{"id":1400,"date":"2020-07-10T21:29:30","date_gmt":"2020-07-11T00:29:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=1400"},"modified":"2020-07-10T21:33:08","modified_gmt":"2020-07-11T00:33:08","slug":"sessenta-e-poucos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=1400","title":{"rendered":"Sessenta e poucos&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1401\" width=\"269\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-1.jpg 634w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-1-234x300.jpg 234w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-1-328x420.jpg 328w\" sizes=\"(max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><figcaption><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves &#8211; Pedagogo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um saudoso amigo meu l\u00e1 de Encruzilhada, quase um distrito de Coroaci, tinha uma particularidade interessante: aumentava a pr\u00f3pria idade. De certa feita, completou cinquenta anos, mas se algu\u00e9m lhe perguntava quantos anos tinha, ele nem titubeava e respondia de bate e pronto: sessenta! Assim, ele conseguia a admira\u00e7\u00e3o das pessoas. Seu Zarurzinho, o senhor com essa idade e aparentando t\u00e3o menos! Qual o seu segredo? O que o senhor come? Quantas horas dorme? Que h\u00e1bitos adota para se manter t\u00e3o conservado?<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sorria matreiro e dizia que leva uma vida normal: trabalhava, comia tudo, dormia o necess\u00e1rio, bebia vez ou outra uma pur\u00edssima aguardente vinda l\u00e1 do Mono \u2013 zona rural de Coroaci, namorava a esposa Tereza, enfim, dizia fazer um pouco de tudo. Com isso, ele arrancava suspiros e curtia seus minutos de gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu saudoso amigo Zoroastro Guedes de Medeiros \u201cZarurzinho\u201d fazia o contr\u00e1rio de muitos que costumam diminuir a idade para parecer mais jovens. No caso desses, o efeito \u00e9 o oposto do conseguido por meu amigo. Pensa-se, mas n\u00e3o se diz: s\u00f3 tem cinquenta e cinco anos, mas aparenta sessenta e cinco&#8230; O que fez para envelhecer tanto? \u00c9 a pergunta que ficava no ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutros tempos, meu tamb\u00e9m saudoso amigo l\u00e1 em Coroaci, Jos\u00e9 Ferreira de Oliveira \u2013 alcunhado \u201cDuca do Sodi\u201d e tamb\u00e9m de dona Elzita, perguntou-me como \u00e9 fazer 55 anos. Disse-lhe, \u00e0 \u00e9poca, que n\u00e3o do\u00eda nada e que \u00e9 o mesmo que se fazer 30, 40, 50, 60. Tratava-se apenas de uma conting\u00eancia do fato de se estar vivo. Ele apenas sorria. Envelhecer, meu amigo, \u00e9 a coisa mais natural do mundo. Nada h\u00e1 de assombroso nisso.<\/p>\n\n\n\n<p>De minha parte, fa\u00e7o quest\u00e3o de alardear meus sessenta e poucos, quase setenta \u00e9 bem verdade. Acho esquisito algu\u00e9m negar o tanto que viveu. \u00c9 como se estivesse renunciando a parte de sua hist\u00f3ria, de suas experi\u00eancias, de seu conhecimento, atributos que levaram anos para ser conquistados em troca de uma impress\u00e3o alheia insustent\u00e1vel. Em vez de admira\u00e7\u00e3o, colhe-se decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que existem pessoas bem cuidadas que conseguem adiar o desgaste dos anos. Uma figura de setenta com apar\u00eancia de sessenta. Conhe\u00e7o algumas! Por certo, elas nos t\u00eam a ensinar. Provavelmente vivem de bem com a vida e n\u00e3o devem se incomodar em revelar a idade. At\u00e9 porque, diante do espelho, implac\u00e1vel marcador do tempo, fica dif\u00edcil esquecer o quanto se viveu.<\/p>\n\n\n\n<p>E como se lida com isso? Cada um da sua maneira. Meu saudoso amigo Zarurzinho \u2013 que se vivo fosse, que o diga!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o colunista<\/strong>: An\u00edbal Gon\u00e7alves \u00e9 pedagogo, graduado em Administra\u00e7\u00e3o Escolar, ex-diretor da Escola Estadual de Coroaci &#8211; MG [hoje Dona Sinhaninha Gon\u00e7alves] e professor de Filosofia, Sociologia e Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Foi chefe do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cooperativista da CLTO. Atualmente, jornalista e radialista da 98 FM (Te\u00f3filo Otoni) e colunista deste Di\u00e1rio Tribuna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um saudoso amigo meu l\u00e1 de Encruzilhada, quase um distrito de Coroaci, tinha uma particularidade interessante: aumentava a pr\u00f3pria idade. De certa feita, completou cinquenta anos, mas se algu\u00e9m lhe perguntava quantos anos tinha, ele nem titubeava e respondia de bate e pronto: sessenta! Assim, ele conseguia a admira\u00e7\u00e3o das pessoas. 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