{"id":13942,"date":"2022-01-22T23:43:19","date_gmt":"2022-01-23T02:43:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13942"},"modified":"2022-01-22T23:48:36","modified_gmt":"2022-01-23T02:48:36","slug":"quilombolas-a-representacao-da-historia-tradicao-e-cultura-negra-nos-vales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=13942","title":{"rendered":"Quilombolas: a representa\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, tradi\u00e7\u00e3o, e cultura negra nos Vales"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13943\" width=\"308\" height=\"323\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As comunidades remanescentes de quilombo s\u00e3o representativas de grupos com identidade cultural pr\u00f3pria, que preservam costumes e tradi\u00e7\u00f5es, como marcas da resist\u00eancia \u00e0s distintas formas de domina\u00e7\u00e3o do povo negro, desde os tempos da escravid\u00e3o. Para prote\u00e7\u00e3o dos seus membros, os quilombos ocuparam regi\u00f5es de acesso limitado, como chapadas e grotas, de modo que ficassem distantes das amea\u00e7as dos colonizadores. Desde ent\u00e3o, nesses espa\u00e7os, os quilombolas trocam conhecimentos tradicionais, fortalecendo a religiosidade, difundindo saberes culin\u00e1rios, rodas de conversa e de dan\u00e7a ao som do batuque e muita cantoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na inten\u00e7\u00e3o de provocar o interesse do(a) leitor(a) em conhecer e reconhecer a riqueza cultural que comp\u00f5e as comunidades remanescentes de quilombo instaladas em alguns munic\u00edpios das regi\u00f5es dos Vales do Mucuri e Jequitinhonha, discorro sobre alguns aspectos associados \u00e0 tem\u00e1tica. Embora, nesta curta tira de jornal seja poss\u00edvel apenas jogar luz sobre a quest\u00e3o quilombola, parece-me bastante \u00fatil apresentar-lhes onde est\u00e3o aqueles que preservam a cultura negra nos Vales.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tanto, utilizo algumas refer\u00eancias simb\u00f3licas, dentre elas, a Comiss\u00e3o das Comunidades Quilombolas do Vale do Jequitinhonha, a Coquivale e fragmentos da pesquisa da Doutora Sidimara Cristina dos Santos, desenvolvida sobre a Pol\u00edtica de Assist\u00eancia Social junto \u00e0s Comunidades Remanescentes de Quilombo do Vale do Mucuri.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme pontuou na tese, a Dra. Sidimara lembrou que foi com a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 que se tornou vis\u00edvel esse novo grupo social. Trata-se da inser\u00e7\u00e3o do artigo 68 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias (ADCT), que representou o primeiro dispositivo legal que conferiu [&#8230;] direitos de propriedade da terra e criou uma nomenclatura para as comunidades negras ao grafar o termo remanescente de quilombo\u201d. Amparada pelos artigos 215 e 216, que [&#8230;] resguardam o direito \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es culturais da popula\u00e7\u00e3o afro, ind\u00edgena e demais grupos, valorizando o multiculturalismo popular\u201d. (SANTOS, 2021, p.46).<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, no ano de 2003, foi institu\u00eddo o Decreto n\u00ba 4.887, que regulamenta o procedimento para identifica\u00e7\u00e3o, reconhecimento, delimita\u00e7\u00e3o, demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos que, s\u00e3o considerados como \u201c[&#8230;] grupos \u00e9tnico-raciais, segundo crit\u00e9rios de autoatribui\u00e7\u00e3o, com trajet\u00f3ria hist\u00f3rica pr\u00f3pria, dotados de rela\u00e7\u00f5es territoriais espec\u00edficas, com presun\u00e7\u00e3o de ancestralidade negra relacionada com a resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o hist\u00f3rica sofrida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, com previs\u00e3o em Lei, os desafios dos membros dessas comunidades refletem a perman\u00eancia, no imagin\u00e1rio popular, especialmente por parte dos mun\u00edcipes que partilham de espa\u00e7os de sociabilidade comuns, a constru\u00e7\u00e3o de significados deturpados sobre as tradi\u00e7\u00f5es e a cultura quilombola e negra. As posturas relacionadas a uma esp\u00e9cie de \u201cestranhamento\u201d que se d\u00e1, envolve, n\u00e3o raro, discrimina\u00e7\u00e3o. Para a minimiza\u00e7\u00e3o disso, faz-se necess\u00e1rio conhecer sobre a hist\u00f3ria daqueles que marcaram a forma\u00e7\u00e3o dos povos desse territ\u00f3rio e suas manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Segundo informa\u00e7\u00e3o da Secretaria Especial do Desenvolvimento Social, algumas fontes estimam que podem chegar ao n\u00famero de 5 mil comunidades quilombolas no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste modo, tratei de sinalizar quais s\u00e3o as comunidades tradicionais remanescentes de quilombo que se fazem presentes nos Vales do Mucuri e Jequitinhonha. Segundo levantamento da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, o Vale do Jequitinhonha concentra o maior n\u00famero de comunidades quilombolas do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong> SOUZA, Sidimara Cristina de. A Pol\u00edtica de Assist\u00eancia Social Junto \u00e0s comunidades Remanescentes de Quilombo do Vale do Mucuri \u2013 MG. [Tese de doutorado]. Programa de Estudos P\u00f3s Graduados em Servi\u00e7o Social. Universidade Federal Fluminense, Niter\u00f3i, 2021, pp. 262; COQUIVALE, 2016.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/88c038cb-93c6-4521-89d9-1de01430875d.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13945\" width=\"462\" height=\"926\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/88c038cb-93c6-4521-89d9-1de01430875d.jpg 370w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/88c038cb-93c6-4521-89d9-1de01430875d-150x300.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/88c038cb-93c6-4521-89d9-1de01430875d-210x420.jpg 210w\" sizes=\"(max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As comunidades remanescentes de quilombo s\u00e3o representativas de grupos com identidade cultural pr\u00f3pria, que preservam costumes e tradi\u00e7\u00f5es, como marcas da resist\u00eancia \u00e0s distintas formas de domina\u00e7\u00e3o do povo negro, desde os tempos da escravid\u00e3o. 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