{"id":12761,"date":"2021-10-27T10:57:53","date_gmt":"2021-10-27T13:57:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=12761"},"modified":"2021-10-27T10:57:54","modified_gmt":"2021-10-27T13:57:54","slug":"manobra-em-jota-o-sucesso-da-intervencao-que-impactou-policiais-e-preservou-a-vida-de-uma-menina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=12761","title":{"rendered":"Manobra em jota: o sucesso da interven\u00e7\u00e3o que impactou policiais, e preservou a vida de uma menina"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Juliana-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12762\" width=\"364\" height=\"381\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Juliana-3.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Juliana-3-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Juliana-3-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 364px) 100vw, 364px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"580\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Cb-Pacheco.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12763\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12763\" class=\"wp-image-12763\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Cb-Pacheco.jpg 400w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Cb-Pacheco-207x300.jpg 207w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Cb-Pacheco-290x420.jpg 290w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><strong>Cabo Pacheco<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"520\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sd-Luara.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12764\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12764\" class=\"wp-image-12764\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sd-Luara.jpg 400w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sd-Luara-231x300.jpg 231w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sd-Luara-323x420.jpg 323w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><strong>Soldado Luara<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"400\" height=\"625\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sgt-Torres.jpg\" alt=\"\" data-id=\"12765\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sgt-Torres.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=12765\" class=\"wp-image-12765\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sgt-Torres.jpg 400w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sgt-Torres-192x300.jpg 192w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Sgt-Torres-269x420.jpg 269w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><strong>Sargento Torres<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>De fato, a atividade policial reserva surpresas inimagin\u00e1veis aos que integram \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica. A despeito das falhas que ocorrem em toda e qualquer atividade que envolva seres humanos, distintos, tanto em percep\u00e7\u00f5es pessoais quanto em n\u00edveis de aprendizado t\u00e9cnico, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es que constituem, n\u00e3o raro, testemunhos de sucesso no salvamento de vidas. Quero compartilhar com o(a) leitor(a), o relato que ouvi, em detalhes, de um integrante da guarni\u00e7\u00e3o policial militar que salvou a vida de uma crian\u00e7a, no munic\u00edpio de Te\u00f3filo Otoni, em plena noite de Dia dos Pais. Destaco os relatos dos envolvidos na inten\u00e7\u00e3o de partilhar com voc\u00eas as sensa\u00e7\u00f5es que eles provocaram em mim. Para, al\u00e9m disso, julguei necess\u00e1rio e instrutivo enfatizar a import\u00e2ncia do treinamento pr\u00e9vio para presta\u00e7\u00e3o de socorro, a postura comprometida e sens\u00edvel dos policiais envolvidos e o sucesso da interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria um dia comum de cumprimento da atividade de seguran\u00e7a p\u00fablica para a guarni\u00e7\u00e3o composta pelo, sargento Torres e cabo Pacheco. De forma n\u00e3o usual, deslocaram at\u00e9 o 19\u00ba Batalh\u00e3o para integrar \u00e0 equipe a soldado Luara. Ao realizarem a composi\u00e7\u00e3o, logo na sa\u00edda da unidade policial, uma mulher, visivelmente aflita, pediu socorro. Ela gritava intensamente, e por isso, os militares acreditaram se tratar de mais um caso de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo relato do sargento Torres, antes mesmo dos policiais se mobilizarem para descer da viatura, esta mulher abriu a porta dianteira do ve\u00edculo e o puxou pelo bra\u00e7o, alertando que seu beb\u00ea estava morrendo e ele precisava ajudar. Surpreso com a situa\u00e7\u00e3o, o policial adentrou rapidamente \u00e0 casa da mulher e notou um homem tentando reanimar uma crian\u00e7a que estava com o rosto com o tom de pele azulado. Tratava-se de uma menina, de dois anos de idade. A m\u00e3e alertou que ela teria se engasgado e que n\u00e3o estava respirando. Com as vias a\u00e9reas obstru\u00eddas, a crian\u00e7a demandava uma interven\u00e7\u00e3o urgente, que, talvez, n\u00e3o pudesse esperar a chegada do Servi\u00e7o de Atendimento M\u00e9dico de Urg\u00eancia, o SAMU.<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] a gente passou o domingo com ela, passeou, e ela normal, sempre ativa. Por volta das onze horas, ou meia noite, ela pediu mamadeira\u201d, disse o pai da menina. Em pouco tempo, a m\u00e3e da crian\u00e7a percebeu que ela estava passando mal e ficando roxa. [&#8230;] a gente at\u00e9 sabe o procedimento, mas, na hora, no momento de desespero&#8230; [sil\u00eancio] [&#8230;] ela come\u00e7ou a roxear, quando minha esposa desceu as escadas para pedir ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p>Os militares assumiram que a cena teria sido impressionante, mas, demandava a\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. Os policiais, como se sabe, s\u00e3o treinados para interven\u00e7\u00f5es associadas \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica diretamente relacionada com a prote\u00e7\u00e3o das pessoas nas mais adversas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 corriqueiro que policiais realizem salvamento de vidas nas condi\u00e7\u00f5es apresentadas no presente caso. Conforme informou o sargento Torres, [&#8230;]a Pol\u00edcia Militar n\u00e3o tem a especialidade desse tipo de salvamento, mas, o sacerd\u00f3cio, que \u00e9 a profiss\u00e3o, nos faz sempre buscar algo a mais para bem servir \u00e0 comunidade. E nesse momento a\u00ed, os militares que ali se encontravam sabiam o que deveriam fazer. \u201cEu estava no quarto, tentando reanimar ela. Foi quando o sargento Torres chegou e tomou ela da minha m\u00e3o, dos meus bra\u00e7os. O Pacheco e a Luara colocaram ela de lado. E a princ\u00edpio, era engasgamento mesmo\u201d, disse o pai da crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O COPOM chamou a guarni\u00e7\u00e3o: uma, duas, e tr\u00eas vezes, para atendimento de outras ocorr\u00eancias. Mesmo concentrado, o sargento Torres respondeu ao COPOM que estaria nas proximidades, tentando salvar uma menina. Incr\u00e9dulos, um representante policial chegou a verificar a situa\u00e7\u00e3o in loco, na busca de perceber a gravidade do caso. Perplexo, aquele militar retornou, aos prantos, para a unidade, onde descreveu a cena que acabara de ver. Em momentos de afli\u00e7\u00e3o como aquele, a empatia toma seu lugar e quem \u00e9 pai ou m\u00e3e, sente a dor dos pais que est\u00e3o passando por determinada situa\u00e7\u00e3o, mesmo se tratando de profissionais psicologicamente condicionados a lidar com estresse e press\u00e3o extrema.<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] foi uma situa\u00e7\u00e3o bem complexa, sabe? E o que nos fez ficar mais aliviados naquele momento foi ela come\u00e7ar a respirar e os batimentos card\u00edacos voltarem ao normal. [&#8230;] a alegria do policial militar de visualizar, inclusive, no dia dos pais, o pai abra\u00e7ando a filha e poder conversar com ela, [&#8230;] ali, n\u00e3o tem como. Em s\u00e3 consci\u00eancia, qualquer ser humano se emociona. \u00c9 motivo de orgulho. Por isso, parabenizo a equipe que estava comigo, a soldado Luara e o cabo Pacheco, que atuaram rapidamente e sabiam desde o in\u00edcio o que deveriam fazer para salvar a vida daquela crian\u00e7a. [&#8230;]a gente sempre frisa o la\u00e7o entre a comunidade e a Pol\u00edcia Militar e \u00e9 importante que esta comunidade confie, porque nosso objetivo \u00e9 servir e proteger. [&#8230;] Nunca deixaremos de cumprir nosso dever\u201d, enfatizou o sargento.<\/p>\n\n\n\n<p>A manobra de Heimlich foi utilizada para desobstruir as vias a\u00e9reas da crian\u00e7a. Para os interessados em aprender, o treinamento pode ser acessado via youtube, conforme a descri\u00e7\u00e3o que segue abaixo. Seguindo os passos da manobra, o sargento Torres, ap\u00f3s uma primeira tentativa frustrada, conseguiu fazer com que a crian\u00e7a voltasse a respirar. \u201cA a\u00e7\u00e3o teve o apoio da soldado Luara e do cabo Pacheco, que auxiliaram na interven\u00e7\u00e3o. Aos poucos, expelindo bastante secre\u00e7\u00e3o pela boca, a menina retomou a colora\u00e7\u00e3o normal de sua pele e come\u00e7ou a chorar. A afli\u00e7\u00e3o durou cerca de 10 minutos, pouco tempo antes da equipe do SAMU chegar\u201d. Em contato com a crian\u00e7a, a profissional m\u00e9dica perguntou \u00e0 guarni\u00e7\u00e3o PM o que teria sido feito para reanim\u00e1-la, sendo respondido sobre a manobra de Heimlich, realizada em jota \u2013 press\u00e3o moderada da m\u00e3o fechada desde o umbigo em dire\u00e7\u00e3o ao externo da crian\u00e7a, simulando a letra jota. Disse a m\u00e9dica: \u201cn\u00e3o temos mais nada o que fazer aqui. Voc\u00eas j\u00e1 fizeram o que precisava ser feito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o impressionante que passei duas noites acordada pensando no acontecido\u201d, relatou a soldado Luara. J\u00e1 o cabo Pacheco descreveu o momento como \u201cemocionante\u201d. \u201c[&#8230;] voc\u00ea nunca sabe se a pessoa vai voltar. Eu vi minha filha naquela crian\u00e7a. E sofri junto com o pai dela. Mas, gra\u00e7as a Deus, deu tudo certo e fomos presenteados quando ela voltou a respirar\u201d. Ap\u00f3s o resgate, ela foi encaminhada pelo SAMU ao hospital e acabou passando mal novamente, tendo crises convulsivas. Passados dois meses desde aquele dia dos pais, ap\u00f3s o susto, a crian\u00e7a passa bem.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a constru\u00e7\u00e3o deste texto, entrei em contato, tanto com a guarni\u00e7\u00e3o PM, quanto com os pais da crian\u00e7a. Neste momento, optei por deixar de publicizar a imagem da menina, saud\u00e1vel, enviada a mim, pelo pai. A situa\u00e7\u00e3o, complexa, exigiu importante esfor\u00e7o de minha parte para traduzir os relatos em detalhes, mas, tentando ser direta.<\/p>\n\n\n\n<p>A li\u00e7\u00e3o extra\u00edda da situa\u00e7\u00e3o remete \u00e0 necessidade perene do treinamento policial para atua\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es que demandem, al\u00e9m da capacidade t\u00e9cnica, aprimorado n\u00edvel de controle emocional. Destaco o caso porque serve de exemplo para outros profissionais de seguran\u00e7a p\u00fablica, especialmente policiais militares, que devem estar na permanente busca pelo aprimoramento de suas t\u00e9cnicas e dos cuidados com sua sa\u00fade mental. A Pol\u00edcia Militar oferece cursos presenciais e virtuais relacionados \u00e0s atividades de alto impacto psicol\u00f3gico, mas, exige-se, obviamente, o comprometimento dos profissionais para tal assimila\u00e7\u00e3o e isso foi percebido no caso aqui relatado. A equipe cumpriu seu papel com excel\u00eancia, sustentando o que a respectiva corpora\u00e7\u00e3o tem por base: o ato de servir e proteger.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong> Informa\u00e7\u00f5es disponibilizadas pelos militares envolvidos e pelo pai da crian\u00e7a. Fotos cedidas pelos componentes da guarni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para saber mais sobre a manobra em jota:<\/strong> Felipe Azevedo, enfermeiro. Como desengasgar crian\u00e7as? Manobra de Heimlich em crian\u00e7as. V\u00eddeo dispon\u00edvel no Youtube: https:\/\/youtu.be\/PwAR3Iau7-Q; Acessado em 23. Out. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>[&#8230;] foi uma situa\u00e7\u00e3o bem complexa, sabe? [&#8230;] no Dia dos Pais, o pai abra\u00e7ando a filha [&#8230;] naquele momento, n\u00e3o tem como. Em s\u00e3 consci\u00eancia, qualquer ser humano se emociona\u201d<\/strong> (Alex Torres, sargento PM).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u201cA situa\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o impressionante que passei duas noites acordada pensando no acontecido\u201d<\/strong> (Luara Ohana, soldado PM).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De fato, a atividade policial reserva surpresas inimagin\u00e1veis aos que integram \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica. A despeito das falhas que ocorrem em toda e qualquer atividade que envolva seres humanos, distintos, tanto em percep\u00e7\u00f5es pessoais quanto em n\u00edveis de aprendizado t\u00e9cnico, h\u00e1 a\u00e7\u00f5es que constituem, n\u00e3o raro, testemunhos de sucesso no salvamento de vidas. 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