{"id":13538,"date":"2021-12-23T23:47:09","date_gmt":"2021-12-24T02:47:09","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13538"},"modified":"2021-12-24T00:54:13","modified_gmt":"2021-12-24T03:54:13","slug":"tres-exemplos-simples-do-ato-de-controlar-alguem-sob-a-desculpa-do-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13538","title":{"rendered":"Tr\u00eas exemplos simples do ato de controlar algu\u00e9m sob a desculpa do cuidado"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13540\" width=\"339\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Juliana-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 339px) 100vw, 339px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"500\" height=\"387\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/a844a251-ca4e-434c-8e66-c15980f0a12a.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13539\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/a844a251-ca4e-434c-8e66-c15980f0a12a.jpg 500w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/a844a251-ca4e-434c-8e66-c15980f0a12a-300x232.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Confundir o ato de outra pessoa de controlar nossas a\u00e7\u00f5es pessoais com o ato de cuidar, n\u00e3o deixa de ser uma esp\u00e9cie de autossabotagem quando nos \u00e9 claro que ceder \u00e0 persuas\u00e3o desse outro n\u00e3o nos faz bem. Sabemos, no nosso \u00edntimo, quando uma rela\u00e7\u00e3o nos suga as energias e acontece \u00e0 base da press\u00e3o por comportamentos pseudoadequados. Nesse mundo de correrias, sem espa\u00e7o para reflex\u00f5es pessoais, \u00e9 muito comum que nossas car\u00eancias afetivas escolham por n\u00f3s e nos deixem em maus len\u00e7\u00f3is ao longo do relacionamento que teimamos manter. \u00c9 teimosia se o alerta que vem de n\u00f3s mesmos j\u00e1 anunciava incompatibilidade com nossos valores pessoais.<\/p>\n\n\n\n<p>Adentro a este tema porque ele importa a mulheres e homens, apesar de alcan\u00e7ar, principalmente o p\u00fablico feminino. Concordo que suas discuss\u00f5es est\u00e3o mais diretamente relacionadas a um campo diferente da minha forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica base (servi\u00e7o social). Contudo, est\u00e1 muito presente tanto na minha pesquisa doutoral, quanto no meu trabalho profissional no campo da seguran\u00e7a p\u00fablica, quando trato de formular interven\u00e7\u00f5es aplic\u00e1veis \u00e0s express\u00f5es da viol\u00eancia dom\u00e9stica contra meninas e mulheres do territ\u00f3rio em que atuo como policial militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00f3bvio, os saberes n\u00e3o admitem fronteiras e a ideia engessada de que o conhecimento sobre determinado assunto est\u00e1 limitado a um campo espec\u00edfico do saber ou outro, j\u00e1 caiu em desuso. A interdisciplinaridade \u00e9 a bola da vez. As tem\u00e1ticas interconectam-se e, conjuntamente, possibilitam solu\u00e7\u00f5es vi\u00e1veis para o enfrentamento de quest\u00f5es caras \u00e0 sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ouso pontuar <strong>tr\u00eas exemplos simples <\/strong>e bastante comuns em relacionamentos \u00edntimos, onde o controle sobre as a\u00e7\u00f5es de uma pessoa sobre a outra, n\u00e3o raro, \u00e9 confundido com o cuidado. Pelo que percebo no dia a dia e leio em referenciais da \u00e1rea, a constante vigil\u00e2ncia e cerco sobre uma pessoa que se julga amar, diz mais respeito \u00e0 inseguran\u00e7a do vigia do que de sua afei\u00e7\u00e3o pela pessoa \u201camada\u201d. Por outro lado, a pessoa sob o olhar do tal vigia, sujeita-se \u00e0quela postura do (a) companheiro(a), sob a velha m\u00e1xima de que \u201co ci\u00fame \u00e9 o tempero do amor\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A naturaliza\u00e7\u00e3o de posturas que, a princ\u00edpio, parecem fofas e afetuosas, pode significar a chave principal de um relacionamento abusivo consentido. Por isso, alerto para que tenha as antenas ligadas. Pontuo tr\u00eas frases e logo em seguida, questiono sobre elas.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>1- Querida (o), onde voc\u00ea t\u00e1? Manda foto de agora!<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>Qual o n\u00edvel de confian\u00e7a entre as partes para que seja tolerada a exig\u00eancia de comprova\u00e7\u00e3o por meio de uma foto? Uma das bases do relacionamento saud\u00e1vel n\u00e3o seria a confian\u00e7a? Que tipo de relacionamento temos constru\u00eddo ao nos iludirmos que teremos sob nossas r\u00e9deas a vida de outra pessoa? Porque aceitamos que o(a) outro(a) desconfie das nossas a\u00e7\u00f5es?<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>2- Meu amor, eu confio em voc\u00ea. Eu n\u00e3o confio neles (as)! Com essa roupa voc\u00ea n\u00e3o vai!<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>Qual o n\u00edvel de compreens\u00e3o das partes sobre o que vem a ser a objetifica\u00e7\u00e3o do corpo feminino, os padr\u00f5es socialmente constru\u00eddos sobre esses corpos e o quanto a adequa\u00e7\u00e3o a essas normas priva, principalmente as mulheres, de experienciarem uma vida livre de julgamentos? O que a confian\u00e7a no (a) parceiro (a) tem a ver com as escolhas que ele faz sobre seu pr\u00f3prio corpo?<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>3- Querida (o), quando sair para o trabalho, me liga e diz com quem voc\u00ea foi. Quando chegar no trabalho, me liga. Quando sair, me liga! Quando chegar em casa, me liga! N\u00e3o \u00e9 controle, \u00e9 cuidado.<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>A vigil\u00e2ncia de cada passo ocorreu na inf\u00e2ncia de todos n\u00f3s. Foi a forma que nossos cuidadores encontraram de lidar com a nossa limita\u00e7\u00e3o de capacidade de discernir o que \u00e9 seguro do que \u00e9 perigoso. Foi uma fase de absoluto cuidado mesmo. Por outro lado, na fase adulta, isso \u00e9 diferente. Espera-se que a crian\u00e7a e\/ou adolescente tenha amadurecido e superado a fase de incapacidade de decidir o que \u00e9 bom e o que n\u00e3o lhe conv\u00e9m. Pois bem, muitas pessoas ainda n\u00e3o superaram essa necessidade de cuidado e se permite a vigil\u00e2ncia constante por parte de pessoas pr\u00f3ximas e especialmente, por parceiros(as) \u00edntimos(as). Na dire\u00e7\u00e3o oposta, h\u00e1 aqueles (as) que se prestam ao papel de vigiar, como se n\u00e3o confiassem no valor que t\u00eam.<\/p>\n\n\n\n<p>Elenquei essas frases comuns para dizer o quanto o ABUSO tamb\u00e9m ocorre de forma branda e supostamente carinhosa. Por isso, enfatizo que se a antena pessoal n\u00e3o for acionada, mais cedo ou mais tarde, o ser \u201camado\u201d v\u00ea-se numa gaiola, com a porta aberta e sem vontade de voar. Acomoda- -se sob a pseudo seguran\u00e7a de um dado relacionamento afetivo que tende a anular suas potencialidades sem que ele (a) se d\u00ea conta disso. Sem a consci\u00eancia do que ocorre e a din\u00e2mica que t\u00eam se comportado nas suas rela\u00e7\u00f5es, dificilmente, as partes mudam de postura. Portanto, alerta ligado e se sentir algo de estranho, fuja. (Imagem: <a href=\"https:\/\/pareolheobserve.blogspot.com\">https:\/\/pareolheobserve.blogspot.com<\/a>). <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confundir o ato de outra pessoa de controlar nossas a\u00e7\u00f5es pessoais com o ato de cuidar, n\u00e3o deixa de ser uma esp\u00e9cie de autossabotagem quando nos \u00e9 claro que ceder \u00e0 persuas\u00e3o desse outro n\u00e3o nos faz bem. 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