{"id":14043,"date":"2022-01-31T09:23:55","date_gmt":"2022-01-31T12:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14043"},"modified":"2022-01-31T09:23:58","modified_gmt":"2022-01-31T12:23:58","slug":"intolerancia-religiosa-o-desconhecimento-cultural-que-resulta-discriminacao-sobre-religioes-de-matriz-africana-como-candomble-e-umbanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14043","title":{"rendered":"Intoler\u00e2ncia Religiosa: o desconhecimento cultural que resulta discrimina\u00e7\u00e3o sobre religi\u00f5es de matriz africana como Candombl\u00e9 e Umbanda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14044\" width=\"331\" height=\"347\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-3.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-3-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Juliana-3-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 331px) 100vw, 331px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<br>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Oradia-Porciuncula.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14046\" width=\"517\" height=\"517\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Oradia-Porciuncula.jpg 576w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Oradia-Porciuncula-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Oradia-Porciuncula-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Oradia-Porciuncula-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 517px) 100vw, 517px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O conhecimento liberta e o desconhecimento aprisiona. \u00c9 o que me parece adequado sugerir, mesmo que de forma breve, sobre a intoler\u00e2ncia religiosa que nos cerca. A religi\u00e3o \u00e9 pauta de conflitos em todo o mundo e no caso brasileiro, n\u00e3o \u00e9 diferente. Membros de algumas religi\u00f5es, principalmente, de matriz africana, como Candombl\u00e9 e Umbanda, t\u00eam sido estereotipados e desrespeitados em raz\u00e3o da falta de conhecimento popular sobre outras culturas. Aquelas, que ganharam pouco ou nenhum espa\u00e7o durante as aulas de hist\u00f3ria ministradas nas escolas \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores ao ano de 2003, quando foi promulgada a Lei n\u00ba 10.639, que estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de \u201chist\u00f3ria e cultura afro-brasileira\u201d nas grades curriculares dos ensinos fundamental e m\u00e9dio do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima semana, aceitei o convite de uma pessoa conhecida para participar de uma celebra\u00e7\u00e3o religiosa em um espa\u00e7o do Candombl\u00e9. Em que pese ser crist\u00e3, procuro n\u00e3o me limitar a conhecer apenas as bases do cristianismo, assim como apresentado a mim por meus familiares. Explorar o que me parece pouco ou nada pr\u00f3ximo culturalmente abre portas para novas descobertas e isso me cativa. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, a semana em que conheci parte dos rituais daquele templo religioso foi a semana do combate \u00e0 Intoler\u00e2ncia Religiosa. E se o dia 21 de janeiro \u00e9 lembrado assim, \u00e9 porque a intoler\u00e2ncia persiste nesse pa\u00eds predominantemente crist\u00e3o e que se inscreveu em sua Carta Magna como Estado Laico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma breve pesquisa sobre o assunto levantei que as religi\u00f5es mais afetadas pela \u201cintoler\u00e2ncia\u201d s\u00e3o as de matriz africana, reconhecidas no Brasil, especialmente, como Candombl\u00e9 e Umbanda. Antes de expor como as religi\u00f5es est\u00e3o espalhadas pelo Brasil, levanto uma outra quest\u00e3o. Kabengele Munanga, ao discorrer uma apresenta\u00e7\u00e3o em um livro publicado em 2020 \u2013 Racismo religioso em escolas da Bahia: autoafirma\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o de crian\u00e7as e jovens de terreiro \u2013, considerou \u201cimpr\u00f3prias as palavras tolerar e intolerar, pois ningu\u00e9m luta, trabalha e constr\u00f3i para ser tolerado por outro, mas no m\u00ednimo, para ser respeitado e tratado igualmente em termos de direitos humanos fundamentais, entre os quais se inclui a liberdade de cren\u00e7as, cultos e religi\u00f5es. O que as religi\u00f5es de matriz africana vivem no Brasil, hoje, n\u00e3o \u00e9 a intoler\u00e2ncia em si. \u00c9 uma discrimina\u00e7\u00e3o racial embutida no racismo \u00e0 brasileira e que visa sua elimina\u00e7\u00e3o total do universo religioso brasileiro, que \u00e9 por defini\u00e7\u00e3o, plural\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, confesso, conhe\u00e7o algumas pessoas de religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s, ou mesmo, adeptas ao ate\u00edsmo, que n\u00e3o se sentem \u00e0 vontade para professar o que acreditam em raz\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o que ronda o tema. Assim, se de um lado cultuam abertamente o formato de espiritualidade que os move, enfrentando toda a intoler\u00e2ncia que esse \u201cdireito\u201d os concede, por outro, est\u00e3o sujeitos a viverem em plena priva\u00e7\u00e3o de liberdade religiosa, quando para isso acontecer, exige-se simbolicamente, que sua cren\u00e7a fica em segredo.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ivanir dos Santos, Babala\u00f4 e Doutor em Hist\u00f3ria, a in\u00e9rcia do poder p\u00fablico, por meio da n\u00e3o resposta do Estado \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra pessoas e diante da recorrente destrui\u00e7\u00e3o de objetos em centros e terreiros, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o expl\u00edcita do racismo institucional. A situa\u00e7\u00e3o, provavelmente, seria diferente se a casa violada fosse outro templo religioso, como por exemplo, uma sinagoga (religi\u00e3o judaica). O discurso de Ivanir \u00e9 refor\u00e7ado por Alexandre Cabral, pastor e doutor em filosofia, que acrescentou que o \u00f3dio \u00e9 uma experi\u00eancia estrutural e que quando vozes negras se levantaram, alguns grupos manifestaram-se contra e com fervor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/565bdba8-d861-4d09-a995-99b82899788b-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14048\" width=\"721\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/565bdba8-d861-4d09-a995-99b82899788b-2.jpg 569w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/565bdba8-d861-4d09-a995-99b82899788b-2-300x118.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Como o Censo Demogr\u00e1fico 2020 n\u00e3o aconteceu, tomei como refer\u00eancia os dados da derradeira pesquisa, realizada no ano de 2010. Os \u00faltimos censos d\u00e3o conta de que, o Brasil, a cada d\u00e9cada, est\u00e1 reduzindo o seu percentual de cat\u00f3licos, que foi uma marca do pa\u00eds por muito tempo. Isso porque, na d\u00e9cada de 1950, a filia\u00e7\u00e3o religiosa ao catolicismo somava 94,50%; seguindo em ligeiras quedas: 1960, 93%; 1970, 91,8%; 1980, 89,2%; 1991; 83,3%; 2000, 73,9%; e 2010, 64,6%. Por outro lado, sobre a filia\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, houve um salto: 1950, 3,4%; 1960, 4%; 1970, 5,2%; 1980, 6,6%; 1991, 9%; 2000, 15,4%; e 2010, 22,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano de 2010, os cat\u00f3licos passavam dos 123 milh\u00f5es, os evang\u00e9licos, mais de 42 milh\u00f5es e os sem religi\u00e3o, somavam mais de 15 milh\u00f5es de declarantes. Na tabela, \u00e9 poss\u00edvel verificar onde est\u00e3o concentradas as filia\u00e7\u00f5es religiosas no Brasil. E ao contr\u00e1rio do que o senso comum percebe, as religi\u00f5es de matriz africana n\u00e3o se concentram no estado da Bahia, mas sim, est\u00e3o predominantemente nos estados do Rio Grande do Sul (Umbanda) e Rio de Janeiro (Candombl\u00e9).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desses destaques, as religi\u00f5es de matriz africana est\u00e3o espalhadas pelo pa\u00eds, uma vez que fazem parte da hist\u00f3ria brasileira, mesmo que nem sempre, respeitadas na sua singularidade. Noto, pelo que testemunho no dia a dia, que o desconhecimento cultural resulta em discrimina\u00e7\u00e3o contra membros de religi\u00f5es de matriz africana como o Candombl\u00e9 e a Umbanda, e na era do acesso virtual \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 o que deveria ser intoler\u00e1vel. <strong>Desenho: Or\u00e1dia Porci\u00fancula. Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>V\u00eddeo:<\/strong> Intoler\u00e2ncia Religiosa em 2019 | Conex\u00e3o | Canal Futura.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/youtube\/wVHrYGhuM0U\">https:\/\/youtube\/wVHrYGhuM0U<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/confins\/7785?lang=pt\">https:\/\/journals.openedition.org\/confins\/7785?lang=pt<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>MUNANGA, K. Apresenta\u00e7\u00e3o. In: CIRNE, A. Racismo religioso em escolas da Bahia: autoafirma\u00e7\u00e3o e inclus\u00e3o de crian\u00e7as e jovens de terreiro [online]. Ilh\u00e9us, BA: Editus, 2020, pp. 17- 23. Transflu\u00eancia series. ISBN: 978-65-86213-16-4. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.7476\/9786586213294.0001.\">https:\/\/doi.org\/10.7476\/9786586213294.0001.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Brand\u00e3o, A.A.P.; JORGE, A.L. \u201cA recente fragmenta\u00e7\u00e3o do campo religioso no Brasil: em busca de explica\u00e7\u00f5es\u201d. Revista de Estudios Sociales 69: 79-90, 2019. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.%207440\/res69.2019.07\">https:\/\/doi.org\/10. 7440\/res69.2019.07<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conhecimento liberta e o desconhecimento aprisiona. \u00c9 o que me parece adequado sugerir, mesmo que de forma breve, sobre a intoler\u00e2ncia religiosa que nos cerca. A religi\u00e3o \u00e9 pauta de conflitos em todo o mundo e no caso brasileiro, n\u00e3o \u00e9 diferente. 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