{"id":13787,"date":"2022-01-16T22:53:20","date_gmt":"2022-01-17T01:53:20","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13787"},"modified":"2022-01-17T01:27:36","modified_gmt":"2022-01-17T04:27:36","slug":"religiao-e-prevencao-criminal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13787","title":{"rendered":"RELIGI\u00c3O E PREVEN\u00c7\u00c3O CRIMINAL"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>O PAPEL DO GINTER NA PRESTA\u00c7\u00c3O DE ASSIST\u00caNCIA RELIGIOSA E DE CONTROLE SOCIAL NO SISTEMA PRISIONAL DO ESP\u00cdRITO SANTO<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><em>\u201c<\/em>A pris\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o as grades, e a liberdade n\u00e3o \u00e9 a rua; existem homens presos na rua e livres na pris\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o de consci\u00eancia.<strong><em>\u201d<\/em><\/strong> - <a href=\"https:\/\/www.pensador.com\/autor\/mahatma_gandhi\/\">Mahatma Gandhi<\/a><\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13788\" width=\"597\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE-300x214.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE-100x70.jpg 100w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE-696x497.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/DESTAQUE-588x420.jpg 588w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption><strong><strong>Jeferson Botelho Pereira &#8211; <\/strong>Professor de Direito Penal e Processo Penal.<\/strong><br><strong>Especializa\u00e7\u00e3o em Combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, Antiterrorismo e combate ao<\/strong><br><strong>crime organizado pela Universidade de Salamanca &#8211; Espanha. Mestrando<\/strong><br><strong>em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es pela Faculdade Unida de Vit\u00f3ria\/ES. Advogado<\/strong><br><strong>e autor de obras jur\u00eddicas. Palestrante.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO. <\/strong>O presente trabalho teve como objetivo discutir como a assist\u00eancia religiosa pode servir na ressocializa\u00e7\u00e3o dos presos e na preven\u00e7\u00e3o de reincid\u00eancia criminal, al\u00e9m de controle social, tendo como foco de investiga\u00e7\u00e3o, o trabalho do GINTER (Grupo de Trabalho Interconfessional da Secretaria de Justi\u00e7a do Esp\u00edrito Santo). O sistema prisional visa tirar do conv\u00edvio social \u00e0queles que cometeram delitos, ou seja, infringiram a regras de conv\u00edvio na sociedade. Entretanto sabe-se que por diversos motivos, os sistemas prisionais n\u00e3o t\u00eam conseguido realizar o papel de ressocializar esses indiv\u00edduos, o que faz com que esses, ao cumprirem suas penas, muitas vezes voltem a cometer delitos que os conduzem novamente aos pres\u00eddios. A superlota\u00e7\u00e3o e condi\u00e7\u00f5es de vida, nos pres\u00eddios, muitas vezes provocam revoltas manifestadas em forma de rebeli\u00f5es e cenas de viol\u00eancia e o processo de ressocializa\u00e7\u00e3o fica cada dia mais distante. Perante esse cen\u00e1rio aparece a assist\u00eancia religiosa, amparada pelas legisla\u00e7\u00f5es vigentes, como forma de cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculo entre esses indiv\u00edduos apenados e a sociedade, num esp\u00edrito solid\u00e1rio de humanidade. Sabe-se que a religi\u00e3o \u00e9 um importante meio de controle social e quando o Estado n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar determinadas fun\u00e7\u00f5es, no caso a ressocializa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, a assist\u00eancia religiosa aparece e dentro das ideologias religiosas, procura fazer esse papel. Como forma de sistematiza\u00e7\u00e3o, o trabalho foi dividido em tr\u00eas cap\u00edtulos, no primeiro foi apresentada a vis\u00e3o jur\u00eddica da presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios com as normas jur\u00eddicas atinentes \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa, a finalidade da pena e seus instintos de pol\u00edtica criminal, al\u00e9m dos aspectos legais e sociol\u00f3gicos da capelania carcer\u00e1ria. No segundo cap\u00edtulo foi discutido o entrela\u00e7amento da sociologia e da religi\u00e3o dentro do Direito na busca da constru\u00e7\u00e3o da paz social, observando a quest\u00e3o da religi\u00e3o como forma de coes\u00e3o e controle social, tendo como bases te\u00f3ricas \u00c9mile Durkheim e Michel Foucault, apesar das pol\u00eamicas existentes na quest\u00e3o de o controle social ser positivo ou negativo. O terceiro cap\u00edtulo foi dedicado ao estudo do GINTER, seu papel e fun\u00e7\u00e3o na ressocializa\u00e7\u00e3o do condenado. Como metodologia de trabalho ser\u00e1 utilizada uma vasta pesquisa te\u00f3rica sobre o assunto, incluindo te\u00f3ricos como Emile Durkheim, que apresenta a perspectiva social da assist\u00eancia religiosa e Foucault que apresenta a mesma como controle social. Apesar de serem perspectivas diferentes, n\u00e3o s\u00e3o antag\u00f4nicas, uma vez que, o controle \u00e9 uma das modalidades para a coes\u00e3o da sociedade. Al\u00e9m da revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica foi feita uma pesquisa, atrav\u00e9s de um Estudo de Caso, com membros do GINTER, com a finalidade de analisar como funciona a pr\u00e1tica da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios. Percebeu-se no presente trabalho que a assist\u00eancia religiosa contribui no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o do condenado, melhorando os aspectos humanos e dando ao condenado uma perspectiva melhor de inser\u00e7\u00e3o ao conv\u00edvio social, ap\u00f3s o cumprimento de sua pena, mas cumpre muito mais uma fun\u00e7\u00e3o de preenchimento das lacunas deixadas pelo Estado na perspectiva das condi\u00e7\u00f5es nas pris\u00f5es que o sentido da religiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Assist\u00eancia religiosa. Ressocializa\u00e7\u00e3o. Condenados.&nbsp; Pres\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>ABSTRACT<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-preformatted\"><em>The present work aimed to discuss how religious assistance can serve to re-socialize prisoners and prevent criminal recidivism, in addition to social control, with the focus of investigation, the work of GINTER (Interfaith Working Group of the Secretariat of Justice of the Spirit) Holy). The prison system aims to remove those who have committed crimes, that is, have violated the rules of living in society. However, it is known that for various reasons, prison systems have failed to perform the role of re-socializing these individuals, which makes them, when serving their sentences, often committing crimes that lead them back to prisons. Overcrowding and living conditions in prisons often provoke revolts in the form of rebellions and scenes of violence, and the process of re-socialization is increasingly distant. Against this backdrop, religious assistance appears, supported by current legislation, as a way of creating a bond between these convicted individuals and society, in a spirit of solidarity with humanity. It is known that religion is an important means of social control and when the State is unable to achieve certain functions, in this case prison re-socialization, religious assistance appears and within religious ideologies, it seeks to play this role.<\/em><strong><em> <\/em><\/strong><em>As a form of systematization, the work was divided into three chapters, in the first the legal vision of the provision of religious assistance in prisons was presented with the legal norms related to the provision of religious assistance, the purpose of the penalty and its criminal policy instincts, in addition to the legal and sociological aspects of prison chaplaincy. In the second chapter, the intertwining of sociology and religion within the law was discussed in the search for the construction of social peace, observing the issue of religion as a form of social cohesion and control, having as theoretical bases \u00c9mile Durkheim and Michel Foucault, despite the existing controversies whether social control is positive or negative. The third chapter was dedicated to the study of GINTER, its role and function in the re-socialization of the condemned. As a work methodology, a vast theoretical research on the subject will be used, including theorists such as Emile Durkheim, who presents the social perspective of religious assistance and Foucault who presents it as social control. Despite being different perspectives, they are not antagonistic, since, control is one of the modalities for the cohesion of society. In addition to the literature review, a research was carried out, through a Case Study, with members of the GINTER, in order to analyze how the practice of religious assistance works in prisons. It was perceived in the present study that religious assistance contributes to the process of re-socializing the condemned, improving human aspects and giving the condemned a better perspective of insertion into social life, after serving their sentence, but it fulfills a much more fulfilling function. of the gaps left by the State in the perspective of conditions in prisons than the sense of religiosity.<\/em><\/pre>\n\n\n\n<p><em>Keywords: Religious assistance. Resocialization. Condemned. Prisons.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Grupo de Trabalho Interconfessional da Secretaria de Justi\u00e7a do Esp\u00edrito Santo (GINTER), atua na presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa e de controle social no sistema prisional do Esp\u00edrito Santo como facilitador do di\u00e1logo entre os volunt\u00e1rios e os funcion\u00e1rios do sistema, otimizando a interlocu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m com l\u00edderes de diversas religi\u00f5es, al\u00e9m de gerenciar a atividade em todo o sistema prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>As atividades do GINTER v\u00e3o desde o planejamento, reuni\u00f5es e palestras, calend\u00e1rios, acompanhamentos e relat\u00f3rios, al\u00e9m de capacita\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios e acompanhamento de suas performances, junto com suas lideran\u00e7as. Ainda, cabe ao GINTER aprovar os projetos e cadastros das institui\u00e7\u00f5es religiosas que atuam no sistema, com a utiliza\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o como ponto central de enfoque para mudan\u00e7a do contexto social de pessoas encarceradas. Estas dependem de pol\u00edticas p\u00fablicas e sociais para a ressocializa\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o dos efeitos da pena corporal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para demonstrar ser correto o referencial te\u00f3rico para uma vis\u00e3o garantista de processo penal, tendo como consequ\u00eancia o controle social no sistema prisional do Esp\u00edrito Santo pela utiliza\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia religiosa aplicada pelo GINTER, logo no primeiro cap\u00edtulo, ser\u00e1 discutido sobre conhecimentos atinentes \u00e0 liberdade religiosa no campo dos Direitos Humanos, vinculadas aos aspectos legais que englobam abordagem meticulosa sobre a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa no cerne dos Tratados e Conven\u00e7\u00f5es Internacionais e do direito interno.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, em uma vis\u00e3o global sobre a liberdade religiosa e, dentro dela, a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, ser\u00e1 apresentada uma incurs\u00e3o desde a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Diretos Humanos de 1948 at\u00e9 a Conven\u00e7\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, documentos dos quais o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio, tendo compromisso inarred\u00e1vel no seu fiel cumprimento, e foco destinado ao enfrentamento de todo arcabou\u00e7o jur\u00eddico a respeito do tema.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo do Direito Constitucional (direito interno), ser\u00e3o analisados com detida aten\u00e7\u00e3o os direitos e garantias fundamentais, m\u00e1xime o insculpido na moldura do artigo 5\u00ba, que garante \u00e0 inviolabilidade da liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a, sendo assegurado o livre exerc\u00edcio dos cultos religiosos e garantida na forma da lei, a prote\u00e7\u00e3o aos locais de culto e a suas liturgias e a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades civis e militares de interna\u00e7\u00e3o coletiva.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[1]BRASIL. <em>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988<\/em>. [<em>online<\/em>].s.p. <\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 destinada aten\u00e7\u00e3o especial, ainda no primeiro cap\u00edtulo, \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o especial, notadamente, a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, que assegura a assist\u00eancia religiosa ao preso e ao internado, como dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno \u00e0 conviv\u00eancia em sociedade. Ser\u00e3o analisados em t\u00f3picos espec\u00edficos do primeiro cap\u00edtulo aspectos gerais da pena, como a sua origem, o penalismo e a conformidade com o movimento iluminista, que lan\u00e7ou luzes sobre vis\u00f5es atrofiadas e retr\u00f3gradas do encarceramento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, busca-se apresentar estudos sobre a finalidade teol\u00f3gica da pena nos dias atuais e a quest\u00e3o das constantes rebeli\u00f5es registradas nos pres\u00eddios brasileiros, que causam enormes preju\u00edzos de ordem material, econ\u00f4mica e sentimental. Ainda neste compasso, pretende-se empreender palmilhadas investiga\u00e7\u00f5es sobre as pol\u00edticas p\u00fablicas preventivas para resolu\u00e7\u00e3o ou mitiga\u00e7\u00e3o dos problemas<a><\/a><a><\/a> de motins e graves viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que a recupera\u00e7\u00e3o e reintegra\u00e7\u00e3o social do preso s\u00e3o metas buscadas pelo Estado durante a execu\u00e7\u00e3o da senten\u00e7a penal condenat\u00f3ria. Como se ver\u00e1, as leis brasileiras garantem a assist\u00eancia religiosa no interior dos pres\u00eddios, n\u00e3o havendo imposi\u00e7\u00e3o no tocante a uma determinada religi\u00e3o, pela estrutura laica do Estado, que se apoia na neutralidade e imparcialidade, havendo n\u00edtida separa\u00e7\u00e3o entre Estado e Religi\u00e3o. Esse modelo defende a liberdade religiosa a todos os seus cidad\u00e3os e n\u00e3o permite a interfer\u00eancia de correntes religiosas em mat\u00e9rias sociopol\u00edticas e culturais, tudo isso visa garantir os preceitos maiores do imp\u00e9rio da lei.<\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o \u00e9 tida neste trabalho como premente instrumento de recupera\u00e7\u00e3o do preso, como imprescind\u00edvel na coes\u00e3o de grupos e na obedi\u00eancia \u00e0 ordem social, e, por isso, \u00e9 dada abordagem a v\u00e1rios projetos de entidades que trabalham com assist\u00eancia aos presos, com o GINTER, que encoraja pela assist\u00eancia religiosaao arrependimento dos encarcerados de seus crimes para prosseguirem para um novo caminho, com uma nova vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim o primeiro cap\u00edtulo demonstrar\u00e1 a quest\u00e3o do direito a religi\u00e3o no \u00e2mbito dos Direitos Humanos e outras legisla\u00e7\u00f5es concernentes ao Direito Internacional e Direito Interno, incluindo a Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira e a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, demonstrando ser a religi\u00e3o em v\u00e1rios aspectos constitutiva da identidade de muitos indiv\u00edduos, da\u00ed a import\u00e2ncia na assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios como parte do processo de ressocializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Num segundo momento, ser\u00e1 desenvolvido importante cap\u00edtulo sobre Sociologia e Religi\u00e3o, pois a sociologia permite uma vis\u00e3o peculiar sobre o encarceramento a influenciar o Direito, por meio de um sistema de coer\u00e7\u00e3o social e de formas de solidariedade \u2013 mec\u00e2nica e org\u00e2nica, a primeira se baseia na consci\u00eancia coletiva das sociedades primitivas, onde os indiv\u00edduos sentem fazer parte dela como um todo, como se fosse um ato rob\u00f3tico, mecanizado e a segunda se baseia na complexidade da vida moderna, por meio da divis\u00e3o social do trabalho, onde a presen\u00e7a da vontade individual tem tend\u00eancia de se forma o todo.<\/p>\n\n\n\n<p>No trabalho, adere-se \u00e0 filosofia do franc\u00eas Durkheim, em raz\u00e3o da identidade de seu pensamento sociol\u00f3gico com o tema desta pesquisa, e assim, numa perspectiva ampla ser\u00e3o vistas quest\u00f5es sobre a religi\u00e3o e a coes\u00e3o social na vis\u00e3o do soci\u00f3logo, o desenvolvimento de tra\u00e7os marcantes sobre a Teoria da Anomia, importantes estudos acerca do conceito de Crime na vis\u00e3o de Durkheim. As tem\u00e1ticas da religi\u00e3o e do sistema de controle social n\u00e3o passaram despercebidas pelo soci\u00f3logo, com destaque para a assist\u00eancia religiosa no Sistema Prisional, como a praticada pelo GINTER, objetivo desta pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta pesquisa \u00e9 uma grande oportunidade de discorrer sobre alguns instrumentos de pol\u00edtica criminal utilizadas pelo Estado do Esp\u00edrito Santo, como se abordar\u00e1 o valioso instituto da capelania, e sua perfeita adequa\u00e7\u00e3o como medida de pol\u00edticas criminais, em seus aspectos legais e sociol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>No \u00faltimo cap\u00edtulo, ser\u00e3o analisados, por meio de entrevistas realizadas com coordenador do GINTER e um dos membros, os dados obtidos acerca da presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios do Estado do Esp\u00edrito Santo, por meio deste Grupo de Trabalho Interconfessional da Secretaria de Justi\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, visando alcan\u00e7ar ao desiderato que comp\u00f5e o cerne principal da pesquisa, qual seja, a efic\u00e1cia da presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa na ressocializa\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>O referencial te\u00f3rico que ora e vale \u00e9 extra\u00eddo da sociologia correspondente a ideia de suas grandes ci\u00eancias sociais a servi\u00e7o da promo\u00e7\u00e3o da harmonia da humanidade, Sociologia e Religi\u00e3o, na constante busca pela promo\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da paz na sociedade, vinculando, destarte, o referencial te\u00f3rico \u00e0 ci\u00eancia aplicada no Direito Penitenci\u00e1rio com vista a prevenir condutas il\u00edcitas de um lado e reintegrando, socialmente, a quem tenha trilhado pelo submundo do crime.<\/p>\n\n\n\n<p>Como profissional que atua na \u00e1rea da justi\u00e7a, por diversos anos, os constantes motins e rebeli\u00f5es que subvertem a ordem p\u00fabica, com nefastas consequ\u00eancias sociais, obrigam-me a perceber a premente necessidade de implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas para conten\u00e7\u00e3o do problema. Assim o panorama de presta\u00e7\u00e3o religiosa como poderoso instrumento de pol\u00edtica criminal a permitir o enfrentamento da quest\u00e3o, conduzem-me a acreditar na necessidade de maiores pesquisas sobre o assunto e discuss\u00e3o da necessidade de implementa\u00e7\u00e3o desse instrumento num n\u00famero maior de penitenci\u00e1rias e pres\u00eddios pelo pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"381\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/97cbd029-b2cf-4722-b8ec-669b5a0b2ee9-2.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13848\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/97cbd029-b2cf-4722-b8ec-669b5a0b2ee9-2.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13848\" 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estabelecimentos penais do Brasil \u00e9 considerada direito fundamental, com previs\u00e3o em Tratados e Conven\u00e7\u00f5es Internacionais e nos diversos instrumentos legais que comp\u00f5em o ordenamento jur\u00eddico p\u00e1trio. Nesse sentido, faz-se necess\u00e1rio abordar neste cap\u00edtulo acerca das diversas previs\u00f5es legais sobre a presta\u00e7\u00e3o religiosa no interior dos pres\u00eddios brasileiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, nessa parte do trabalho ser\u00e3o apresentados alguns Tratados Internacionais que garantem a assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, sendo essa assist\u00eancia uma garantia dos Direitos Humanos no que tange a liberdade de ter e manifestar uma religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na perspectiva de discutir sobre a pena e suas finalidades ser\u00e1 feita uma breve abordagem hist\u00f3rica de apresenta\u00e7\u00e3o do conceito e as v\u00e1rias percep\u00e7\u00f5es sobre a finalidade da pena, incluindo a prorrogativa ressocializadora que teve seu in\u00edcio com a nova vis\u00e3o sobre o homem, trazida pelo Iluminismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalizando o cap\u00edtulo ser\u00e3o analisados o campo religioso das pris\u00f5es, em seus aspectos legais e as caracter\u00edsticas que fazem desse campo singular, ou seja, quais as caracter\u00edsticas pr\u00f3prias desse espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para iniciar o cap\u00edtulo ser\u00e3o apresentadas normas jur\u00eddicas que garantem a liberdade religiosa, incluindo em situa\u00e7\u00f5es coercitivas, esse in\u00edcio tem como principal objetivo demonstrar como a religi\u00e3o est\u00e1 associada a vida do ser humano, nas mais diversas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.1 As normas jur\u00eddicas atinentes \u00e0 presta\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o est\u00e1 presente em v\u00e1rios aspectos da vida humana, sendo, inclusive, criadas leis que garantam ao ser humano esse direito.&nbsp; Nessa perspectiva foram criadas legisla\u00e7\u00f5es que permitam ao indiv\u00edduo vivenciar essa religi\u00e3o em variados espa\u00e7os, por isso a import\u00e2ncia de se discutir Tratados e Conven\u00e7\u00f5es que assegurem esse direito a assist\u00eancia religiosa, inclusive nos pres\u00eddios, pois:<\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o, com efeito, n\u00e3o \u00e9 somente um sistema de ideias, \u00e9 antes de tudo um sistema de for\u00e7as. O homem que vive religiosamente n\u00e3o \u00e9 somente o homem que se representa o mundo de tal ou tal maneira, que sabe o que os outros ignoram; \u00e9 antes de tudo um homem que experimenta um poder que n\u00e3o se conhece na vida comum, que n\u00e3o se sente em si mesmo quando n\u00e3o se encontra em estado religioso.<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para essa efetiva\u00e7\u00e3o de direito um importante documento \u00e9 a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, de 1948, que assegura no seu bojo a liberdade religiosa, notadamente, no artigo 18, dispondo que toda pessoa tem direito \u00e0 liberdade de pensamento, consci\u00eancia e religi\u00e3o; este direito inclui a liberdade de mudar de religi\u00e3o ou cren\u00e7a e a liberdade de manifestar essa religi\u00e3o ou cren\u00e7a, pelo ensino, pela pr\u00e1tica, pelo culto e pela observ\u00e2ncia, isolada ou coletivamente, em p\u00fablico ou em particular.<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de direitos humanos \u00e9, pela tradi\u00e7\u00e3o no Ocidente, tratado principalmente pelo marco do direito constitucional e do direito internacional, cujo prop\u00f3sito \u00e9 construir instrumentos institucionais, \u00e0 defesa dos direitos dos seres humanos contra os abusos do poder cometidos pelos \u00f3rg\u00e3os, ao mesmo tempo em que busca a promo\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es dignas de vida humana e de seu desenvolvimento.<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa vis\u00e3o apresentada no excerto acima sobre Direitos humanos nos faz retomar que na hist\u00f3ria da humanidade, nem sempre foi assim, em v\u00e1rios per\u00edodos a concep\u00e7\u00e3o sobre direito foi alterada, demonstrando estarem as leis de acordo com o contexto e necessidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Per\u00edodo Antigo:<\/strong> Os povos n\u00e3o possu\u00edam la\u00e7os sociais e tinham uma legisla\u00e7\u00e3o que se inspirava na barb\u00e1rie das primeiras idades. A legisla\u00e7\u00e3o de Mois\u00e9s, o C\u00f3digo de Hamurabi, as pr\u00e1ticas eg\u00edpcias e os Livros Santos proclamavam a pena do Tali\u00e3o, ou seja, olho por olho, dente por dente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Per\u00edodo Romano:<\/strong> Os imperadores julgavam muitas coisas relativas ao estado civil e aos problemas de ordem moral. Eles utilizavam principalmente o bom senso no tratamento das quest\u00f5es que exigiam o concurso de algu\u00e9m melhor orientado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Per\u00edodo Can\u00f4nico:<\/strong> (1200 a 1600 D.C.) O per\u00edodo Can\u00f4nico \u00e9 assinalado pela promulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Criminal Carolino (de Carlos V).<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se ainda uma evolu\u00e7\u00e3o no conceito das rela\u00e7\u00f5es sociais, na qual se sai de uma linha onde a legisla\u00e7\u00e3o promovia o olho por olho, dente por dente, passando pelo bom senso, at\u00e9 alcan\u00e7ar o C\u00f3digo Criminal e chegar \u00e0 compreens\u00e3o de Direitos Humanos da atualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por direitos humanos, ou direitos do homem s\u00e3o, modernamente, entendidos aqueles direitos fundamentais que o homem possui pelo fato de ser homem, por sua pr\u00f3pria natureza humana, pela dignidade que a ela \u00e9 inerente. S\u00e3o direitos que n\u00e3o resultam de uma concess\u00e3o da sociedade pol\u00edtica. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o direitos que a sociedade pol\u00edtica tem o dever de consagrar e garantir.<a href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[2]SANCHIS, Pierre. A contribui\u00e7\u00e3o de \u00c9mile Durkheim. In: TEIXEIRA, Faustino. <em>Sociologia da religi\u00e3o:<\/em> enfoques te\u00f3ricos. 4. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011, p. 41.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[3]ORGANIZA\u00c7\u00c3O DAS NA\u00c7\u00d5ES UNIDAS. <em>Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos.<\/em> Rio de Janeiro: UNIC, 2009. s.p. [<em>online<\/em>].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[4]LEAL, Rog\u00e9rio Gesta. Direitos <em>Humanos no Brasil:<\/em> Desafios \u00e0 Democracia. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1997. p.19.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[5]PEREIRA, Gerson Odilon. <em>Medicina legal.<\/em> Macei\u00f3: UFAL, 2001.p.3-5.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[6]HERKENHOFF, Jo\u00e3o Baptista. <em>Curso de Direitos Humanos<\/em> &#8211; G\u00eanese dos Direitos Humanos. V. 1. S\u00e3o Paulo: Acad\u00eamica, 1994.p.30.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considerando a necessidade de uma regulamenta\u00e7\u00e3o que garanta aos indiv\u00edduos seus direitos a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal (LEP) brasileira de prev\u00ea que aos presos deve ser assegurado:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Art. 41 &#8211; Constituem direitos do preso:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>I &#8211; alimenta\u00e7\u00e3o suficiente e vestu\u00e1rio;<\/p>\n\n\n\n<p>II &#8211; atribui\u00e7\u00e3o de trabalho e sua remunera\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>III &#8211; Previd\u00eancia Social;<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; constitui\u00e7\u00e3o de pec\u00falio;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; proporcionalidade na distribui\u00e7\u00e3o do tempo para o trabalho, o descanso e a recrea\u00e7\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; exerc\u00edcio das atividades profissionais, intelectuais, art\u00edsticas e desportivas anteriores, desde que compat\u00edveis com a execu\u00e7\u00e3o da pena;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; assist\u00eancia material, \u00e0 sa\u00fade, jur\u00eddica, educacional, social e religiosa;<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; prote\u00e7\u00e3o contra qualquer forma de sensacionalismo;<\/p>\n\n\n\n<p>IX &#8211; entrevista pessoal e reservada com o advogado;<\/p>\n\n\n\n<p>X &#8211; visita do c\u00f4njuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados;<\/p>\n\n\n\n<p>XI &#8211; chamamento nominal;<\/p>\n\n\n\n<p>XII &#8211; igualdade de tratamento salvo quanto \u00e0s exig\u00eancias da individualiza\u00e7\u00e3o da pena;<\/p>\n\n\n\n<p>XIII &#8211; audi\u00eancia especial com o diretor do estabelecimento;<\/p>\n\n\n\n<p>XIV &#8211; representa\u00e7\u00e3o e peti\u00e7\u00e3o a qualquer autoridade, em defesa de direito;<\/p>\n\n\n\n<p>XV &#8211; contato com o mundo exterior por meio de correspond\u00eancia escrita, da leitura e de outros meios de informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o comprometam a moral e os bons costumes.<\/p>\n\n\n\n<p>XVI \u2013 atestado de pena a cumprir, emitido anualmente, sob pena da responsabilidade da autoridade judici\u00e1ria competente.<a href=\"#_ftn7\">[7]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na linha de in\u00fameros direitos assegurados est\u00e1 o direito a assist\u00eancia religiosa, expressa no par\u00e1grafo s\u00e9timo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma perspectiva, coincidentemente, o artigo 18 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Pol\u00edticos de 1966<a href=\"#_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio por meio do decreto n\u00ba592\/92 afirmando que toda pessoa ter\u00e1 direito a liberdade de pensamento, de consci\u00eancia e de religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esse direito implicar\u00e1 a liberdade de ter ou adotar uma religi\u00e3o ou uma cren\u00e7a de sua escolha e a liberdade de professar sua religi\u00e3o ou cren\u00e7a, individual ou coletivamente, tanto p\u00fablica como privadamente, por meio do culto, da celebra\u00e7\u00e3o de ritos, de pr\u00e1ticas e do ensino. Nesse mesmo diapas\u00e3o, o referido Pacto assevera que ningu\u00e9m poder\u00e1 ser submetido a medidas coercitivas que possam restringir sua liberdade de ter ou de adotar uma religi\u00e3o ou cren\u00e7a de sua escolha.&nbsp; Novamente, tem-se acentuada a relev\u00e2ncia da liberdade religiosa em plano internacional.<a href=\"#_ftn10\">[10]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A liberdade de manifestar a pr\u00f3pria religi\u00e3o ou cren\u00e7a estar\u00e1 sujeita apenas \u00e0s limita\u00e7\u00f5es previstas em lei e que se fa\u00e7am necess\u00e1rias para proteger a seguran\u00e7a, a ordem, a sa\u00fade ou a moral p\u00fablica ou os direitos e as liberdades das demais pessoas.<a href=\"#_ftn11\">[11]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No final deste documento transnacional, existe norma cogente dando conta de que os Estados Partes, do presente Pacto, se comprometem a respeitar a liberdade dos pa\u00edses e, quando for o caso, dos tutores legais de assegurar a educa\u00e7\u00e3o religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo com suas pr\u00f3prias convic\u00e7\u00f5es.<a href=\"#_ftn12\">[12]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outro documento importante para o Brasil em sua rela\u00e7\u00e3o com a ordem internacional \u00e9 o Pacto de S\u00e3o Jos\u00e9 da Costa Rica, mormente, em seu artigo 12, I, II e III<a href=\"#_ftn13\">[13]<\/a>, ratificado pelo Brasil por meio do Decreto n\u00ba 678\/92.<a href=\"#_ftn14\">[14]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><strong>[7]<\/strong>BRASIL. Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal. <strong><em><a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%207.210-1984?OpenDocument\"><strong>LEI N\u00ba 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984.<\/strong><\/a><\/em><\/strong> [online]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[8]ONU. <em>Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e pol\u00edticos.<\/em> \u00a01966.[<em>online<\/em>].s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[9] BRASIL. <em>Decreto n\u00ba 592, de 06 de julho de 1992<\/em>.<strong> <\/strong>[<em>online<\/em>]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[10]ONU, 1966, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[11]ONU, 1966, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[12]ONU, 1966, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[13]COMISS\u00c3O INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. <em>CONVEN\u00c7\u00c3O AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS<\/em>, 1969. [<em>online<\/em>].s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[14]BRASIL. <em>Decreto n\u00ba 678\/92.<\/em> [online].s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dispositivos em ep\u00edgrafe anunciam que com for\u00e7a de Emenda Constitucional, porque tratam de normas de direitos humanos, que toda pessoa tem direito \u00e0 liberdade de consci\u00eancia e de religi\u00e3o.\u00a0 Esse direito implica a liberdade de conservar sua religi\u00e3o ou suas cren\u00e7as, ou de mudar de religi\u00e3o ou de cren\u00e7as, bem como a liberdade de professar e divulgar sua religi\u00e3o ou suas cren\u00e7as, individual ou coletivamente, tanto em p\u00fablico como em privado.<a href=\"#_ftn15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, assegura que ningu\u00e9m pode ser objeto de medidas restritivas que possam limitar sua liberdade de conservar sua religi\u00e3o ou suas cren\u00e7as, ou de mudar de religi\u00e3o ou de cren\u00e7as e ainda prev\u00ea que a liberdade de manifestar a pr\u00f3pria religi\u00e3o e as pr\u00f3prias cren\u00e7as est\u00e1 sujeita unicamente \u00e0s limita\u00e7\u00f5es prescritas pela lei e que sejam necess\u00e1rias para proteger a seguran\u00e7a, a ordem, a sa\u00fade ou a moral p\u00fablica ou os direitos ou liberdades das demais pessoas.<a href=\"#_ftn16\">[16]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que ao impor internacionalmente que ningu\u00e9m pode ser objeto de medidas restritivas que limitem sua liberdade de conservar sua religi\u00e3o ou suas cren\u00e7as, tendo limita\u00e7\u00f5es unicamente sujeitas \u00e0 reserva legal, crava-se tamb\u00e9m de forma transnacional a assist\u00eancia religiosa para aqueles que est\u00e3o sob medidas restritivas de liberdade, tendo o preso liberdade de conservar sua religi\u00e3o ou cren\u00e7a.<a href=\"#_ftn17\">[17]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Urge ressaltar neste mesmo direcionamento, as Regras de Mandela que estabelecem as regras m\u00ednimas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para tratamento de presos, tendo por intuito ampliar o respeito \u00e0 dignidade dos presos, garantir o acesso \u00e0 sa\u00fade e o direito de defesa, regulando puni\u00e7\u00f5es disciplinares, tais como o isolamento solit\u00e1rio e a redu\u00e7\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o, ou seja, garantir a dignidade humana, transformando o paradigma de encarceramento praticado pela justi\u00e7a brasileira.<a href=\"#_ftn18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Consoante aos Tratados Internacionais, o Brasil possui uma legisla\u00e7\u00e3o que garante os direitos religiosos de seus cidad\u00e3os. Nos dias hodiernos, importante frisar que a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, em seu comando normativo, artigo 19, consignou a veda\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, dos Estados, do Distrito Federal e dos Munic\u00edpios <a><\/a>estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencion\u00e1-los, embara\u00e7ar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes, rela\u00e7\u00f5es de depend\u00eancia ou alian\u00e7a, ressalvada, na forma da lei, a colabora\u00e7\u00e3o de interesse p\u00fablico.<a href=\"#_ftn19\">[19]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No campo dos direitos fundamentais, a Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, em seu artigo 5\u00ba, estatui que todos s\u00e3o iguais perante a lei, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pa\u00eds a inviolabilidade do direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade, \u00e0 igualdade, \u00e0 seguran\u00e7a e \u00e0 propriedade, nos termos seguintes.<a href=\"#_ftn20\">[20]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[15]BRASIL, 1992, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[16]BRASIL, 1992, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[17]BRASIL, 1992, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[18] CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. <em>Regras de Mandela: Regras\u00a0\u00a0 M\u00ednimas das\u00a0 Na\u00e7\u00f5es Unidas para o\u00a0 Tratamento de Presos<\/em>.\u00a0 [online]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[19]BRASIL. <em>Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/em> 1988. [online].\u00a0 s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[20]BRASIL, 1988, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>Acerca da liberdade religiosa, o artigo 5\u00ba elenca t\u00e3o somente a express\u00e3o liberdade, que adjetivada pode ganhar contexto poliss\u00eamico. Assim, a liberdade pode ser jur\u00eddica, de locomo\u00e7\u00e3o, de imprensa, de comunica\u00e7\u00e3o, de pensamento, de express\u00e3o e liberdade religiosa. Especificamente, sobre o assunto em testilha, importante salientar os seguintes incisos.<\/p>\n\n\n\n<p>IV &#8211; \u00e9 livre a manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, sendo vedado o anonimato;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V &#8211; \u00e9 assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, al\u00e9m da indeniza\u00e7\u00e3o por dano material, moral ou \u00e0 imagem;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VI &#8211; \u00e9 inviol\u00e1vel a liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a, sendo assegurado o livre exerc\u00edcio dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a prote\u00e7\u00e3o aos locais de culto e a suas liturgias;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VII &#8211; \u00e9 assegurada, nos termos da lei, a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades civis e militares de interna\u00e7\u00e3o coletiva;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>VIII &#8211; ningu\u00e9m ser\u00e1 privado de direitos por motivo de cren\u00e7a religiosa ou de convic\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica ou pol\u00edtica, salvo se as invocar para eximir-se de obriga\u00e7\u00e3o legal a todos imposta e recusar-se a cumprir presta\u00e7\u00e3o alternativa, fixada em lei.<a href=\"#_ftn21\">[21]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os incisos apresentados demonstram a quest\u00e3o da liberdade de pensamento, com liberdade de cren\u00e7a com a liberdade de culto, incluindo a assist\u00eancia religiosa. A perspectiva da liberdade permeia todo o artigo, garantindo aos indiv\u00edduos a viv\u00eancia da religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn22\">[22]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No tocante a previs\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos estabelecimentos penais, a Lei n\u00ba 7.210, de 11 de julho de 1984, que institui a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal (LEP) prev\u00ea diversas modalidades de religi\u00e3o. Consoante o artigo 10, a assist\u00eancia ao preso e ao internado \u00e9 dever do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o retorno \u00e0 conviv\u00eancia em sociedade, sendo que essa se estende ao egresso.<a href=\"#_ftn23\">[23]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Logo em seguida, no art. 11 da LEP, institui que a assist\u00eancia ser\u00e1 material, \u00e0 sa\u00fade, jur\u00eddica, educacional, social e religiosa.<a href=\"#_ftn24\">[24]<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o comando normativo do artigo 24 da LEP, deflui que a assist\u00eancia religiosa, com liberdade de culto, ser\u00e1 prestada aos presos e aos internados, permitindo-se lhes a participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instru\u00e7\u00e3o religiosa. No estabelecimento haver\u00e1 local apropriado para os cultos religiosos. Nenhum preso ou internado poder\u00e1 ser obrigado a participar de atividade religiosa.<a href=\"#_ftn25\">[25]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para sacramentar a assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, o artigo 41 da Lei n\u00ba 7.210\/84 elenca um rol de direitos dos presos, sendo enf\u00e1tico em inciso VII, o direito \u00e0 assist\u00eancia religiosa, n\u00e3o podendo sofrer restri\u00e7\u00e3o ou limita\u00e7\u00f5es por parte da dire\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos penais.<a href=\"#_ftn26\">[26]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Transita no Congresso Nacional o Projeto de Lei do Senado n\u00ba 513\/2013, contendo quest\u00f5es importantes sobre a liberdade religiosa, a saber:<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 3\u00ba Ao preso provis\u00f3rio e ao condenado ser\u00e3o assegurados todos os direitos n\u00e3o atingidos pela senten\u00e7a ou pela lei. Par\u00e1grafo \u00fanico. N\u00e3o haver\u00e1 discrimina\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o de natureza pol\u00edtica, racial, socioecon\u00f4mica ou religiosa, de identidade de g\u00eanero, de orienta\u00e7\u00e3o sexual ou de nacionalidade, observada a legisla\u00e7\u00e3o pertinente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cArt. 24. A assist\u00eancia religiosa, com liberdade de culto, ser\u00e1 prestada aos presos, permitindo-se lhes a participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os organizados no estabelecimento penal e a posse de livros de instru\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 1\u00ba Nos estabelecimentos penais, haver\u00e1 local apropriado para as pr\u00e1ticas religiosas, respeitando-se suas especificidades.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 2\u00ba Nenhum preso poder\u00e1 ser obrigado a participar de atividade religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a7 3\u00ba A utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais para a pr\u00e1tica religiosa ser\u00e1 permitida.<a href=\"#_ftn27\">[27]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[21]BRASIL, 1988, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[22]BRASIL, 1988, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[23]BRASIL, <strong><em><a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%207.210-1984?OpenDocument\"><strong>1984,<\/strong><\/a> <\/em><\/strong>s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[24]BRASIL, 1984, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[25]BRASIL, 1984,\u00a0 s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[26]BRASIL, 1984, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[27]BRASIL. <em>Lei do Senado 513\/2013.<\/em> [<em>online<\/em>]. s.p<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a seguridade da liberdade religiosa fica assegurada aos presos, sendo de direito um local apropriado para as pr\u00e1ticas religiosas. Com a finalidade de efetivar esse direito o Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria (CNPCP), editou a Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba14, de 11 de novembro de 1994, em face da decis\u00e3o un\u00e2nime, em 17 de outubro de 1994, com o prop\u00f3sito de estabelecer regras m\u00ednimas para o tratamento de presos no Brasil, e ainda considerando a recomenda\u00e7\u00e3o, nesse sentido, aprovada na sess\u00e3o de 26 de abril a 06 de maio de 1994, pelo Comit\u00ea Permanente de Preven\u00e7\u00e3o ao Crime e Justi\u00e7a Penal das Na\u00e7\u00f5es Unidas, do qual o Brasil \u00e9 Membro e por fim considerando ainda o disposto na Lei n\u00ba 7.210, de 11 de julho de 1984 (Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal), resolveu fixar as Regras M\u00ednimas para o Tratamento do Preso no Brasil, resolu\u00e7\u00e3o em ep\u00edgrafe<a href=\"#_ftn28\">[28]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"423\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/3491a2d4-9a61-4274-ac7f-5d0d28f305d1-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13861\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13861\" class=\"wp-image-13861\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/3491a2d4-9a61-4274-ac7f-5d0d28f305d1-1.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/3491a2d4-9a61-4274-ac7f-5d0d28f305d1-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/3491a2d4-9a61-4274-ac7f-5d0d28f305d1-1-100x70.jpg 100w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/3491a2d4-9a61-4274-ac7f-5d0d28f305d1-1-596x420.jpg 596w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li 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A Assist\u00eancia religiosa, com liberdade de culto, ser\u00e1 permitida ao preso bem como a participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os organizado no estabelecimento prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00danico \u2013 Dever\u00e1 ser facilitada, nos estabelecimentos prisionais, a presen\u00e7a de representante religioso, com autoriza\u00e7\u00e3o para organizar servi\u00e7os lit\u00fargicos e fazer visita pastoral a adeptos de sua religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1<sup>o<\/sup>&nbsp;\u00c9 institu\u00eddo o Dia Nacional da Marcha para Jesus, a ser comemorado, anualmente, no primeiro s\u00e1bado subsequente aos 60 (sessenta) dias ap\u00f3s o Domingo de P\u00e1scoa.<a href=\"#_ftn29\">[29]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No presente cap\u00edtulo, torna-se imperioso ressaltar que o artigo 5\u00ba, inciso VII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica preceitua que \u201c\u00e9 assegurada, nos termos da lei, a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades civis e militares de interna\u00e7\u00e3o coletiva. Entretanto, a norma constitucional n\u00e3o tinha efic\u00e1cia plena, quer dizer de \u201caplicabilidade direta, imediata e integral sobre os interesses objeto de sua regulamenta\u00e7\u00e3o jur\u00eddica\u201d<a href=\"#_ftn30\">[30]<\/a>, mas de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses ap\u00f3s uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a efic\u00e1cia\u201d<a href=\"#_ftn31\">[31]<\/a>, e assim coube ao legislador ordin\u00e1rio impulsionar a efic\u00e1cia deste direito fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>Por seu turno, a Lei n\u00ba 9.982, de 14 de julho de 2000, disp\u00f4s sobre a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades p\u00fablicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares.<a href=\"#_ftn32\">[32]<\/a> Assim, a referida lei preconiza que aos religiosos de todas as confiss\u00f5es assegura-se o acesso aos hospitais da rede p\u00fablica ou privada, bem como aos estabelecimentos prisionais, civis e militares, para dar atendimento religioso aos internados, desde que em comum acordo com estes, ou com seus familiares no caso de dentes que j\u00e1 n\u00e3o mais estejam no gozo de suas faculdades mentais.<a href=\"#_ftn33\">[33]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os religiosos chamados a prestar assist\u00eancia nas entidades enumeradas em ep\u00edgrafe, dever\u00e3o, em suas atividades, acatar as determina\u00e7\u00f5es legais e normas internas de cada institui\u00e7\u00e3o hospitalar ou penal, a fim de n\u00e3o p\u00f4r em risco as condi\u00e7\u00f5es do paciente ou a seguran\u00e7a no ambiente hospitalar ou prisional.<a href=\"#_ftn34\">[34]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[28]CNPCP \u2013 Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria. <em>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 14 de\u00a0 11 de novembro de\u00a0 1994<\/em>. [<em>online<\/em>]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[29]CNPCP, 1994, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[30]SILVA, Jos\u00e9 Afonso da. \u00a0<em>Aplicabilidade das normas constitucionais.<\/em> Malheiros Editores. 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo, 1998. p. 83.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><strong>[31]<\/strong>SILVA, 1998. p. 83.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[32]BRASIL. <em>Lei n\u00ba 9.982 de 14 de julho de 2000.<\/em> [<em>online<\/em>].s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><strong>[33]<\/strong>BRASIL, 2000<em>, s.p.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[34]BRASIL, 2000,<em> s.p.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 08, de 09 de novembro de 2011, o presidente do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria (CNPCP), obedecendo aos ditames da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas prev\u00ea, em seu artigo XVII, que toda pessoa tem direito \u00e0 liberdade de pensamento, consci\u00eancia e religi\u00e3o, e que esse direito inclui a liberdade de mudar de religi\u00e3o ou cren\u00e7a, de manifestar sua cren\u00e7a pelo ensino, pela pr\u00e1tica, pelo culto e pela observ\u00e2ncia, isolada ou coletivamente, em p\u00fablico ou em particular e outras comandos normativos estabeleceu diretrizes para a assist\u00eancia religiosa nos estabelecimentos prisionais.<a href=\"#_ftn35\">[35]<\/a>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ser\u00e1 garantido o direito de manifesta\u00e7\u00e3o de todas as religi\u00f5es, e o de consci\u00eancia aos agn\u00f3sticos e adeptos de filosofias n\u00e3o religiosas, sendo assegurada a atua\u00e7\u00e3o de diferentes confiss\u00f5es religiosas em igualdades de condi\u00e7\u00f5es, majorit\u00e1rias ou minorit\u00e1rias, vedado o proselitismo religioso e qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o ou estigmatiza\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn36\">[36]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 08, de 09 de novembro de 2011 afirma ainda que a&nbsp; assist\u00eancia religiosa n\u00e3o ser\u00e1 instrumentalizada para fins de disciplina, correcionais ou para estabelecer qualquer tipo de regalia, benef\u00edcio ou privil\u00e9gio, e ser\u00e1 garantida mesmo \u00e0 pessoa presa submetida a san\u00e7\u00e3o disciplina, \u00e0 pessoa presa ser\u00e1 assegurado o direito \u00e0 express\u00e3o de sua consci\u00eancia, filosofia ou pr\u00e1tica de sua religi\u00e3o de forma individual ou coletiva, devendo ser respeitada a sua vontade de participa\u00e7\u00e3o, ou de abster-se de participar de atividades de cunho religioso, ser\u00e1 garantido \u00e0 pessoa presa o direito de mudar de religi\u00e3o, consci\u00eancia ou filosofia, a qualquer tempo, sem preju\u00edzo da sua situa\u00e7\u00e3o prisional.<a href=\"#_ftn37\">[37]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria dever\u00e1 oferecer informa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o aos profissionais do sistema prisional sobre as necessidades espec\u00edficas relacionadas \u00e0s religi\u00f5es, consci\u00eancia e filosofia, bem como suas respectivas pr\u00e1ticas, incluindo rituais, objetos, datas sagradas e comemorativas, per\u00edodos de ora\u00e7\u00e3o, higiene e alimenta\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn38\">[38]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esses aspectos legais seguem-se ao fato de ser a religi\u00e3o uma institui\u00e7\u00e3o social, um mecanismo social que programa o comportamento humano de forma especializada, pois a fun\u00e7\u00e3o dessa institui\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamentalmente pr\u00e1tica, pois programa o comportamento por meio da persuas\u00e3o e refor\u00e7o das cren\u00e7as, e conduz o indiv\u00edduo a reproduzir comportamentos segundo as regras da institui\u00e7\u00e3o, identificando-a com a pr\u00f3pria verdade.<a href=\"#_ftn39\">[39]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observados os aspectos legais que garantem a assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, ser\u00e1 apresentado no pr\u00f3ximo t\u00f3pico sobre como a pena e como foi \u00e9 vista pela humanidade no decorrer do tempo e qual sua rela\u00e7\u00e3o com a religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e3o destacadas as finalidades da pena, ponderando que a pena n\u00e3o pode ser cumprida sem sentido, pois, dentro de Estado de Direito, respeitador de uma vis\u00e3o garantista de execu\u00e7\u00e3o penal, deve ser a pena dotada de sentido, dentre eles o da ressocializa\u00e7\u00e3o. A religi\u00e3o, conforme adiante ressaltado, tem papel fundamental para cumprimento dessa pol\u00edtica criminal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1.2 Da finalidade da pena e seus institutos de pol\u00edtica criminal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste t\u00f3pico, analisa-se a finalidade da pena e os instrumentos de pol\u00edtica criminal aptos a cumprir o desiderato constitucional da dignidade da pessoa humana, segundo previs\u00e3o do art. 1\u00ba, I, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988<a href=\"#_ftn40\">[40]<\/a>. A dignidade humana \u00e9 paradigma filos\u00f3fico com conte\u00fado de justi\u00e7a, amplamente destacado nos documentos internacionais e nas constitui\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses, como, por exemplo, a atual constitui\u00e7\u00e3o Federal Alem\u00e3, que assevera \u201cA dignidade humana \u00e9 intang\u00edvel.\u201d <a href=\"#_ftn41\">[41]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><strong>[35]<\/strong>BRASIL, 2000<em>, s.p.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><strong>[36]<\/strong>BRASIL, 2000,<em> s.p.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[37]CNPCP \u2013 <em>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 08, de 09 de novembro de 2011.<\/em>\u00a0 [<em>online<\/em>].s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[38]CNPCP, 2011, <em>s.p.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[39]MONTE, T\u00e2nia Maria de Carvalho C\u00e2mara. A Religiosidade e sua Fun\u00e7\u00e3o Social. <em>Revista Inter-legere,<\/em> n\u00ba 05, Reflex\u00f5es. p.249-255. p. 254, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[40]BRASIL, 1992. <strong><em>\u00a0<\/em><\/strong>s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[41]BRASIL, 1992, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a partir da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a pena passa a ser vista n\u00e3o mais como san\u00e7\u00e3o, mas deve, sobretudo, evidenciar o sistema punitivo do Estado arrimado na dignidade humana e nos valores transcendentais da constitui\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa, como, por exemplo, dentre outras, a norma destacada no art. 5\u00ba, XLIX, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal brasileira, que exalta ser assegurado aos presos o respeito \u00e0 integridade f\u00edsica e moral. A partir de 1988, houve uma reaproxima\u00e7\u00e3o do direito com a moral e a filosofia, de maneira que, diferentemente do positivismo, esse contato traz ao direito, argumentos de legitimidade e validade.<a href=\"#_ftn42\">[42]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse vi\u00e9s, tem-se a pena, de an\u00e1lise imprescind\u00edvel para esta disserta\u00e7\u00e3o, pois toca na atua\u00e7\u00e3o do GINTER, enquanto grupo social ligado \u00e0 ressocializa\u00e7\u00e3o de pessoas apenadas. Pretende-se apresentar a origem da pena, o seu enfrentamento no Movimento Iluminista e apontamentos acerca das teorias na atualidade.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse rumo, o sistema punitivo do Estado constitui o mais rigoroso instrumento de controle social, nas li\u00e7\u00f5es de Fragoso<a href=\"#_ftn43\">[43]<\/a>. Ou seja, a conduta delituosa \u00e9 a mais grave forma de transgress\u00e3o de normas. Vale conferir:<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;[&#8230;] a incrimina\u00e7\u00e3o de certos comportamentos destina-se a proteger determinados bens e interesses, considerados de grande valor para a vida social. Pretende-se, atrav\u00e9s da incrimina\u00e7\u00e3o, da imposi\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o e de sua efetiva execu\u00e7\u00e3o evitar que esses comportamentos se realizem. O sistema punitivo do Estado destina-se, portanto, \u00e0 defesa social na forma em que essa defesa \u00e9 entendida pelos que t\u00eam o poder de fazer as leis. Esse sistema opera atrav\u00e9s da mais grave san\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, que \u00e9 a pena, juntamente com a medida de seguran\u00e7a, em casos especiais [&#8230;]<a href=\"#_ftn44\">[44]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Fragoso afirma que o sistema punitivo do Estado constitui o mais rigoroso instrumento de controle social. A conduta \u00e9 a mais grave forma de transgress\u00e3o de normas. A incrimina\u00e7\u00e3o de certos comportamentos destina-se a proteger determinados bens e interesses, considerados de grande valor para a vida social.<a href=\"#_ftn45\">[45]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pretende-se, atrav\u00e9s da incrimina\u00e7\u00e3o, da imposi\u00e7\u00e3o da san\u00e7\u00e3o e de sua efetiva execu\u00e7\u00e3o evitar que esses comportamentos se realizem. Assim, o sistema punitivo do Estado destina-se, portanto, \u00e0 defesa social na forma em que essa defesa \u00e9 entendida pelos que t\u00eam o poder de fazer as leis. Esse sistema opera atrav\u00e9s da mais grave san\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, que \u00e9 a pena, juntamente com a medida de seguran\u00e7a, em casos especiais.<a href=\"#_ftn46\">[46]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No entanto perante o cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio brasileiro, v\u00ea-se uma situa\u00e7\u00e3o que fere aos direitos legais. Ao adentrar para cumprimento da pena, o cen\u00e1rio, muitas vezes encontrado s\u00e3o celas superlotadas, sujeira, doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[42]FRAGOSO, Heleno Cl\u00e1udio. <em>Li\u00e7\u00f5es de Direito Penal. Parte Geral.<\/em> 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Editora Forense. Rio de Janeiro. 2004. p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[43]FRAGOSO, 2004, p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[44]FRAGOSO, 2004, .p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[45]FRAGOSO, 2004, .p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[46]FRAGOSO, 2004, .p. 343.<\/p>\n\n\n\n<p>As garantias legais previstas durante a execu\u00e7\u00e3o da pena, assim como os direitos humanos do preso, est\u00e3o previstos em diversos estatutos legais. Em n\u00edvel mundial existem v\u00e1rias conven\u00e7\u00f5es, como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, a Declara\u00e7\u00e3o Americana de Direitos e Deveres do Homem e a prote\u00e7\u00e3o das garantias do homem preso. Existem ainda em legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u2013 a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal \u2013 os incisos de I a XV do art. 41, que disp\u00f5em sobre os direitos infraconstitucionais garantidos ao sentenciado no decorrer da execu\u00e7\u00e3o penal. No campo legislativo, nosso estatuto executivo-penal \u00e9 tido como um dos mais avan\u00e7ados e democr\u00e1ticos existentes. Ele se baseia na id\u00e9ia de que a execu\u00e7\u00e3o da pena privativa de liberdade deve ter por base o princ\u00edpio da humanidade, e qualquer modalidade de puni\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria, cruel ou degradante ser\u00e1 de natureza desumana e contr\u00e1ria ao princ\u00edpio da legalidade.<a href=\"#_ftn47\">[47]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto a pena privativa de liberdade, por si, constitui a pena, sendo necess\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es que possibilitem a ressocializa\u00e7\u00e3o desse indiv\u00edduo. Para isso quest\u00f5es concernentes a educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade desse indiv\u00edduo devem ser asseguradas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ocorre na pr\u00e1tica a constante viola\u00e7\u00e3o de direitos e a total inobserv\u00e2ncia das garantias legais previstas na execu\u00e7\u00e3o das penas privativas de liberdade. A partir do momento em que o preso passa \u00e0 tutela do Estado, ele n\u00e3o perde apenas o seu direito de liberdade, mas tamb\u00e9m todos os outros direitos fundamentais que n\u00e3o foram atingidos pela senten\u00e7a, passando a ter um trata-mento execr\u00e1vel e a sofrer os mais variados tipos de castigos, que acarretam a degrada\u00e7\u00e3o de sua personalidade e a perda de sua dignidade, num processo que n\u00e3o oferece quaisquer condi\u00e7\u00f5es de preparar o seu retorno \u00fatil \u00e0 sociedade.<a href=\"#_ftn48\">[48]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio que as garantias legais sejam dadas a todos os presidi\u00e1rios para que o indiv\u00edduo n\u00e3o perca sua dignidade, sua humanidade, seus direitos essenciais de ser tratado como ser humano, e ao retornar ao conv\u00edvio social possa n\u00e3o reincidir ao delito.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar que o que se pretende com a efetiva\u00e7\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o das garantias legais e constitucionais na execu\u00e7\u00e3o da pena, assim como o respeito aos direitos do preso, \u00e9 que seja respeitado e cumprido o princ\u00edpio da legalidade, corol\u00e1rio do Estado democr\u00e1tico de Direito, tendo como objetivo maior o de instrumentalizar a fun\u00e7\u00e3o ressocializadora da pena privativa de liberdade, no intuito de reintegrar o recluso ao meio social, visando assim obter a pacifica\u00e7\u00e3o social, premissa maior do Direito Penal.<a href=\"#_ftn49\">[49]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Bruno Moraes Costa chama a aten\u00e7\u00e3o para que, em muitos casos a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria \u00e9 composta por camadas sociais que j\u00e1 tinham direitos suprimidos, indiv\u00edduos provenientes de parte da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 encontrava dificuldades em sobreviver por n\u00e3o terem condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sobreviv\u00eancia que deveriam ser oferecidas pelo Estado.<a href=\"#_ftn50\">[50]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o desfavorecida \u00e9 que, em algumas situa\u00e7\u00f5es levou o indiv\u00edduo a provocar o delito, e ao ser recolhida ao sistema penitenci\u00e1rio para pagamento da pena, encontra um quadro ainda pior.<\/p>\n\n\n\n<p>Se em liberdade seus direitos j\u00e1 eram violados pela m\u00e1 sorte do destino, encarcerados torna-se muito mais dif\u00edcil ressarcir esses direitos, os quais eles nem conhecem. Da\u00ed se depreende a imprecis\u00e3o do termo ressocializa\u00e7\u00e3o do preso, j\u00e1 que n\u00e3o fora ainda socializado na vida pregressa. O acompanhamento \u00e9 primordial para a perman\u00eancia do egresso no v\u00ednculo religioso, em qualquer credo que presta assist\u00eancia religiosa a esse elenco.<a href=\"#_ftn51\">[51]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[47]ASSIS, Rafael Damaceno de. A realidade atual do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro. <em>Revista CEJ,<\/em> Bras\u00edlia, Ano XI, n. 39, p. 74-78, out.\/dez. 2007. p.76.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[48]ASSIS, 2007, p.75.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[49]ASSIS, 2007, p.76.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[50]COSTA, Bruno Moraes <em>Ressocializa\u00e7\u00e3o mediada pela assist\u00eancia religiosa: <\/em>Direito dos encarcerados no sistema penitenci\u00e1rio. (Disserta\u00e7\u00e3o Mestrado Ci\u00eancia das Religi\u00f5es) Vit\u00f3ria: UNIDA, 2018.p.58.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[51]COSTA, 2018, p.58.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Atrav\u00e9s da observ\u00e2ncia do cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio brasileiro \u00e9 importante considerar a necessidade de condi\u00e7\u00f5es mais dignas nos sistemas penitenci\u00e1rios, possibilitando um cen\u00e1rio que favore\u00e7a a ressocializa\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos, proporcionando a esses meios para refletirem sobre o delito cometido e ao mesmo tempo, oportunizando a esses, condi\u00e7\u00f5es para que possam atuar na coletividade, de maneira honesta. Portanto:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quando se defende que os presos usufruam as garantias previstas em lei durante o cumprimento de sua pena privativa de liberdade, a inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 tornar a pris\u00e3o um ambiente agrad\u00e1vel e c\u00f4modo ao seu conv\u00edvio, tirando dessa forma at\u00e9 mesmo o car\u00e1ter retributivo da pena de pris\u00e3o. No entanto, enquanto o Estado e a pr\u00f3pria sociedade continuarem negligenciando a situa\u00e7\u00e3o do preso e tratando as pris\u00f5es como um dep\u00f3sito de lixo humano e de seres inserv\u00edveis para o conv\u00edvio em sociedade, n\u00e3o apenas a situa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, mas o problema da seguran\u00e7a p\u00fablica e da criminalidade como um todo tende apenas a agravar-se.<a href=\"#_ftn52\">[52]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme explicitado \u00e9 preciso compreender que a ressocializa\u00e7\u00e3o precisa ser defendida como uma medida capaz de integrar o indiv\u00edduo aos demais cidad\u00e3os, a sua fam\u00edlia, numa vis\u00e3o de inser\u00e7\u00e3o social, ou seja, o indiv\u00edduo precisa ter uma prepara\u00e7\u00e3o, se necess\u00e1ria, para o trabalho e outras forma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para ter uma vida digna ap\u00f3s sair da pena.<\/p>\n\n\n\n<p>E, tamb\u00e9m, se o prop\u00f3sito primordial constitui-se na ressocializa\u00e7\u00e3o do preso; e, ainda, se a possibilidade de mudan\u00e7a e o desenvolvimento de valores se d\u00e3o em decorr\u00eancia da experi\u00eancia, \u201cseria de se esperar que as pris\u00f5es fossem ambientes que proporcionassem ao condenado uma gama de experi\u00eancias educativas que lhe permitissem desenvolver valores ben\u00e9ficos \u00e0 sociedade\u201d. Mas, n\u00e3o \u00e9 bem assim a realidade, ainda que haja garantias legais fundamentadas na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de 1988 para isso e para tamb\u00e9m preservar os direitos fundamentais da pessoa humana.<a href=\"#_ftn53\">[53]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Adquirir experi\u00eancias educativas que permitam ao condenado desenvolvimento de valores \u00e9 a maior finalidade da pena, principalmente num pa\u00eds no qual n\u00e3o existe, dentro da legisla\u00e7\u00e3o pena de morte ou pris\u00e3o perp\u00e9tua, mas observado o cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio brasileiro pode-se concluir que:<\/p>\n\n\n\n<p>A ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser conseguida numa institui\u00e7\u00e3o como a pris\u00e3o. Os centros de execu\u00e7\u00e3o penal, as penitenci\u00e1rias, tendem a converter-se num microcosmos, no qual se reproduzem e se agravam as graves contradi\u00e7\u00f5es que existem no sistema social exterior. (&#8230;) A pena privativa de liberdade n\u00e3o ressocializa, ao contr\u00e1rio, estigmatiza o recluso, impedindo sua plena reincorpora\u00e7\u00e3o ao meio social. A pris\u00e3o n\u00e3o cumpre uma fun\u00e7\u00e3o ressocializadora. Serve como instrumento para a manuten\u00e7\u00e3o da estrutura social de domina\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn54\">[54]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Se o Estado por si, n\u00e3o est\u00e1 conseguindo organizar o sistema penitenci\u00e1rio, de forma a auxiliar na ressocializa\u00e7\u00e3o dos presidi\u00e1rios, busca-se aux\u00edlio dentro da legalidade e o direito a assist\u00eancia religiosa passa a ocupar um espa\u00e7o dentro das pris\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[52]ASSIS, p. 76.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[53]COSTA, 2018, p.23.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[54]BITENCOURT, Cezar Roberto. <em>Tratado de direito penal:<\/em> parte geral. Ed. Rev., ampl. E atual. de acordo com a Lei n. <a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1030441\/lei-12550-11\">12.550<\/a>, de 2011. \u2013 S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2012. p.24<\/p>\n\n\n\n<p>Em face da insufici\u00eancia de orienta\u00e7\u00e3o de sociabilidade dos presos nos pres\u00eddios, a religi\u00e3o tem ocupado esse espa\u00e7o ainda que de modo alienador controlando os participantes das pr\u00e1ticas religiosas para que tenham certos comportamentos e atitudes, lan\u00e7ando m\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 um Deus salvador libertador dos arrependidos. Sendo assim, concebendo-se que o sistema prisional, em tese, \u00e9 uma se\u00e7\u00e3o dos expedientes que controlam a sociedade cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 punir o transgressor da lei e, enquanto isso, trabalhar com ele para devolv\u00ea-lo ao conv\u00edvio social como uma pessoa recuperada das infra\u00e7\u00f5es cometidas, constata-se que h\u00e1 um longo e dif\u00edcil caminho para se chegar a esse patamar.<a href=\"#_ftn55\">[55]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Necess\u00e1rio compreender que essa inser\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia religiosa como forma de ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o acontece fora de um discurso de controv\u00e9rsias e contradit\u00f3rios.&nbsp; Primeira quest\u00e3o refere-se \u00e0 legalidade da a\u00e7\u00e3o e como j\u00e1 foi apresentado no presente trabalho, a assist\u00eancia religiosa possui amparo tanto no Direito Internacional, quanto no Direito Interno.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outra quest\u00e3o \u00e9 sobre a necessidade da religi\u00e3o precisar agir para cumprir um espa\u00e7o que seria do Estado, devendo algumas vezes, a quest\u00e3o da inser\u00e7\u00e3o nos pres\u00eddios ultrapassar a assist\u00eancia religiosa, atendendo a outros aspectos sociais, uma vez que o Estado n\u00e3o preenche essa lacuna. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 sempre pol\u00eamica quando se relaciona religi\u00e3o e pris\u00e3o. Enquanto estas foram criadas para punir objetivando a recupera\u00e7\u00e3o do delinquente, aquela perdoa, recebendo o pecador com acolhimento visando \u00e0 salva\u00e7\u00e3o de sua alma138, atenuando-lhe o tormento, conduzindo-o a trilhar outro caminho distinto da delinqu\u00eancia. Mas nenhuma das atividades religiosas no sistema carcer\u00e1rio \u2013 nada disso \u2013 desobriga o poder p\u00fablico de suas fun\u00e7\u00f5es fundamentais. O envolvimento da religi\u00e3o nesse meio tem o fim espec\u00edfico de colaborar para a promo\u00e7\u00e3o da paz e do melhor ordenamento do ambiente prec\u00e1rio das pris\u00f5es, tornando mais humanas as rela\u00e7\u00f5es ali estabelecidas e preparando os espectros humanos para a sua futura (re)integra\u00e7\u00e3o social. Entretanto, apesar de todas as dificuldades que encontram os religiosos que d\u00e3o assist\u00eancia nas penitenci\u00e1rias, \u201ccresce o n\u00famero de grupos e institui\u00e7\u00f5es religiosas que solicitam credenciamento para o exerc\u00edcio de atividades de assist\u00eancia espiritual nos pres\u00eddios. Mas nem sempre foi assim.<a href=\"#_ftn56\">[56]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das pol\u00eamicas, a presen\u00e7a de grupos religiosos dentro das pris\u00f5es \u00e9 uma realidade, aparecendo como uma alternativa para minimizar a situa\u00e7\u00e3o dos presos, al\u00e9m de garantir um direito legal, mas dentro do aspecto da pena que nesse t\u00f3pico foi apresentado, importante destacar que a forma como o sistema penitenci\u00e1rio brasileiro est\u00e1 organizado&nbsp; impossibilita que a pena&nbsp; de priva\u00e7\u00e3o de liberdade cumpra a fun\u00e7\u00e3o ressocializadora dos indiv\u00edduos encarcerados, n\u00e3o preparando esses para o conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da presen\u00e7a da igreja dentro dos pres\u00eddios torna-se assim uma necessidade que vai al\u00e9m das quest\u00f5es religiosas e espirituais, entretanto, importa destacar que a finalidade do trabalho \u00e9 discutir a quest\u00e3o da assist\u00eancia religiosa e para isso, ser\u00e1 apresentado, na sequ\u00eancia do trabalho, a quest\u00e3o da capelania e assist\u00eancia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"600\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/d8157fd9-78ad-4d82-97e4-97e2d73fedc3.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13872\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/d8157fd9-78ad-4d82-97e4-97e2d73fedc3.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13872\" class=\"wp-image-13872\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/d8157fd9-78ad-4d82-97e4-97e2d73fedc3.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/d8157fd9-78ad-4d82-97e4-97e2d73fedc3-300x300.jpg 300w, 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sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"399\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/eece0dc5-32c5-450f-85e0-0199c4e903ae.jpg\" alt=\"\" data-id=\"13870\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/eece0dc5-32c5-450f-85e0-0199c4e903ae.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=13870\" class=\"wp-image-13870\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/eece0dc5-32c5-450f-85e0-0199c4e903ae.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/eece0dc5-32c5-450f-85e0-0199c4e903ae-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>1.3 A Capelania carcer\u00e1ria e a assist\u00eancia religiosa: aspectos legais e sociol\u00f3gicos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O uso do termo capelania, na acep\u00e7\u00e3o atual, apresenta algumas vers\u00f5es, sendo uma delas a hist\u00f3ria de Martinho de Tours, soldado romano que viveu no s\u00e9culo IV d.C., contempor\u00e2neo de Constantino.<a href=\"#_ftn57\">[57]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[55]COSTA, 2018, p.22.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[56]COSTA, 2018, p.56.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[57]PEREIRA, 2016, p.19.<\/p>\n\n\n\n<p>Conta-se que era uma noite muito fria, \u201cfrio de rachar\u201d, no inverno de 338, Martinho cavalgava para sua casa quando avistou um mendigo. Motivado de compaix\u00e3o, rasgou sua capa em duas partes e deu a metade para aquele homem que parecia n\u00e3o suportar mais a baixa temperatura. Naquela mesma noite, teve um sonho. No sonho, Jesus Cristo aparecia com a metade da capa que dera ao mendigo. Quando contou o sonho para outras pessoas, ele chamou \u00e0 metade daquela capa de capa pequena ou \u201ccapela\u201d. Essa capa foi preservada, e no s\u00e9timo s\u00e9culo foi guardada em um orat\u00f3rio que, por isso, passou a chamar-se \u201ccappella\u201d. Com o passar do tempo esse termo passou a designar qualquer orat\u00f3rio e o encarregado por estes passou a ser chamado cappellanus\u2013capel\u00e3o. Em torno do s\u00e9culo XIV a palavra cappella, passou a designar generalizadamente qualquer pequeno templo destinado a acolher o Cristo no acolhimento dos irm\u00e3os mais necessitados. <a href=\"#_ftn58\">[58]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Djoni Schallenberger, afirma que a capelania \u00e9 uma \u201cexperi\u00eancia sem igual de servir as pessoas em seus momentos de crises, dores, sofrimentos e dificuldades, e tamb\u00e9m na alegria das vit\u00f3rias de supera\u00e7\u00e3o, curas, e livramentos\u201d.<a href=\"#_ftn59\">[59]<\/a> Sendo seu maior interesse ajudar as pessoas a passar por suas dificuldades com altru\u00edsmo e esperan\u00e7a. O foco n\u00e3o est\u00e1 na propaga\u00e7\u00e3o de uma religi\u00e3o ou denomina\u00e7\u00e3o religiosa. Pode-se definir ent\u00e3o capelania como: \u201cum servi\u00e7o de apoio e assist\u00eancia espiritual comprometida com a vis\u00e3o da integralidade do ser humano (corpo, emo\u00e7\u00f5es, intelecto, esp\u00edrito)\u201d <a href=\"#_ftn60\">[60]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A capelania como ajuda espiritual \u00e0queles que necessitam sai do \u00e2mbito militar e chega a in\u00fameros espa\u00e7os da sociedade, incluindo os pres\u00eddios, pois:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As condi\u00e7\u00f5es de carceragem e o distanciamento da fam\u00edlia contribuem para o desalento daqueles que est\u00e3o pagando legalmente pelos seus erros. Lembr\u00e1-los que DEUS os ama, s\u00e3o raz\u00f5es humanas e crist\u00e3s para o exerc\u00edcio da Capelania Prisional. <a href=\"#_ftn61\">[61]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal assegura o assistencialismo, dispondo de todas as determina\u00e7\u00f5es legais para a execu\u00e7\u00e3o de penas em territ\u00f3rio nacional, determinando em seu Artigo 3\u00ba que \u201cao condenado e ao internado ser\u00e3o assegurados todos os direitos n\u00e3o atingidos pela senten\u00e7a ou pela lei\u201d, e em seu par\u00e1grafo \u00fanico que \u201cn\u00e3o haver\u00e1 qualquer distin\u00e7\u00e3o de natureza racial, social, religiosa ou pol\u00edtica\u201d. Essa ressocializa\u00e7\u00e3o objetiva prevenir o crime e orientar o retorno \u00e0 conviv\u00eancia na sociedade, devendo ser estendida aos egressos.<a href=\"#_ftn62\">[62]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa ajuda espiritual tamb\u00e9m est\u00e1 respaldada pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal Brasileira de 1988 que em seu artigo 5\u00ba garante que todos s\u00e3o iguais perante a lei, e em seu inciso V determina como inviol\u00e1vel a liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a, assegurando, ainda a prote\u00e7\u00e3o aos locais de culto e suas liturgias.<a href=\"#_ftn63\">[63]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Al\u00e9m da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, a Lei n\u00ba 9.982 de 14 de julho de 2000, disp\u00f5e sobre a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades hospitalares p\u00fablicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares, afirmando que:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 1\u00ba. Aos religiosos de todas as confiss\u00f5es assegura-se o acesso aos hospitais da rede p\u00fablica ou privada, bem como aos estabelecimentos prisionais civis ou militares, para dar atendimento religioso aos internados, desde que em comum acordo com estes, ou com seus familiares no caso de doentes que j\u00e1 n\u00e3o mais estejam no gozo de suas faculdades mentais.<a href=\"#_ftn64\">[64]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[58] VIEIRA, Walmir. <em>Capelania Escolar, desafios e oportunidades<\/em>. S\u00e3o Paulo: R\u00e1dio TransMundial, 2009. p. 14.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[59]SCHALLENBERGER, Djoni. <em>Capelania Hospitalar:<\/em> desafio e oportunidade de amar pessoas. Curitiba: Editora Ideia, 2012. p. 27.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[60]SCHALLENBERGER, 2012, p. 27.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[61]PEREIRA, 2016, p. 43.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[62]BRASIL, 1984, p. 19.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[63]BRASIL, 1988, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[64]BRASIL, 2000, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>Pereira afirma que as pris\u00f5es brasileiras n\u00e3o t\u00eam logrado \u00eaxito no que tange a recupera\u00e7\u00e3o de seus internos, uma vez que todos carecem de cuidados espirituais e emocionais, assim a Capelania tem como finalidade compartilhar o amor de Deus aos que est\u00e3o nas pris\u00f5es.<a href=\"#_ftn65\">[65]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e1rcere ou pres\u00eddio nunca foi lugar prazeroso ou almejado. Lugar de dores que preserva atr\u00e1s de suas fortalezas os mais t\u00f3rridos e destrutivos tipos de pensamentos e maquina\u00e7\u00f5es. Desejos de vingan\u00e7a, ressentimentos, desamparo, injusti\u00e7as, enganos e trai\u00e7\u00f5es, vergonha, fracasso e muitas outras concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o geradas nas pris\u00f5es do mundo todo. As condi\u00e7\u00f5es de carceragem, as desigualdades com outros detentos, a cessa\u00e7\u00e3o da vida cotidiana, e o distanciamento da fam\u00edlia e da sociedade contribuem para o desalento daqueles que est\u00e3o pagando legalmente pelos seus erros. Levar consolo, amizade e principalmente lembr\u00e1-los que DEUS os ama incondicionalmente, s\u00e3o raz\u00f5es humanas e crist\u00e3s para o exerc\u00edcio da Capelania Prisional.<a href=\"#_ftn66\">[66]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A capelania parte do princ\u00edpio de que todo detento e recuper\u00e1vel e a puni\u00e7\u00e3o deve ser dada ao pecado e n\u00e3o ao pecador. Portanto, atrav\u00e9s desse servi\u00e7o pretende-se preparar o indiv\u00edduo para sua reintegra\u00e7\u00e3o na sociedade, lembrando-o da presen\u00e7a do perd\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Augusto Ancelmo da Silva e Raimundo Rosa Ferreira afirmam que o capel\u00e3o tem a atribui\u00e7\u00e3o de assistencialismo espiritual aos sujeitos das institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o afastados do conv\u00edvio social, comunit\u00e1rio e familiar, n\u00e3o contribuindo para o desenvolvimento da sociedade, n\u00e3o sendo um ser participativo e ativo dentro do mercado de trabalho.<a href=\"#_ftn67\">[67]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com os autores a Capelania carcer\u00e1ria \u00e9 essencial para a compreens\u00e3o da assistencial espiritual aos confinados dentro dos pres\u00eddios, pois encarcerado que cometeu infra\u00e7\u00f5es, \u00e9 aprisionado devido \u00e0s faltas cometidas perante \u00e0 lei dos homens, precisa de um aconselhamento apaziguador para seu esp\u00edrito aflito, tendo o Capel\u00e3o, tem a miss\u00e3o de levar a este indiv\u00edduo uma palavra de conforto, um aconselhamento para que o mesmo alcance a paz espiritual para sobreviver no confinamento.<a href=\"#_ftn68\">[68]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Importa apresentar algumas indaga\u00e7\u00f5es feitas se assist\u00eancia religiosa e capelania s\u00e3o sin\u00f4nimos, pois para alguns autores s\u00e3o atividades distintas, conforme excerto abaixo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode confundir, do ponto de vista do direito, capelania e assist\u00eancia religiosa. No primeiro caso, o servi\u00e7o religioso n\u00e3o se configura como um recurso assistencial, sendo oferecido a todos os membros da corpora\u00e7\u00e3o (no caso dos militares) ou a todas as pessoas que acessam a institui\u00e7\u00e3o (no caso hospitalar). Na assist\u00eancia religiosa, o servi\u00e7o religioso \u00e9 um direito do indiv\u00edduo, deve ser prestado segundo a cren\u00e7a e vontade do mesmo. Como recurso assistencial, o servi\u00e7o religioso deve ser prestado quando o indiv\u00edduo sente a necessidade de ser assistido religiosamente. Importante ressaltar que, nesse caso, a assist\u00eancia s\u00f3 \u00e9 prevista legalmente caso o indiv\u00edduo (adulto ou adolescente) n\u00e3o tenha meios pr\u00f3prios de acess\u00e1-lo. Por isso, a previs\u00e3o restringe a assist\u00eancia religiosa \u00e0queles que est\u00e3o internados em hospitais, aquartelados ou aprisionados.<a href=\"#_ftn69\">[69]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[65]PEREIRA, 2016, p. 42.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[66]PEREIRA, 2016, p. 42.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[67]SILVA, Augusto Ancelmo da; FERREIRA, Raimundo Rosa. III CONGRESSO NORTE DE TEOLOGIA DA FACULDADE BOAS NOVAS, 2., 2018, Manaus.Anais do III Congresso norte de Teologia. Manaus: <em>FBN<\/em>, v. 2, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[68] SILVA; FERREIRA, 2018, p.54.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[69]SIM\u00d5ES, Pedro. Assist\u00eancia religiosa no sistema socioeducativo: a vis\u00e3o dos operadores do Direito. <em>Religi\u00e3o e Sociedade<\/em>, Rio de Janeiro, v. 32, n. 1, p. 130-156, 2012.p.131.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, para Sim\u00f5es a assist\u00eancia religiosa, \u00e9 um direito individual, devendo ser prestado de acordo com as cren\u00e7as do indiv\u00edduo, enquanto a capelania n\u00e3o seria um servi\u00e7o assistencial individual, mas coletivo. Apesar de n\u00e3o ser essa discuss\u00e3o objetivo do trabalho vale ressaltar que essa existe.<a href=\"#_ftn70\">[70]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Silva Junior discorda de Sim\u00f5es, considerando assist\u00eancia religiosa e capelania como sin\u00f4nimos, pois para o referido autor embora a Lei n\u00ba 6.923\/1981 trate de capelania, designando os agentes religiosos como <em>Capel\u00e3es Militares<\/em>, a referida trata, a todo momento, do servi\u00e7o de Assist\u00eancia Religiosa nas For\u00e7as Armadas.<a href=\"#_ftn71\">[71]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outro argumento utilizado pelo autor para refutar as observa\u00e7\u00f5es de Sim\u00f5es \u00e9 que a Lei de 1981, mesmo n\u00e3o tendo sido revogada, est\u00e1 sobreposta pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, portanto, o artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, abrange toda a lei de 1981.<a href=\"#_ftn72\">[72]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Silva J\u00fanior argumenta ainda que a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 trata ambas as presta\u00e7\u00f5es sob a rubrica da assist\u00eancia religiosa, apresentando ainda que a id\u00eantica dificuldade de acesso \u00e0s suas religi\u00f5es entre os que cumprem pena privativa de liberdade, o fato de assist\u00eancia ser oferecida a todos os aquartelados ou aprisionados n\u00e3o desvirtua sua natureza, respeitando-se, por \u00f3bvio, as demais regras constitucionais.<a href=\"#_ftn73\">[73]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a Lei n\u00ba 9.982\/2000, em seu art. 1\u00ba, garante, na \u201cpresta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa\u201d, tanto a universalidade de confiss\u00f5es quanto o respeito \u00e0 vontade dos internados ou de \u201cseus familiares no caso de doentes que j\u00e1 n\u00e3o mais estejam no gozo de suas faculdades mentais\u201d.<a href=\"#_ftn74\">[74]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Finalizando a argumenta\u00e7\u00e3o, Silva J\u00fanior apresenta que no Direito vigora, entre outros, o crit\u00e9rio cronol\u00f3gico, segundo o qual a norma posterior afasta a incid\u00eancia da anterior, ou seja, diante do quadro constitucional vigente, os termos capelania e assist\u00eancia religiosa podem tomados como sin\u00f4nimos, posto que reguladores de fen\u00f4menos id\u00eanticos.<a href=\"#_ftn75\">[75]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de legisla\u00e7\u00e3o pertinente a presente pesquisa essa distin\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 relevante, mas vale acrescentar que dentro da perspectiva de manifesta\u00e7\u00e3o religiosa nos pres\u00eddios, o pluralismo nem sempre \u00e9 respeitado.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei n\u00ba 9.982\/2000, que disp\u00f5e sobre a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nas entidades hospitalares p\u00fablicas e privadas, bem como nos estabelecimentos prisionais civis e militares, assegura que a assist\u00eancia seja realizada por agentes religiosos de diversas cren\u00e7as e religi\u00f5es. Cabendo ainda ao detento ou enfermo aceitar ou n\u00e3o essa visita, tendo esse, liberdade para filiar-se ou n\u00e3o a uma religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn76\">[76]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a lei os religiosos devem, obrigatoriamente, respeitar \u201cas determina\u00e7\u00f5es legais e normas internas de cada institui\u00e7\u00e3o hospitalar ou penal, a fim de n\u00e3o p\u00f4r em risco as condi\u00e7\u00f5es do paciente ou a seguran\u00e7a do ambiente hospitalar ou prisional\u201d (art. 2\u00ba).<a href=\"#_ftn77\">[77]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo interpretativa, a oportunidade das institui\u00e7\u00f5es de colocarem normas internas para essa assist\u00eancia religiosa, por vezes produzem entraves no processo, sendo que alguns autores consideram que algumas institui\u00e7\u00f5es penais dificultam o processo, mais por finalidades pol\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[70]SIM\u00d5ES, 2012, p.131.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[71]SILVA J\u00daNIOR, Antonio Carlos da Rosa. <em>Um campo religioso prisional:<\/em> Estado, religi\u00f5es e religiosidades nos c\u00e1rceres a partir do contexto juizforano. Tese (Doutorado) &#8211; Universidade Federal de Juiz de Fora,Instituto de Ci\u00eancias Humanas. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o, 2017.316p. p.28.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[72] SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 28-29.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[73]SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 28-29.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[74]SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 28-29.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[75]SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 28-29.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[76]BRASIL, \u00a02000, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[77]BRASIL, 2000, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, tal barreira se explica mais em termos pol\u00edticos do que propriamente religiosos ou de seguran\u00e7a. \u00c9 a resist\u00eancia ao controle externo das penitenci\u00e1rias, por meio de fiscaliza\u00e7\u00e3o e den\u00fancias, que parece ser o ponto central da restri\u00e7\u00e3o \u00e0 assist\u00eancia religiosa. A transpar\u00eancia sobre a situa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria (superlota\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o, controle do crime organizado, fal\u00eancia do Estado) poderia constituir um capital pol\u00edtico negativo para os governantes perante o eleitorado e a opini\u00e3o p\u00fablica.<a href=\"#_ftn78\">[78]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente tamb\u00e9m apresenta que as institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o devem propiciar assist\u00eancia religiosa \u00e0queles que desejarem, de acordo com suas cren\u00e7as, sendo direito do adolescente receber assist\u00eancia religiosa, segundo a sua cren\u00e7a, e desde que assim o deseje. (art. 124).<a href=\"#_ftn79\">[79]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observados os dispositivos legais \u00e9 essencial discutir como a religi\u00e3o \u00e9 percebida dentro do espa\u00e7o do Estado brasileiro, considerando as afirma\u00e7\u00f5es de Ranquetat J\u00fanior:<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 por parte do arcabou\u00e7o legal e constitucional brasileiro uma valora\u00e7\u00e3o positiva do religioso, particularmente em sua express\u00e3o cat\u00f3lica e\/ou crist\u00e3, que possibilita at\u00e9 mesmo parcerias que objetivem o bem comum entre inst\u00e2ncias estatais e organiza\u00e7\u00f5es religiosas. H\u00e1 por aqui um reconhecimento da dimens\u00e3o p\u00fablica do religioso sem que exista um Estado confessional, jur\u00eddica e formalmente vinculado a uma religi\u00e3o em particular.<a href=\"#_ftn80\">[80]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa influ\u00eancia da religi\u00e3o sobre o Estado implica uma transfer\u00eancia de responsabilidades e uma inclina\u00e7\u00e3o a perceber que a igreja pode adentrar por espa\u00e7os nos quais o Estado n\u00e3o alcan\u00e7a, observando Maduro que afirma que A religi\u00e3o existe e opera n\u00e3o na sociedade no abstrato \u201cmas numa sociedade concreta e particular, localizada no espa\u00e7o e no tempo, com uma popula\u00e7\u00e3o e recursos limitados e estruturados de uma maneira peculiar\u201d<a href=\"#_ftn81\">[81]<\/a>. Assim \u201ctodas as religi\u00f5es est\u00e3o enraizadas numa dada sociedade\u201d.<a href=\"#_ftn82\">[82]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto a religi\u00e3o ultrapassa o espiritual e atua dentro das pr\u00e1ticas sociais, incluindo em um espa\u00e7o denominado campo religioso, configurado a partir da produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o dos bens simb\u00f3lico-religiosos, por meio dos quais os agentes estabelecem suas rela\u00e7\u00f5es que atendam \u00e0s demandas religiosas, fornecendo sentido social para os grupos ali presentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se imaginarmos o meio religioso \u2013 ou seja, as diversas religi\u00f5es, os seus produtores, reprodutores, consumidores, as suas institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, regras, leis, protagonistas etc. \u2013funcionando como se fosse uma esp\u00e9cie de campo de for\u00e7as similar ao que ocorre na F\u00edsica, passaremos a compreend\u00ea-lo ent\u00e3o como um composto de v\u00e1rios pontos (que seriam as institui\u00e7\u00f5es, os agentes etc.) que se relacionam e interagem de acordo com um sistema de coordenadas.<a href=\"#_ftn83\">[83]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esse campo religioso atua em diversas partes da sociedade, e ao mesmo tempo em que constitui esse campo \u00e9 constitu\u00eddo pelo mesmo, dando a esse, caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, de acordo com o contexto, no qual esse se encontra inserido, uma vez que:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[78]AMORIM, Daniela de Lima; COIMBRA, M\u00e1rio; GON\u00c7ALVES, Jos\u00e9 Artur Teixeira. Assist\u00eancia religiosa e suas barreiras: uma leitura \u00e0 luz da LEP e do sistema prisional: <em>INTERMAS<\/em>, Presidente Prudente, v. 15, p. 244-261, nov. 2010. p. 251-252.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[79]BRASIL.\u00a0 <em>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/em> Lei n\u00ba 8.069, de 13 de julho de 1990. Disp\u00f5e sobre o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e d\u00e1 outras provid\u00eancias. [ <em>online<\/em>].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[80]RANQUETAT J\u00daNIOR, Cesar Alberto. A invoca\u00e7\u00e3o do nome de Deus nas Constitui\u00e7\u00f5es Federais Brasileiras: religi\u00e3o, pol\u00edtica e laicidade. Cultura y Religi\u00f3n \u2013<em>Revista de Sociedades en Transici\u00f3n,<\/em> v. VII, n. 2, p. 86-101, 2013.p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[81]MADURO, Otto. <em>Religi\u00e3o e luta de classes:<\/em> quadro te\u00f3rico para a an\u00e1lise de suas inter-rela\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina. 2. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1983. p.73.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[82]GUERRIERO, Silas. H\u00e1 algo novo no campo das religi\u00f5es: os novos movimentos religiosos. In: BELLOTTI, Karina K.; CAMPOS, Leonildo S.; SILVA, Eliane Moura (Org). <em>Religi\u00e3o e sociedade na Am\u00e9rica Latina.<\/em> S\u00e3o Bernardo do Campo: UMESP, 2010. p. 101-116. p.103.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[83]ARRIBAS, C\u00e9lia. Pode Bourdieu contribuir para os estudos em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o? <em>Numen<\/em>, Juiz de Fora, v. 15, n. 2, p. 483-513, 2012. p. 493.<\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o \u00e9 sociologicamente interessante n\u00e3o porque, como o positivismo vulgar o colocaria, ela descreve a ordem social (e se o faz \u00e9 de forma n\u00e3o s\u00f3 muito obl\u00edqua, mas tamb\u00e9m muito incompleta), mas porque ela \u2013a religi\u00e3o \u2013a modela, tal como o fazem o ambiente, o poder pol\u00edtico, a riqueza, a obriga\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, a afei\u00e7\u00e3o pessoal e um sentido de beleza.<a href=\"#_ftn84\">[84]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Silva J\u00fanior apresenta dentro do contexto da pesquisa algumas caracter\u00edsticas do campo religioso brasileiro que tem no cristianismo a sua base de forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica onde a diversidade religiosa e a laicidade s\u00e3o processos associados historicamente, j\u00e1 que a n\u00e3o ado\u00e7\u00e3o de uma religi\u00e3o oficial pelo Estado teria permitido a eclos\u00e3o de numerosas matrizes e ainda com o fim da hegemonia, ou quase monop\u00f3lio, do catolicismo e o aumento no n\u00famero dos sem religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn85\">[85]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse campo religioso brasileiro que apresenta caracter\u00edsticas que se diferenciam e modificam no decorrer dos tempos, temos um campo religioso espec\u00edfico, discutido, nesse trabalho que \u00e9 o campo religioso das pris\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 not\u00f3rio que o sistema prisional \u00e9 um espa\u00e7o no qual vigoram normas e valores espec\u00edficos, com regras pr\u00f3prias<a href=\"#_ftn86\">[86]<\/a><a href=\"#_ftn87\">[87]<\/a>, denominados por alguns autores como microssociedade<a href=\"#_ftn88\">[88]<\/a>, <em>ou uma sociedade dentro da sociedade mais ampla<\/em>.<a href=\"#_ftn89\">[89]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Silva J\u00fanior apresenta que o campo religioso brasileiro prisional apresenta uma situa\u00e7\u00e3o invertida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 predomin\u00e2ncia de religi\u00e3o, enquanto a maioria dos brasileiros se declara cat\u00f3lica, dentro dos pres\u00eddios temos a predomin\u00e2ncia evang\u00e9lica.<a href=\"#_ftn90\">[90]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os evang\u00e9licos est\u00e3o em 31 das 33 Unidades pesquisadas (94%); em 12 delas (37,5%), os Evang\u00e9licos desenvolvem trabalhos sem a presen\u00e7a de nenhuma outra tradi\u00e7\u00e3o religiosa. Nas demais 19 Unidades, os Evang\u00e9licos est\u00e3o nas Unidades somente com Cat\u00f3licos (13 Unidades, ou 41%); somente com Esp\u00edritas Kardecistas (3 Unidades, ou 9%); e com Cat\u00f3licos e Esp\u00edritas Kardecistas (3 Unidades, ou 9%). Somente em uma \u00fanica Unidade, Cat\u00f3licos e Esp\u00edritas desenvolvem suas atividades religiosas sem a presen\u00e7a dos Evang\u00e9licos. Esses resultados identificam, t\u00e3o somente, a exist\u00eancia majorit\u00e1ria de Evang\u00e9licos, seguidos dos Cat\u00f3licos e dos Esp\u00edritas nas Unidades. A presen\u00e7a das religi\u00f5es de raiz africana n\u00e3o \u00e9 identificada em nenhuma unidade (&#8230;). <a href=\"#_ftn91\">[91]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Silva J\u00fanior apresenta assim, a partir de pesquisas de outros autores que as igrejas evang\u00e9licas s\u00e3o as mais presentes no contexto prisional, seguidas por grupos cat\u00f3licos e por esp\u00edritas, embora em contextos espec\u00edficos essa configura\u00e7\u00e3o possa ser alterada. Mesmo assim, h\u00e1 detentos conversos nos c\u00e1rceres que conclamam os evang\u00e9licos para uma maior atua\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn92\">[92]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[84]GEERTZ, Clifford. <em>A Interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas.<\/em> Rio de Janeiro: LTC, 1989. p.136.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[85]SILVA J\u00daNIOR, 2017, p.75-77.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[86]LIVRAMENTO, Andr\u00e9 Mota do. <em>Homens encarcerados:<\/em> assist\u00eancia religiosa e estrat\u00e9gias de vida na pris\u00e3o. 2012. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Psicologia) \u2013Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia, Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, Vit\u00f3ria, 2012. p. 103.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[87]QUIROGA, Ana Maria. Religi\u00f5es e pris\u00f5es no Rio de Janeiro: presen\u00e7as e significados. <em>Comunica\u00e7\u00f5es do ISER<\/em>, Rio de Janeiro, n. 61, p. 13-21, 2005. p. 15.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><em><strong>[88]<\/strong><\/em>BICCA, Alessandro. A honra na rela\u00e7\u00e3o entre detentos crentes e n\u00e3o crentes.<em> Debates do NER<\/em>, Porto Alegre, ano 6, n. 8, p. 87-98, jul.\/dez. 2005. p. 88.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[89] DIAS, Camila Caldeira Nunes. Evang\u00e9licos no c\u00e1rcere: representa\u00e7\u00e3o de um papel desacreditado. <em>Debates do NER<\/em>, Porto Alegre, ano 6, n. 8, p. 39-55, jul.\/dez. 2005. p. 40.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[90] SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 84.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[91] SIM\u00d5ES, 2012, \u00a0p. 100.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[92] SILVA J\u00daNIOR, 2017, p. 85.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais falta na pris\u00e3o s\u00e3o pessoas, s\u00e3o crist\u00e3os, que acompanhem e animem o preso a encarar o que ele fez, a arrepender-se, o que significa mudar a vida de rumo. Falta ao preso uma nova perspectiva de vida a partir do Evangelho, da justi\u00e7a e de uma vida digna. Falta Deus encarnado em pessoas na pris\u00e3o! Faltam os \u201cJo\u00e3os Batistas\u201d que pregam o arrependimento e o amor incondicional de Deus. Geralmente o preso que ali est\u00e1 j\u00e1 cresceu na rua ou num lar infeliz e sem amor, em situa\u00e7\u00f5es subumanas dentro de uma sociedade pervertida.<a href=\"#_ftn93\">[93]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim na perspectiva institucional, a presen\u00e7a dos evang\u00e9licos \u00e9 predominante com poucas ocorr\u00eancias de outras matrizes religiosas, apesar de essas aparecerem como pr\u00e1ticas individuais de alguns presos.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando o proselitismo apresentando nas legisla\u00e7\u00f5es diversas \u00e9 importante observar porque essa predomin\u00e2ncia ocorre numa invers\u00e3o ao campo religioso brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do que foi apresentado nesse cap\u00edtulo, vemos que no que concerne ao aspecto legislativo do Direito Internacional e do Direito Interno a assist\u00eancia religiosa est\u00e1 amparada, mas na perspectiva do que se percebe da situa\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios no Brasil, muito ainda precisa ser feito para que a assist\u00eancia religiosa ocorra na forma necess\u00e1ria, ou seja, na perspectiva da religiosidade e da espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do que foi demonstrado, muitas vezes, as igrejas adentram nos pres\u00eddios, mas ocupam-se de aspectos que s\u00e3o lacunas deixadas pelo Estado e por isso no cap\u00edtulo seguinte vamos discutir alguns aspectos sociol\u00f3gicos da religi\u00e3o e religiosidade que poder\u00e3o responder a essa quest\u00e3o, incluindo o papel coesivo e tamb\u00e9m coercitivo que a religi\u00e3o pode desempenhar no contexto social e assim tamb\u00e9m dentro dos pres\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"370\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/ffab400b-fa9c-4b85-8870-753c0ff24889.jpg\" alt=\"\" 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da capelania, seja na forma de assist\u00eancia religiosa, auxiliando detentos a conviverem num espa\u00e7o que, muitas vezes, n\u00e3o traz dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Neste cap\u00edtulo ser\u00e3o analisados aspectos da Sociologia e Religi\u00e3o, dentro do Direito, tanto no aspecto social, quanto no aspecto coercitivo, uma vez que a religi\u00e3o, como forma de institui\u00e7\u00e3o faz parte dos denominados aparelhos ideol\u00f3gicos do Estado por autores como Michel Foucault.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, pretende-se, por aqui, formatar estudos estratificados em torno da religi\u00e3o como coes\u00e3o social, a estrutura social consubstanciada no conjunto de normas de comando e a vital import\u00e2ncia da sociologia no sistema informal de controle social, tudo na vis\u00e3o e \u00f3tica Durkheim e Foucault, sem preterir de in\u00fameros outros autores que se dedicaram no estudo e pesquisas sobre a o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha de dois te\u00f3ricos que partem de perspectivas diferentes \u00e9 proposital, uma vez que o tema da pesquisa \u00e9 a assist\u00eancia religiosa, que deveria ser vista como um fato social e, muitas vezes, est\u00e1 sendo utilizada na perspectiva da coer\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo, promo\u00e7\u00e3o de coes\u00e3o do sistema. Essa an\u00e1lise de perspectivas se faz necess\u00e1ria uma vez que sendo uma realidade dos sistemas prisionais, a presen\u00e7a religiosa necessita assumir uma identidade e deixar clara, suas pretens\u00f5es no trabalho de ressocializa\u00e7\u00e3o dos detentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0A primeira parte do cap\u00edtulo vai apresentar as id\u00e9ias de \u00c9mile Durkheim, mostrando a import\u00e2ncia da religi\u00e3o no coletivo, como forma de coes\u00e3o social. A seguir ser\u00e3o apresentadas as id\u00e9ias de Michel Foucault, demonstrando ser a igreja um dos aparelhos ideol\u00f3gicos do Estado, sendo importante, portanto, n\u00e3o confundir igreja como assist\u00eancia religiosa. E para finalizar ser\u00e1 discutido sobre a capelania e a assist\u00eancia religiosa como formas de ressocializa\u00e7\u00e3o ou manobra jur\u00eddica, triangulando com as id\u00e9ias de coes\u00e3o social de Durkheim e coer\u00e7\u00e3o social de Michel Foucault.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[3]WULFHORST, Dorothea Jucksch. <em>Abrindo o jogo:<\/em> confiss\u00f5es de um abusador sexual arrependido. Vi\u00e7osa: M\u00e3os Dadas, [entre 1990 e 2009]. p. 15.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.1 A religi\u00e3o e a coes\u00e3o social na vis\u00e3o de Durkheim<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Domingues apresenta, em seus estudos, autores cl\u00e1ssicos da sociologia, dentre eles Durkheim que n\u00e3o se contentaram com as no\u00e7\u00f5es e problemas que a sociedade da \u00e9poca lhes oferecia abertamente e elaboraram conceitos que ultrapassavam o senso comum e buscaram evidenciar quest\u00f5es que muitas vezes seus contempor\u00e2neos teriam preferido ignorar.<a href=\"#_ftn94\">[94]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ademais, em parte emulando as ci\u00eancias da natureza \u2013 que com frequ\u00eancia consideravam modelos de cientificidade e objetividade \u2013, mas tamb\u00e9m a partir de demandas do pr\u00f3prio estado no sentido de conhecer e melhor intervir na realidade social, controlando-a, eles pensadores elaboraram os primeiros m\u00e9todos de investiga\u00e7\u00e3o emp\u00edrica das ci\u00eancias sociais<a href=\"#_ftn95\">[95]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pertinente ao assunto a ser discutido nesse cap\u00edtulo Vares apresenta que segundo Durkhein, &#8220;as representa\u00e7\u00f5es, as emo\u00e7\u00f5es e as tend\u00eancias coletivas n\u00e3o t\u00eam como causas geradoras, certos estados de consci\u00eancia individual, mas as condi\u00e7\u00f5es em que se encontra o corpo social em seu conjunto\u201d <a href=\"#_ftn96\">[96]<\/a>, pois &#8220;aqui est\u00e1 uma ordem de fatos que apresenta caracter\u00edsticas muito especiais: consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indiv\u00edduo, dotadas de um poder de coer\u00e7\u00e3o em virtude do qual se lhe imp\u00f5em&#8221;.<a href=\"#_ftn97\">[97]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa perspectiva produz o que Durkheim chama de consci\u00eancia coletiva, portanto os fatos sociais, embora sendo produzidos por indiv\u00edduos em suas rela\u00e7\u00f5es, adquirem uma autonomia em rela\u00e7\u00e3o a cada indiv\u00edduo.<a href=\"#_ftn98\">[98]<\/a>Portanto a coletividade, ou seja, o meio social age sobre o indiv\u00edduo, modelando suas formas de agir, pensar e sentir,<a href=\"#_ftn99\">[99]<\/a> construindo uma coes\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>No pensamento de Durkheim, \u00e9 justamente a coes\u00e3o social que possibilita a solidariedade, a chamada org\u00e2nica, na sociedade complexa e mec\u00e2nica no caso da sociedade simples. A solidariedade tem a potencialidade de ampliar a coes\u00e3o social, a depender do seu n\u00edvel de ajustamento e harmonia existencial.<a href=\"#_ftn100\">[100]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os integrantes cooperam com o grupo social ou porque tem algum interesse individual ou porque \u00e9 movido por alguma coer\u00e7\u00e3o normativa. A coes\u00e3o \u00e9 elemento constitutivo de todo grupo social, de fundamental import\u00e2ncia para a exist\u00eancia de uma sociedade melhor para se viver. Sem coes\u00e3o n\u00e3o se pode conceber uma sociedade estruturalmente ajustada.<a href=\"#_ftn101\">[101]<\/a> Para sintetizar todo esse arrazoado perfunct\u00f3rio, Durkheim arremata:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[94]DOMINGUES, Jos\u00e9 Maur\u00edcio. <em>Sociologia e Modernidade. Para entender a sociedade contempor\u00e2nea.<\/em> Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira. \u00a0Rio de Janeiro. 1999. p. 11-12.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[95]DOMINGUES, 1999, p.12.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[96]DURKHEIM, Emile.<em> Introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento sociol\u00f3gico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Centauro, 2001. p.67. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[97]DURKHEIM, Emile.<em> As regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico<\/em>. Trad. Pietro Nassetti. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2005. p. 32. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[98]VARES, Sidnei Ferreira de. Sociologismo e individualismo em \u00c9mile Durkheim.<em>Cad. CRH,<\/em>\u00a0Salvador, v. 24,\u00a0n. 62,\u00a0p. 435-446, 2011 . \u00a0p. 439. [<em>online<\/em>].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[99] VARES, 2011, p. 436.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[100] DOMINGUES, 1999, p. 12.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[101] DOMINGUES, 1999, p. 12.<\/p>\n\n\n\n<p>Todo mundo sabe, de fato, que existe uma coes\u00e3o social, cuja causa est\u00e1 numa certa conformidade de todas as consci\u00eancias particulares a um tipo comum que n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o o tipo ps\u00edquico da sociedade. Com efeito, nessas condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 todos os membros do grupo s\u00e3o individualmente atra\u00eddos uns pelos outros, por se assemelharem, mas tamb\u00e9m s\u00e3o apegados ao que \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia desse tipo coletivo, isto \u00e9, a sociedade se forma por uma reuni\u00e3o. H\u00e1 em n\u00f3s duas consci\u00eancias: uma cont\u00e9m apenas estados que s\u00e3o pessoais a cada um de n\u00f3s e nos caracterizam, ao passo que os estados que a outra compreende s\u00e3o comuns a toda a sociedade. A primeira representa apenas nossa personalidade individual e a constitui; a segunda representa o tipo coletivo e, por conseguinte, a sociedade sem a qual ele n\u00e3o existiria. Os homens s\u00f3 necessitam da paz na medida em que j\u00e1 s\u00e3o unidos por algum v\u00ednculo de sociabilidade. Neste caso, de fato, os sentimentos que os inclinam uns para os outros moderam naturalmente os arrebatamentos do ego\u00edsmo e, por outro lado a sociedade que os envolve, n\u00e3o podendo viver sen\u00e3o com a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ser a cada instante abalada pelos conflitos, descarrega sobre eles todo o seu peso para obriga-los a se fazer as concess\u00f5es necess\u00e1rias<a href=\"#_ftn102\">[102]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os fatos sociais acontecem porque a sociedade \u00e9 um organismo vivo. A sociedade \u00e9 anterior ao nascimento do homem, j\u00e1 existem regras, valores, religi\u00e3o; j\u00e1 existem cren\u00e7as e o ser humano vai aderindo as regras da sociedade, atrav\u00e9s de um comportamento volunt\u00e1rio, no qual a coer\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz prevalecente, porque o agir foi de acordo com os mandamentos aceitos e estabelecidos pela sociedade.<a href=\"#_ftn103\">[103]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as estruturas que contribuem para essa adequa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, temos a religi\u00e3o, que de acordo com \u00e9 um sistema de cren\u00e7as e pr\u00e1ticas sobre as coisas sagradas que unem numa mesma comunidade moral, a igreja, todos aqueles que \u00e1 aderem. Tornando a religi\u00e3o eminentemente coletiva.<a href=\"#_ftn104\">[104]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para Durkheim a religi\u00e3o&nbsp;\u00e9 fen\u00f4meno social&nbsp;e atribui o desenvolvimento da religi\u00e3o \u00e0 seguran\u00e7a emocional proporcionada pela vida em comunidade; apresentando a religi\u00e3o como forma de se buscar a coes\u00e3o social. Basicamente, estabeleceu-se estudo sobre os fatos sociais, onde a coer\u00e7\u00e3o social aparece como mola propulsora de controle das rela\u00e7\u00f5es sociais, seja por meio de manifesta\u00e7\u00f5es intr\u00ednsecas ou externas, puni\u00e7\u00f5es morais ou legais. E sendo a religi\u00e3o uma representa\u00e7\u00e3o essencialmente social, claramente se tem um instrumento de coes\u00e3o e harmonia. Durkheim arremata com primazia:<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o que se tem \u00e9 que a religi\u00e3o \u00e9 uma coisa eminentemente social. As representa\u00e7\u00f5es religiosas s\u00e3o representa\u00e7\u00f5es coletivas que exprimem realidades coletivas; os ritos s\u00e3o as maneiras de agir que n\u00e3o nasceram sen\u00e3o no seio de grupos reunidos e que est\u00e3o destinados a suscitar, a manter ou refazer certos estados mentais desses grupos. Mas ent\u00e3o, se as categorias t\u00eam origem religiosa, elas devem participar da natureza comum de todos os fatos religiosos: devem ser, elas pr\u00f3prias, coisas sociais, produtos do pensamento coletivo. Pelo menos \u2013 porque, no estado atual de nossos conhecimentos nessa mat\u00e9ria, deve-se precaver contra toda tese radical e exclusiva \u2013 \u00e9 leg\u00edtimo supor que elas s\u00e3o ricas de elementos sociais.<a href=\"#_ftn105\">[105]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Corroborando o excerto acima, Weiss discute que para Durkheim a religi\u00e3o proporciona certa unidade moral aos indiv\u00edduos, garantido a coes\u00e3o necess\u00e1ria \u00e0 exist\u00eancia da sociedade, sendo respons\u00e1vel por estruturar e desenvolver o pr\u00f3prio pensamento, o pr\u00f3prio entendimento humano.<a href=\"#_ftn106\">[106]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[102] DURKHEIM, \u00c9mile. <em>Da Divis\u00e3o do Trabalho Social. <\/em>2\u00aa ed. Martins Fontes. S\u00e3o Paulo, 1999. p. 78.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[103]DURKHEIM, \u00c9mile. <em>Sociologia.<\/em> Organizador Jos\u00e9 Albertino Rodrigues. Coordenador Florestan Fernandes. 2001. Editora \u00c1tica. S\u00e3o Paulo, 2001. p. 47.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[104] DURKHEIM, \u00c9mile. <em>As Formas Elementares da Vida Religiosa. S\u00e3o Paulo<\/em>: Martins Fontes, 2003. p.32.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[105] DURKHEIM, 2001, \u00a0p. 155.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[106]WEISS, Raquel. Durkheim e as formas elementares da vida religiosa. <em>Debates do NER,<\/em><strong> <\/strong>Porto Alegre, ano 13, n. 22 p. 95-119, jul.\/dez. 2012. p. 114.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido Durkheim apresenta uma leg\u00edtima preocupa\u00e7\u00e3o em apresentar o fen\u00f4meno religioso como eminentemente social apresentando que a compreens\u00e3o do fen\u00f4meno religioso sup\u00f5e apreender suas formas elementares atrav\u00e9s da investiga\u00e7\u00e3o das formas mais simples de manifesta\u00e7\u00e3o religiosa:<\/p>\n\n\n\n<p>Dizemos de um sistema religioso que ele \u00e9 o mais primitivo que nos \u00e9 dado observar, quando ele preenche as duas condi\u00e7\u00f5es seguintes: em primeiro lugar, que se encontra em sociedades cuja organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ultrapassada por nenhuma outra em simplicidade; \u00e9 preciso, al\u00e9m disso, que seja poss\u00edvel explic\u00e1-lo sem fazer intervir nenhum modelo tomado de uma religi\u00e3o anterior. <a href=\"#_ftn107\">[107]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa defini\u00e7\u00e3o a religi\u00e3o \u00e9 apresentada como uma das formas de garantir a coes\u00e3o, inclusive ao desempenhar o papel de representa\u00e7\u00e3o do mundo, das tradi\u00e7\u00f5es, dos tra\u00e7os culturais, respondendo, assim, a uma necessidade social.<a href=\"#_ftn108\">[108]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa primitividade do sistema religioso, apresentada, Durkheim discute que os elementos que constituem a religi\u00e3o, s\u00e3o identificados pelas cren\u00e7as e os ritos, \u00e0quelas, caracterizam-se por impor certo olhar que divide a realidade entre o sagrado e o profano, enquanto oposi\u00e7\u00f5es absolutas, ou, de forma mais espec\u00edfica, as cren\u00e7as s\u00e3o \u201c[&#8230;] representa\u00e7\u00f5es que exprimem a natureza das coisas sagradas e a rela\u00e7\u00e3o que elas mant\u00eam, seja entre si, seja com as coisas profana.<a href=\"#_ftn109\">[109]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 os ritos, enquanto um modo de a\u00e7\u00e3o religioso, s\u00e3o apresentados por Durkheim como&nbsp; regras que determinam como o homem deve comportar-se perante o resultando&nbsp; numa unidade coerente e singular, que n\u00e3o \u00e9 parte de nenhum outro sistema de cren\u00e7as, e que, portanto, funciona de acordo com sua pr\u00f3pria l\u00f3gica.<a href=\"#_ftn110\">[110]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma caracter\u00edstica da religi\u00e3o \u00e9 sua associa\u00e7\u00e3o a uma igreja, que constitui um grupo social. Portanto, a religi\u00e3o \u00e9 um produto social criado por indiv\u00edduos em intera\u00e7\u00e3o, que estabelecem as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es para a vida em conjunto possa continuar a existir; sendo portanto um fen\u00f4meno duplamente social, de modo que compreender a vida coletiva, em qualquer momento hist\u00f3rico, pressup\u00f5e compreender o fen\u00f4meno religioso em geral e as m\u00faltiplas manifesta\u00e7\u00f5es religiosas.<a href=\"#_ftn111\">[111]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Albuquerque apresenta que Durkheim busca entender a coercitividade social, a for\u00e7a moral que a sociedade exerce sobre o indiv\u00edduo, com o intuito de revelar a for\u00e7a das institui\u00e7\u00f5es na preserva\u00e7\u00e3o daquilo que considerava como a sa\u00fade do organismo social e na concep\u00e7\u00e3o funcionalista de que cada \u00f3rg\u00e3o desempenhava fun\u00e7\u00e3o \u00fatil no bom ordenamento do todo.<a href=\"#_ftn112\">[112]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a quest\u00e3o da invers\u00e3o de predomin\u00e2ncia de grupos religiosos observados nos pres\u00eddios e na da sociedade, apresentados no final do primeiro cap\u00edtulo, percebem-se algumas considera\u00e7\u00f5es apresentadas por Durkheim, apresentadas a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Durkheim observa que com as transforma\u00e7\u00f5es sociais, essencialmente velozes, mormente no campo socioecon\u00f4mico, aliando \u00e0 da tecnologia, \u00e9 natural que as rela\u00e7\u00f5es sociais fiquem mais vulner\u00e1veis, justamente por conta dessas metamorfoses ambulantes, trazendo inevit\u00e1vel inseguran\u00e7a nas rela\u00e7\u00f5es sociais, em fun\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia de normas, abrindo lugar para aquilo que se chama de anomia.<a href=\"#_ftn113\">[113]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A anomia traz s\u00e9rias consequ\u00eancias para o normal funcionamento da sociedade. Assim, diante da aus\u00eancia de regras sociais, para Durkheim, a sociedade se mostra socialmente doente, o que se chamou de patologia social.<a href=\"#_ftn114\">[114]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[107]DURKHEIM,, 2003, p. 5.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[108]WEISS, 2012, p. 107.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[109]DURKHEIM,, 2003, p. 24.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[110]DURKHEIM,, 2003, p. 32.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[111]WEISS, 2012, p.118-119.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[112]ALBUQUERQUE, Rossana Maria Marinho. A acep\u00e7\u00e3o durkheimeana do crime.\u00a0 Olhares plurais. <em>Revista Eletr\u00f4nica Multidisciplinar<\/em>, Vol. 1, N\u00fam. 1, Ano 2009. p. 26.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[113]VARES, 2011, p. 443.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[114]VARES, 2011, p. 443.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto para \u00c9mille Durkheim o crime n\u00e3o \u00e9 nada de anormal, se apresentando como perfeitamente normal, mas repudi\u00e1vel. N\u00e3o h\u00e1 nada de invulgar no crime, que, ali\u00e1s, faz parte da sociedade, e aquilo que era crime do passado pode ser a virtude do futuro, e por fim, arremata que a conduta criminosa de ontem pode ser algo virtuoso de amanh\u00e3.<a href=\"#_ftn115\">[115]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para Durkheim, o crime n\u00e3o se instaura apenas e t\u00e3o somente em determinada sociedade, o crime existe e faz parte de toda esp\u00e9cie de sociedade, podendo essa evoluir e sofrer as transforma\u00e7\u00f5es de praxe, mas desde os tempos remotos o delito sempre existiu e sempre vai existir.<a href=\"#_ftn116\">[116]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo o delito um fato comunit\u00e1rio presente em toda a sociedade, um fato social negativo e n\u00e3o patol\u00f3gico, logo a sua preven\u00e7\u00e3o possui raiz sociol\u00f3gica, com elimina\u00e7\u00e3o dos fatores sociais que influenciam o seu cometimento. Portanto, a fonte geradora do delito \u00e9 fator ex\u00f3geno, de fora para dentro, e assim, haveria necessidade de coloca\u00e7\u00f5es de barreiras para conter o \u00edmpeto criminoso na sociedade.<a href=\"#_ftn117\">[117]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Weiss faz importantes incurs\u00f5es acerca do significado social de crime na vis\u00e3o durkheimiana, apresentando que o crime, nessa perspectiva \u00e9 visto como normal, no sentido de ocorrer em todas as sociedades, em todos os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Crime \u00e9 entendido como um \u201cfato normal\u201d. Em primeiro lugar, \u00e9 preciso mencionar que o autor afirma que um fato social \u00e9 \u201cnormal\u201d quando ele \u00e9 o que deveria ser e \u00e9 considerado patol\u00f3gico quando deveria ser de outro modo. Portanto, o pr\u00f3prio crit\u00e9rio de normal tem seu sentido e sua validade determinados na rela\u00e7\u00e3o com um fim \u2013 o que deveria ser \u2013 previamente estabelecido [&#8230;]<a href=\"#_ftn118\">[118]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto essa vis\u00e3o de normalidade n\u00e3o implica que o mesmo n\u00e3o deva ser repreendido, prosseguindo em sua an\u00e1lise acerca de crime como fato social normal, a autora apresenta dois sentidos implicados no conceito de normal.<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro, o normal \u00e9 aquilo que \u00e9 geral na extens\u00e3o de uma dada sociedade, ou que ocorre em todas as sociedades de um mesmo \u201ctipo\u201d. No segundo, refere-se \u00e0quilo que est\u00e1 implicado na l\u00f3gica subjacente ao real, mesmo que n\u00e3o seja compartilhado pela \u201cmedia\u201d dos indiv\u00edduos. Do mesmo modo, um comportamento que n\u00e3o corresponde ao normal pode ser patol\u00f3gico, quando amea\u00e7a a exist\u00eancia da vida social enquanto um organismo minimamente integrado, ou pode ser simplesmente desviante. Neste caso, ele n\u00e3o corresponde ao comportamento \u201cnormal\u201d, mas n\u00e3o tem um impacto prejudicial; ao contr\u00e1rio, pode at\u00e9 ter uma fun\u00e7\u00e3o \u00fatil, na medida em que explica essa l\u00f3gica subjacente do real, que ainda n\u00e3o foi incorporada pela maioria dos indiv\u00edduos [&#8230;] <a href=\"#_ftn119\">[119]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Albuquerque apresenta que, na perspectiva sociol\u00f3gica, Durkheim demonstra que sempre que o indiv\u00edduo comete uma atitude considerada crime, a sociedade \u00e9 chamada a resgatar valores considerados mais caros e, nessas situa\u00e7\u00f5es, fica evidente a coercitividade social em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quele ato, como forma de manuten\u00e7\u00e3o da ordem social.<a href=\"#_ftn120\">[120]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A autora referida, tamb\u00e9m discute que Durkheim apresenta ainda a no\u00e7\u00e3o de crime relacionada \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o social, pois com o crime as institui\u00e7\u00f5es tendem a refor\u00e7ar o ordenamento social, operando mudan\u00e7as sociais.<a href=\"#_ftn121\">[121]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A explana\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica de Durkheim a respeito da religi\u00e3o e do crime demonstra que o ser humano \u00e9 acima de tudo social, portanto, resultado das rela\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es que constitui e o constituem.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido a religi\u00e3o proporciona aos indiv\u00edduos que constituem esse grupo social cren\u00e7as e far\u00e3o parte de sua subjetividade e a participa\u00e7\u00e3o nos ritos possibilitar\u00e1 ao indiv\u00edduo comportar-se dentro de regras e condutas aceitas socialmente, dentro de certos grupos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Atentando \u00e0 quest\u00e3o da presen\u00e7a de grupos religiosos nos pres\u00eddios pode se relacionar que ao cometer um crime e receber uma san\u00e7\u00e3o social de reclus\u00e3o, o indiv\u00edduo pode perceber-se mais necessitado de seguir normas que o auxiliem a moldar sua conduta, assim grupos religiosos que apresentem menor toler\u00e2ncia a transgress\u00f5es e possuam uma maior rigidez disciplinar, tendem a aparentar ser mais adequados ao momento que o indiv\u00edduo est\u00e1 vivendo.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[115]ALBUQUERQUE, 2009, p. 27.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[116]ALBUQUERQUE, 2009, p. 28.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[117]ALBUQUERQUE, 2009, p. 28.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[118]WEISS, Raquel. <em>Manual de Sociologia Jur\u00eddica.<\/em> Silva, Felipe Gon\u00e7alves &amp; Rodrigues, Jos\u00e9 Rodrigo (Coordenadores). Editora Saraiva. 2013. S\u00e3o Paulo. p. 46.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[119] WEISS, 2013, \u00a0p. \u00a047.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[120]ALBUQUERQUE, 2009, \u00a0p. 29.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[121]ALBUQUERQUE, 2009,\u00a0 p. 29.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fernanda Terezinha Tom\u00e9 a religi\u00e3o inspira sentimentos altru\u00edstas que s\u00e3o essenciais para a readapta\u00e7\u00e3o social do condenado, pois conduzem a novos valores, condutas, h\u00e1bitos e maneiras de supera\u00e7\u00e3o, seja das dores, perdas, v\u00edcios ou revoltas, que est\u00e3o t\u00e3o presentes no c\u00e1rcere.<a href=\"#_ftn122\">[122]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o assunto Alexander Jacob afirma:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da aceita\u00e7\u00e3o do sagrado, o indiv\u00edduo retorna a si mesmo, aceita-se, reconcilia-se com seus impulsos e altera o seu interior, desde que seja o que Roger Bastide acredita ser uma vida religiosa progressiva e formadora de uma personalidade sadia, que devolva sentido de existir, que tenha efeito reparador nas perdas e revezes da vida, resgate valores e d\u00ea realmente o senso de reconcilia\u00e7\u00e3o com o universo, com a comunh\u00e3o com o transcendente. Essa experi\u00eancia \u00e9 relatada pelos pesquisadores como ben\u00e9fica no enfrentamento de v\u00edcios, traumas e doen\u00e7as. Se as premissas do tratamento penal s\u00e3o realmente aceitas, \u00e9 muito prov\u00e1vel que o fen\u00f4meno religioso dentro do espa\u00e7o carcer\u00e1rio, onde imperam os v\u00edcios, traumas e doen\u00e7as tamb\u00e9m seja ben\u00e9fico ao tratamento penal.<a href=\"#_ftn123\">[123]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto a assist\u00eancia religiosa para ser ben\u00e9fica precisa provocar altera\u00e7\u00e3o no interior do indiv\u00edduo, n\u00e3o podendo ser superficial, pois deve provocar o indiv\u00edduo de forma que esse n\u00e3o volte a cometer delitos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto alguns autores discutem que dentre os funcion\u00e1rios das penitenci\u00e1rias, em rela\u00e7\u00e3o ao detento aderir a assist\u00eancia religiosa, demonstram que nem sempre se acredita nessa altera\u00e7\u00e3o interior, para alguns eles n\u00e3o estariam de fato arrependidos ou interessados na salva\u00e7\u00e3o ou em quest\u00f5es teol\u00f3gicas, mas apenas tentando protegerem-se num ambiente hostil, tentando manipular para conseguirem prote\u00e7\u00e3o e vantagens pessoais. Outros funcion\u00e1rios caracterizam os detentos como carentes, procurando pelas atividades religiosas como uma estrat\u00e9gia de garantia de prote\u00e7\u00e3o no ambiente prisional.<a href=\"#_ftn124\">[124]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essas narrativas s\u00e3o decorrentes do fato de que algumas pr\u00e1ticas utilizadas pelas igrejas para atrair os detentos provocam pol\u00eamicas, pois ao darem certa prote\u00e7\u00e3o aos detentos, diferenciando o tratamento recebido por esses em detrimento a outros que n\u00e3o pertencem a denomina\u00e7\u00e3o religiosa nenhuma ou a uma de outra denomina\u00e7\u00e3o provocam discord\u00e2ncia entre alguns funcion\u00e1rios, apesar de alguns assistentes sociais, psic\u00f3logas, pedagogas e at\u00e9 mesmo alguns a diretores considerarem essa fun\u00e7\u00e3o social uma pr\u00e1tica leg\u00edtima e at\u00e9 mesmo necess\u00e1ria, uma vez que ela acaba suprindo o que o Estado n\u00e3o conseguia atender de maneira satisfat\u00f3ria.<a href=\"#_ftn125\">[125]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[122]TOM\u00c9, Fernanda Terezinha. A influ\u00eancia da religi\u00e3o na ressocializa\u00e7\u00e3o de detentos no pres\u00eddio regional de Santa Maria. 2011.[on-line]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[123]JACOB, Alexandre A convers\u00e3o religiosa como um meio determinante para a sobreviv\u00eancia no c\u00e1rcere. (Disserta\u00e7\u00e3o). Vit\u00f3ria: Faculdade Unida de Vit\u00f3ria, 2016.p.45-46.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[124]SCHELIGA, Eva Lenita. <em>\u201cE me visitastes quando estive preso\u201d:<\/em> estudo antropol\u00f3gico sobre a convers\u00e3o religiosa em unidades penais de seguran\u00e7a m\u00e1xima. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado). Universidade Federal de Santa Catarina. Florian\u00f3polis, \u00a02000. p. 75-76.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[125]SCHELIGA, 2000, p. 76.<\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o se desenvolve e ressignifica suas doutrinas a partir de novas convic\u00e7\u00f5es e nuances culturais e tecnol\u00f3gicas. Ou seja, os conceitos doutrin\u00e1rios de pecado, certo ou errado, passam pelas significa\u00e7\u00f5es da cultura, (do Ethos), e esses por sua vez, podem sofrer altera\u00e7\u00f5es no decorrer do tempo.<a href=\"#_ftn126\">[126]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto para atender a legisla\u00e7\u00e3o vigente e ainda seu papel de coes\u00e3o social n\u00e3o se pode confundir assist\u00eancia religiosa com igreja, enquanto denomina\u00e7\u00e3o religiosa, pois se assim o fizer n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e1 o que Durkheim e outros autores afirmam sobre a import\u00e2ncia da religi\u00e3o como forma de coes\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>O fiel que se p\u00f4s em contato com seu deus n\u00e3o \u00e9 apenas um homem que percebe verdades novas que o descrente ignora, \u00e9 um homem que pode mais. Ele sente em si mais for\u00e7a, seja para suportar as dificuldades da exist\u00eancia, seja para venc\u00ea-las. Est\u00e1 como que elevado acima das mis\u00e9rias humanas porque est\u00e1 elevado acima de sua condi\u00e7\u00e3o de homem; acredita-se salvo do mal, seja qual for a forma, ali\u00e1s, que conceba o mal.<a href=\"#_ftn127\">[127]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim a religi\u00e3o tem o poder de influenciar o comportamento humano de forma coletiva e ainda com grande participa\u00e7\u00e3o na manuten\u00e7\u00e3o da ordem social e na identidade coletiva de um determinado povo, influenciando ainda moral, costumes e at\u00e9 mesmo o ordenamento jur\u00eddico, sendo importante instrumento de organiza\u00e7\u00e3o social.<a href=\"#_ftn128\">[128]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Podemos aceitar, ao menos como possibilidade, a teoria de que toda religi\u00e3o \u00e9 importante, at\u00e9 essencial, do mecanismo social, da mesma forma que a moral e as leis, uma parte do complexo sistema que permite aos seres humanos viverem juntos em uma organiza\u00e7\u00e3o ordenada de rela\u00e7\u00f5es sociais. Deste ponto de vista, n\u00e3o consideramos as origens, mas as fun\u00e7\u00f5es sociais das religi\u00f5es, ou seja, sua contribui\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o da ordem social.<a href=\"#_ftn129\">[129]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Daniel Scapellato Pereira Rodrigues a religi\u00e3o pode ser utilizada como controle social, pois a mesma influencia o comportamento humano ao servir como norte em busca do sagrado.<a href=\"#_ftn130\">[130]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O autor acrescenta ainda que h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia do pensamento coletivo sobre o privado, sendo que a ordem implica em a\u00e7\u00f5es padronizadas atrav\u00e9s de regras conhecidas e impostas pela sociedade. A religi\u00e3o auxilia no sentido de favorecer que o indiv\u00edduo atue em conformidade com as regras da sociedade, imbuindo em seu \u00e2mago os princ\u00edpios e valores sociais.<a href=\"#_ftn131\">[131]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o, com efeito, n\u00e3o \u00e9 somente um sistema de ideias, \u00e9 antes de tudo um sistema de for\u00e7as. O homem que vive religiosamente n\u00e3o \u00e9 somente o homem que se representa o mundo de tal ou tal maneira, que sabe o que os outros ignoram; \u00e9 antes de tudo um homem que experimenta um poder que n\u00e3o se conhece na vida comum, que n\u00e3o se sente em si mesmo quando n\u00e3o se encontra em estado religioso.<a href=\"#_ftn132\">[132]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[126]CAMUR\u00c7A, Marcelo. <em>Ci\u00eancias Sociais e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008.p.10-11.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[127]DURKHEIM, 2003, p. 259.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[128]RADCLIFFE-BROWN, Alfred Reginald. <em>Estrutura e fun\u00e7\u00e3o na sociedade primitiva<\/em>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2013.\u00a0 p. 140.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[129] RADCLIFFE-BROWN, 2013.\u00a0 p. 140.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[130]RODRIGUES, Daniel Scapellato Pereira<em>.\u00a0 O papel da religi\u00e3o crist\u00e3 no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo nas institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o coletiva \/A APAC em Te\u00f3filo Otoni.<\/em> (Disserta\u00e7\u00e3o Mestrado).\u00a0 Vit\u00f3ria: Faculdade Unida de Vit\u00f3ria, 2016.p.32<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[131] RODRIGUES, 2016, p.33.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[132]SANCHIS, Pierre. A contribui\u00e7\u00e3o de \u00c9mile Durkheim. In: TEIXEIRA, Faustino. <em>Sociologia da religi\u00e3o:<\/em> enfoques te\u00f3ricos. 4. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2011.p.41.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto a religi\u00e3o favorece a coes\u00e3o social sendo que essa pode ocorrer atrav\u00e9s de um controle social, que pode ser positivo ou negativo, atuando no indiv\u00edduo, no caso da religi\u00e3o, muitas vezes de forma inconsciente, de forma sublinhar, atrav\u00e9s das ideologias, dentro do que autores como Michel Foucault denominam de aparelhos ideol\u00f3gicos. Assim a religi\u00e3o \u00e9 um meio de controle social que pode influenciar a conduta humana.<a href=\"#_ftn133\">[133]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a import\u00e2ncia dessa rela\u00e7\u00e3o entre o papel ideol\u00f3gico da religi\u00e3o e como a assist\u00eancia religiosa pode atuar de forma a n\u00e3o separar a assist\u00eancia religiosa da religi\u00e3o como institui\u00e7\u00e3o, torna-se importante a discuss\u00e3o sobre a religi\u00e3o como sistema de controle social apresentado no pr\u00f3ximo t\u00f3pico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.2. A religi\u00e3o e o sistema de controle social: Michel Foucault<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Se formos considerar a religi\u00e3o como parte do sistema de controle social, \u00e9 de bom alvitre iniciar este t\u00f3pico apresentando importante ensinamento sobre controle social do jurista FranciscoMu\u00f1oz Conde:<\/strong><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O controle social \u00e9 condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da vida social. Com ele se asseguram o cumprimento das expectativas de conduta e o interesse das normas que regem a conviv\u00eancia. O controle social determina, assim, os limites da liberdade humana na sociedade, construindo, ao mesmo tempo, um instrumento de socializa\u00e7\u00e3o de seus membros. N\u00e3o h\u00e1 alternativas ao controle social. \u00c9 inimagin\u00e1vel uma sociedade sem controle social<a href=\"#_ftn134\">[134]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favidas, \u00e9 inimagin\u00e1vel uma sociedade sem controle social. O controle social \u00e9 tema de grande import\u00e2ncia para constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade harmoniosa. Dentro do prop\u00f3sito desta pesquisa, temas como coes\u00e3o e controle social assumem acentuada relev\u00e2ncia no que tange \u00e0 preven\u00e7\u00e3o criminal e ressocializa\u00e7\u00e3o dos presos recolhidos no sistema prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo, tendo a religi\u00e3o como imprescind\u00edvel sistema de controle social, informal, cuja assist\u00eancia religiosa \u00e9 prestada com apoio irrestrito do Grupo de trabalho interconfessional da Secretaria de Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Merece destaque o ensinamento do cientista pol\u00edtico e advogado, Bresser Pereira<a href=\"#_ftn135\">[135]<\/a>\u00b7, segundo o qual, existem tr\u00eas mecanismos fundamentais de controle ou coordena\u00e7\u00e3o utilizados por uma sociedade, seja utilizando-se uma classifica\u00e7\u00e3o institucional, seja uma perspectiva funcional.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira, os mecanismos de controle s\u00e3o o Estado, o mercado e a sociedade civil. No Estado, encontra-se o sistema legal ou jur\u00eddico; no mercado, o sistema econ\u00f4mico tem o controle exercido pela competi\u00e7\u00e3o; e, na sociedade civil, a organiza\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por meio da defesa de interesses particulares e corporativos ou, ainda, do interesse p\u00fablico. Na perspectiva funcional, tem-se o controle hier\u00e1rquico ou administrativo das organiza\u00e7\u00f5es p\u00fablicas ou privadas; o controle democr\u00e1tico ou social que se exerce sobre as organiza\u00e7\u00f5es e os indiv\u00edduos; e o controle econ\u00f4mico, via mercado<a href=\"#_ftn136\">[136]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, controle social pode ser conceituado como sendo um conjunto de mecanismo de interven\u00e7\u00e3o que cada sociedade ou grupo possui e que s\u00e3o usados como forma de garantir a conformidade do comportamento dos indiv\u00edduos. Possui o cond\u00e3o de induzir a conformidade do sujeito com a sua nova realidade, seja de forma positiva, seja de forma negativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Lakatos, o controle social pode ser classificado sob tr\u00eas formas: de forma positiva ou negativa; formal e informal; institucional ou grupal.<a href=\"#_ftn137\">[137]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[133] SANCHIS, 2011.p.41.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[134]CONDE, Francisco Mu\u00f1oz. <em>Direito Penal e Controle Social. <\/em>Editora Forense. p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[135] BRESSER, Pereira, L. C. <em>Reforma do Estado para a Cidadania:<\/em> a reforma gerencial brasileira na perspectiva internacional. S\u00e3o Paulo\/Bras\u00edlia, Editora 34\/ENAP, 2002. p. 139.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[136]BRESSER, 2002, p. 140.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[137]LAKATOS, Eva Maria. Sociologia geral. 7. ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 1999. p.231.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o autor o controle social positivo \u00e9 aquele que induz a pr\u00e1tica de determinado ato atrav\u00e9s de meios para incentivar o indiv\u00edduo a permanecer de determinado modo sob o pretexto de receber determinada coisa. O controle social negativo \u00e9 utilizado para afastar o indiv\u00edduo da pr\u00e1tica de atos n\u00e3o desejados, utilizando &#8211; se de san\u00e7\u00f5es e repreens\u00f5es.<a href=\"#_ftn138\">[138]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O controle social formal se refere \u00e0s regras e leis institucionalizadas, por sua vez, o controle informal se refere \u00e0s normas de condutas que s\u00e3o reconhecidas e compartilhadas numa sociedade, como por exemplo, as cren\u00e7as, os costumes e os valores.<a href=\"#_ftn139\">[139]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00faltima classifica\u00e7\u00e3o se refere ao controle institucional e o controle grupal. O controle social \u00e9 aquele exercido por determinados contextos espec\u00edficos e o controle institucional \u00e9 aquele que uma institui\u00e7\u00e3o exerce sobre a sociedade.<a href=\"#_ftn140\">[140]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Partindo das classifica\u00e7\u00f5es de Lakatos conclui-se que a religi\u00e3o \u00e9 um meio de controle social institucional, formal, que pode influenciar a conduta humana ao possibilitar ao internalizar princ\u00edpios e fazer com que o indiv\u00edduo seja capaz de se autocontrolar.<a href=\"#_ftn141\">[141]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma seara, o franc\u00eas Michel Foucault prop\u00f5e tamb\u00e9m uma classifica\u00e7\u00e3o de controle social em externo e interno. Segundo o soci\u00f3logo, a constru\u00e7\u00e3o do sujeito d\u00f3cil, \u00fatil e submisso \u00e0 ordem estabelecida \u00e9 poss\u00edvel apenas por meio de processos disciplinares. As institui\u00e7\u00f5es disciplinadoras, como a escola e os quart\u00e9is, onde os indiv\u00edduos que ali permanecem, vivem sob o controle da Institui\u00e7\u00e3o. O controle social \u00e9, portanto, um conjunto entre formas externas de interven\u00e7\u00e3o no comportamento do sujeito desviante. O indiv\u00edduo delimita suas a\u00e7\u00f5es de acordo com aquilo que apreende de certo e errado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Para consolidar o tema controle social, \u00e9 salutar apresentar os ensinamentos de Foucault, que assevera com destaque:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a disciplina fabrica corpos submissos e exercitados, corpos d\u00f3ceis. A disciplina aumenta as for\u00e7as do corpo (em termos econ\u00f4micos de utilizada) e diminui essas mesmas for\u00e7as (em termos pol\u00edticos de obedi\u00eancia). Em uma palavra: ela dissocia o poder do corpo; faz dele por um lado uma aptid\u00e3o, uma capacidade que ela procura aumentar; e inverte por outro lado a energia, a pot\u00eancia que poderia resultar disso, e faz dela uma rela\u00e7\u00e3o de sujei\u00e7\u00e3o estrita. Se a explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica separa a for\u00e7a e o produto do trabalho, digamos que a coer\u00e7\u00e3o disciplinar estabelece no corpo o elo coercitivo entre uma aptid\u00e3o aumentada e uma domina\u00e7\u00e3o acentuada<a href=\"#_ftn142\">[142]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa disciplina\u00e7\u00e3o \u00e9 conseguida atrav\u00e9s da separa\u00e7\u00e3o do corpo atrav\u00e9s dos grupos sociais, nas formas como j\u00e1 foram apresentadas por Durkhein. O que pode ocorrer atrav\u00e9s de aparelhos repressivos ou aparelhos ideol\u00f3gicos. Aqui cabe uma explicita\u00e7\u00e3o apresentada por Althusser que distingue aparelhos estatais, chamados de repressores de aparelhos ideol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Althusser os aparelhos repressivos do Estado atual, de forma disciplinadora, atrav\u00e9s da for\u00e7a e, se necess\u00e1rio da viol\u00eancia, podendo ser citados Governo, Administra\u00e7\u00e3o, Ex\u00e9rcito, Pol\u00edcia, Tribunais, Pris\u00f5es, etc.; j\u00e1 os aparelhos ideol\u00f3gicos s\u00e3o uma s\u00e9rie de realidades que se apresentam ao observador na forma de institui\u00e7\u00f5es separadas e especializadas, incluindo a fam\u00edlia, a igreja, os sindicatos, escolas, etc. que atuam atrav\u00e9s da ideologia. Enquanto o aparato estatal unificado e repressivo pertence ao dom\u00ednio p\u00fablico, a maioria dos aparatos ideol\u00f3gicos do estado pertence ao dom\u00ednio privado.<a href=\"#_ftn143\">[143]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No presente trabalho apresentamos a quest\u00e3o da religi\u00e3o dentro dos pres\u00eddios, ou seja, o aparelho repressor j\u00e1 agiu sobre o indiv\u00edduo, impondo-o uma pena e com o objetivo de que a ressocializa\u00e7\u00e3o de fato aconte\u00e7a e uma vez j\u00e1 imposta o castigo, necessita-e da interven\u00e7\u00e3o do aparelho ideol\u00f3gico, no caso feito pela igreja, pois:<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[138]LAKATOS, 1999.p.232.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[139]LAKATOS, 1999.p.233.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[140]LAKATOS, 1999.p.234.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[141]LAKATOS, 1999.p.235.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[142]FOUCAULT, M. Os corpos d\u00f3ceis. In FOUCAULT, M. <em>Vigiar e punir.<\/em> Vassalo. 5\u00aa ed. Petr\u00f3polis. Vozes. 1987. p. 127.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[143]ALTHUSSER, Louis. <em>Aparelhos ideol\u00f3gicos<\/em> de <em>estado<\/em>. Rio de Janeiro: Graal,1992. \u00a0p. 42- 43.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Foucault, o poder disciplinar fabrica o indiv\u00edduo. \u00c9 com o adestramento do corpo, com a normaliza\u00e7\u00e3o do prazer, na regula\u00e7\u00e3o dos comportamentos, enfim nesta a\u00e7\u00e3o empreendida sobre o corpo com o objetivo de separar, comparar, distribuir, avaliar, hierarquizar, \u00e9 que aparece a figura singular do homem, efeito do poder e objeto do saber.<a href=\"#_ftn144\">[144]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Regular o comportamento do corpo, atrav\u00e9s da disciplina\u00e7\u00e3o, produzindo o que o autor denominou de corpos d\u00f3ceis, n\u00e3o \u00e9 visto pelo mesmo de forma negativa, se tirarmos a quest\u00e3o moral ou pol\u00edtica, analisando as formas empregas percebe-se que, na maioria dos casos, essas atendem aos objetivos pretendidos, pois segundo ele:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A grande import\u00e2ncia estrat\u00e9gica que as rela\u00e7\u00f5es de poder disciplinares desempenham nas sociedades modernas depois do s\u00e9culo XIX vem justamente do fato de elas n\u00e3o serem negativas, mas positivas, quando tiramos desses termos qualquer ju\u00edzo de valor moral ou pol\u00edtico e pensamos unicamente na tecnologia empregada. \u00c9 ent\u00e3o que surge uma das teses fundamentais da genealogia: o poder \u00e9 produtor de individualidade. O indiv\u00edduo \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o do poder e do saber.<a href=\"#_ftn145\">[145]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O pensamento acima confirma a vis\u00e3o de Durkheim sobre a normalidade do crime em todas as sociedades, em diferentes \u00e9pocas, ou seja, o indiv\u00edduo precisa ser disciplinado, seja essa disciplina\u00e7\u00e3o feita atrav\u00e9s dos grupos sociais, ideologicamente, ou pelos \u00f3rg\u00e3os repressivos, atrav\u00e9s da for\u00e7a; no caso do presente trabalho, por ambos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foucault discute ainda a import\u00e2ncia das regras dentro de uma sociedade reguladora de corpos, demonstrando que:<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro dessa perspectiva poder\u00edamos tamb\u00e9m fazer uma hist\u00f3ria da confiss\u00e3o na ordem da penit\u00eancia, da justi\u00e7a criminal e da psiquiatria. Um \u201cbom senso\u201d que de fato repousa sobre toda uma concep\u00e7\u00e3o de verdade como objeto de conhecimento, reinterpreta e justifica a busca da confiss\u00e3o perguntando se pode haver melhor prova, ind\u00edcio mais seguro do que a confiss\u00e3o do pr\u00f3prio sujeito acerca de seu crime, ou seu erro ou seu desejo louco. Mas, historicamente, bem antes de ser considerado um teste, a confiss\u00e3o era a produ\u00e7\u00e3o de uma verdade que se colocava no final de uma prova, e segundo can\u00f4nicas: confiss\u00e3o ritual, supl\u00edcio, interrogat\u00f3rio. Nesta forma de confiss\u00e3o \u2013 tal como as pr\u00e1ticas religiosas e judici\u00e1rias da Idade M\u00e9dia buscavam &#8211; o problema n\u00e3o era o da sua exatid\u00e3o e de sua integra\u00e7\u00e3o como elemento suplementar \u00e0s outras prescri\u00e7\u00f5es; o problema era que fosse feita, feita segundo as regras. A seq\u00fc\u00eancia interrogat\u00f3rio\/confiss\u00e3o, que \u00e9 t\u00e3o importante na pr\u00e1tica m\u00e9dico- judici\u00e1ria moderna, oscila de fato entre um antigo ritual da verdade \/prova prescrito ao acontecimento que se produz, e uma epistemologia verdade\/constata\u00e7\u00e3o prescrita ao estabelecimento dos sinais e dos testes.<a href=\"#_ftn146\">[146]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[144]MACHADO, Roberto. Introdu\u00e7\u00e3o: Por uma genealogia do Poder. In: FOUCAULT, MICHEL. <em>Microf\u00edsica do Poder<\/em>. 22\u00aa Ed. S\u00e3o Paulo. Graal, 2006. p. 20.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[145] MACHADO, 2006.\u00a0 p.19.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[146]FOUCAULT, Michel. <em>Microf\u00edsica do poder<\/em>. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Graal, 1979. \u00a0p. 115-16.<\/p>\n\n\n\n<p>O excerto apresentado demonstra ser de suma import\u00e2ncia uma vez que o indiv\u00edduo em situa\u00e7\u00e3o de c\u00e1rcere, j\u00e1 passou pela fase suspeito interrogat\u00f3rio, confiss\u00e3o, no sentido jur\u00eddico, estando recluso para pagar por sua infra\u00e7\u00e3o. Ao passar a ser parte de um grupo religioso, dentro dos pres\u00eddios, dentro de um ritual religioso, passa novamente por essas fases, num processo de dupla confiss\u00e3o. Foucault discute ainda que essa confiss\u00e3o da infra\u00e7\u00e3o nasceu no \u00e2mbito religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8230;esse poder disciplinar, no que tem de espec\u00edfico, tem uma hist\u00f3ria, que esse poder n\u00e3o nasceu de repente, que tamb\u00e9m n\u00e3o existiu sempre, que se formou e seguiu uma trajet\u00f3ria de certo modo diagonal, atrav\u00e9s da sociedade ocidental. E, para tomar apenas, digamos, a hist\u00f3ria que vai da idade m\u00e9dia aos nossos dias, creio que podemos dizer que esse poder, no que ele tem de especifico, n\u00e3o se formou propriamente \u00e0 margem da sociedade feudal, nem certamente, tampouco em seu centro. Formou-se no interior das comunidades religiosas, ele se transportou, transformando-se, para comunidades laicas que se desenvolveram e se multiplicaram nesse per\u00edodo da pr\u00e9-reforma, digamos, nos s\u00e9culos XIV-XV. E podemos apreender perfeitamente essa transla\u00e7\u00e3o em certos tipos de comunidades laicas n\u00e3o exatamente conventuais, como os c\u00e9lebres \u2018Irm\u00e3os da Vida Comum que, a partir de certo n\u00famero de t\u00e9cnicas que tomavam emprestadas da vida conventual a partir igualmente de certo n\u00famero de exerc\u00edcios asc\u00e9ticos que tomavam emprestados de toda uma tradi\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio religioso, definiram m\u00e9todos disciplinares relativos \u00e0 vida cotidiana, \u00e0 pedagogia. Mas esse \u00e9 apenas um exemplo de toda essa ramifica\u00e7\u00e3o, anterior \u00e0 Reforma, de disciplinas conventuais ou asc\u00e9ticas. E, pouco a pouco, s\u00e3o essas t\u00e9cnicas que vemos ent\u00e3o difundir-se em larga escala, penetrar a sociedade do s\u00e9culo XVI e, sobretudo, dos s\u00e9culos XVII e XVIII, e tornar-se no s\u00e9culo XIX a grande forma geral desse contato sin\u00e1ptico: poder pol\u00edtico\/corpo individual.<a href=\"#_ftn147\">[147]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se assim que no processo de evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico esse poder disciplinador foi se transferindo da igreja para o Estado, sendo parte, inclusive da laicidade, ou seja, a sobreposi\u00e7\u00e3o do coletivo ao individual, como discutido por Durkheim acontece ainda que seja necess\u00e1rio ao corpo ser disciplinado para atender as regras e normas.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a separa\u00e7\u00e3o entre igreja e estado a regulamenta\u00e7\u00e3o dessa disciplina\u00e7\u00e3o passa a ser feita pelo Direito, atrav\u00e9s de regras estabelecidas por grupos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>O Direito pode ser visto como um lugar em que, convenientemente, se estabelecem as regras desse jogo de poder, a fim de que os conflitos sejam reduzidos de fen\u00f4menos, por vezes, coletivos a situa\u00e7\u00f5es individualizadas e que, no entanto, mant\u00eam conex\u00e3o com outras an\u00e1logas e tornadas iguais. Enquanto uma estrutura de domina\u00e7\u00e3o serve e servir\u00e1 \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do estado geral de coisas, pois se aplica o direito posto e n\u00e3o aquele impl\u00edcito na conduta da sociedade. Se for verdade, por um lado, como afirma Boulanger, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ocorrer uma revolu\u00e7\u00e3o sem que sejam apresentados novos princ\u00edpios gerais de direito, entendidos como a totalidade de proposi\u00e7\u00f5es descritivas, mas de car\u00e1ter de\u00f4ntico, de um determinado ordenamento, condicionando a interpreta\u00e7\u00e3o e afastamento de regras, nem por isso \u00e9 menos verdadeiro que os juristas aplicar\u00e3o tais princ\u00edpios se, e somente,&nbsp; se a revolu\u00e7\u00e3o obtiver \u00eaxito, caso contr\u00e1rio, esses tais permanecer\u00e3o no dom\u00ednio do poss\u00edvel.<a href=\"#_ftn148\">[148]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, Foucault explicita a atua\u00e7\u00e3o do Direito como aparelho respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o da ordem, sendo que essa \u00e9 estabelecida pela sociedade, atrav\u00e9s de seus grupos sociais, que seguindo normas e preceitos estabelecidos nos grupos, atrav\u00e9s de um conv\u00edvio relacional, criam regras, que cabe ao Direito estabelecer. Nesse sentido, o autor demonstra que ao mesmo tempo em que o Direito estabelece as regras, esse \u00e9 origin\u00e1rio da sociedade que cria os princ\u00edpios a partir da moral e dos costumes.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[147]<strong>FOUCAULT<\/strong>, 2006.\u00a0 p. 51.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[148] <strong>PUGLIESI,<\/strong> M. <em>Teoria do Direito<\/em>.2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2009. p. 173.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o indiv\u00edduo foge \u00e0s regras e normas estabelecidas pela sociedade, atrav\u00e9s do Direito, dependendo da gravidade da infra\u00e7\u00e3o precisa ser afastado dessa sociedade a fim de pagar; esse afastamento pode ser feito de algumas formas, incluindo o internamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u2018interdi\u00e7\u00e3o\u2019 constitu\u00edda a medida judici\u00e1ria pela qual um indiv\u00edduo era parcialmente desqualificado como sujeito de direito. Esse contexto, jur\u00eddico e negativo, vai ser em parte preenchido, em parte substitu\u00eddo por um conjunto de t\u00e9cnicas e de procedimentos mediante os quais se tratar\u00e1 de disciplinar os que resistem ao disciplinamento e de corrigir os incorrig\u00edveis. O \u2018internamento\u2019 praticado em larga escala a partir do s\u00e9culo XVII pode aparecer como uma esp\u00e9cie de f\u00f3rmula intermedi\u00e1ria entre os procedimentos positivos de corre\u00e7\u00e3o. O internamento exclui de fato e funciona fora das leis, mas se d\u00e1 como justificativa a necessidade de corrigir de melhorar, de conduzir a resipisc\u00eancia, de fazer voltar aos \u2018bons sentimentos.<a href=\"#_ftn149\">[149]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pelo excerto percebe-se que a interdi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem apenas a finalidade de pagamento pela infra\u00e7\u00e3o, mas para ressocializar \u00e0queles que fugiram das normas. Considerando que, no Brasil, existem diversos problemas relacionados aos pres\u00eddios, tais como superlota\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, morosidade nos processos, etc. \u00e9 claro a dificuldade do Estado em cumprir a fun\u00e7\u00e3o de adestramento dos indiv\u00edduos, nos sistemas carcer\u00e1rios, o que implica numa impot\u00eancia ou incompet\u00eancia do Estado de, atrav\u00e9s de seu aparelho repressor cumprir um fim social.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto abre-se para que um importante aparelho ideol\u00f3gico, no caso, a igreja, ultrapasse os muros da pris\u00e3o e adentre para auxiliar o Estado, naquilo que o pr\u00f3prio Estado deveria oferecer como condi\u00e7\u00f5es para um processo de cumprimento de pena que deveria ser ressocializador, o que apresentaremos na pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o do trabalho, atrav\u00e9s do trabalho da capelania e assist\u00eancia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2.3 A capelania e a assist\u00eancia religiosa como forma de ressocializa\u00e7\u00e3o ou manobra jur\u00eddica: panorama brasileiro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A necessidade de trazer o indiv\u00edduo de volta ao conv\u00edvio social, obedecendo \u00e0s normas e regras, assim a pena deve ter por objetivo n\u00e3o apenas o castigo, mas a sua ressocializa\u00e7\u00e3o, sendo proposto por Molina que: \u201cO decisivo, acredita-se, n\u00e3o \u00e9 castigar implacavelmente o culpado (castigar por castigar \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, um dogmatismo ou uma crueldade), sen\u00e3o orientar o cumprimento e a execu\u00e7\u00e3o do castigo de maneira tal que possa conferir-lhe alguma utilidade.\u201d <a href=\"#_ftn150\">[150]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda, segundo o referido autor era necess\u00e1rio, atrav\u00e9s da ressocializa\u00e7\u00e3o, minimizar os efeitos negativos da interdi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estigmatizando o condenado, e sim habilitando o mesmo para seu retorno na sociedade de forma ativa, sem traumas.<a href=\"#_ftn151\">[151]<\/a> De acordo com Capeller o conceito de ressocializa\u00e7\u00e3o surgiu no s\u00e9culo XIX atrav\u00e9s das ci\u00eancias sociais, sendo usado no meio jur\u00eddico no sentido de reintegra\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>O discurso jur\u00eddico sobre a ressocializa\u00e7\u00e3o e, consequentemente, a constru\u00e7\u00e3o do conceito, nasceu ao mesmo, tempo que a tecnifica\u00e7\u00e3o do castigo. Quando o&nbsp; velho castigo, expresso nas penas inquisitoriais, foi substitu\u00eddo pelo castigo humanit\u00e1rio&nbsp; dos novos tempos, por uma nova maneira de disposi\u00e7\u00e3o dos corpos, j\u00e1 n\u00e3o agora dilacerados, mas encarcerados; quando se cristaliza o sistema prisional e a pena \u00e9, por excel\u00eancia, a pena privativa de liberdade; quando se procura mecanizar os corpos e as mentes para a disciplina do trabalho nas f\u00e1bricas, a\u00ed surge, ent\u00e3o, o discurso da ressocializa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 em seu substrato, o retreinamento dos indiv\u00edduos para a sociedade do capital. Neste sentido, o discurso dos bons no alto da sua caridade, \u00e9 o de pretender recuperar os maus.<a href=\"#_ftn152\">[152]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[149] <strong>FOUCAULT<\/strong>, M. <em>Os anormais<\/em>.S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 415.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[150]MOLINA, A. G-P. de; GOMES, L. F. <strong>Criminologia.<\/strong> 2. ed. S\u00e3o Paulo: <em>Revistas dos Tribunais.<\/em> 1998. p. 331.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[151]MOLINA,1998, p. 383.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[152]CAPELLER, Wanda. O Direito pelo avesso: an\u00e1lise do conceito de ressocializa\u00e7\u00e3o. In: Temas IMESC, <em>Soc. Dir. Sa\u00fade.<\/em> S\u00e3o Paulo: n\u00ba2, v.2, p.127-134, 1985. p. 131.<\/p>\n\n\n\n<p>Autores como Baratta defendem o uso do termo reintegra\u00e7\u00e3o social, pois segundo ele, o termo abre para um processo de comunica\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o entre as pris\u00f5es e a sociedade, com identifica\u00e7\u00e3o e respeito entre as partes; j\u00e1 o termo ressocializa\u00e7\u00e3o refere-se a um papel passivo do indiv\u00edduo encarcerado, considerando esse um anormal a ser readaptado.<a href=\"#_ftn153\">[153]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observadas as din\u00e2micas do presente trabalho, continuaremos utilizando o termo ressocializa\u00e7\u00e3o por considerar estar mais pr\u00f3ximo da vis\u00e3o de Durkheim sobre o aspecto social do crime e do indiv\u00edduo que o pratica, n\u00e3o tendo esse um papel passivo, uma vez que as rela\u00e7\u00f5es sociais s\u00e3o din\u00e2micas. Assim a ressocializa\u00e7\u00e3o como fator social ganha o refor\u00e7o da religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a religi\u00e3o cumpre fun\u00e7\u00f5es sociais, tornando-se, portanto, pass\u00edvel de an\u00e1lise sociol\u00f3gica, tal se deve ao fato de que os leigos n\u00e3o esperam da religi\u00e3o apenas justifica\u00e7\u00f5es de existir capazes de livr\u00e1-los da ang\u00fastia existencial da conting\u00eancia e da solid\u00e3o, da mis\u00e9ria biol\u00f3gica, da doen\u00e7a, do sofrimento ou da morte. Contam com ela para que lhes forne\u00e7a justifica\u00e7\u00f5es de existir em uma posi\u00e7\u00e3o social determinada, em suma, de existir como de fato existem, ou seja, com todas as propriedades que lhes s\u00e3o socialmente inerentes.<a href=\"#_ftn154\">[154]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Baratta discute que, apesar de existir, a teoria da ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem apresentado resultados positivos, o que pode ser comprovado pelos altos \u00edndices de reincid\u00eancia.<a href=\"#_ftn155\">[155]<\/a>O autor discute que a forma como as pris\u00f5es est\u00e3o organizadas, demonstra na pr\u00e1tica carcer\u00e1ria o que j\u00e1 afirmava Foucault: \u201caquilo que, no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, e com outras palavras criticava-se em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o (constituir uma popula\u00e7\u00e3o \u2018marginal\u2019 de \u2018delinq\u00fcentes\u2019) \u00e9 tomado hoje como fatalidade. N\u00e3o somente \u00e9 aceito como um fato, como tamb\u00e9m \u00e9 constitu\u00eddo como dado primordial\u201d.<a href=\"#_ftn156\">[156]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pelo excerto de Foucault percebe-se que as situa\u00e7\u00f5es das pris\u00f5es, considerando o trabalho, pris\u00f5es brasileiras demonstram um cen\u00e1rio de superlota\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia, aus\u00eancia de direitos b\u00e1sicos, ao que Denise de Roure afirma que falar em reabilita\u00e7\u00e3o dentro do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro \u00e9 quase o mesmo que falar em fantasia, diante da realidade que nos \u00e9 apresentado; segundo a autora, hoje \u00e9 fato comprovado que as penitenci\u00e1rias em vez de recuperar os presos os tornam piores e menos propensos a se reintegrarem ao meio social.<a href=\"#_ftn157\">[157]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com efeito, as Regras M\u00ednimas do Brasil d\u00e3o \u00e2nimo \u00e0 tarefa de disciplinar o relacionamento jur\u00eddico-penal do estado com o preso, procurando garantir a este a plenitude de seus direitos n\u00e3o atingidos pela lei ou pela senten\u00e7a, direitos esses t\u00e3o fortemente vilipendiados por uma pratica que ultrapassa os limites do poder dever de punir e que frustra o prop\u00f3sito de reinser\u00e7\u00e3o social do condenado.<a href=\"#_ftn158\">[158]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[153]BARATTA, Alessandro.\u00a0<em>Criminologia Cr\u00edtica e Cr\u00edtica do <a href=\"https:\/\/jus.com.br\/tudo\/direito-penal\">Direito Penal<\/a><\/em>. 3\u00ba edi\u00e7\u00e3o. Ed. Revan, Rio de Janeiro, 1997. p. 76.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[154]BOURDIEU, Pierre. <em>A economia das trocas simb\u00f3licas. <\/em>5. ed. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1998, p. 48.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[155] BARATTA, 1997, p. 75.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[156] FOUCAULT, M. <em>Vigiar e Punir.<\/em> 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2002. p.31.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[157]ROURE, Denise de. Panorama dos Processos de Reabilita\u00e7\u00e3o de presos. <em>Revista Consulex.\u00a0 <\/em>Ano III, n\u00ba 20, Ago. 1998. p.15.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[158]LEAL, C\u00e9sar Barros. <em>Pris\u00e3o:<\/em> Crep\u00fasculo de uma era. Belo Horizonte, Del Rey, 1998. p.80.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As Regras M\u00ednimas do Brasil legitimadas pela Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba14, de 11 de novembro de 1994, estabelece normas de acordo com os Direitos humanos que no papel garantem a dignidade da pessoa humana, apresentando as condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para que a ressocializa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a, tais como condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias m\u00ednimas, sele\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o dos presos de acordo com o ato infracional, assist\u00eancia educacional, jur\u00eddica e religiosa, no entanto a maioria das regras m\u00ednimas n\u00e3o acontece na pr\u00e1tica, o que pode ser not\u00f3rio no cap\u00edtulo que trata das rela\u00e7\u00f5es sociais e ajuda p\u00f3s-penitenci\u00e1ria:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Art. 57. O futuro do preso, ap\u00f3s o cumprimento da pena, ser\u00e1 sempre levado em conta. Deve-se anima-lo no sentido de manter ou estabelecer rela\u00e7\u00f5es com pessoas ou \u00f3rg\u00e3os externos que possam favorecer os interesses de sua fam\u00edlia, assim como sua pr\u00f3pria readapta\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 58. Os \u00f3rg\u00e3os oficiais, ou n\u00e3o, de apoio ao egresso devem: I \u2013 proporcionar-lhe os documentos necess\u00e1rios, bem como, alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio e alojamento no per\u00edodo imediato \u00e0 sua libera\u00e7\u00e3o, fornecendo-lhe, inclusive, ajuda de custo para transporte local; II \u2013 ajuda-lo a reintegrar-se \u00e0 vida em liberdade, em especial, contribuindo para sua coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<a href=\"#_ftn159\">[159]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>As experi\u00eancias demonstram que a realidade carcer\u00e1ria do Brasil n\u00e3o atende ao que est\u00e1 estabelecido em sua legisla\u00e7\u00e3o, o que demonstra fal\u00eancia de uma institui\u00e7\u00e3o que ao inv\u00e9s de cumprir sua fun\u00e7\u00e3o de pagamento de pena e ressocializa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, tem devolvido \u00e0 sociedade indiv\u00edduos mais violento e menos adaptados.<\/p>\n\n\n\n<p>A fal\u00eancia de nosso sistema carcer\u00e1rio tem sido apontada, acertadamente, como uma das maiores mazelas do modelo repressivo brasileiro, que, hipocritamente, envia condenados para penitenci\u00e1rias, com a apregoada finalidade de reabilit\u00e1-lo ao conv\u00edvio social, mas j\u00e1 sabendo que, ao retornar \u00e0 sociedade, esse indiv\u00edduo estar\u00e1 mais despreparado, desambientado, insens\u00edvel e, provavelmente, com maior desenvoltura para a pr\u00e1tica de outros crimes, at\u00e9 mais violentos em rela\u00e7\u00e3o ao que o conduziu ao c\u00e1rcere.<a href=\"#_ftn160\">[160]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez a for\u00e7a repressora do Estado \u00e9 apresentada e de maneira ineficaz, pois o indiv\u00edduo preso passa a ser visto de forma marginalizada por toda sociedade e relegado a todas as mazelas e situa\u00e7\u00f5es destruidoras da dignidade humana.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado deslocou seu foco, para uma simples manuten\u00e7\u00e3o da ordem, esquecendo-se dos princ\u00edpios orientadores, seus fundamentos, isto leva a mudan\u00e7a de vis\u00e3o acerca do preso, pois quando o pr\u00f3prio Estado esquece que o indiv\u00edduo preso \u00e9 um cidad\u00e3o que faz parte do mesmo, isto se reflete em toda sociedade, a qual passa a tratar o preso, mesmo depois de ter cumprido a pena, como n\u00e3o mais sendo este um cidad\u00e3o.<a href=\"#_ftn161\">[161]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mais gritante, na perspectiva ressocializadora, \u00e9 que existe a aceita\u00e7\u00e3o por parte da sociedade desse sistema penitenci\u00e1rio, pois&nbsp;&nbsp; percebem o preso como algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 e nem deve ser parte da sociedade. Nesse cen\u00e1rio no qual o Estado n\u00e3o consegue cumprir sua fun\u00e7\u00e3o aparecem as igrejas, com a capelania e os grupos religiosos, cumprindo o que afirmava Bourdieu:<\/p>\n\n\n\n<p>Se a religi\u00e3o cumpre fun\u00e7\u00f5es sociais, tornando-se, portanto, pass\u00edvel de an\u00e1lise sociol\u00f3gica, tal se deve ao fato de que os leigos n\u00e3o esperam da religi\u00e3o apenas justifica\u00e7\u00f5es de existir capazes de livr\u00e1-los da ang\u00fastia existencial da conting\u00eancia e da solid\u00e3o, da mis\u00e9ria biol\u00f3gica, da doen\u00e7a, do sofrimento ou da morte. Contam com ela para que lhes forne\u00e7a justifica\u00e7\u00f5es de existir em uma posi\u00e7\u00e3o social determinada, em suma, de existir como de fato existem, ou seja, com todas as propriedades que lhes s\u00e3o socialmente inerentes.<a href=\"#_ftn162\">[162]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, num momento de fragilidade como o c\u00e1rcere, o indiv\u00edduo pode encontrar na religi\u00e3o a for\u00e7a e o incentivo necess\u00e1rios para enfrentar e superar as dificuldades do contexto. Assim a assist\u00eancia religiosa \u00e9 garantida pelas legisla\u00e7\u00f5es vigentes, incluindo nas regras M\u00ednimas.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[159] BRASIL, 1994. [<em>online<\/em>]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[160] MIRABETE, Julio Fabbrini. <em>Execu\u00e7\u00e3o penal.<\/em> 11. ed. rev. e atual. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2008. p. 89.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[161]RIBEIRO, Jair Aparecido. <em>Liberdade e cumprimento de pena de presos no sistema carcer\u00e1rio Paranaense<\/em>, 2009. [<em>online]<\/em>. p.30.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[162]BOURDIEU,, 1998, p.48.<\/p>\n\n\n\n<p>Art. 43. A Assist\u00eancia religiosa, com liberdade de culto, ser\u00e1 permitida ao preso bem como a participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os organizado no estabelecimento prisional.<\/p>\n\n\n\n<p>Par\u00e1grafo \u00danico \u2013 Dever\u00e1 ser facilitada, nos estabelecimentos prisionais, a presen\u00e7a de representante religioso, com autoriza\u00e7\u00e3o para organizar servi\u00e7os lit\u00fargicos e fazer visita pastoral a adeptos de sua religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn163\">[163]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observadas as legisla\u00e7\u00f5es vigentes Prado e outros explicitam que a oportunidade de liberdade do culto religioso \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o regular cumprimento da san\u00e7\u00e3o penal aplicada e no resultado ressocializador almejado, uma vez que oportuniza que novos valores sejam inseridos na vida do preso e do internado, tanto no sentido da presente realidade, quanto nas expectativas de futuro.<a href=\"#_ftn164\">[164]<\/a> Madeira tamb\u00e9m afirma a import\u00e2ncia da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios na perspectiva de possibilitar o indiv\u00edduo a construir uma nova rede de conviv\u00eancia, que os possibilitar\u00e1 sa\u00edrem da vida do crime.<a href=\"#_ftn165\">[165]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sendo a criminalidade, na perspectiva da religi\u00e3o, vista como algo demon\u00edaco, a partir da convers\u00e3o, o indiv\u00edduo livra-se dessa possess\u00e3o, depositando na religi\u00e3o o ganho da vida longe da criminalidade.<a href=\"#_ftn166\">[166]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto a convers\u00e3o religiosa \u00e9 percebida como forma de controle social, sendo destitu\u00edda, muitas vezes da raz\u00e3o, portanto n\u00e3o apresenta um car\u00e1ter, verdadeiramente emancipat\u00f3rio, sendo apenas um redutor de danos ou vulnerabilidades.<a href=\"#_ftn167\">[167]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobretudo \u00e9 importante dizer, ainda segundo Madeira, que a convers\u00e3o religiosa implica em um processo de troca de valores, novos h\u00e1bitos, certo desprendimento em rela\u00e7\u00e3o a bens materiais, valoriza\u00e7\u00e3o da vida. Dessa forma o indiv\u00edduo passa a ser controlado socialmente.<a href=\"#_ftn168\">[168]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A esse fen\u00f4meno, Segato denomina de mimese regressiva, ou seja, repeti\u00e7\u00e3o de discursos, de forma mec\u00e2nica, o sujeito copia assumidamente a fala do outro, sem reservas, numa esp\u00e9cie de morte, ou seja, aquele que assumiu o delito deixa de existir, sem uma reflex\u00e3o profunda sobre o que ele foi e sobre o que ele pode voltar a ser.<a href=\"#_ftn169\">[169]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como conseq\u00fc\u00eancia disso, n\u00e3o se realiza o percurso reflexivo que traz o momento do crime ao momento atual para sua reelabora\u00e7\u00e3o numa aceita\u00e7\u00e3o de responsabilidade, pois o novo sujeito n\u00e3o se reconhece, nem se implica nas condi\u00e7\u00f5es do seu crime.<a href=\"#_ftn170\">[170]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A de se observar que, assim a assist\u00eancia religiosa ou capelania nos pres\u00eddios passa a cumprir a fun\u00e7\u00e3o do Estado de ressocializa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, de forma a transform\u00e1-lo racionalmente para o conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[163]BRASIL, 1994, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[164]PRADO, L. R.; HAMMERSCHMIDT, D.; MARANH\u00c3O, D. B. ; COIMBRA, M. <em>Direito de execu\u00e7\u00e3o penal. <\/em>3. ed. S\u00e3o Paulo: RT, 2013. \u00a0p. 56.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[165]MADEIRA, Ligia Mori Madeira. Trajet\u00f3ria de homens infames: pol\u00edticas p\u00fablicas penais e programas de apoio a egressos do sistema penitenci\u00e1rio no Brasil. Passagens. <em>Revista Internacional de Hist\u00f3ria Pol\u00edtica e Cultura Jur\u00eddica,<\/em> Rio de Janeiro: vol. 2 n\u00b0.5, setembro-dezembro 2010, p. 89-116. p.104-105.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[166] MADEIRA, 2010, p.105.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[167]MADEIRA, 2010, p.106.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[168]MADEIRA, 2010, p.111.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[169]SEGATO, Rita Laura. Religi\u00e3o, vida carcer\u00e1ria e direitos humanos. In: Religi\u00f5es e pris\u00f5es. <em>Comunica\u00e7\u00f5es do Iser.<\/em> <em>Rio de Janeiro,<\/em> Iser, n.61, 2012. p.43-44.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[170]SEGATO, 2012, p. 45.<\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o aparece como forma de suprir as lacunas de um Estado que n\u00e3o tem no sistema prisional criado e mantido por ele a legitimidade para atender o que as legisla\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas preconizam. \u201c\u00c9 como se as religi\u00f5es estivessem garantindo ou infundindo popula\u00e7\u00e3o maior confiabilidade para ocupar espa\u00e7os e exercer fun\u00e7\u00f5es civis, em princ\u00edpio, de responsabilidade de \u00f3rg\u00e3os t\u00e9cnicos ou do pr\u00f3prio aparelho de Estado. \u201d<a href=\"#_ftn171\">[171]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assumindo pap\u00e9is outros que n\u00e3o religiosos, as atividades pastorais procuram, de alguma forma, suprir o Estado, e este se deixa ser substitu\u00eddo; at\u00e9 mesmo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disciplina, instiga a participa\u00e7\u00e3o dos presos nas atividades das igrejas j\u00e1 que elas \u201casseguram a pacifica\u00e7\u00e3o dos internos, promovendo, inclusive, mudan\u00e7a de comportamento em alguns, dependendo da religi\u00e3o adotada pelo grupo\u201d. Entretanto, \u201cem obedi\u00eancia aos princ\u00edpios constitucionais, a religi\u00e3o n\u00e3o pode ser imposta, ou funcionar como moeda de troca dentro das pris\u00f5es. Ela s\u00f3 pode ser proposta como um meio, um apoio\u201d. Ocorre que, em muitos casos, a religi\u00e3o assume \u201cum papel muito mais utilit\u00e1rio do que humanit\u00e1rio dentro das pris\u00f5es\u201d.<a href=\"#_ftn172\">[172]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa e a capelania podem se constituir como manobra jur\u00eddica de um Estado que n\u00e3o consegue cumprir com suas obriga\u00e7\u00f5es perante seus cidad\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Observadas as normas legais que regem a quest\u00e3o da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, apresentadas no primeiro cap\u00edtulo desse trabalho e a perspectiva da presen\u00e7a da religi\u00e3o nos pres\u00eddios, na forma de capelania e assist\u00eancia religiosa como forma de controle, o cap\u00edtulo seguinte se ocupar\u00e1 meticulosamente de analisar essa pr\u00e1tica dentro do GINTER e perceber como esse se constitui dentro de uma pris\u00e3o no Estado do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa salientar que o presente trabalho n\u00e3o tem a presun\u00e7\u00e3o de fazer um julgamento de valor do trabalho desenvolvido, mas analisar a forma como esse grupo se apresenta e os espa\u00e7os ocupados por ele dentro dos pres\u00eddios na perspectiva da ressocializa\u00e7\u00e3o e controle social dos presidi\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[171]QUIROGA, Ana Maria. Religi\u00f5es e Pris\u00f5es no Rio de Janeiro:presen\u00e7a e significados. In: Religi\u00f5es e pris\u00f5es. <em>Comunica\u00e7\u00f5es do Iser.<\/em> <em>Rio de Janeiro,<\/em> Iser, n.61, 2005. p.13.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[172] COSTA, 2018, p.47.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>3. O PAPEL DO GINTER E A FUN\u00c7\u00c3O DA ASSIST\u00caNCIA RELIGIOSA NA RESSOCIALIZA\u00c7\u00c3O DO DETENTO.<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Sendo observados, no cap\u00edtulo anterior, aspectos concernentes a fun\u00e7\u00e3o social da religi\u00e3o e ao mesmo tempo sua for\u00e7a coercitiva, como aparelho ideol\u00f3gico do Estado e ainda que a assist\u00eancia religiosa n\u00e3o possa ser confundida com religi\u00f5es ou igrejas; tendo sido discutido ainda que, muitas vezes o que \u00e9 feito nos pres\u00eddios n\u00e3o condiz com o que determina a legisla\u00e7\u00e3o, tanto no aspecto da capelania quanto da assist\u00eancia religiosa, neste cap\u00edtulo, o pesquisador apresentar\u00e1 os resultados do Estudo de Caso feito atrav\u00e9s do Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo \u2013 GINTER.<\/p>\n\n\n\n<p>Para iniciar o cap\u00edtulo retomaremos a discuss\u00e3o sobre a ressocializa\u00e7\u00e3o e assist\u00eancia religiosa no cen\u00e1rio prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo, que apresenta dados tr\u00e1gicos e devastadores. Seguindo o cap\u00edtulo ser\u00e1 apresentada a metodologia utilizada para a presente pesquisa, os objetivos pretendidos e o local investigado, ou seja, uma apresenta\u00e7\u00e3o do GINTER, como grupo interconfessional que surge da necessidade de uma interven\u00e7\u00e3o dentro de um sistema prisional ca\u00f3tico e para terminar ser\u00e3o apresentadas e analisadas quest\u00f5es referentes a um question\u00e1rio aplicado a membros do GINTER.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.1. A ressocializa\u00e7\u00e3o religiosa e o cen\u00e1rio prisional no Estado do Esp\u00edrito Santo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil ostenta hodiernamente a triste e lament\u00e1vel 3\u00aa coloca\u00e7\u00e3o de maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do mundo, com exatamente 812.565 mil presos, segundo dados divulgados do Banco de Monitoramento de pris\u00f5es do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, vindo atr\u00e1s somente dos Estados Unidos e China<a href=\"#_ftn173\">[173]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relat\u00f3rio do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a\/Infopen [2016, p.9], a popula\u00e7\u00e3o prisional brasileira ultrapassou, pela primeira vez na hist\u00f3ria, a marca de 700 mil pessoas privadas de liberdade, o que representa um aumento da ordem de 707% em rela\u00e7\u00e3o ao total registrado no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90. Entre 2000 e 2016, a taxa de aprisionamento aumentou em 157% no Brasil. Em 2000 existiam 137 pessoas presas para cada grupo de 100 mil habitantes. Em junho de 2016, eram 352,6 pessoas presas para cada 100 mil habitantes.<a href=\"#_ftn174\">[174]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Essa realidade diferencia-se dentro do territ\u00f3rio nacional, uma vez que cada federa\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por seu sistema prisional, estabelecendo pol\u00edticas p\u00fablicas relacionadas \u00e0 execu\u00e7\u00e3o penal:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o sistema prisional, a justi\u00e7a e o sistema policial brasileiros est\u00e3o organizados em n\u00edvel estadual. A Constitui\u00e7\u00e3o Federal, em seu artigo 24, inciso I, estabelece que compete \u00e0 Uni\u00e3o e aos Estados, de forma concorrente, legislar sobre direito penitenci\u00e1rio. Desse modo, cada estado da federa\u00e7\u00e3o tem autonomia na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a execu\u00e7\u00e3o penal. Por isso a realidade penitenci\u00e1ria brasileira \u00e9 muito heterog\u00eanea, variando de estado para estado, devido a diversidade cultural, social e econ\u00f4mica do pa\u00eds.<a href=\"#_ftn175\">[175]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para o trabalho que se pretende realizar, Religi\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o criminal, na sua ess\u00eancia, torna-se importante e imperioso conhecer a realidade e o perfil do sistema prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo, at\u00e9 mesmo para apontar a relev\u00e2ncia da presta\u00e7\u00e3o religiosa no interior dos pres\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema prisional do Esp\u00edrito Santo \u00e9 gerido pela Secretaria de Estado da Justi\u00e7a (SEJUS), \u00f3rg\u00e3o do Governo Estadual, respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o, planejamento, implanta\u00e7\u00e3o e controle da Pol\u00edtica Penitenci\u00e1ria Estadual, em conformidade com o artigo 74 da LEP.O \u00f3rg\u00e3o consultivo e fiscalizador da execu\u00e7\u00e3o da pena \u00e9 o Conselho Penitenci\u00e1rio do Esp\u00edrito Santo (COPEN-ES)14, cujas atribui\u00e7\u00f5es est\u00e3o previstas no artigo 70 da LEP. As suas principais atribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o inspecionar os estabelecimentos e servi\u00e7os penais, emitir relat\u00f3rio dos trabalhos realizados, e apresenta-los ao Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria.<a href=\"#_ftn176\">[176]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o governo do Estado do Esp\u00edrito Santo, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria do Esp\u00edrito Santo gira em torno de 23.767 mil presos distribu\u00eddos em 36 unidades prisionais, para 13.827 vagas existentes, um n\u00famero exorbitante de 72% de presos a mais al\u00e9m de sua real capacidade, o que tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de especialistas para a grave situa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn177\">[177]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[173]CNJ \u2013 Conselho Nacional de Justi\u00e7a. <em>BANCO DE MONITORAMENTO<\/em>. [online]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[174]PINTO, Rodrigo Bernardo Ribeiro. <em>O c\u00e1rcere, a teoria do \u201cnumerus clausus\u201de a adminiistra\u00e7\u00e3o \u201cjust-in-time.\u201d<\/em> Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado\u00a0\u00a0 em Seguran\u00e7a P\u00fablica). Universidade Vila Velha. 2018. p.21.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[175]PINTO, 2018,p.41<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[176]SANTOS, Molaynni Cerillo. <em>Educar para al\u00e9m das celas de aula:<\/em> educa\u00e7\u00e3o prisional como ferramenta de ressocializa\u00e7\u00e3o. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Ensino na Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) \u2013 Vit\u00f3ria: Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, 2019. p.51.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[177]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. <em>Balan\u00e7o sobre redu\u00e7\u00e3o da criminalidade.<\/em>\u00a0 2020. [online]. s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado do Esp\u00edrito Santo possui 36 estabelecimentos criminais, distribu\u00eddos nos seguintes munic\u00edpios: Serra, Cariacica, Vila Velha, Viana, Guarapari, S\u00e3o Mateus, Barra de S\u00e3o Francisco, Colatina, S\u00e3o Domingos do Norte, Linhares, Aracruz, Cachoeiro de Itapemirim e Marata\u00edzes. O Estado oferece um total de 13.417 vagas, n\u00famero insuficiente para a sua popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria, que, em junho de 2016, era de 19.413 pessoas, o que representa um d\u00e9ficit de 5.996 vagas, segundo informa\u00e7\u00f5es do INFOPEN (BRASIL, 2017).<a href=\"#_ftn178\">[178]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 informa\u00e7\u00f5es dando conta que a situa\u00e7\u00e3o mais dram\u00e1tica \u00e9 a Penitenci\u00e1ria Semiaberta Masculina de Colatina (PSMCO), com 336% de presos a mais que a capacidade: s\u00e3o 419 pessoas para 96 vagas. Em seguida, est\u00e1 a Penitenci\u00e1ria Estadual de Vila Velha (PEVV IV), que possui 1736 presos para 604 vagas, 287% a mais que a capacidade. H\u00e1 celas que comportam quatro presos com 10 detentos.<a href=\"#_ftn179\">[179]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que a superlota\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria traz s\u00e9rios preju\u00edzos para a Administra\u00e7\u00e3o prisional, mormente no que tange ao aspecto de ressocializa\u00e7\u00e3o do preso, aumenta os problemas corriqueiros da gest\u00e3o como insatisfa\u00e7\u00f5es, motins, rebeli\u00f5es, fugas e outras quest\u00f5es prisionais, al\u00e9m de ocasionar s\u00e9rios transtornos psicol\u00f3gicos para os integrantes da Pol\u00edcia Penal, incumbidos da vigil\u00e2ncia, com graves consequ\u00eancias na gest\u00e3o de pessoas em face dos constantes afastamentos do servi\u00e7o ativo por conta das in\u00fameras licen\u00e7as m\u00e9dicas em face de problemas psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno de crescimento da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria afeta diariamente n\u00e3o s\u00f3 a vida de mais de 700 mil pessoas privadas de liberdade, como tamb\u00e9m a dos seus familiares e a dos milhares de servidores do sistema estatal penal. A efetividade desses \u00f3rg\u00e3os, a efic\u00e1cia do sistema de encarceramento, a demanda social pela pris\u00e3o dos chamados \u201cmarginais\u201d e os gastos e recursos despendidos para a manuten\u00e7\u00e3o dessa gigantesca m\u00e1quina e seus med\u00edocres resultados s\u00e3o pontos cruciais que merecem ser debatidos quando se decide analisar racionalmente o sistema carcer\u00e1rio. Por isso, esse universo necessita ser estudado e desmistificado de forma cient\u00edfica, deixando para tr\u00e1s o \u201cachismo\u201d e as experi\u00eancias impensadas.<a href=\"#_ftn180\">[180]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E nesse sentido, deve a diretoria dos pres\u00eddios envidar esfor\u00e7os para criar alternativas vi\u00e1veis no campo da pol\u00edtica criminal para otimizar a gest\u00e3o p\u00fablica com o m\u00e1ximo de efici\u00eancia, amenizando o cumprimento da pena e criando meios de maximizar a humaniza\u00e7\u00e3o da pena, sendo a presta\u00e7\u00e3o religiosa, direito do preso e dever do Estado, imprescind\u00edvel ferramenta de pol\u00edtica criminal e de direitos humanos para assegurar um direito constitucional e promover bem-estar social, em \u00faltima an\u00e1lise, devolver o preso \u00e0 sociedade bem melhor do que ingressou.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata meramente da gera\u00e7\u00e3o de vagas em estabelecimentos prisionais e da constru\u00e7\u00e3o de novas pris\u00f5es com investimentos p\u00fablicos ou privados. A &nbsp;porta &nbsp;de entrada deve ser verificada, seja pela melhor qualifica\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es, que levam pessoas ao c\u00e1rcere, seja pela aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas alternativas \u00e0 pris\u00e3o, seja ainda pela multiplica\u00e7\u00e3o de iniciativas como as audi\u00eancias de cust\u00f3dia, que, para efeitos do presente trabalho, podem ser consideradas como iniciativas a ser executadas e fomentadas na filosofia \u201cJust-In-Time\u201d.Por outro lado, a \u2018porta de sa\u00edda deve ser igualmente redimensionada para, no m\u00ednimo, igualar-se ao ingresso de internos.<a href=\"#_ftn181\">[181]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Num estado democr\u00e1tico de direito, a pol\u00edcia criminal deve possuir colorido preventivo, e volver suas a\u00e7\u00f5es final\u00edsticas para o campo profil\u00e1tico, a fim de evitar a les\u00e3o ou amea\u00e7a de les\u00e3o aos bens jur\u00eddicos protegidos pelo Estado. Nesse desiderato, deve a atividade estatal contar com o papel decisivo de ag\u00eancias de controle social na constru\u00e7\u00e3o da cultura da paz, e seguramente, um desses instrumentos de controle e realiza\u00e7\u00e3o do bem comum \u00e9 a religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[178] SANTOS, 2019, p. 51.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[179]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO, 2020, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[180]PINTO, 2018.p.15.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[181]PINTO,2016, p.65.<\/p>\n\n\n\n<p>A prop\u00f3sito, assist\u00eancia religiosa \u00e9 uma express\u00e3o que designa o ato de assistir pessoas em situa\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias: doen\u00e7as, estresses, dificuldades financeiras, etc. Geralmente, \u00e9 realizada de modo coletivo em hospitais, pres\u00eddios, asilos, ou na casa das pessoas necessitadas. Para tanto, h\u00e1 todo um suporte de mission\u00e1rios volunt\u00e1rios que disp\u00f5em de seu tempo para programarem atividades religiosas e as aplicarem com regularidade ao seu campo de atua\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn182\">[182]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o exerce papel predominante no controle social de comportamento humano, alinhamento aos padr\u00f5es sociais por meio de regras, tradi\u00e7\u00f5es e s\u00edmbolos que tem por escopo prec\u00edpuo dar sentido \u00e0 vida, explicar sua origem e a do universo.<a href=\"#_ftn183\">[183]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para melhor entendimento da religi\u00e3o no contexto de preven\u00e7\u00e3o criminal, importa diferenciar, &#8220;religi\u00e3o&#8221; e &#8220;espiritualidade, considerando serem conceitos distintos, apesar de muitos n\u00e3o perceberem uma diferencia\u00e7\u00e3o. A distin\u00e7\u00e3o se faz necess\u00e1ria na pesquisa, uma vez que sendo foco da pesquisa a perspectiva da assist\u00eancia religiosa, n\u00e3o se pode confundir a religiosidade, a espiritualidade com religi\u00e3o, pois, o atendimento religioso n\u00e3o pode se propor apenas a atender a uma assessoria de ordem pol\u00edtico-eclesi\u00e1stica. Portanto:<\/p>\n\n\n\n<p>Religi\u00e3o pode ser definida como um sistema de cren\u00e7as e pr\u00e1ticas observados por uma comunidade, apoiado por rituais que reconhecem, idolatram, comunicam-se com, ou aproximam-se do Sagrado, do Divino, de Deus (em culturas ocidentais), ou da Verdade Absoluta da Realidade, ou do nirvana (em culturas orientais). A religi\u00e3o normalmente se baseia em um conjunto de escrituras ou ensinamentos que descrevem o significado e o prop\u00f3sito do mundo, o lugar do indiv\u00edduo nele, as responsabilidades dos indiv\u00edduos uns com os outros e a natureza da vida ap\u00f3s a morte.<a href=\"#_ftn184\">[184]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A religi\u00e3o \u00e9 um sistema institucionalizado, a espiritualidade por sua vez, \u00e9 uma dimens\u00e3o de for\u00e7a intr\u00ednseca de cada pessoa, traduzindo um modo de viver caracter\u00edstico das rela\u00e7\u00f5es entre o indiv\u00edduo e o transcendente. A espiritualidade pode ser uma caracter\u00edstica da pessoa religiosa, mas n\u00e3o necessariamente exige participa\u00e7\u00e3o em pr\u00e1ticas e ritos das igrejas.<\/p>\n\n\n\n<p>A espiritualidade n\u00e3o tem ra\u00edzes em ideias, textos sacros e teologia. Em vez disso, ela compreende emo\u00e7\u00f5es positivas e elos sociais, e o amor \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o mais curta de espiritualidade. Tanto o amor quanto a espiritualidade s\u00e3o resultados de sentimentos conscientes, como: respeito, apre\u00e7o, aceita\u00e7\u00e3o, simpatia, compaix\u00e3o, envolvimento, ternura e gratid\u00e3o.<a href=\"#_ftn185\">[185]<\/a>&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A espiritualidade \u00e9 como o am\u00e1lgama de emo\u00e7\u00f5es positivas que nos une aos outros seres humanos e \u00e0 nossa experi\u00eancia com o divino, como quer que o concebamos, ela tem uma profunda base psicobiol\u00f3gica, uma realidade arraigada nas emo\u00e7\u00f5es humanas positivas que precisa ser mais bem compreendida. Amor, esperan\u00e7a, alegria, perd\u00e3o, compaix\u00e3o, f\u00e9, rever\u00eancia e gratid\u00e3o, s\u00e3o as emo\u00e7\u00f5es positivas espiritualmente importantes.<a href=\"#_ftn186\">[186]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, trata-se de um conflito bem comum entre as pessoas que costumam confundir os termos. O ponto central da diferen\u00e7a reside na forma pr\u00e1tica pelo qual se manifestam.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a religi\u00e3o depende sempre de uma autoridade externa, que determina os rituais, quais dogmas de f\u00e9 que t\u00eam que acreditar como embasamento de vida para se alcan\u00e7ar o bem-estar e quais os tipos de comportamento aceit\u00e1veis para aquelas pessoas que seguem determinada religi\u00e3o. Por sua vez, a espiritualidade nasce por for\u00e7a de uma energia espont\u00e2nea, \u00e9 uma qualidade de aceita\u00e7\u00e3o, uma qualidade interna que visa alcan\u00e7ar bons fluidos, tudo isso fomentado pela pr\u00f3pria religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[182] COSTA, 2018, p.43.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[183]RODRIGUES, 2016, p.33.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[184]KOENIG, H. G. <em>Medicina, religi\u00e3o e sa\u00fade:<\/em> o encontro da ci\u00eancia e da espiritualidade. Porto Alegre: L&amp;PM, 2012.p.11.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[185]VAILLANT, G.E. <em>F\u00e9:<\/em> evidencias cient\u00edficas . Baruer\u00ed: Manole. 2010. p. 5-6.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[186]VAILLANT, 2010, p. 5-6.<\/p>\n\n\n\n<p>Para entender a religi\u00e3o como meio de tratamento penal e o uso da religiosidade do interno como mecanismo para esta finalidade, \u00e9 preciso atentar-se que o sistema social da pris\u00e3o \u00e9 baseado nas rela\u00e7\u00f5es de poder que for\u00e7am um agir e pensar artificial nos internos, h\u00e1, como diz Foucault, a vig\u00eancia do poder sobre o corpo do preso198 e at\u00e9 que a prisoniza\u00e7\u00e3o tenha atingido seu \u00e1pice, o interno trava duras batalhas em seu interior, at\u00e9 que sucumbe, por bem ou por mal, ao poder estatal199. \u00c9 nesta mente conturbada pelo fen\u00f4meno da prisoniza\u00e7\u00e3o que a religi\u00e3o come\u00e7a a ter import\u00e2ncia para o Direito Prisional. Se o fen\u00f4meno religioso est\u00e1 presente em todas as civiliza\u00e7\u00f5es e se a religi\u00e3o serve como instrumento de controle social e domina\u00e7\u00e3o, os quais s\u00e3o mecanismos estatais pr\u00f3prios para o sistema carcer\u00e1rio, \u00e9 poss\u00edvel inferir que o tratamento penal pode ser muito mais abrangente se contar com a religi\u00e3o para os seus fins. Assim, durante o encarceramento, nos maus momentos, especificamente, quando houver inseguran\u00e7a e medo, pois h\u00e1 dificuldade em racionaliz\u00e1-los, o voltar-se \u00e0 religiosidade nesses momentos imprime sentido a essa experi\u00eancia subjetiva, a religiosidade, ent\u00e3o, no dizer de Antoine Vergote, \u00e9 forma de dar significado aos fen\u00f4menos internos e externos. Com efeito, a rela\u00e7\u00e3o com o sagrado, com aquilo que est\u00e1 acima do homem, al\u00e9m de contribuir para a mudan\u00e7a de seu comportamento, o que \u00e9 muito interessante para o ambiente carcer\u00e1rio, tamb\u00e9m \u00e9 o ponto de partida para a ressignifica\u00e7\u00e3o da sua vida203, que \u00e9 uma das metas do tratamento penal.<a href=\"#_ftn187\">[187]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Logo \u00e9 importante perceber que a religiosidade \u00e9 uma cren\u00e7a e pr\u00e1tica ritual\u00edstica de uma religi\u00e3o, seja frequentando um templo religioso, ou rezando e orando, enquanto a espiritualidade \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com o objeto transcendente que d\u00e1 a pessoa significados e prop\u00f3sitos fundamentais da vida e que pode ou n\u00e3o envolver a religi\u00e3o.<a href=\"#_ftn188\">[188]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Perante a complexidade da discuss\u00e3o \u00e9 preciso perceber a religi\u00e3o atrav\u00e9s de conceitos mais amplos, que permitam perceber v\u00e1rios aspectos, incluindo o social e da\u00ed a import\u00e2ncia da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios, inclusive na perspectiva da assist\u00eancia social.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerados os dados apresentados no in\u00edcio do cap\u00edtulo sobre a situa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no estado do Esp\u00edrito Santo e da necessidade do Estado em preencher lacunas que o mesmo n\u00e3o consegue, em seguida, ser\u00e3o apresentados a metodologia de Estudo de Caso utilizada e dados obtidos por meio de pesquisas e entrevistas realizadas com pessoas envolvidas com o GINTER, a fim de analisar como o referido grupo vem desempenhando seu papel dentro das penitenci\u00e1rias do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>3.2. &nbsp;Metodologia e local da pesquisa: A certid\u00e3o de nascimento do GINTER na esfera p\u00fablica <\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A metodologia utilizada para o presente trabalho foi um Estudo de Caso, sendo esse m\u00e9todo baseado em &nbsp;dados qualitativos, coletados a partir de dados reais, extra\u00eddos atrav\u00e9s de um indiv\u00edduo ou grupo, bastante utilizada nas Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] um m\u00e9todo de pesquisa de natureza emp\u00edrica que investiga um fen\u00f4meno, geralmente contempor\u00e2neo, dentro de um contexto real, quando as fronteiras entre o fen\u00f4meno e o contexto em que ele se insere n\u00e3o s\u00e3o<br>claramente definidas.<a href=\"#_ftn189\">[189]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[187]JACOB, 2016.p.42-43.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[188]DIAS, Alessandro Moreira; AZEREDO, B\u00e1rbara Ahnert. Depress\u00e3o e religiosidade: uma busca pelo equil\u00edbrio farmac\u00eautico e espiritual <em>Revista Unitas<\/em>, v. 8, n. 1, 2020.p.57.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[189]YIN, Roberto K. Estudo de caso: planejamento e m\u00e9todo. S\u00e3o Paulo: Bookman,<br>2015.p.17.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estudo de caso tem como finalidade investigar novos conceitos e no caso da presente pesquisa, verificar como s\u00e3o aplicados e utilizados na pr\u00e1tica, elementos te\u00f3ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pesquisa foram utilizadas as etapas apresentadas por Roberto K. Yin, na obra Estudo de caso: planejamento e m\u00e9todos<em>,<\/em> que consiste em seis partes:<br>plano, design, prepara\u00e7\u00e3o, coleta, an\u00e1lise e compartilhamento.<a href=\"#_ftn190\">[190]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O plano consiste na procura e indica\u00e7\u00e3o de um \u201ccaso\u201d relevante, devendo ser um fen\u00f4meno contempor\u00e2neo intrigante. O design, sendo respons\u00e1vel pela engenharia do estudo de caso, estabelecendo crit\u00e9rios que guiar\u00e3o o trabalho. A prepara\u00e7\u00e3o considera que o estudo de caso tem que ser aplicado por algu\u00e9m preparado sendo verificados todos os materiais necess\u00e1rios para coleta.<a href=\"#_ftn191\">[191]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento dos dados reunidos no processo, ou<br>seja uma coleta formal das evidencias levantadas a partir do relat\u00f3rio final88. A<br>an\u00e1lise consiste em examinar, categorizar, classificar as evid\u00eancias<br>colhidas por meio de pesquisa, de forma anal\u00edtica e t\u00e9cnica, ponderando os<br>resultados, para que assim se construa as explana\u00e7\u00f5es89. O compartilhamento trata-se da exposi\u00e7\u00e3o do estudo de caso com a identifica\u00e7\u00e3o do grupo almejado<br>para o relat\u00f3rio e o estabelecimento de um padr\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn192\">[192]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o objetivo geral dessa pesquisa \u00e9 compreender como o GINTER, como grupo interconfessional religiosa contribui para a ressocializa\u00e7\u00e3o dos presos, no cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio do Estado do Esp\u00edrito Santo, atrav\u00e9s da assist\u00eancia religiosa. Pretende-se analisar a presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eanciareligiosa nos estabelecimentos penais no Estado do Esp\u00edrito Santos, direito assegurando por diversos Tratados e Conven\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos, e documentos normativos internos, dentre os quais, o artigo 5\u00ba, VI, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988 c\/c art. 11, inciso VI e art. 24 da Lei n\u00ba 7.210\/84. Visa, portanto, verificar, a partir da an\u00e1lisedas entrevistas alcan\u00e7adas a real import\u00e2ncia da Religi\u00e3o para a Preven\u00e7\u00e3o Criminal, m\u00e1xime, para a ressocializa\u00e7\u00e3o do apenado que cumpre pena no sistema prisional do Estado do Espirito Santo, e quest\u00f5es relacionadas ao fiel cumprimento dos aspectos legais.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme previs\u00e3o legal, a assist\u00eancia ao preso e ao internado \u00e9 dever inafast\u00e1vel do Estado, objetivando prevenir o crime e orientar o seu retorno \u00e0 conviv\u00eancia em sociedade, sendo que esta assist\u00eancia se estende ao egresso. O rol de assist\u00eancia se encontra previsto no artigo 11 da Lei n\u00ba 7.210, de 1984, dentre elas, a assist\u00eancia religiosa, insculpida no artigo 11, inciso VI, LEP \u2013 Lei de Execu\u00e7\u00e3o penal.<a href=\"#_ftn193\">[193]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Especificamente, o artigo 24 da LEP prev\u00ea que a assist\u00eancia religiosa, com liberdade de culto, ser\u00e1 prestada aos presos e aos internados, permitindo-se lhes a participa\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os organizados no estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instru\u00e7\u00e3o religiosa. No estabelecimento haver\u00e1 local apropriado para os cultos religiosos. Nenhum preso ou internado poder\u00e1 ser obrigado a participar de atividade religiosa.<a href=\"#_ftn194\">[194]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[190]YIN, 2015, p.2.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[191]YIN,\u00a0 2001. p. 39-82.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[192]YIN, 2001. p. 105&#8211;8185.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[193]BRASIL, 1984, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[194] BRASIL, 1984, s.p.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante a norma imperativa, raramente o sistema prisional possui na sua estrutura organizacional um \u00f3rg\u00e3o ou divis\u00e3o espec\u00edfica para cuidar das pol\u00edticas p\u00fablicas de presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos estabelecimentos penais, talvez por desconhecer o papel relevante que a religi\u00e3o exerce na preven\u00e7\u00e3o criminal e ressocializa\u00e7\u00e3o de pessoas submetidas a pena privativa de liberdade, hoje dever do Estado, alcan\u00e7ando os egressos e pessoas internadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Esp\u00edrito Santo foi palco de terr\u00edveis epis\u00f3dios da recente hist\u00f3ria prisional. Mortes por mutila\u00e7\u00f5es, depreda\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio p\u00fablico, motins e rebeli\u00f5es eram rotina comum no dia a dia das Unidade Prisionais Capixabas. O Estado foi chamado a prestar esclarecimentos na 13\u00aa sess\u00e3o do Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que aconteceu em Genebra no ano de 2010, motivados por mortes e esquartejamentos ocorridos dentro de celas e outras viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos dentro do que a imprensa estadual chamava de \u201cmasmorras\u201d. <a href=\"#_ftn195\">[195]<\/a>38<\/p>\n\n\n\n<p>Perante esse terr\u00edvel cen\u00e1rio o Estado do Esp\u00edrito Santo, que tendo como fito o cumprimento do comando normativo em apre\u00e7o, a Secretaria de Estado da Justi\u00e7a (Sejus) instituiu em sua estrutura, em 2008, o Grupo de Trabalho Interconfessional do Sistema Prisional (Ginter), cujo principal desiderato \u00e9 oferecer \u00e0 pessoa privada de liberdade a assist\u00eancia socioespiritual. O Grupo comp\u00f5e-se de oito membros, sendo cinco&nbsp;assessores teol\u00f3gicos de grupos religiosos diversos, dois servidores e uma secret\u00e1ria da Sejus.<a href=\"#_ftn196\">[196]<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da Portaria n\u00ba 1514, de novembro de 2012, publicada na p\u00e1gina 29 do Di\u00e1rio dos Poderes do Estado, em 30 de novembro de 2012, estabeleceu-se a cria\u00e7\u00e3o do Grupo de trabalho interconfessional do sistema prisional do Estado do Esp\u00edrito Santo, que tem car\u00e1ter permanente e possui como objetivo principal o assessoramento de quest\u00f5es teol\u00f3gicas e pastorais de assist\u00eancia religiosa, bem como recomendar a\u00e7\u00f5es para o melhor desempenho do atendimento religioso nas unidades prisionais do Estado do Esp\u00edrito Santo.<a href=\"#_ftn197\">[197]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O GINTER exerce in\u00fameras atividades dentre elas a capacita\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios que desejam participar dos grupos que prestam assist\u00eancia espiritual nos pres\u00eddios.&nbsp;O trabalho desses volunt\u00e1rios, que possuem diferentes denomina\u00e7\u00f5es religiosas, \u00e9 considerado de extrema import\u00e2ncia, pois o atendimento socioespiritual \u00e9 um complemento no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que consegue modificar comportamentos e valores de muitos internos.<a href=\"#_ftn198\">[198]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Importa salientar a relevante fun\u00e7\u00e3o do GINTER na articula\u00e7\u00e3o dos grupos religiosos cadastrados para atuar nas unidades prisionais e na qualifica\u00e7\u00e3o dos volunt\u00e1rios.&nbsp; Na sua estrutura, possui servidores da Secretaria de Justi\u00e7a, l\u00edderes religiosos e assessores teol\u00f3gicos, que primam pelo respeito \u00e0 diversidade religiosa dentro das penitenci\u00e1rias.<a href=\"#_ftn199\">[199]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para an\u00e1lise sobre o GINTER e seu papel no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o foi utilizado como instrumento de coleta de dados nesse estudo de caso, um question\u00e1rio composto por treze perguntas ao coordenador do grupo e a um membro. Segundo Marconi e Lakatos, o question\u00e1rio \u00e9 \u201cinstrumento de coleta de dados constitu\u00eddo por uma s\u00e9rie de perguntas, que devem ser respondidas por escrito\u201d <a href=\"#_ftn200\">[200]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O question\u00e1rio possibilitou a pesquisa num per\u00edodo no qual h\u00e1 necessidade de distanciamento social, pois permite que a pesquisa se utilize de meios eletr\u00f4nicos, no caso espec\u00edfico, o processo foi feito por meio eletr\u00f4nico.<\/p>\n\n\n\n<p>A inten\u00e7\u00e3o seria ampliar um pouco mais os dados com outros entrevistados, mas a necessidade do distanciamento social, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de pandemia, tornou invi\u00e1vel outros procedimentos. Contudo os dois representantes, atrav\u00e9s de suas respostas nos possibilitaram uma vis\u00e3o a respeito do grupo e o trabalho desenvolvido.<\/p>\n\n\n\n<p>As perguntas apresentadas de forma aberta, n\u00e3o causaram estranheza ou dificuldades aos entrevistados, uma vez que foram escritas de forma clara, e os entrevistados possu\u00edam amplo conhecimento sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[195]PINTO,2016, p.38.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[196]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. <em>SECRETARIA DO ESTADO DE JUSTI\u00c7A. SEJUS<\/em>, 2011, s.p. [online].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[197]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. 2011, s.p. [online].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[198]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. 2011, s.p. [online].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[199]GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. 2011, s.p. [online].<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[200]MARCONI, M. de A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de Metodologia Cient\u00edfica. 5 a ed. S\u00e3o Paulo: Atlas, 2003.p.100.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As treze perguntas apresentadas no question\u00e1rio foram:<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>O GINTER \u00e9 \u00f3rg\u00e3o colegiado? Fale sobre a sua origem e constitui\u00e7\u00e3o normativa.<\/li><li>Quais as principais atividades desenvolvidas pelo GINTER?<\/li><li>Quantos volunt\u00e1rios j\u00e1 foram capacitados pelo GINTER no Estado do Esp\u00edrito Santo?<\/li><li>H\u00e1 limita\u00e7\u00f5es das atividades religiosas dos integrantes do GINTER sob alega\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a pessoal?<\/li><li>H\u00e1 alguma restri\u00e7\u00e3o de atividades religiosas em raz\u00e3o de revistas \u00edntimas a agentes do Grupo Interconfessional?<\/li><li>H\u00e1 proibi\u00e7\u00e3o ou alguma limita\u00e7\u00e3o de acesso e assist\u00eancia aos presos submetidos \u00e0 Regime Disciplinar Diferenciado, a teor do art. 52 da LEP?<\/li><li>A assist\u00eancia religiosa alcan\u00e7a a presos de todos os regimes de cumprimento de pena?<\/li><li>Os estabelecimentos penais do Esp\u00edrito Santo possuem arquitetura de templos ou locais apropriados para cultos e diversas confiss\u00f5es religiosas?<\/li><li>O contato do apenado com a Religi\u00e3o se deu ap\u00f3s o in\u00edcio de cumprimento da pena privativa de liberdade?<\/li><li>Quais as denomina\u00e7\u00f5es religiosas que atuam na presta\u00e7\u00e3o religiosa nos estabelecimentos prisionais do Esp\u00edrito Santo.<\/li><li>A presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa tem sido importante para o apenado no cumprimento da pena privativa de liberdade?<\/li><li>A dire\u00e7\u00e3o do GINTER possui o percentual de recuperandos que se converteram ap\u00f3s a experi\u00eancia religiosa no interior dos pres\u00eddios do Esp\u00edrito Santo?<\/li><li>A presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios capixabas t\u00eam sido pol\u00edtica p\u00fablica importante para o processo de ressocializa\u00e7\u00e3o dos presos e por consequ\u00eancia para a preven\u00e7\u00e3o criminal?<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>De posse das respostas dadas pelos entrevistados, no pr\u00f3ximo subt\u00edtulo do cap\u00edtulo ser\u00e3o feitas&nbsp; algumas an\u00e1lises a respeito das respostas obtidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o literal das respostas obtidas nos question\u00e1rios realizou-se an\u00e1lise das respostas obtidas para verificar se o GINTER atende a assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios do Estado do Esp\u00edrito Santo e como essa assist\u00eancia atua como controle social no sistema prisional do referido Estado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3.3 O GINTER e seu papel no processo de assist\u00eancia religiosa no Estado do Esp\u00edrito Santo: an\u00e1lise das respostas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Perante a pesquisa feita com o GINTER percebe-se a legisla\u00e7\u00e3o legal tanto no aspecto internacional, Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Pol\u00edticos de 1966, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio por meio do decreto n\u00ba592\/92, Pacto de S\u00e3o Jos\u00e9 da Costa Rica, Conven\u00e7\u00e3o Americana de Direitos Humanos, Regras de Mandela que estabelecem as regras m\u00ednimas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para tratamento de presos, assim como no \u00e2mbito nacional, Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988 e Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, a assist\u00eancia religiosa encontra-se garantida, no que concerne a perspectiva legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme Monte (2009), essa preocupa\u00e7\u00e3o com a determina\u00e7\u00e3o legal demonstra ser a religi\u00e3o como institui\u00e7\u00e3o, um mecanismo social que programa o comportamento humano de forma especializada, atrav\u00e9s da programa\u00e7\u00e3o do comportamento atrav\u00e9s da persuas\u00e3o e refor\u00e7o das cren\u00e7as, conduzindo o indiv\u00edduo a reproduzir comportamentos segundo as regras da institui\u00e7\u00e3o, como se fosse sua pr\u00f3pria verdade.<a href=\"#_ftn201\">[201]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto no que condizem as situa\u00e7\u00f5es de cumprimento da pena, na perspectiva da ressocializa\u00e7\u00e3o verifica-se que, apesar dos dispositivos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a situa\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios fere os dispositivos legais, uma vez que as condi\u00e7\u00f5es dos pres\u00eddios n\u00e3o possibilita que o preso ao cumprir sua pena consiga se tornar algu\u00e9m com melhores condi\u00e7\u00f5es de reintegrar-se \u00e0 sociedade. Ao contr\u00e1rio, este indiv\u00edduo torna-se estigmatizado, impossibilitando sua reincorpora\u00e7\u00e3o ao meio social.<a href=\"#_ftn202\">[202]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme apresentado na discuss\u00e3o do cap\u00edtulo dois, devido \u00e0 insufici\u00eancia do Estado no processo de orienta\u00e7\u00e3o e sociabilidade dos presos, a religi\u00e3o passa a ter o objetivo de alienar e controlar comportamentos.<a href=\"#_ftn203\">[203]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato \u00e9 confirmado pela resposta da coordenadora do grupo a primeira pergunta, onde a mesma deixa claro a necessidade de ampliar a \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o do grupo em quest\u00f5es que caberiam ao Estado, demonstrando que o mesmo n\u00e3o consegue atuar, mesmo existindo uma LEP que exige que os presos tenham seus direitos garantidos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Estado, em ambas as possibilidades, comprova sua inefic\u00e1cia em cumprir a fun\u00e7\u00e3o social que lhe \u00e9 inerente, contribuindo dessa forma, para o aumento de uma criminalidade j\u00e1 saturada. O guardi\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal fere os direitos humanos, mormente o princ\u00edpio da dignidade humana, quebrando uma seguran\u00e7a jur\u00eddica antes trincada.<a href=\"#_ftn204\">[204]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O leque de atividades amplo e intenso, tamb\u00e9m demonstra que o grupo age em situa\u00e7\u00f5es que seriam obriga\u00e7\u00f5es do Estado, perante a legisla\u00e7\u00e3o penal vigente.<\/p>\n\n\n\n<p>A inefici\u00eancia do papel do Estado tamb\u00e9m pode ser percebida no que se refere \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os f\u00edsicos do pr\u00f3prio sistema prisional, que n\u00e3o possui estrutura f\u00edsica adequada para a assist\u00eancia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que a assist\u00eancia religiosa, ramifica\u00e7\u00e3o do assistencialismo competente ao Poder P\u00fablico, possui amparo legal na Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal. Por\u00e9m, passando \u00e0 an\u00e1lise do real desempenho da assist\u00eancia religiosa nos estabelecimentos penais, evidencia-se o ac\u00famulo de encargos atribu\u00eddos aos grupos religiosos que, a princ\u00edpio, n\u00e3o lhes seriam inerentes. Encargos esses que se transferem \u00e0s entidades religiosas \u00e0 medida que o Estado se torna ineficiente na execu\u00e7\u00e3o dos mesmos, possuindo a religi\u00e3o um papel muito mais utilit\u00e1rio do que humanit\u00e1rio dentro das pris\u00f5es, segundo a vis\u00e3o estatal.<a href=\"#_ftn205\">[205]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo as defini\u00e7\u00f5es de religi\u00e3o, apresentadas por Emile Durkheim de ser a religi\u00e3o um conjunto de pr\u00e1ticas, atrav\u00e9s das quais os fi\u00e9is desenvolvem uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia entre obriga\u00e7\u00f5es e benef\u00edcios, as pr\u00e1ticas religiosas desenvolvidas nos pres\u00eddios funcionam, realmente, como um adestramento do corpo.<a href=\"#_ftn206\">[206]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[201]MONTE, p. 254, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[202]BITENCOURT, 2012. p.24<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[203]COSTA, 2018, p.22.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[204]GON\u00c7ALVES, Jos\u00e9 Artur Teixeira; COIMBRA, M\u00e1rio; AMORIM, Daniela de Lima. Assist\u00eancia religiosa e suas barreiras: uma leitura \u00e0 luz da LEP e do sistema prisional. <em>Intertemas, <\/em>Presidente Prudente, v.15, p.244-261,\u00a0 2010. p. 249.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[205]GON\u00c7ALVES; COIMBRA; AMORIM, 2011.\u00a0 p. 249.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[206]DURKHEIM, 2003, p. 24.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>J\u00e1 a espiritualidade, de acordo com Ed Ren\u00e9 Kivitz, juntamente com outros grandes pensadores da religi\u00e3o e da espiritualidade, compreende que a espiritualidade \u00e9 subjetiva, individual, livre de sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais e religiosas, apresentando que a espiritualidade:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se de uma dimens\u00e3o do humano, ou uma experi\u00eancia humana; pode<br>ser religiosa ou n\u00e3o, isto \u00e9, pode se manifestar nos dom\u00ednios da<br>religiosidade institucionalizada, ou mesmo dentro do espirito da religi\u00e3o,<br>como tamb\u00e9m no espa\u00e7o secular despido do espirito da religi\u00e3o, mas,<br>inevitavelmente, diante dos conflitos, terror, fasc\u00ednio ou angustia do ser<br>humano diante do infinito, a consci\u00eancia e a experi\u00eancia de sua pr\u00f3pria<br>finitude; expressa-se na busca humana do sentido \u00faltimo de sua exist\u00eancia;<br>concretizando-se na resposta humana \u00e0s amea\u00e7as do ser pelo n\u00e3o-ser;<br>manifestando-se na rela\u00e7\u00e3o religi\u00e3o-cultura, em que ambas est\u00e3o<br>interligadas como subst\u00e2ncia e forma<a href=\"#_ftn207\">[207]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo que capelania e assist\u00eancia religiosa n\u00e3o podem ser consideradas como pr\u00e1ticas sin\u00f4nimas, observa-se que as atividades do GINTER n\u00e3o podem ser definidas apenas como assist\u00eancia religiosa, pois \u00e9 poss\u00edvel observar, atrav\u00e9s das respostas que a assist\u00eancia religiosa, atrav\u00e9s do GINTER, pretende assumir um aspecto de assist\u00eancia socioespiritual, uma vez para muitos presos \u00e9 o \u00fanico apoio que ter\u00e3o durante esse momento na vida, j\u00e1 que, em v\u00e1rios casos, n\u00e3o contam com o apoio das fam\u00edlias, ou porque n\u00e3o t\u00eam estrutura emocional para oferecer um&nbsp; suporte \u00e0 pessoa que se encontra presa ou porque desistiram e desacreditam de qualquer possibilidade de mudan\u00e7a de vida dessa pessoa. H\u00e1 outros casos tamb\u00e9m em que a pessoa que est\u00e1 presa n\u00e3o possui nenhum familiar e a assist\u00eancia do volunt\u00e1rio religioso \u00e9 o caminho de (re) constru\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de respeito e v\u00ednculos familiares em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia que j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Outros aspectos observados no grupo, \u00e9 a falta de volunt\u00e1rios, falta de tempo na agenda do sistema e falta de espa\u00e7os pr\u00f3prios. Essa falta de volunt\u00e1rios pode ser explicada por Bruno Moraes e Francisco de Assis Souza Santos que dizem:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma das maiores dificuldades encontradas por parte de volunt\u00e1rios que realizam atividades de assist\u00eancia religiosa no sistema prisional brasileiro, segundo Freitas, \u00e9 o perfil de profissionais \u2013 desde os mais altos cargos do sistema penal: ju\u00edzes\/promotores a advogados, como tamb\u00e9m agentes penitenci\u00e1rios\/diretores de pres\u00eddios\/carcereiros \u2013 que n\u00e3o t\u00eam qualquer no\u00e7\u00e3o do poder da influ\u00eancia religiosa na vida dos encarcerados; n\u00e3o t\u00eam o alcance percept\u00edvel do qu\u00e3o a religiosidade \u00e9 capaz de penetrar na ess\u00eancia humana, em especial do homem carente e sedento de afeto, e ali suscitar o anseio de viver outra vida, redirecionando o seu itiner\u00e1rio para um devir de reintegra\u00e7\u00e3o social. O estado de cegueira desses profissionais emperra o movimento ascendente \u201cdos servi\u00e7os de assist\u00eancia espiritual dentro dos pres\u00eddios e o incentivo da consci\u00eancia religiosa do homem encarcerado para que encontre novos meios de se readaptar \u00e0 sociedade, ou ent\u00e3o adaptar-se a ela\u201d.<a href=\"#_ftn208\">[208]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto a considerar \u00e9 que j\u00e1 na fase de pris\u00e3o provis\u00f3ria o interno tem acesso \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o religiosa de sua escolha, condicionada a haver um grupo de sua escolha naquela unidade.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[207]KIVITZ, Ed Rene. <em>Espiritualidade no Mundo Corporativo: <\/em>aproxima\u00e7\u00f5es entre a pr\u00e1tica religiosa e a<br>vida profissional. 2006. 48 f. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es \u2013 Programa de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es. UMESP: S\u00e3o Bernardo do Campo, 2006. p.48.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[208]COSTA, 2017.p. 911-912.<\/p>\n\n\n\n<p>A oportunidade e liberdade do culto religioso s\u00e3o de extrema import\u00e2ncia para o regular cumprimento da san\u00e7\u00e3o penal aplicada e no resultado ressocializador almejado. A pr\u00f3pria ideia de cren\u00e7a transcende a compreens\u00e3o de sua import\u00e2ncia [&#8230;]. Atualmente, em um aspecto mais pr\u00e1tico, a assist\u00eancia religiosa faz com que novos valores sejam inseridos na vida do preso e do internado. Esses novos valores dizem respeito \u00e0 vida presente e \u00e0s perspectivas que se deve ter para o futuro, minimizando, em suas mentes, os efeitos das mazelas do c\u00e1rcere e do cumprimento de sua reprimenda, bem como incutindo esperan\u00e7a na vida fora dos estabelecimentos penais.<a href=\"#_ftn209\">[209]<\/a> \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>As respostas dadas revelam ainda uma maturidade dos entrevistados envolvidos, uma vez que no questionamento a respeito do percentual de recuperandos que se converteram ap\u00f3s a experi\u00eancia religiosa no interior dos pres\u00eddios do Esp\u00edrito Santo, os entrevistados questionaram a formula\u00e7\u00e3o da pergunta afirmando ser melhor pensar acerca de um eventual percentual de pessoas em que se identificou mudan\u00e7a de atitudes e comportamentos, j\u00e1 que pensar acerca de \u201cconvers\u00e3o\u201d \u00e9 uma escolha que pode desconsiderar a forma de atuar de outros segmentos religiosos que n\u00e3o atuam necessariamente sob esse enfoque.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&nbsp;Essas indaga\u00e7\u00f5es sobre a forma como a pergunta foi formulada demonstram que os entrevistados entendem que:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A convers\u00e3o no sentido psicol\u00f3gico n\u00e3o se restringe \u00e0 esfera religiosa, mas pode ocorrer em todas as dimens\u00f5es da orienta\u00e7\u00e3o axiol\u00f3gica do ser humano. Nisto ela justamente n\u00e3o se revela como uma teoria da g\u00eanese da religiosidade, mas limita-se a ser uma teoria das mudan\u00e7as aparentemente repentinas da estrutura ps\u00edquica, ao passo que o religioso propriamente dito \u00e9 pressuposto. <a href=\"#_ftn210\">[210]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 uma pol\u00edtica p\u00fablica executada pelo terceiro setor e o Estado ao contratar o agente p\u00fablico n\u00e3o lhe exige esta qualifica\u00e7\u00e3o\/aptid\u00e3o, de certo, n\u00e3o a aplicar\u00e1 e nem a valorizar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando utilitariamente tais atividades religiosas, percebe-se a in\u00e9rcia do Poder P\u00fablico quando, atrav\u00e9s de sua omiss\u00e3o, transfere suas obriga\u00e7\u00f5es a tais entidades pouco se importando com a possibilidade dos detentos utilizarem estrategicamente a religi\u00e3o como instrumento para obten\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios que v\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ao fornecimento de materiais.<a href=\"#_ftn211\">[211]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Num \u00e2mbito geral as respostas dadas pelos entrevistados e as informa\u00e7\u00f5es dadas pelos entrevistados sobre o nascimento do GINTER fica evidente que o mesmo foi criado perante uma situa\u00e7\u00e3o de extrema dificuldade na gest\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio do Estado do Esp\u00edrito Santo perante a inefici\u00eancia do Estado em resolver o problema prisional, n\u00e3o se olvidando que a defici\u00eancia em se estabelecer pol\u00edticas de ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 privativo de um Estado, sen\u00e3o de todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Os Estados s\u00e3o incapazes de cumprir a obriga\u00e7\u00e3o de fornecer tratamento digno \u00e0s pessoas em priva\u00e7\u00e3o de liberdade e que a capacidade das administra\u00e7\u00f5es penitenci\u00e1rias de assegurar os direitos humanos b\u00e1sicos e preparar o indiv\u00edduo custodiado para a reintegra\u00e7\u00e3o na sociedade fica amea\u00e7ada.<a href=\"#_ftn212\">[212]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Amaral tamb\u00e9m afirma que o prop\u00f3sito de qualquer pol\u00edtica p\u00fablica dever ser o de melhorar a vida em sociedade de forma geral, assim uma pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o deve ser contraproducente, ou seja, \u201cn\u00e3o pode ter mais resultados negativos que positivos, sendo que estes devem superar em larga margem a quantidade de resultados negativos\u201d. Portanto, o sistema carcer\u00e1rio permeado pela superlota\u00e7\u00e3o est\u00e1 de encontro a pol\u00edtica p\u00fablica que fundamenta a sua institui\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn213\">[213]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[209] GON\u00c7ALVES; COIMBRA; \u00a0AMORIM. 2011. p.234<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[210]FRAAS, H. J. <em>A religiosidade humana:<\/em> comp\u00eandio de psicologia da religi\u00e3o. 2. ed. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 2007, p. 34.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[211]GON\u00c7ALVES; COIMBRA; \u00a0AMORIM. 2011. p.246.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[212]COYLE, Andrew. <em>Administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria:<\/em> uma abordagem em direitos humanos. Londres: Internacional Centre for PrisionStudies, 2002.p.57-58.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[213] AMARAL, Cl\u00e1udio do Prado. <em>Pol\u00edticas p\u00fablicas no sistema prisional.<\/em> Belo Horizonte: CAED-UFMG, 2014. v.1.p.16.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo, as caracter\u00edsticas contempor\u00e2neas que norteiam a nova gest\u00e3o p\u00fablica trazem conceitos, atitudes e iniciativas t\u00edpicas da gest\u00e3o privada. A gest\u00e3o p\u00fablica prisional \u00e9 for\u00e7ada a uma postura empreendedora, criativa, focada na compet\u00eancia e em resultados. A sociedade em geral, mas tamb\u00e9m os presos, seus familiares, autoridades que est\u00e3o vinculados ao sistema penitenci\u00e1rio, devido \u00e0 ader\u00eancia estatal ao princ\u00edpio da efici\u00eancia, agora devem ser concebidas como clientes da presta\u00e7\u00e3o de um servi\u00e7o p\u00fablico de qualidade, o que for\u00e7a a ado\u00e7\u00e3o de novas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas de gest\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o do Sistema Prisional, seja na concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, seja na promo\u00e7\u00e3o da reintegra\u00e7\u00e3o social das pessoas em priva\u00e7\u00e3o de liberdade.<a href=\"#_ftn214\">[214]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio ca\u00f3tico e da fun\u00e7\u00e3o do mesmo de ressocializar o indiv\u00edduo, as institui\u00e7\u00f5es penais parecem estar mais preocupadas em sancionar, em controlar o indiv\u00edduo, do que em proporcionar instrumentos de transforma\u00e7\u00e3o humana, por isso a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas, voltadas para ressocializa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas na perspectiva da assist\u00eancia religiosa, mas em todos os aspectos.<a href=\"#_ftn215\">[215]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Minha hip\u00f3tese \u00e9 que a pris\u00e3o esteve, desde sua origem, ligada a um projeto de transforma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Habitualmente se acredita que a pris\u00e3o era uma esp\u00e9cie de dep\u00f3sito de criminosos, dep\u00f3sito cujos inconvenientes se teriam constatado por seu funcionamento, de tal forma que se teria dito ser necess\u00e1rio reformar as pris\u00f5es, fazer delas um instrumento de transforma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos. Isto n\u00e3o \u00e9 verdade: os textos, os programas, as declara\u00e7\u00f5es de inten\u00e7\u00e3o est\u00e3o a\u00ed para mostrar. Desde o come\u00e7o a pris\u00e3o devia ser um instrumento t\u00e3o aperfei\u00e7oado quando [sic] a escola, a caserna ou o hospital, e agir com precis\u00e3o sobre os indiv\u00edduos. O fracasso foi imediato e registrado quase ao mesmo tempo que o pr\u00f3prio projeto. Desde 1820 se constata que a pris\u00e3o, longe de transformar os criminosos em gente honesta, serve apenas para fabricar novos criminosos ou para afund\u00e1-los ainda mais na criminalidade. <a href=\"#_ftn216\">[216]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O que se percebe \u00e9 que muito ainda precisa ser feito para que a assist\u00eancia religiosa cumpra seu papel legal na perspectiva da espiritualidade e religiosidade dos presos, iniciando por uma ampla discuss\u00e3o e reforma do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O GINTER, dentro do Estado do Esp\u00edrito Santo, surgiu de uma corriqueira dificuldade na administra\u00e7\u00e3o do sistema carcer\u00e1rio e as respostas dadas pelos membros demonstram a premente necessidade do grupo dentro da perspectiva da assist\u00eancia religiosa e uma preocupa\u00e7\u00e3o muito maior com o aspecto social dos presos, minimizando as mazelas nas quais os detentos est\u00e3o inseridos, at\u00e9 antes mesmo de ingressarem nas pris\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[214]PINTO,2016, p.35.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[215] ANTOS, 2019, p.33-34.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[216]FOUCAULT, 2004, p. 131-132.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de n\u00e3o ser expl\u00edcito nas respostas dos entrevistados outro aspecto que demonstra que a assist\u00eancia religiosa n\u00e3o cumpre uma de suas premissas b\u00e1sicas, caso fosse feita dentro dos aspectos da religiosidade \u00e9 a dificuldade de ex-detentos permanecerem na pr\u00e1tica religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um grande obst\u00e1culo que se constata \u00e9 a perman\u00eancia do ex-detento na pr\u00e1tica religiosa. Em debates com agentes religiosos, Nascimento ouviu deles \u201cque muitos detentos ganharam liberdade, mas ficaram devendo \u00e0s fac\u00e7\u00f5es criminosas \u00e0s quais estavam ligados. Ao sa\u00edrem das pris\u00f5es eles t\u00eam de pagar as d\u00edvidas e, por isso, muitas vezes retornam \u00e0 vida do crime\u201d. Portanto, a perseveran\u00e7a no caminho reto pode exceder suas potencialidades, demandando da assist\u00eancia religiosa sufici\u00eancia para manter os crentes como tais, pois o mundo fora das pris\u00f5es forma muralhas intranspon\u00edveis inviabilizando a acolhida do ex-apenado, dessa subclasse de indiv\u00edduos cognominados colarinho preto, isto \u00e9, uma massa de \u201cpessoas oriundas das classes marginalizadas, pessoas que tiveram seus direitos sonegados pelo Estado quando estavam fora do sistema\u201d.<a href=\"#_ftn217\">[217]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Completando a discuss\u00e3o sobre a assist\u00eancia religiosa no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o dos detentos, Silva J\u00fanior afirma que a ressocializa\u00e7\u00e3o eficiente deveria n\u00e3o apenas evitar que o indiv\u00edduo cometesse novos crimes, mas, sobretudo que esse influenciasse outras pessoas a tamb\u00e9m n\u00e3o cometerem.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a da religi\u00e3o nos pres\u00eddios na forma de assist\u00eancia religiosa tem apenas por finalidade melhorar o ambiente prec\u00e1rio das pris\u00f5es, colaborando para um ambiente menos violento, mais humanizado.<a href=\"#_ftn218\">[218]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Todas as religi\u00f5es, todas as artes e todas as ci\u00eancias s\u00e3o o ramo de uma<br>mesma \u00e1rvore. Todas essas aspira\u00e7\u00f5es visam ao enobrecimento da vida<br>humana, elevando-a acima da esfera da exist\u00eancia puramente material e<br>conduzindo o indiv\u00edduo para a liberdade.<a href=\"#_ftn219\">[219]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da import\u00e2ncia da religi\u00e3o como institui\u00e7\u00e3o social n\u00e3o cabe a ela, assumir obriga\u00e7\u00f5es que cabem a outras institui\u00e7\u00f5es. Assim nota-se que dentro do pr\u00f3prio GINTER, mas uma preocupa\u00e7\u00e3o de amparo social que assist\u00eancia religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[217]COSTA, 2017, p.918-919.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[218] COSTA, 2017, p.912.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\">[219]TEIXEIRA, Evil\u00e1zio F. B et al. <em>Espiritualidade e qualidade de vida<\/em>. Porto Alegre: Edipucrs, 2004. p.<br>89.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que o GINTER pretende fazer o detento percebe-se ainda como parte de uma comunidade, da sociedade, apesar de por um determinado tempo, recluso, para cumprir sua pena e ao adentrar no movimento do grupo, o detento passa a sentir-se parte.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o ter comunidade significa n\u00e3o ter prote\u00e7\u00e3o; alcan\u00e7ar a comunidade, se<br>isto ocorrer, poder\u00e1 em breve significar perder a liberdade. A seguran\u00e7a e a<br>liberdade s\u00e3o dois valores igualmente preciosos e desejados que podem ser<br>bem ou mal equilibrados, mas nunca inteiramente ajustados e sem atrito.<br>De qualquer modo, nenhuma receita foi inventada at\u00e9 hoje para esse ajuste.<br>O problema \u00e9 que a receita a partir da qual as \u201ccomunidades realmente<br>existentes\u201d foram feitas torna a contradi\u00e7\u00e3o entre seguran\u00e7a e liberdade<br>mais vis\u00edvel e mais dif\u00edcil de consertar.<\/p>\n\n\n\n<p>Retomando ao objetivo da pesquisa, torna-se evidente que o GINTER, mesmo que de forma inconsciente atua como forma de controle do Estado, dentro de um sistema carcer\u00e1rio que o Estado n\u00e3o consegue organizar, dentro das determina\u00e7\u00f5es legais.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, percebe-se a imprescindibilidade da assist\u00eancia religiosa, reconhecido como pol\u00edtica p\u00fablica, alinhada a outras assist\u00eancias previstas na lei de execu\u00e7\u00e3o penal, artigo 11 da Lei n\u00ba 7.210\/84.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Assim, o n\u00famero percentual de pessoas egressas&nbsp; ao sistema prisional, que foram assistidas pelo GINTER demonstra que apenas a&nbsp; assist\u00eancia socioespiritual, sem suporte de demais pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam a ressocializa\u00e7\u00e3o,&nbsp; n\u00e3o tenha a efetividade de alcan\u00e7ar a maioria da popula\u00e7\u00e3o prisional ou de surtir mudan\u00e7as de atitudes e comportamentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade na qual ir\u00e1 conviver.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Pensar em conv\u00edvio social significa pensar no ser humano, suas necessidades e viv\u00eancias, e para uma melhor organiza\u00e7\u00e3o possui legisla\u00e7\u00f5es que foram e v\u00e3o sendo criadas de acordo com as mudan\u00e7as e necessidades sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desse contexto ao se falar sobre pris\u00f5es j\u00e1 se subentende que esses foram privados da liberdade por terem cometido algo que transgrediu a essas legisla\u00e7\u00f5es e normas e, por isso, retiradas do conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro das quest\u00f5es abordadas por Durkheim relacionadas ao crime como fato normal, mas repudi\u00e1vel, causado por fatores sociol\u00f3gicos e n\u00e3o patol\u00f3gicos, percebe-se que as pris\u00f5es deveriam ser locais nos quais os indiv\u00edduos refletissem sobre os delitos cometidos, pensar em pagamento de pena \u00e9 outra discuss\u00e3o muito mais ampla.&nbsp; Principalmente em pa\u00edses como o Brasil nos quais n\u00e3o existe pris\u00e3o perp\u00e9tua e pena de morte esse tempo de reclus\u00e3o do indiv\u00edduo necessita ter por objetivo o seu retorno ao conv\u00edvio social, portanto, a ressocialza\u00e7\u00e3o deve ser o principal objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, conforme explicita Foucault, e outros autores, os sistemas prisionais n\u00e3o conseguem atender a esse princ\u00edpio devido a v\u00e1rios fatores, incluindo a superlota\u00e7\u00e3o e demais condi\u00e7\u00f5es nas quais os indiv\u00edduos s\u00e3o submetidos nesses locais. Essas condi\u00e7\u00f5es fazem com que o cen\u00e1rio prisional acabe se tornando num local de viol\u00eancia com fugas, rebeli\u00f5es, alto consumo de drogas, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Perante esse cen\u00e1rio penitenci\u00e1rio ca\u00f3tico, legisla\u00e7\u00f5es mais incisivas no que se refere aos Direitos Humanos foram criadas e a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal prev\u00ea, legalmente, os direitos dos presos, dentro da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e leis internacionais, inclusive quest\u00f5es como educa\u00e7\u00e3o, trabalho, sa\u00fade e assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios.<\/p>\n\n\n\n<p>Concerne ao presente trabalho o direito a assist\u00eancia religiosa e pelas pesquisas feitas foi poss\u00edvel analisar que a igreja, como institui\u00e7\u00e3o sempre esteve atreladada ao poder do Estado e apesar da laicidade, o entrela\u00e7amento dos poderes \u00e9 uma constante, incluindo o pr\u00f3prio termo penitenci\u00e1ria tem ra\u00edzes na palavra penit\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso a import\u00e2ncia de n\u00e3o se confundir a assist\u00eancia religiosa com igreja sendo observadas as discuss\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o dos conceitos de religi\u00e3o, religiosidade e espiritualidade apresentadas no trabalho, pois a assist\u00eancia religiosa precisa estar relacionada \u00e0 religiosidade e n\u00e3o a determinada denomina\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto pela presente pesquisa verificou-se que a assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios acaba vinculando-se a denomina\u00e7\u00f5es religiosas e as causas sociais que essas representam dentro dos mesmos, seja no aspecto material do que essas oferecem para o detento e ainda para a rela\u00e7\u00e3o que essas conseguem estabelecer entre esses e seus familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim a rela\u00e7\u00e3o apresentada sobre o poder coesivo da religi\u00e3o, enquanto institui\u00e7\u00e3o que trabalha com o objetivo de imbuir no indiv\u00edduo valores intr\u00ednsecos que possibilitem que o mesmo atue dentro de valores sociais, demonstra a fun\u00e7\u00e3o que a assist\u00eancia religiosa tem apresentado nos princ\u00edpios; ao mesmo tempo em que a fun\u00e7\u00e3o coercitiva dos aparelhos ideol\u00f3gicos atua, mesmo que de forma sublinhar com o mesmo objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Associar religi\u00e3o e pris\u00e3o a princ\u00edpio pode parecer contradit\u00f3rio, causando pol\u00eamicas, uma vez que a pris\u00e3o est\u00e1 associada a exclu\u00eddos, \u00e0queles que n\u00e3o se mostraram dignos do conv\u00edvio social, ao passo que a religi\u00e3o muitas vezes associa-se a pureza, santidade; no entanto se considerar-se que uma das fun\u00e7\u00f5es da religi\u00e3o deveria ser auxiliar o resgate da religiosidade dos indiv\u00edduos, auxiliar os que mais necessitam deve ser, sim, um princ\u00edpio religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto discutir a quest\u00e3o da assist\u00eancia religiosa nos pres\u00eddios \u00e9 um princ\u00edpio para que, a religi\u00e3o possa, de fato, atuar dentro de grupos que necessitem de um apoio, mas para isso \u00e9 necess\u00e1rio que o assunto da assist\u00eancia religiosa possa ser mais discutido dentro do Direito com a finalidade de que essa possa estabelecer com os detentos uma rela\u00e7\u00e3o de procura da religiosidade para que esses encontrem nessa um meio de modificarem suas atitudes e ao retornarem ao conv\u00edvio social n\u00e3o pratiquem novos detentos.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso espec\u00edfico do GINTER verificou-se que o grupo foi criado exatamente com a finalidade de atender a uma demanda n\u00e3o atendida pelo Estado e o sistema penitenci\u00e1rio do Estado do Esp\u00edrito Santo, como os demais sistemas brasileiros, passa por grandes dificuldades de gest\u00e3o, at\u00e9 mesmo por conta da omiss\u00e3o e neglig\u00eancia de nossos ilustres Congressistas que depois de 30 anos descobriram que a Pol\u00edcia Penal \u00e9 parte integrante e imprescind\u00edvel na administra\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a Criminal, aprovando a Emenda Constitucional n\u00ba 104\/2019, e dessa forma percebe-se que as respostas dos membros na entrevista demonstram que o grupo atende mais a uma necessidade social que a perspectiva da assist\u00eancia religiosa, apesar da insofism\u00e1vel boa vontade evidente dos membros, profissionais que dignificam a miss\u00e3o de levar conforto e bem-estar ao pr\u00f3ximo, relevando tra\u00e7os de humanismos e fidelidade aos princ\u00edpios crist\u00e3os, coadjuvando, sobremaneira a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica na gest\u00e3o prisional e levando conforto a quem necessita.<\/p>\n\n\n\n<p>Como profissional do campo do Direito e da Seguran\u00e7a P\u00fablica o resultado da pesquisa provoca inquieta\u00e7\u00e3o para que atua\u00e7\u00e3o mais incisiva em busca de pol\u00edticas p\u00fablicas que possam atender as necessidades do sistema penitenci\u00e1rio, que possam efetivamente ser implementadas e a assist\u00eancia religiosa possa assumir o seu papel, n\u00e3o necessitando cobrir lacunas deixadas por obriga\u00e7\u00f5es legais que cabem ao Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Espera-se que essa pesquisa contribua nas discuss\u00f5es sobre o assunto, tanto no \u00e2mbito de outras pesquisas, quanto na busca de uma mudan\u00e7a de finalidade do pr\u00f3prio GINTER, cujo resultado da pesquisa ser\u00e1 apresentado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>ALBERGARIA, Bruno. <em>Hist\u00f3rias do Direito \u2013 Evolu\u00e7\u00e3o das Leis, Fatos e Pensamentos<\/em>. 2\u00aa ed. S\u00e3o Paulo, Atlas, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>ALBUQUERQUE, Rossana Maria Marinho. A acep\u00e7\u00e3o durkheimeana do crime.&nbsp; Olhares plurais. <em>Revista Eletr\u00f4nica Multidisciplinar<\/em>, Vol. 1, N\u00fam. 1, Ano 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>ALTHUSSER, Louis. <em>Aparelhos ideol\u00f3gicos<\/em> de <em>estado<\/em>. Rio de Janeiro: Graal, 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>AMARAL, Cl\u00e1udio do Prado. <em>Pol\u00edticas p\u00fablicas no sistema prisional.<\/em> Belo Horizonte: CAED-UFMG, 2014. v.1.p.16.<\/p>\n\n\n\n<p>AMORIM, Daniela de Lima; COIMBRA, M\u00e1rio; GON\u00c7ALVES, Jos\u00e9 Artur Teixeira. Assist\u00eancia religiosa e suas barreiras: uma leitura \u00e0 luz da LEP e do sistema prisional: <em>INTERMAS<\/em>, Presidente Prudente, v. 15, p. 244-261, nov. 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>ARRIBAS, C\u00e9lia. Pode Bourdieu contribuir para os estudos em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o? <em>Numen<\/em>, Juiz de Fora, v. 15, n. 2, p. 483-513, 2012.<\/p>\n\n\n\n<p>ASSIS, Rafael Damaceno de. A realidade atual do sistema penitenci\u00e1rio brasileiro. <em>Revista CEJ,<\/em> Bras\u00edlia, Ano XI, n. 39, p. 74-78, out.\/dez. 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>BARATTA, Alessandro.&nbsp;<em>Criminologia Cr\u00edtica e Cr\u00edtica do <a href=\"https:\/\/jus.com.br\/tudo\/direito-penal\">Direito Penal<\/a><\/em>. 3\u00ba edi\u00e7\u00e3o. Ed. Revan, Rio de Janeiro, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p>BARROS FILHO, Fernando do Rego; PERES, Luciana. <em>Rela\u00e7\u00e3o das doze t\u00e1buas com o c\u00f3digo civil brasileiro. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/unisantacruz.edu.br\/revistas\/index.php\/JICEX\/article\/view\/1880\">http:\/\/unisantacruz.edu.br\/revistas\/index.php\/JICEX\/article\/view\/1880<\/a>. &nbsp;Acesso em 11 set.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BECCARIA, Cesare. <em>Dos delitos e das penas.<\/em> S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p>BICCA, Alessandro. A honra na rela\u00e7\u00e3o entre detentos crentes e n\u00e3o crentes.<em> Debates do NER<\/em>, Porto Alegre, ano 6, n. 8, p. 87-98, jul.\/dez. 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>BITENCOURT, Cezar Roberto. <em>Tratado de Direito Penal. Parte Geral.<\/em> 16 ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>BITENCOURT, Cezar Roberto. <em>Tratado de direito penal:<\/em> parte geral. Ed. Rev., ampl. E atual. de acordo com a Lei n. <a href=\"http:\/\/www.jusbrasil.com.br\/legislacao\/1030441\/lei-12550-11\">12.550<\/a>, de 2011. \u2013 S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2012.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>BOURDIEU, P. <em>A economia das trocas simb\u00f3licas.<\/em> 5a ed. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal. <strong><em><a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/lei%207.210-1984?OpenDocument\"><strong>LEI N\u00ba 7.210, DE 11 DE JULHO DE 1984.<\/strong><\/a><\/em><\/strong>&nbsp; Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7210.htm.acesso\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l7210.htm.acesso<\/a> em 18 nov.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <em>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil de 1988<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm.%20Acesso%20em:13\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm. Acesso em:13<\/a> mar.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL.&nbsp; <em>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/em> Lei n\u00ba 8.069, de 13 de julho de 1990. Disp\u00f5e sobre o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente e d\u00e1 outras provid\u00eancias. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm.%20Acesso%20em%2003%20mar.2020\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/leis\/l8069.htm. Acesso em 03 mar.2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <strong><em><a href=\"http:\/\/legislacao.planalto.gov.br\/legisla\/legislacao.nsf\/Viw_Identificacao\/DEC%20592-1992?OpenDocument\">Decreto n\u00ba 592, de 06 de julho de 1992.<\/a> <\/em><\/strong>Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1990-1994\/D0592.htm.%20Acesso%20em%2025%20set.2020\">http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto\/1990-1994\/D0592.htm. Acesso em 25 set.2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <em>Decreto n\u00ba 678\/92.<\/em>&nbsp; Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=315848\">https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=315848<\/a>, Acesso em 12 set.2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <em>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba14, de 11 de novembro de 1994.<\/em> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.crpsp.org.br\/interjustica\/pdfs\/regras-minimas-para-tratamento-dos-presos-no-brasil.pdf.%20Acesso%20em%2008%20abr.2020\">http:\/\/www.crpsp.org.br\/interjustica\/pdfs\/regras-minimas-para-tratamento-dos-presos-no-brasil.pdf. Acesso em 08 abr.2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <em>Lei n\u00ba 9.982 de 14 de julho de 2000. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/lei\/2000\/lei-9982-14-julho-2000-360444-publicacaooriginal-1-pl.html.%20Acesso%20em%2011%20nov.2019\">https:\/\/www2.camara.leg.br\/legin\/fed\/lei\/2000\/lei-9982-14-julho-2000-360444-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em 11 nov.2019<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>BRASIL. <em>Lei do Senado 513\/2013. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/115665.%20Acesso%20em%2006%20nov.2019.Acesso\">https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/115665. Acesso em 06 nov.2019.Acesso<\/a> em 11 nov.2019.<\/p>\n\n\n\n<p>BRESSER, Pereira, L. C. <em>Reforma do Estado para a Cidadania:<\/em> a reforma gerencial brasileira na perspectiva internacional. S\u00e3o Paulo\/Bras\u00edlia, Editora 34\/ENAP, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>BRUNO, An\u00edbal. <em>Direito Penal<\/em>. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora Forense,1978.<\/p>\n\n\n\n<p>CALDEIRA, Felipe Machado.&nbsp;&nbsp; A evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, filos\u00f3fica e te\u00f3rica da pena. <em>Revista da EMERJ<\/em>, v. 12, n\u00ba 45, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p>CAMUR\u00c7A, Marcelo. <em>Ci\u00eancias Sociais e Ci\u00eancias da Religi\u00e3o.<\/em> S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p>CAPELLER, Wanda. O Direito pelo avesso: an\u00e1lise do conceito de ressocializa\u00e7\u00e3o. In: Temas IMESC, <em>Soc. Dir. Sa\u00fade.<\/em> S\u00e3o Paulo: n\u00ba2, v.2, p.127-134, 1985.<\/p>\n\n\n\n<p>CNPCP \u2013 Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria. <em>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 14 de 11 de novembro de 1994<\/em>. <a href=\"http:\/\/www.crpsp.org.br\/interjustica\/pdfs\/regras-minimas-para-tratamento-dos-presos-no-brasil.pdf.%20Acesso%20em%2011%20nov.2020\">http:\/\/www.crpsp.org.br\/interjustica\/pdfs\/regras-minimas-para-tratamento-dos-presos-no-brasil.pdf. Acesso em 11 nov.2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>CNPCP \u2013 Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria.&nbsp; <em>Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 08, de 09 de novembro de 2011.<\/em>&nbsp; Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/antigo.depen.gov.br\/DEPEN\/depen\/cnpcp\/resolucoes\/2011\/resolucaono8de09denovembrode2011.pdf\">http:\/\/antigo.depen.gov.br\/DEPEN\/depen\/cnpcp\/resolucoes\/2011\/resolucaono8de09denovembrode2011.pdf<\/a>. Acesso em 11 nov.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>CONDE, Francisco Mu\u00f1oz. <em>Direito Penal e Controle Social. <\/em>Editora Forense.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. <em>Regras de Mandela: Regras M\u00ednimas das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Tratamento de Presos<\/em>. Dispon\u00edvel em:&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.unodc.org\/documents\/justice-and-prison-reform\/Nelson_Mandela_Rules-P-ebook.pdf.%20Acesso%20em%2012%20dez.2019.Acesso\">https:\/\/www.unodc.org\/documents\/justice-and-prison-reform\/Nelson_Mandela_Rules-P-ebook.pdf. Acesso em 12 dez.2019.Acesso<\/a> em 10 jun;2020.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. <em>BANCO DE MONITORAMENTO. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.tjap.jus.br\/portal\/monitoramento-bnmp.html.%20Acesso%20em%2011%20mar.2021\">https:\/\/www.tjap.jus.br\/portal\/monitoramento-bnmp.html. Acesso em 11 mar.2021<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>COMISS\u00c3O INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS.<em> CONVEN\u00c7\u00c3O AMERICANA DE DIREITOS HUMANOS,<\/em> 1969. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.cidh.oas.org\/basicos\/portugues\/c.convencao_americana.htm\">https:\/\/www.cidh.oas.org\/basicos\/portugues\/c.convencao_americana.htm<\/a>. Acesso em 14 juk.2020.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Bruno Moraes; SANTOS, Francisco de Assis Souza. Ressocializa\u00e7\u00e3o mediada pela assist\u00eancia religiosa:direito dos encarcerados no sistema penitenci\u00e1rio. <em>Revista Unitas<\/em>,v.5, n.2(n. especial),2017.<\/p>\n\n\n\n<p>COSTA, Bruno Moraes.&nbsp; <em>Ressocializa\u00e7\u00e3o mediada pela assist\u00eancia religiosa:<\/em> Direito dos encarcerados no sistema penitenci\u00e1rio. (Disserta\u00e7\u00e3o Mestrado Ci\u00eancia das Religi\u00f5es) Vit\u00f3ria: UNIDA, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>COYLE, Andrew. <em>Administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria:<\/em> uma abordagem em direitos humanos. Londres: Internacional Centre for Prision Studies, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>DIAS, Camila Caldeira Nunes. Evang\u00e9licos no c\u00e1rcere: representa\u00e7\u00e3o de um papel desacreditado. <em>Debates do NER<\/em>, Porto Alegre, ano 6, n. 8, p. 39-55, jul.\/dez. 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>DIAS, Alessandro Moreira; AZEREDO, B\u00e1rbara Ahnert. Depress\u00e3o e religiosidade: uma busca pelo equil\u00edbrio farmac\u00eautico e espiritual <em>Revista Unitas<\/em>, v. 8, n. 1, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>DOMINGUES, Jos\u00e9 Maur\u00edcio. <em>Sociologia e Modernidade. Para entender a sociedade contempor\u00e2nea.<\/em> Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira.&nbsp; Rio de Janeiro. 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>DURKHEIM, \u00c9mile. <em>Da Divis\u00e3o do Trabalho Social. <\/em>2\u00aa ed. Martins Fontes. S\u00e3o Paulo, 1999.<\/p>\n\n\n\n<p>DURKHEIM, \u00c9mile.&nbsp; <em>Sociologia.<\/em> Organizador Jos\u00e9 Albertino Rodrigues. Coordenador Florestan Fernandes. 2001. Editora \u00c1tica. S\u00e3o Paulo, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>DURKHEIM, \u00c9mile.&nbsp; <em>Introdu\u00e7\u00e3o ao pensamento sociol\u00f3gico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Centauro, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>DURKHEIM, \u00c9mile.&nbsp;&nbsp; <em>As Formas Elementares da Vida Religiosa.<\/em> S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2003.<\/p>\n\n\n\n<p>DURKHEIM, \u00c9mile.&nbsp; <em>As regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>FERREIRA, Ismael de Vasconcelos. A religi\u00e3o como necessidade social. <em>Revista Cogitationes<\/em>, p.5-17 Vol. III, N\u00ba 7 Juiz de Fora, abr-jul\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel. <em>Microf\u00edsica do poder<\/em>. Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Graal, 1979.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel.&nbsp; Os corpos d\u00f3ceis. In FOUCAULT, M. <em>Vigiar e punir.<\/em> Vassalo. 5\u00aa ed. Petr\u00f3polis. Vozes. 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel. &nbsp;<em>Os anormais<\/em>.S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel. <em>Vigiar e Punir.<\/em> 25\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>FOUCAULT, Michel. <em>O poder psiqui\u00e1trico<\/em> . S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2006.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>FRAAS, H. J. <em>A religiosidade humana:<\/em> comp\u00eandio de psicologia da religi\u00e3o. 2. ed. S\u00e3o Leopoldo: Sinodal, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>FRAGOSO, Heleno Cl\u00e1udio. <em>Li\u00e7\u00f5es de Direito Penal. Parte Geral. <\/em>16\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Editora Forense. P. 343. Rio de Janeiro. 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>GEERTZ, Clifford. <em>A Interpreta\u00e7\u00e3o das Culturas.<\/em> Rio de Janeiro: LTC, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>GON\u00c7ALVES, Jos\u00e9 Artur Teixeira; COIMBRA, Mario; AMORIM, Daniela de Lima. Assist\u00eancia religiosa e suas barreiras: uma leitura \u00e0 luz da LEP e do sistema prisional. <em>Intertemas,<\/em> Presidente Prudente, v. 15, p.244-261. 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. <em>SECRETARIA DO ESTADO DE JUSTI\u00c7A. <\/em>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/sejus.es.gov.br\/grupo-interconfessional.%20Acesso%20em%2028%20mar.2021\">https:\/\/sejus.es.gov.br\/grupo-interconfessional. Acesso em 28 mar.2021<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>GOVERNO DO ESTADO DO ESP\u00cdRITO SANTO. <em>Balan\u00e7o sobre redu\u00e7\u00e3o da criminalidade.<\/em>&nbsp; 2020. Dispon\u00edvel em:&nbsp; <a href=\"https:\/\/www.es.gov.br\/Noticia\/governador-casagrande-apresenta-balanco-sobre-reducao-da-criminalidade-em-2019\">https:\/\/www.es.gov.br\/Noticia\/governador-casagrande-apresenta-balanco-sobre-reducao-da-criminalidade-em-2019<\/a>. Acesso em 13 mar.2021.<\/p>\n\n\n\n<p>GRECO, Rog\u00e9rio. <em>Direitos humanos, sistema prisional e alternativas \u00e0 priva\u00e7\u00e3o de liberdade.<\/em> S\u00e3o Paulo: Saraiva, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>GUERRIERO, Silas. H\u00e1 algo novo no campo das religi\u00f5es: os novos movimentos religiosos. In: BELLOTTI, Karina K.; CAMPOS, Leonildo S.; SILVA, Eliane Moura (Org). <em>Religi\u00e3o e sociedade na Am\u00e9rica Latina.<\/em> S\u00e3o Bernardo do Campo: UMESP, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p>HERKENHOFF, Jo\u00e3o Baptista. <em>Curso de Direitos Humanos<\/em> &#8211; G\u00eanese dos Direitos Humanos. V. 1. S\u00e3o Paulo: Acad\u00eamica, 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>JACOB, Alexandre A convers\u00e3o religiosa como um meio determinante para a sobreviv\u00eancia no c\u00e1rcere. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado) Vit\u00f3ria: Faculdade Unida de Vit\u00f3ria, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00daNIOR, Jos\u00e9 C\u00e9sar Naves de Lima<em>. Manual de Criminologia<\/em>. 2\u00aa ed. 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S\u00e3o Paulo: <em>Revistas dos Tribunais.<\/em> 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>MOLINA, Antonio Garc\u00eda-Pablos. <em>Criminologia:<\/em> introdu\u00e7\u00e3o a seus fundamentos te\u00f3ricos: introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s bases criminol\u00f3gicas da lei 9.099\/95, Lei dos Juizados Especiais Criminais. 4\u00aa ed. revisada, atualizada e ampliada. S\u00e3o Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>MONTE, T\u00e2nia Maria de Carvalho C\u00e2mara. 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A invoca\u00e7\u00e3o do nome de Deus nas Constitui\u00e7\u00f5es Federais Brasileiras: religi\u00e3o, pol\u00edtica e laicidade. Cultura y Religi\u00f3n \u2013<em>Revista de Sociedades en Transici\u00f3n,<\/em> v. VII, n. 2, p. 86-101, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p>RIBEIRO, Jair Aparecido. <em>Liberdade e cumprimento de pena de presos no sistema carcer\u00e1rio Paranaense<\/em>, 2009. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.esedh.pr.gov.br\/modules\/inscrit_quest\/uploads\/8\/22032016100326.%20%20Acesso%20em%2030%20set.2020\">http:\/\/www.esedh.pr.gov.br\/modules\/inscrit_quest\/uploads\/8\/22032016100326.&nbsp; Acesso em 30 set.2020<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>RODRIGUES, Daniel Scapellato Pereira<em>.&nbsp; O papel da religi\u00e3o crist\u00e3 no processo de ressocializa\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo nas institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o coletiva \/A APAC em Te\u00f3filo Otoni.<\/em> (Disserta\u00e7\u00e3o Mestrado).&nbsp; Vit\u00f3ria: Faculdade Unida de Vit\u00f3ria, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p>ROURE, Denise de. Panorama dos Processos de Reabilita\u00e7\u00e3o de presos. <em>Revista Consulex.&nbsp; <\/em>Ano III, n\u00ba 20, Ago. 1998.<\/p>\n\n\n\n<p>SANCHIS, Pierre. A contribui\u00e7\u00e3o de \u00c9mile Durkheim. In: TEIXEIRA, Faustino. <em>Sociologia da religi\u00e3o:<\/em> enfoques te\u00f3ricos. 4. ed. 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