{"id":13252,"date":"2021-12-01T23:26:46","date_gmt":"2021-12-02T02:26:46","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13252"},"modified":"2021-12-01T23:26:47","modified_gmt":"2021-12-02T02:26:47","slug":"ceu-abaixo-o-filme-narrativas-em-torno-do-garimpo-na-regiao-da-capital-mundial-das-pedras-preciosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13252","title":{"rendered":"C\u00c9U ABAIXO \u2013 o filme: narrativas em torno do garimpo na regi\u00e3o da capital mundial das pedras preciosas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13253\" width=\"340\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana-286x300.jpg 286w, 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marcou a estreia do filme C\u00e9u Abaixo, que ocorreu no espa\u00e7o da Expominas, no munic\u00edpio mineiro de Te\u00f3filo Otoni, n\u00e3o por acaso, conhecido como a capital mundial das pedras preciosas. Sem pensar duas vezes, garanti minha entrada.<\/p>\n\n\n\n<p>O lan\u00e7amento contou com a casa cheia, espectadores de distintos munic\u00edpios e faixas et\u00e1rias. No amplo espa\u00e7o destinado \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o do filme encontravam-se, tanto autoridades e representantes das esferas p\u00fablicas \u2013 executivo e legislativo, quanto do \u00e2mbito da cultura. A produ\u00e7\u00e3o teve trilha sonora baseada no contexto regional, previamente apresentada pelo artista\/cantor Pereira da Viola.<\/p>\n\n\n\n<p>O roteiro trouxe como pano de fundo uma hist\u00f3ria de garimpo, escrita e dirigida por dois jovens, o Gabriel Ferreira e o Arthur Sambuc. Para a produ\u00e7\u00e3o, os idealizadores da trama passaram pela experi\u00eancia imersiva em um garimpo. Oportunidade que os levou a captar aspectos importantes das rela\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas entre as pessoas e quanto \u00e0 din\u00e2mica estabelecida naquele ambiente. O enredo, ficcional, baseou-se na especificidade de um garimpo e pretendeu englobar os costumes, valores, cren\u00e7as e modo de vida por essas terras. Os jovens, empenhados em registrar em filme suas inquieta\u00e7\u00f5es, julgaram imperativa a necessidade de valoriza\u00e7\u00e3o das pessoas desse lugar e enfatizar o quanto os territ\u00f3rios do Vale do Mucuri e Jequitinhonha representam para cada uma delas.<\/p>\n\n\n\n<p>A atividade de extra\u00e7\u00e3o de pedras preciosas e semipreciosas caracterizou, por um bom tempo, a regi\u00e3o que circunda o munic\u00edpio de Te\u00f3filo Otoni, garantindo-lhe, inclusive, o reconhecimento de capital mundial das pedras preciosas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em que pese, eu tamb\u00e9m tenha um hist\u00f3rico familiar associado ao garimpo, confesso que nunca cheguei a pesquisar localmente ou parar para ouvir os mais velhos contarem seus causos. Penso que o C\u00e9u Abaixo assumiu este papel de despertar tanto em mim, quanto em in\u00fameros outros espectadores, o interesse de saber mais sobre a imbricada rela\u00e7\u00e3o do povo desse lugar com o garimpo.<\/p>\n\n\n\n<p>As produtoras do filme foram duas aguerridas mulheres. Digo dessa forma porque imagino o qu\u00e3o dif\u00edcil tenha sido, nessa nossa regi\u00e3o, persuadir investidores a apostarem em algo t\u00e3o subjetivo como a arte e a mobilizar a popula\u00e7\u00e3o a consumir cultura feita por gente nossa, sem a caracter\u00edstica das superprodu\u00e7\u00f5es do cinema tradicional. Mais do que justo que reconhe\u00e7amos a habilidade e destreza do empenho de Marc\u00e9lia Aguiar Ferreira e Rinara Lopes Negreiros Kokudai. Juntas ou separadas, elas mobilizaram \u201cmundos e fundos\u201d, literalmente, para que o C\u00e9u Abaixo se tornasse algo real. Foram muitas interven\u00e7\u00f5es em canais de r\u00e1dio, entrevistas e similares. A perseveran\u00e7a foi uma marca dessas mulheres, afirmo e reafirmo isso porque, de fora, distante do \u201ccorre\u201d que fizeram, percebi o quanto se empenharam.<\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente \u00e0 exibi\u00e7\u00e3o do filme, em um bate papo com Marc\u00e9lia, que conheci recentemente, justamente em raz\u00e3o dessa produ\u00e7\u00e3o, confirmei o que acabara de perceber assistindo ao filme. Que o enredo girava em torno da inten\u00e7\u00e3o de trazer algumas caracter\u00edsticas regionais, destacando aspectos que fizeram parte do cen\u00e1rio do garimpo, como a perspectiva da f\u00e9 crist\u00e3, da gan\u00e2ncia e do anseio de cada personagem de encontrar uma pedra preciosa que pudesse transformar sua vida. Muitos dos personagens n\u00e3o eram atores profissionais, o que deixou a hist\u00f3ria ainda mais aproximada do p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento de pertencimento foi despertado ao longo da exibi\u00e7\u00e3o porque os detalhes do modo de vida da nossa gente foram fielmente reproduzidos. Por tal motivo, talvez possa ter causado estranheza a forma da comunica\u00e7\u00e3o entre os personagens, por vezes, com linguajar carregado de regionalismos e sem censura quanto aos palavr\u00f5es empregados. De fato, tomar p\u00e9 da realidade da linguagem regional, envolta por g\u00edrias e entona\u00e7\u00f5es, pode assustar, mas, \u00e9 a mais perfeita tradu\u00e7\u00e3o da verdade sobre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p>As rela\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas e rompidas; o espa\u00e7o de intimidade familiar; as preocupa\u00e7\u00f5es e aspira\u00e7\u00f5es dos trabalhadores da \u201clavra\u201d; a fiscaliza\u00e7\u00e3o r\u00edgida do dono das terras; a justi\u00e7a feita na clandestinidade por contratos informais entre os indiv\u00edduos; os cen\u00e1rios dos botecos e do \u00e1lcool como ref\u00fagio \u00e0s tens\u00f5es cotidianas; a seguran\u00e7a privada do garimpo; e as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia de um povo que trabalha duro e anseia por mudan\u00e7a s\u00e3o meus pontos de destaque sobre a obra. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o omitiu os sons da natureza, tampouco, o jeito desconfiado, t\u00edmido e por vezes, ousado das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante do que vi, tecnicamente, pouco ou nada posso opinar. No entanto, pelas sensa\u00e7\u00f5es produzidas pelo filme, traduzidas na rea\u00e7\u00e3o das pessoas, n\u00e3o posso dizer que ele n\u00e3o atendeu ao que pretendia. O enredo \u00e9 parte da hist\u00f3ria de cada um. Isso pode ser percebido pelas gargalhadas diante de situa\u00e7\u00f5es expostas no filme que s\u00e3o corriqueiras aqui no mundo real e pela ansiedade gerada s\u00f3 de visualizar por curto per\u00edodo a afli\u00e7\u00e3o do protagonista ao tentar localizar a pedra de brilho intenso. Apesar da diversidade de caracter\u00edsticas locais que percebi, notei que a hist\u00f3ria foi interrompida antes de ser finalizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez n\u00e3o tenha sido a inten\u00e7\u00e3o dos autores, mas, o C\u00e9u Abaixo pareceu mais um \u00fanico epis\u00f3dio de uma s\u00e9rie da Netflix, e que por isso, merece continuidade. Certamente, os daqui, dos vales Mucuri e Jequitinhonha que tiveram a trajet\u00f3ria de seus familiares embreada por anos na atividade de garimpo, gostaria de ter registros t\u00e3o fi\u00e9is de novos epis\u00f3dios de suas hist\u00f3rias. C\u00e9u Abaixo \u00e9 uma hist\u00f3ria comum das gentes desse lugar, uma ousadia juvenil que despertou mem\u00f3rias que, sem registros, v\u00e3o-se com o tempo. E n\u00e3o \u00e9 bem isso que queremos. De c\u00e1, ansiosa por C\u00e9u Abaixo II (Imagem: divulga\u00e7\u00e3o de C\u00e9u Abaixo).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O feriado de 15 de novembro de 2021 marcou a estreia do filme C\u00e9u Abaixo, que ocorreu no espa\u00e7o da Expominas, no munic\u00edpio mineiro de Te\u00f3filo Otoni, n\u00e3o por acaso, conhecido como a capital mundial das pedras preciosas. Sem pensar duas vezes, garanti minha entrada. 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