{"id":1263,"date":"2020-07-08T11:02:11","date_gmt":"2020-07-08T14:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=1263"},"modified":"2020-07-08T11:02:12","modified_gmt":"2020-07-08T14:02:12","slug":"mulheres-na-linha-de-frente-a-iniciativa-da-roberta-cangussu-em-prol-das-indigenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=1263","title":{"rendered":"Mulheres na linha de frente: a iniciativa da Roberta Cangussu em prol das ind\u00edgenas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juliana-Lemos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1264\" width=\"211\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juliana-Lemos.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juliana-Lemos-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juliana-Lemos-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Juliana-Lemos-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>. Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF. Pesquisadora GEPAF\/UFVJM. Coordenadora do Projeto MLV. Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1265\" width=\"374\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu.jpg 720w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu-300x225.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu-265x198.jpg 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu-696x522.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/5-Roberta-Cangussu-560x420.jpg 560w\" sizes=\"(max-width: 374px) 100vw, 374px\" \/><figcaption><strong>Roberta Cangussu &#8211; ativista da causa ind\u00edgena<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A pandemia de COVID-19 amea\u00e7a seriamente a preserva\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas do Brasil. Essa condi\u00e7\u00e3o demanda deles o total isolamento no interior das aldeias e isso tem sido o grande desafio. Tanto na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, onde os ind\u00edgenas s\u00e3o alvo de ataques frequentes \u00e0s suas terras pelas riquezas naturais que disp\u00f5em, quanto no Vale do Mucuri, os ind\u00edgenas tentam manter sua cultura viva.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira homenageada da Campanha de valoriza\u00e7\u00e3o das mulheres na linha de frente do enfrentamento da pandemia de Covid-19 na nossa regi\u00e3o \u00e9 a Roberta Cangussu. Ela morou por algum tempo em \u00c1guas Formosas onde teve contato aproximado com os Maxakali das aldeias \u00c1gua Boa e Pradinho, que ficam nos munic\u00edpios de Bert\u00f3polis e Santa Helena de Minas.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente residindo em Te\u00f3filo Otoni e trabalhando na Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (EMATER), \u00e9 uma ativista da causa ind\u00edgena. Por seu interesse, tomou conhecimento das dificuldades do povo Maxakali da regi\u00e3o em raz\u00e3o da recomenda\u00e7\u00e3o de distanciamento social por conta da pandemia. Diante da experi\u00eancia junto aos ind\u00edgenas, sabe que s\u00e3o mais propensos \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por doen\u00e7as e teme que se o v\u00edrus chegar \u00e0 aldeia podemos assistir uma trag\u00e9dia muito grande. Por isso, de iniciativa, come\u00e7ou a arrecadar cestas b\u00e1sicas, mas, viu que ainda n\u00e3o era o suficiente. \u201cEu pensei muito na quest\u00e3o do isolamento, porque para eles \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que pra gente. Os Maxakali s\u00e3o um povo n\u00f4made. E tem ainda a quest\u00e3o emocional, social e a financeira. A gente tem uma pe\u00e7a que \u00e9 extremamente sagrada no artesanato Maxakali, a bolsa\u201d. As bolsas produzidas pelas mulheres Maxakali t\u00eam como base fios de algod\u00e3o ou fibra natural de emba\u00faba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em conjunto com funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (FUNAI), Roberta iniciou uma campanha pela comercializa\u00e7\u00e3o do artesanato ind\u00edgena. Segundo ela, a princ\u00edpio, essa seria uma ideia que n\u00e3o iria muito \u00e0 frente, porque sabe que a \u00faltima coisa que uma pessoa sensata precisa em um momento de pandemia \u00e9 uma bolsa para sair. A parcela que pode ficar em casa, geralmente, n\u00e3o faz esse tipo de investimento. Mesmo pensando que n\u00e3o daria muito certo, arriscou. \u201c(&#8230;) comecei a divulgar nas redes sociais e a campanha foi tomando uma propor\u00e7\u00e3o t\u00e3o grande que pessoas do exterior est\u00e3o me procurando, querendo a bolsa Maxakali. Vendi bolsa para Belo Horizonte, S\u00e3o Paulo, Governador Valadares e Ipatinga. As pessoas est\u00e3o se solidarizando com os Maxakali e conhecendo a arte que \u00e9 t\u00e3o rica, t\u00e3o bonita e ainda desconhecida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A Roberta foi indicada por Irislene Rocha, atuante junto aos ind\u00edgenas pela FUNAI, h\u00e1 alguns anos. Ela quem acompanha o esfor\u00e7o e apoio prestado por nossa homenageada \u00e0s mulheres ind\u00edgenas da Aldeia Verde, localizada no munic\u00edpio de Ladainha. \u201cPenso muito na autoestima das mulheres, eu tenho certeza que elas est\u00e3o se sentindo muito especiais porque a bolsa \u00e9 fabricada exclusivamente pelas mulheres e isso est\u00e1 mudando a realidade social da aldeia\u201d. Roberta completa que apesar do pouco tempo, toda a semana comercializa de 10 a 15 bolsas. Chegando ao ponto delas n\u00e3o darem conta de confeccionar. E isso, nunca tinha acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressaltou ainda que, infelizmente, no nosso munic\u00edpio estava pouco valorizado e com o in\u00edcio da campanha, o artesanato Maxakali est\u00e1 sendo reconhecido no Brasil inteiro. Roberta \u00e9 m\u00e3e de tr\u00eas meninas, dedica suas horas de folga para o fomento \u00e0 campanha e tem a inten\u00e7\u00e3o de criar uma loja virtual para que as pe\u00e7as alcancem mais pessoas, sejam valorizadas e gerem independ\u00eancia para as ind\u00edgenas. Disse que s\u00f3 pensa em parar com esse movimento quando perceber que a comercializa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se mantendo sozinha, pelas m\u00e3os das mulheres. Considera que este passo ser\u00e1 muito importante para o povo Maxakali. Roberta realiza toda a campanha via redes sociais e diz se sentir muito feliz com o resultado da iniciativa porque tem certeza que est\u00e1 sendo muito importante para as mulheres da aldeia. Reafirmamos aqui, nosso reconhecimento \u00e0 nossa homenageada pela dedica\u00e7\u00e3o e empenho na preserva\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena em tempos de pandemia, motivando e fortalecendo as mulheres Maxakali do territ\u00f3rio do Vale do Mucuri.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia de COVID-19 amea\u00e7a seriamente a preserva\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas do Brasil. Essa condi\u00e7\u00e3o demanda deles o total isolamento no interior das aldeias e isso tem sido o grande desafio. 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