7\u00e3o, em seu t\u00edtulo III, Da Pr\u00e1tica do Ato Infracional:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contraven\u00e7\u00e3o penal.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 104. S\u00e3o penalmente inimput\u00e1veis os menores de dezoito anos, sujeitos \u00e0s medidas previstas nesta Lei.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do adolescente \u00e0 data do fato.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 105. Ao ato infracional praticado por crian\u00e7a corresponder\u00e3o as medidas previstas no art. 101. (BRASIL, 1990)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesta perspectiva, no tocante ao ato processual, a responsabiliza\u00e7\u00e3o pelo ato infracional cometido, passa a ter fulcro nas possibilidades apresentadas pelo estatuto:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 112. Verificada a pr\u00e1tica de ato infracional, a autoridade competente poder\u00e1 aplicar ao adolescente as seguintes medidas:<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>I &#8211; advert\u00eancia;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>II &#8211; obriga\u00e7\u00e3o de reparar o dano;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>III &#8211; presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 comunidade;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>IV &#8211; liberdade assistida;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>V &#8211; inser\u00e7\u00e3o em regime de semiliberdade;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VI &#8211; interna\u00e7\u00e3o em estabelecimento educacional;<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>VII &#8211; qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 1\u00ba A medida aplicada ao adolescente levar\u00e1 em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunst\u00e2ncias e a gravidade da infra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 2\u00ba Em hip\u00f3tese alguma e sob pretexto algum, ser\u00e1 admitida a presta\u00e7\u00e3o de trabalho for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>\u00a7 3\u00ba Os adolescentes portadores de doen\u00e7a ou defici\u00eancia mental receber\u00e3o tratamento individual e especializado, em local adequado \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 113. Aplica-se a este Cap\u00edtulo o disposto nos arts. 99 e 100.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a><a><\/a>Art. 114. A imposi\u00e7\u00e3o das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressup\u00f5e a exist\u00eancia de provas suficientes da autoria e da materialidade da infra\u00e7\u00e3o, ressalvada a hip\u00f3tese de remiss\u00e3o, nos termos do art. 127.<\/p>\n\n\n\n<p><a><\/a>Par\u00e1grafo \u00fanico. A advert\u00eancia poder\u00e1 ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e ind\u00edcios suficientes da autoria. (BRASIL,1990)<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A luz desta inovadora legisla\u00e7\u00e3o abordaremos um recorte sobre a execu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das medidas socioeducativas no Brasil. Identificando processos de gest\u00e3o, alcances e desafios presentes nesta pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"547\" height=\"388\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-5.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12503\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12503\" class=\"wp-image-12503\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-5.jpg 547w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-5-300x213.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/6-5-100x70.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 547px) 100vw, 547px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"443\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-4.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12505\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12505\" class=\"wp-image-12505\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-4.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-4-300x222.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-4-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/3-4-569x420.jpg 569w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"550\" height=\"479\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-4.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12514\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-4.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12514\" class=\"wp-image-12514\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-4.jpg 550w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-4-300x261.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/9-4-482x420.jpg 482w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"487\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12506\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12506\" class=\"wp-image-12506\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5-265x198.jpg 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/4-5-561x420.jpg 561w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"450\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12502\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12502\" class=\"wp-image-12502\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4-265x198.jpg 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/5-4-560x420.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>1 PANORAMA NACIONAL<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>A verdadeira educa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela que vai ao encontro da crian\u00e7a para realizar a sua liberta\u00e7\u00e3o. (Maria Montessori)<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>Aprovado pela Lei n\u00ba 12.594, sancionada pela presidente Dilma Rousseff, em 18 de janeiro de 2012, o SINASE &#8211; Sistema Nacional de atendimento Socioeducativo abarcou inova\u00e7\u00f5es, regulamentado a execu\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o das medidas socioeducativas em todo Brasil, em sua vers\u00e3o anterior o sistema era regulamentado pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 119\/2006, do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; CONANDA, que trazia premissas a aplicabilidade das medidas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente- CONDANDA, foi institu\u00eddo em 12 de outubro de 1991, atrav\u00e9s da Lei n\u00ba 8.242, com o objetivo de coordenar as a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos direitos das crian\u00e7as e dos adolescentes \u00e9 o principal \u00f3rg\u00e3o do sistema de garantia de direitos\u201d. <em>(Grifo nosso)<\/em>&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 2020 o SINASE- Sistema Nacional de atendimento Socioeducativo publicou relat\u00f3rio t\u00e9cnico, contendo pesquisa de avalia\u00e7\u00e3o do sistema socioeducativo no Brasil, em seus diversos eixos. <strong>A pesquisa apresentou que no ano de 2019 o Brasil atendeu 46.193 adolescentes distribu\u00eddos entre as medidas de semiliberdade, interna\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria e interna\u00e7\u00e3o, e interna\u00e7\u00e3o san\u00e7\u00e3o, conforme quadro abaixo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"636\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/qudro-1-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-12489\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/qudro-1-1.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/qudro-1-1-283x300.png 283w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/qudro-1-1-396x420.png 396w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption><strong> <strong>Quadro 1 \u2013 Total de adolescentes informado<\/strong> <\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> A de se destacar ainda a an\u00e1lise temporal estabelecida no referido diagn\u00f3stico, no tocante ao tempo de dura\u00e7\u00e3o das medidas em \u00e2mbito nacional que m\u00e9dia tem: 41,89 dias na interna\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria; 110,15 dias na interna\u00e7\u00e3o san\u00e7\u00e3o; 482,34 dias na interna\u00e7\u00e3o e 290,77 dias na medida de semiliberdade. <strong>Conforme informa\u00e7\u00f5es do quadro abaixo:<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"449\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-12486\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2-300x225.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2-80x60.png 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2-265x198.png 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-2-561x420.png 561w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption><strong> Quadro 2 \u2013 tempo de dura\u00e7\u00e3o da medida socioeducativa em dias <\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>\u201cTal medida pode indicar ao administrado modelos e metodologias de gest\u00e3o e processos, buscando maior efici\u00eancia em seu atendimento\u201d. <em>(Grifo nosso)<\/em><\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>O estudo aponta ainda para a necessidade de se efetivar o monitoramento de egressos desta pol\u00edtica p\u00fablica, conforme aponta o referido relat\u00f3rio:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"326\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-12487\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-3.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/quadro-3-300x163.png 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo deve verificar a situa\u00e7\u00e3o do adolescente ap\u00f3s cumprimento da medida socioeducativa, tomando por base as suas perspectivas educacionais, sociais, profissionais e familiares. Esta previs\u00e3o est\u00e1 inscrita no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (BRASIL, 1990), ao estabelecer no art. 94, inciso XVIII, que as entidades que desenvolvem programas de interna\u00e7\u00e3o devem manter programas destinados ao apoio e acompanhamento de egressos. Assim, a gest\u00e3o estadual deve coletar periodicamente informa\u00e7\u00f5es a respeito das condi\u00e7\u00f5es pessoais dos adolescentes egressos do Sistema. O banco de dados estruturado a partir dessas informa\u00e7\u00f5es poder\u00e1 auxiliar na avalia\u00e7\u00e3o da efetividade da interven\u00e7\u00e3o socioeducativa, de modo a qualificar a atua\u00e7\u00e3o das entidades que participam do Sistema Socioeducativo estadual\u201d. (BRASIL,2020)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2 CRIMINALIDADE JUVENIL E POL\u00cdTICA SOCIOEDUCATIVA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas educam para a competi\u00e7\u00e3o e esse \u00e9 o princ\u00edpio de qualquer guerra. Quando educarmos para cooperarmos e sermos solid\u00e1rios uns com os outros, nesse dia estaremos a educar para a paz. (Maria Montessoni)<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos indicar que o fen\u00f4meno da criminalidade juvenil \u00e9 multifatorial em suas nuances e consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ampliando este espectro, Soares (2006, p. 93, grifo nosso) comenta, \u201cas explica\u00e7\u00f5es para a viol\u00eancia e o crime n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis [&#8230;] n\u00e3o existe o crime, no singular\u201d. Por sua vez, Dalla (2006, p. 12) afirma que \u201co fen\u00f4meno da criminalidade apresenta associa\u00e7\u00f5es com uma multiplicidade e complexidade de fatores sociais que n\u00e3o se esgotam no \u00e2mbito da a\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias isoladas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outras palavras, esses fen\u00f4menos s\u00e3o por sua natureza complexos e m\u00faltiplos como explicitado por Soares (2006) e Zaluar (2007). Como tais fen\u00f4menos podemos elencar as tipologias de acordo com Soares (2006).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sob este campo de reflex\u00e3o nos deparamos com a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria, nossos medos, anseios, mazelas e marcas estruturais de uma sociedade desafiada a reinventar a sobreviv\u00eancia frente \u00e0s intemp\u00e9ries e desafios sociais, dentre os mais recentes, talvez o principal seja a cultura do medo. Para<\/strong><strong> <\/strong><strong>Wermuth (2005):<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O processo de globaliza\u00e7\u00e3o e a consequente sociedade de risco que se configura na contemporaneidade propiciam o surgimento de um sentimento generalizado de inseguran\u00e7a diante da imprevisibilidade e da liquidez[3] das rela\u00e7\u00f5es sociais. A globaliza\u00e7\u00e3o introduz, a cada dia, no cat\u00e1logo dos riscos e inseguran\u00e7as, novas e aterradoras formas que eles podem assumir. Paradoxalmente, o aumento da cren\u00e7a de se estar habitando um mundo cada vez mais seguro e controlado pela humanidade \u00e9 inversamente proporcional ao avan\u00e7o da ci\u00eancia e da tecnologia (WERMUTH, 2005, p. 6).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nesta seara, o medo \u00e9 fator a ser analisado, gerido e enfrentado. Ele emerge nas diversas esferas da cidade, suas configura\u00e7\u00f5es est\u00e3o na base das altera\u00e7\u00f5es observadas na vida contempor\u00e2nea e tamb\u00e9m da \u201cevolu\u00e7\u00e3o\u201d das cidades, tornando-se capaz de converter-se nas mais diversas manifesta\u00e7\u00f5es, conforme afirma <\/strong><strong>Wermuth (2005)<\/strong><strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como consequ\u00eancia inafast\u00e1vel dos cada vez mais fortes sentimentos de inseguran\u00e7a e medo na sociedade contempor\u00e2nea, tem-se o aumento da preocupa\u00e7\u00e3o com as novas formas de criminalidade que se apresentam nesta realidade, notadamente as relacionadas ao crime organizado e ao terrorismo, sendo os atentados terroristas ocorridos em Nova Iorque em setembro de 2001 considerados como o estopim dessa nova onda do medo, uma vez que expuseram ao mundo a sua pr\u00f3pria fragilidade (WERMUTH, 2005, p. 8).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No caso do Brasil podemos refletir sobre as quest\u00f5es do racismo estrutural existente, da quest\u00e3o favelas e guetos levados \u00e0 margem da sociedade, como aponta, Lo\u00efc Wacquant (2001):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Articular o conceito de gueto permite-nos distinguir a rela\u00e7\u00e3o entre \u201cguetiza\u00e7\u00e3o\u201d, pobreza urbana e segrega\u00e7\u00e3o e, assim, esclarecer as diferen\u00e7as estruturais e funcionais entre os guetos e os bairros \u00e9tnicos. Tamb\u00e9m nos permite salientar o papel do gueto como um incubador social e matriz na produ\u00e7\u00e3o de uma identidade maculada\u201d; \u201cSeus habitantes sofrem n\u00e3o de duplica\u00e7\u00e3o institucional, mas, pelo contr\u00e1rio, de uma falta de estrutura organizacional que seja capaz de sustent\u00e1-los na aus\u00eancia de um emprego rent\u00e1vel e de servi\u00e7os p\u00fablicos adequados. Assim como as cidades brit\u00e2nicas e holandesas e os conglomerados de imigrantes da Alemanha urbana ou da It\u00e1lia, os banlieues franceses s\u00e3o, sociologicamente, antiguetos (WACQUANT, 2001, p. 159-160)<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se considerar que grande parte deste contexto se deve a fragilidade das institui\u00e7\u00f5es, ou da capacidade fragilizada destas de se manterem enquanto pilares estruturais da sociedade. O medo surge da percep\u00e7\u00e3o de se estar afeto ou jogado a eventualidade, veja nos dias atuais o receio do desemprego, de doen\u00e7as e n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas existenciais assistidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao passo desta perda de consci\u00eancia situacional a gest\u00e3o, ou, os gestores buscam suas sa\u00eddas para as crises que se apresentam.&nbsp; Podemos ver parte destes esfor\u00e7os explorados na busca por informa\u00e7\u00f5es mais qualificadas, integradas que reflitam a realidade e permitam uma tomada de decis\u00e3o mais acertada, vis\u00e3o do fen\u00f4meno e planejamento adequado.<\/p>\n\n\n\n<p>A integra\u00e7\u00e3o entre os \u00f3rg\u00e3os e sistemas que monitoram e realizam a gest\u00e3o da pol\u00edtica \u00e9 um esfor\u00e7o visto no sentido deste objetivo. Abrir a caixa preta das institui\u00e7\u00f5es em nome da tomada de decis\u00e3o coletiva parece ser o caminho \u00f3bvio.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Minas Gerais, tendo em vista a necessidade de se criar uma metodologia de trabalho que pudesse promover a integra\u00e7\u00e3o operacional das institui\u00e7\u00f5es policiais, foi implementado, em 2021, pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Minas Gerais\u2013 TJMG, o modelo de organiza\u00e7\u00e3o de gest\u00e3o integrada do trabalho junto ao Sistema Socioeducativo, denominado Comit\u00ea integrado de Apoio a Pol\u00edtica Socioeducativa- CIAPS, que re\u00fane a\u00e7\u00f5es, informa\u00e7\u00f5es e conjuga pr\u00e1ticas implementadas por diferentes \u00f3rg\u00e3os, como o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de Minas Gerais, a Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica, a Subsecretaria de Atendimento \u00e0s Medidas Socioeducativas &#8211; SUASE, a Pol\u00edcia Civil e Defensoria P\u00fablica do Estado, para propor, apoiar e fomentar a\u00e7\u00f5es e projetos possibilitando melhores resultados na execu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 1\u00ba Fica institu\u00eddo o Comit\u00ea Integrado de Apoio \u00e0 Pol\u00edtica Socioeducativa &#8211; CIAPS, com as seguintes atribui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; monitorar as a\u00e7\u00f5es promovidas pelas entidades de atendimento para garantir a realiza\u00e7\u00e3o da socioeduca\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; propor, apoiar, fomentar e acompanhar a implementa\u00e7\u00e3o de projetos para a realiza\u00e7\u00e3o dos eixos de educa\u00e7\u00e3o, esportes, sa\u00fade, reinser\u00e7\u00e3o familiar e capacita\u00e7\u00e3o profissional dos adolescentes no Sistema Socioeducativo do Estado;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; acompanhar e propor solu\u00e7\u00f5es em face de irregularidades verificadas nos procedimentos de apura\u00e7\u00e3o e nas inspe\u00e7\u00f5es em unidades socioeducativas; IV &#8211; propor, fomentar, apoiar e acompanhar projetos de expans\u00e3o do Sistema Socioeducativo relativos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o de unidades, inclusive em fase de execu\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; propor, apoiar e acompanhar solu\u00e7\u00f5es e projetos para gest\u00e3o de vagas; VI &#8211; implementar a integra\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es promovidas pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e entidades com atribui\u00e7\u00f5es relativas ao Sistema Socioeducativo;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; coordenar semin\u00e1rios em mat\u00e9ria relativa ao Sistema Socioeducativo; VIII &#8211; implementar a\u00e7\u00f5es conjuntas visando \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o de procedimentos operacionais e da atua\u00e7\u00e3o dos membros das institui\u00e7\u00f5es, a fim de aprimorar a presta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica socioeducativa, dentro do rol das respectivas responsabilidades dos integrantes do CIAPS;<\/p>\n\n\n\n<p>IX &#8211; propor, apoiar e acompanhar projetos para otimiza\u00e7\u00e3o do uso dos recursos p\u00fablicos, capta\u00e7\u00e3o de novas fontes de receita e de parcerias estrat\u00e9gicas;<\/p>\n\n\n\n<p>X &#8211; propor, avaliar, acompanhar e apoiar projetos estrat\u00e9gicos do Sistema Socioeducativo que visem \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de demandas e\/ou melhoria da presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o\u201d. (MINAS GERAIS, 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange \u00e0 integra\u00e7\u00e3o institucional, \u00e9 ineg\u00e1vel o avan\u00e7o ocorrido, o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es entre as organiza\u00e7\u00f5es entre as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, \u00e9, atualmente, considerado um dos principais focos de potencialidade da atividade de gest\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas. Este contexto, nos faz retornar ao nosso ponto de partida, no qual o estado, agindo de maneira isolada, denota sua incapacidade em produzir resposta aos anseios e demandas sociais, permitindo florescer o vazio, ingrediente f\u00e9rtil na produ\u00e7\u00e3o de uma proposta verdadeiramente inovadora.<\/p>\n\n\n\n<p>As vari\u00e1veis determinantes que afetam a pol\u00edtica socioeducativa, sofreram e sofrem constantes altera\u00e7\u00f5es ao longo dos tempos, e suas modifica\u00e7\u00f5es vincularam caracter\u00edsticas \u00fanicas e indissoci\u00e1veis aos indiv\u00edduos das quais fazem parte, sobretudo, ao atendimento que se pretende, gerando suas culturas, seus paradigmas, suas inquieta\u00e7\u00f5es e dilemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As perspectivas e reflex\u00f5es apresentadas relacionadas \u00e0 execu\u00e7\u00e3o desta p\u00fablica nos apontam que o desafio est\u00e1 posto, no sentido de viabilizar o cumprimento das previs\u00f5es consagradas em nossa constituinte, no Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e demais normas, promovendo a seguran\u00e7a p\u00fablica como pol\u00edtica p\u00fablica, cidad\u00e3, garantidora de direitos.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>\u201cSe a gente quiser modificar alguma coisa, \u00e9 pelas crian\u00e7as que devemos come\u00e7ar. Devemos respeitar e educar nossas crian\u00e7as para que o futuro das na\u00e7\u00f5es e do planeta seja digno.\u201d <strong>(Ayrton Senna)<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O crime, a criminalidade, a viol\u00eancia, n\u00e3o nascem sozinhos, antes da sua emers\u00e3o, aparecem sintomas diversos e muitos sinais podem ser evidenciados. A falta de conhecimento, dos casos, a aus\u00eancia de dados t\u00e9cnicos e de produ\u00e7\u00f5es originadas por \u00f3rg\u00e3os e sistemas verdadeiramente integrados atrasam a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos, reduzindo a capacidade de resposta do administrador. Assim, a capacidade do estado em sua atribui\u00e7\u00e3o, em prestar o atendimento, pode se tornar fragilizada e por outras vari\u00e1veis apresenta-se como incapaz em sua interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que se busca no alcance de uma proposta integradora \u00e9 elevar a possibilidade do Estado, de superar seus gargalos cr\u00f4nicos, em que sua rigidez, e suas distor\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas apresentam-se como aspecto limitadores do sucesso em suas a\u00e7\u00f5es visando a qualifica\u00e7\u00e3o da execu\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, conforme versa Motta e Bresser-Pereira (2004):<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[&#8230;] todas essas vantagens podem ser condensadas em simplesmente uma: capacidade de prever o comportamento dos membros em uma organiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica. Nessas organiza\u00e7\u00f5es, h\u00e1 cren\u00e7a de que o comportamento dos indiv\u00edduos \u00e9 totalmente previs\u00edvel, ou seja, sempre ocorrer\u00e1 dentro de um determinado padr\u00e3o estabelecido pela organiza\u00e7\u00e3o formal. \u00c9 claro que a previs\u00e3o \u00e9 importante para o alcance da efici\u00eancia, pois para planejar metas e controlar a obten\u00e7\u00e3o das mesmas \u00e9 preciso prever. Dessa forma, prever se transforma em fator essencial para atingir e garantir a efici\u00eancia desse sistema social. Acontece, todavia, que isso n\u00e3o garante que, na realidade, ocorrer\u00e1 a concretiza\u00e7\u00e3o da previs\u00e3o do comportamento de seus membros. Assim, quando essas previs\u00f5es n\u00e3o se concretizam, a organiza\u00e7\u00e3o tende a tornar-se ineficiente, ocorrendo as temidas disfun\u00e7\u00f5es da burocracia, ou \u201c[&#8230;] efeitos n\u00e3o previstos nem desejados da burocracia [&#8230;]\u201d. (MOTTA; BRESSER-PEREIRA, 2004, p. 34).<\/p>\n\n\n\n<p>Reflex\u00f5es apresentadas indicam que ainda a muitas perguntas e respostas por vir, contudo, este novo arranjo no Estado de Minas Gerais, aponta achados em dire\u00e7\u00e3o a import\u00e2ncia e prem\u00eancia do fortalecimento do campo da integra\u00e7\u00e3o e da transversalidade na execu\u00e7\u00e3o das Pol\u00edticas P\u00fablicas, visando estrategicamente superar distor\u00e7\u00f5es da burocracia, como aborda Marx 1976 <em>apud<\/em> Prando, 2013:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c[&#8230;] pela distor\u00e7\u00e3o e caricatura de que \u00e9 v\u00edtima, a \u2018burocracia\u2019 (sic) passou \u00e0 (sic) significar incompet\u00eancia, arbitrariedade, desperd\u00edcio, excesso de zelo (sic) e sujei\u00e7\u00e3o ao controle (sic) governamental [&#8230;]\u201d. E Matos (1979, p. 25) complementa afirmando que, na atualidade, o significado de burocracia apresenta-se diferente de seu prop\u00f3sito original, qual seja de um sistema de organiza\u00e7\u00e3o, passando a ser relacionada a uma \u201c[&#8230;] estrutura organizacional inflacionada, pesada, convencional e emperradora [&#8230;]\u201d, contudo, n\u00e3o se limitando a somente isso, visto que seu titular, o burocrata, \u201c[&#8230;] passa a conceituar o administrador acomodat\u00edcio, incompetente, desmotivado, ineficaz [&#8230;]\u201d. O mesmo passa a ser visto como preocupado somente com procedimentos de rotina, o que o torna \u201c[&#8230;] respons\u00e1vel pelo retardamento decis\u00f3rio\u201d (MATOS, 1979, p. 25)&#8221;. (PRANDO, 2013)<\/p>\n\n\n\n<p>Os processos e m\u00e9todos, inerentes a implementa\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas, visam, por ess\u00eancia, tra\u00e7ar solu\u00e7\u00f5es para alcance de objetivos frente a um problema p\u00fablico, ou seja, atender o social e coletivo, permeando sempre a individualidade. Tal medida exige dos \u00f3rg\u00e3os e sistemas a constante reinven\u00e7\u00e3o de suas pr\u00e1ticas, com vistas a possibilitar a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas eficientes, capazes de ampliar sua capacidade promovendo processos de articula\u00e7\u00e3o entre o estado e o real atendimento \u00e0s demandas da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o (1988). <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia. DF: Senado Federal: Centro Gr\u00e1fico, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL<strong>. Lei n\u00ba 8.069<\/strong>, de 13 de julho de 1990. Disp\u00f5e sobre o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e d\u00e1 outras provid\u00eancias.&nbsp;<strong>Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o<\/strong><strong>,<\/strong> Bras\u00edlia, DF, 16 jul. 1990. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p>&lt;<a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm\">https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm<\/a>&gt;. Acesso em:07\/10\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <strong>Lei n\u00ba 12.594 de 2012<\/strong>. Institui o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), regulamenta a execu\u00e7\u00e3o das medidas socioeducativas destinadas a adolescente que pratique ato infracional; e altera as Leis n\u00bas 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente); 7.560, de 19 de dezembro de 1986, 7.998, de 11 de janeiro de 1990, 5.537, de 21 de novembro de 1968, 8.315, de 23 de dezembro de 1991, 8.706, de 14 de setembro de 1993, os Decretos-Leis n\u00bas 4.048, de 22 de janeiro de 1942, 8.621, de 10 de janeiro de 1946, e a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei n\u00ba 5.452, de 1\u00ba de maio de 1943. <strong>Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o.<\/strong> Bras\u00edlia, DF, 19 jan. 2012. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2012\/lei\/l12594.htm&gt;. Acesso em:08\/10\/2021&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Secretaria Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e Adolescente<strong>. Pesquisa de Avalia\u00e7\u00e3o do SINASE<\/strong>. Levantamento Anual do Sistema de Atendimento Socioeducativo (SINASE) 2020. Eixo 04: Resultados do SINASE. Centro de Estudos Internacionais sobre Governo. UFRS, Porto Alegre, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Lei n\u00ba 8242, de 12 de outubro de 1991. Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do adolescente. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8242.htm\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8242.htm<\/a>. Acesso em 09 de outubro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>CASTRO, T.A.P.; SOARES, A.A.; Barroso, A. C. O Sistema Socioeducativo no Brasil. <strong>Revista Cient\u00edfica Semana Acad\u00eamica<\/strong>. Fortaleza, 2020, n\u00ba196, v.1, jun.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>DALLA, A. D. <strong>Implanta\u00e7\u00e3o do modelo de Integra\u00e7\u00e3o de Gest\u00e3o em Seguran\u00e7a P\u00fablica (IGESP) na cidade de Belo Horizonte: <\/strong>uma vis\u00e3o prospectiva.2006. Monografia (Gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica). EG\/FJP, Belo Horizonte, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>GARLAND, David. <strong>La cultura del control.&nbsp; <\/strong>Crimen y orden social em la sociedad contempor\u00e2nea. Barcelona: Gedisa Editorial, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>MINAS GERAIS. Tribunal de Justi\u00e7a<strong>. Portaria Conjunta n\u00ba 32\/PR -TJMG\/2021<\/strong>. Institui o Comit\u00ea Integrado de Apoio \u00e0 Pol\u00edtica Socioeducativa. Di\u00e1rio do Judici\u00e1rio Eletr\u00f4nico. Belo Horizonte, 14\u00ba ano, n\u00ba52,18 de mar.2021. Dispon\u00edvel em: &lt; https:\/\/www.tjmg.jus.br\/data\/files\/1B\/D3\/3C\/33\/52A4871020C7C3875ECB08A8\/Portaria%20Conjunta%2032-21.pdf&gt;. Acesso em:08\/10\/2021<\/p>\n\n\n\n<p>MOTTA, Fernando Cl\u00e1udio Prestes; BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. <strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica<\/strong>. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Brasilense, 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Prando, Ana Am\u00e9lia Fabres<strong><em>.<\/em><\/strong><strong><em> <\/em><\/strong><strong>Disfun\u00e7\u00e3o Burocr\u00e1tica<\/strong>: Um Estudo de Caso Do Excesso de Papel no DAOCS\/UFES. 2013. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado Profissional em Gest\u00e3o P\u00fablica) \u2013 Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, Centro de Ci\u00eancias Jur\u00eddicas e Econ\u00f4micas. Vit\u00f3ria, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>RAFFESTIN, Claude. <strong>Pesquisas em temas de Ci\u00eancias Humanas.<\/strong> 1. ed. vol. 4. Bel\u00e9m: RFB,1993.<\/p>\n\n\n\n<p>SOARES, L. E. <strong>Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>: presente e futuro. Estudos Avan\u00e7ados. 20 (56), 2006. p.91-106. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ea\/v20n56\/28629.pdf&gt;. Acesso em: 11mar. 2017.<\/p>\n\n\n\n<p>WACQUANT, Lo\u00efc. <strong>Os condenados da cidade:<\/strong> estudo sobre marginalidade avan\u00e7ada. Tradu\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Roberto Martins filho, <em>et al<\/em>. Rio de Janeiro: Revan. 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>_________. <strong>Que \u00e9 gueto?<\/strong> Construindo um conceito sociol\u00f3gico. Revista de Sociologia e Pol\u00edtica. n. 23, p. 155-164, nov. 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>WERMUTH, Maiquel \u00c2ngelo Dezordi. <strong>Cultura do Medo e Criminaliza\u00e7\u00e3o Seletiva no Brasil.<\/strong> [<em>S.l.; s.n<\/em>.], 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>ZALUAR, A. <strong>Democratiza\u00e7\u00e3o inacabada:<\/strong> fracasso da seguran\u00e7a p\u00fablica. Estudos Avan\u00e7ados. 21 (61), 2007, p. 31-49. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n\n\n\n<p>&lt; <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ea\/v21n61\/a03v2161.pdf\">http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/ea\/v21n61\/a03v2161.pdf<\/a> &gt;. Acesso em: 11 mar. 2017.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O CASO DE MINAS GERAIS\u201d A primeira ideia que uma crian\u00e7a precisa ter \u00e9 a da diferen\u00e7a entre bem e o mal. 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