{"id":13101,"date":"2021-11-19T11:33:32","date_gmt":"2021-11-19T14:33:32","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13101"},"modified":"2021-12-01T23:27:00","modified_gmt":"2021-12-02T02:27:00","slug":"musica-e-vida-a-historia-do-menino-que-saiu-do-agreste-pernambucano-para-a-banda-de-musica-da-pmmg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13101","title":{"rendered":"\u201cM\u00fasica e Vida\u201d: a hist\u00f3ria do menino que saiu do agreste pernambucano para a Banda de m\u00fasica da PMMG"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Juliana-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13107\" width=\"377\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Juliana-1.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Juliana-1-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Juliana-1-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"400\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sd-Cristiano.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13102\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13102\" class=\"wp-image-13102\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sd-Cristiano.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sd-Cristiano-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><strong>Soldado Cristiano<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"425\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13106\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13106\" class=\"wp-image-13106\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1-300x213.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1-100x70.jpg 100w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Servindo-a-Banda-1-593x420.jpg 593w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\"><strong>Servindo \u00e0 Banda de M\u00fasica<\/strong><\/figcaption><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"567\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sebastian-em-Pernambuco-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13105\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13105\" class=\"wp-image-13105\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sebastian-em-Pernambuco-1.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sebastian-em-Pernambuco-1-300x284.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Sebastian-em-Pernambuco-1-444x420.jpg 444w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><figcaption class=\"blocks-gallery-item__caption\">Sebastian em Pernambuco<\/figcaption><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p>Assim como as v\u00edvidas mem\u00f3rias e o sotaque nordestino, os calos ainda fazem parte da est\u00e9tica das m\u00e3os do menino que trabalhava na agricultura e que rompeu as barreiras geogr\u00e1fica, social, cultural e econ\u00f4mica por meio da m\u00fasica cl\u00e1ssica. Do agreste pernambucano, precisamente, do munic\u00edpio de S\u00e3o Caetano, nas proximidades de Caruaru, a capital nacional do forr\u00f3, veio minha inspira\u00e7\u00e3o para a escrita desta semana. Aos 13 anos, o garoto de pais analfabetos ingressava em um projeto social que mudaria o rumo do seu previs\u00edvel destino. Sebastian, sem perceber, com o apoio de pessoas que chegaram \u00e0 sua vida, rompeu a bolha que restringiria seu acesso ao mundo de oportunidades e saltou o muro imagin\u00e1rio que o impediria de mudar o curso de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu percurso foi marcado por dificuldades que o imp\u00f4s algumas limita\u00e7\u00f5es, mas, que lhe reservou gratas surpresas. Dentre as quais, o ingresso no Conservat\u00f3rio de m\u00fasica, fruto do esfor\u00e7o do maestro Mozart Vieira. Na Funda\u00e7\u00e3o \u201cM\u00fasica e Vida\u201d, nasceu a Orquestra \u201cMeninos de S\u00e3o Caetano\u201d, que virou filme. Sob atentos olhares, ganhou os palcos internacionais a partir de meados da d\u00e9cada de 1990 e apoio para sua manuten\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia do destaque alcan\u00e7ado. Espa\u00e7o em que Sebasti\u00e3o Cristiano Menezes Ribeiro, carinhosamente chamado de Sebastian iniciou sua hist\u00f3ria com a m\u00fasica uma d\u00e9cada depois.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresentado ao estilo cl\u00e1ssico, Sebastian tomou gosto pelos estudos e come\u00e7ou a sonhar al\u00e9m do que teria sido a ele apresentado pela vida. O menino encontrou na paix\u00e3o pelos instrumentos de sopro um sentido. Foi no trombone que se aprimorou. Um percurso que encontrou no caminho o Assir Silva, que, certa vez, visitou o conservat\u00f3rio. Ele ajeitava seu instrumento na data em que completava tr\u00eas dias do falecimento do seu pai, o Sr. Jo\u00e3o. Ao visualizar o garoto, Assir lembrou-se do filho, assassinado em um assalto na capital pernambucana, Recife. A partir dali, Sebastian teria sido acolhido por Assir, como se o fizesse por seu filho.<\/p>\n\n\n\n<p>O garoto do agreste, no ano seguinte, foi visitado em sua humilde casa por aquele homem, que vivia nos Estados Unidos h\u00e1 alguns anos. Sebastian receberia de Assir um trombone novo, de uma das melhores marcas do mercado de instrumentos\u2013Stradivarius. Como se n\u00e3o bastasse, durante tr\u00eas anos recebeu apoio financeiro para custear o deslocamento de sua cidade at\u00e9 a capital do estado da Para\u00edba \u2013 Jo\u00e3o Pessoa (330 km de dist\u00e2ncia), onde foi incentivado a fazer um curso com o \u00fanico doutor em trombone do Brasil \u00e0 \u00e9poca, o professor Radegundes Feitosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para economizar, ele pegava carona at\u00e9 Recife, e de l\u00e1, embarcava em um \u00f4nibus at\u00e9 a capital paraibana. Dormia na casa dos estudantes para estar no local das aulas na manh\u00e3 do dia seguinte. A atitude de Assir foi fundamental para sua prepara\u00e7\u00e3o para o processo seletivo no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). Sebastian cursou licenciatura em m\u00fasica, com especializa\u00e7\u00e3o em Trombone. A experi\u00eancia da gradua\u00e7\u00e3o o permitiu participar de um projeto de musicoterapia voltado para pessoas internadas em hospitais, dentre os quais, pacientes em est\u00e1gio terminal de c\u00e2ncer. Foi nessa fase que ele percebeu o quanto a m\u00fasica envolve as pessoas, leva esperan\u00e7a e novas formas de olhar a vida ou, o findar dela. \u201cEssa arte me transformou em uma pessoa que nunca tinha pensado em ir numa faculdade para uma pessoa que presenciou como a m\u00fasica pode transformar a vida de algu\u00e9m no leito de hospital\u201d (Sebastian).<\/p>\n\n\n\n<p>O seu ingresso na Pol\u00edcia Militar mineira se deu quando percebeu que para nutrir seu sonho de permanecer na m\u00fasica com estabilidade, precisaria aliar sua maior paix\u00e3o \u00e0 vontade, anteriormente nutrida, de ingressar nas for\u00e7as armadas. Mesmo com pais com nenhuma instru\u00e7\u00e3o formal, foi incentivado a estudar. Eles viam nos estudos a possibilidade de Sebastian ter um destino diferente do deles. Assim como o pai, sua m\u00e3e, a Dona Cristina Ver\u00edssimo, as irm\u00e3s Sandra e Cristiane foram e permanecem sendo grandes incentivadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprovado nas primeiras fases dos concursos para Fuzileiro Naval e tamb\u00e9m para a Pol\u00edcia Militar de Minas, ele seguiu o conselho de um amigo da PM do Tocantins. Com base no que conhecia da hist\u00f3ria da PMMG, o incentivou a ingressar nesta corpora\u00e7\u00e3o. Assim, o fez. Em janeiro de 2014, ap\u00f3s longo per\u00edodo de fases do concurso na capital mineira, o garoto do agreste pernambucano iniciava sua forma\u00e7\u00e3o em uma das pol\u00edcias mais bem-conceituadas do pa\u00eds. Ao se formar, o soldado Cristiano passou a compor, com mais tr\u00eas colegas da mesma turma de policiais especialistas, a banda de m\u00fasica da 15\u00aa Regi\u00e3o de Pol\u00edcia Militar, sediada em Te\u00f3filo Otoni\/MG. Percorre, em equipe, munic\u00edpios dos territ\u00f3rios dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, levando a emo\u00e7\u00e3o produzida pela harmonia dos seus distintos instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Como descrevi, a trajet\u00f3ria de Sebastian foi baseada em m\u00fasica e por ela, idealizou, no ano de 2016, um projeto social que alcan\u00e7a cerca de 40 crian\u00e7as e adolescentes de comunidades perif\u00e9ricas do munic\u00edpio de Te\u00f3filo Otoni. A boa refer\u00eancia do agreste de Pernambuco materializou-se por aqui, no nordeste de Minas, onde Sebastian ministra aulas de m\u00fasica. N\u00e3o apenas isso, relembrando os apoios que obteve ao longo da vida, devolve, em trabalho volunt\u00e1rio junto aos seus alunos, o que recebeu no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Como professor atento, permanece estudando m\u00fasica para ensinar aos cursistas, acompanhar o desenvolvimento de cada um e se empenhar para adquirir os instrumentos, que, vale lembrar, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7os populares. A hist\u00f3ria do garoto pernambucano em terras mineiras n\u00e3o se limita ao exposto at\u00e9 aqui. Por conta disso, referenciei os momentos mais simb\u00f3licos dessa trajet\u00f3ria para enfatizar o quanto a arte, em forma de m\u00fasica, tem o poder de transformar, edificar e inspirar pessoas a explorar melhor suas viv\u00eancias. Com mais aten\u00e7\u00e3o, sensibilidade e carinho consigo pr\u00f3prias e com o outro (Imagens: arquivo pessoal do Sebastian).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Link para o filme \u201cOrquestra do Meninos\u201d: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/w7XjrXTKpnQ\">https:\/\/youtu.be\/w7XjrXTKpnQ<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>1\u00ba CD dos Meninos de S\u00e3o Caetano \/ Gravado em 1994 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MGhv5X4SZuc\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=MGhv5X4SZuc<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como as v\u00edvidas mem\u00f3rias e o sotaque nordestino, os calos ainda fazem parte da est\u00e9tica das m\u00e3os do menino que trabalhava na agricultura e que rompeu as barreiras geogr\u00e1fica, social, cultural e econ\u00f4mica por meio da m\u00fasica cl\u00e1ssica. 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