{"id":14066,"date":"2022-02-01T14:35:35","date_gmt":"2022-02-01T17:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14066"},"modified":"2022-02-01T16:21:39","modified_gmt":"2022-02-01T19:21:39","slug":"o-que-restou-da-rua-das-flores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14066","title":{"rendered":"O que restou da Rua das Flores?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Marcio-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14082\" width=\"450\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Marcio-1.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Marcio-1-300x274.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/Marcio-1-460x420.jpg 460w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><figcaption><strong> <strong>M\u00e1rcio Achtschin Santos, PhD em hist\u00f3ria pela UFMG<\/strong> <\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"699\" height=\"445\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14081\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-1.jpg 699w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-1-300x191.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-1-696x443.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/1-1-660x420.jpg 660w\" sizes=\"(max-width: 699px) 100vw, 699px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong> <strong>Rua das Flores, in\u00edcio do s\u00e9culo XX (Acervo: Fany Moreira\/MUVIM)<\/strong><\/strong><\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"434\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1.png\" alt=\"\" data-id=\"14078\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1.png\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=14078\" class=\"wp-image-14078\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1.png 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1-300x186.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1-356x220.png 356w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1-696x432.png 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4-1-677x420.png 677w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"600\" height=\"421\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-1.jpg\" alt=\"\" data-id=\"14079\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-1.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=14079\" class=\"wp-image-14079\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-1.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-1-300x211.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/2-1-100x70.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"398\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-1.png\" alt=\"\" data-id=\"14080\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-1.png\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=14080\" class=\"wp-image-14080\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-1.png 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/3-1-300x184.png 300w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>Patrim\u00f4nios recentes demolidos, Rua das Flores (Registros fotogr\u00e1ficos: M\u00e1rcio Achtschin Santos)<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 claro que a bola da vez do mercado imobili\u00e1rio em Te\u00f3filo Otoni \u00e9 a Rua Doutor Manoel Esteves. Foram muitos os patrim\u00f4nios demolidos em um curt\u00edssimo per\u00edodo de tempo nesta regi\u00e3o. As avenidas Get\u00falio Vargas e Francisco S\u00e1 j\u00e1 passaram por esse processo. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o site do Museu Virtual Vale do Mucuri (MUVIM), a Rua Doutor Manoel Esteves \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como \u201c[&#8230;] Rua das Flores, romantizada com esse nome pela refer\u00eancia \u00e0 beleza de moradoras do local. A movimentada via ficava paralela \u00e0 linha f\u00e9rrea, onde se misturavam imponentes sobrados residenciais da popula\u00e7\u00e3o de maior posse coexistindo com hospedagens, caso das pens\u00f5es Gl\u00f3ria e Carmen, e o Hotel Rex\u201d. Hot\u00e9is, pens\u00f5es e sobrados agora s\u00e3o entulhos. Mas, o que incomoda nesse cen\u00e1rio, tanto quanto o passado no ch\u00e3o, \u00e9 o sil\u00eancio da comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria do Vale do Mucuri foi marcada pela destrui\u00e7\u00e3o. Intensificada a ocupa\u00e7\u00e3o ao longo dos anos de mil e oitocentos, o nordeste mineiro se formou a partir de um discurso civilizat\u00f3rio e progressista. O roteiro era destruir a mata e tudo que nela existia. O desmatamento, seguido do plantio e do pasto, tornou-se a regra. Essa explora\u00e7\u00e3o foi a base da economia da regi\u00e3o e estendeu-se por mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n\n\n\n<p>A estrutura produtiva rural mucuriense foi extremamente lucrativa para alguns, pois era realizada por uma m\u00e3o-de-obra de custo baix\u00edssimo, o agregado. Somado a esse fator, com a abund\u00e2ncia das matas, a explora\u00e7\u00e3o era exclusivamente predat\u00f3ria. Como consequ\u00eancia desse modelo, n\u00e3o houve est\u00edmulo para investimentos tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultou da\u00ed o dilema vivido pela elite do Vale do Mucuri e que repercutiu tragicamente em nossa forma\u00e7\u00e3o: sair do atraso e chegar \u00e0 modernidade capitalista, mas sem abrir m\u00e3o dessa matriz explorat\u00f3ria. Desse impasse n\u00e3o resolvido, a cultura predat\u00f3ria foi a grande heran\u00e7a. Se h\u00e1 uma caracter\u00edstica cultural comum no Vale do Mucuri, esta \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o em ter viva sua mem\u00f3ria. Rejeitamos qualquer ind\u00edcio que nos remete \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o se traduziu em a\u00e7\u00f5es de aniquila\u00e7\u00f5es permanentes dos patrim\u00f4nios hist\u00f3ricos. Entre os atos mais recentes, pode-se destacar a fazenda Monte Cristo, onde foi planejada a cidade que viria a ser Te\u00f3filo Otoni. Constru\u00edda em meados do s\u00e9culo XIX, o casar\u00e3o foi destru\u00eddo sem qualquer manifesta\u00e7\u00e3o da comunidade. Tamb\u00e9m o Cine Pal\u00e1cio, que \u00e0 \u00e9poca de sua demoli\u00e7\u00e3o era a maior sala de cinema em funcionamento da Am\u00e9rica Latina, desapareceu diante da indiferen\u00e7a dos te\u00f3filo-otonenses. Resulta da\u00ed que na cidade, de quase 170 anos, inexiste em seu espa\u00e7o urbano um patrim\u00f4nio sequer datado do s\u00e9culo XIX com suas caracter\u00edsticas originais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um engano acreditar que preservar a mem\u00f3ria \u00e9 mero saudosismo. Ainda que paradoxal, uma comunidade que n\u00e3o tem uma refer\u00eancia do seu passado n\u00e3o vai conseguir construir o seu futuro. Como consequ\u00eancia desse modelo predat\u00f3rio, atualmente o Mucuri \u00e9 a regi\u00e3o mais empobrecida de Minas Gerais. E um dos fatores determinantes para essa condi\u00e7\u00e3o est\u00e1 exatamente na aus\u00eancia do sentimento de pertencimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem um reconhecimento de sua identidade, o processo de destrui\u00e7\u00e3o foi at\u00e9 aqui a grande marca identit\u00e1ria mucuriense. E isso reflete, inclusive, na falta de projetos pol\u00edticos que se aproximem da realidade regional. Concluindo, destaco novamente as informa\u00e7\u00f5es do MUVIM, que apontam para a import\u00e2ncia da conserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria: \u201cResgatar as origens dos que constru\u00edram o Vale do Mucuri \u00e9 uma forma n\u00e3o apenas de preservar sua identidade cultural, mas tamb\u00e9m encontrar nesse processo mecanismos para o desenvolvimento da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rua das Flores, in\u00edcio do s\u00e9culo XX (Acervo: Fany Moreira\/MUVIM) Patrim\u00f4nios recentes demolidos, Rua das Flores (Registros fotogr\u00e1ficos: M\u00e1rcio Achtschin Santos) Est\u00e1 claro que a bola da vez do mercado imobili\u00e1rio em Te\u00f3filo Otoni \u00e9 a Rua Doutor Manoel Esteves. Foram muitos os patrim\u00f4nios demolidos em um curt\u00edssimo per\u00edodo de tempo nesta regi\u00e3o. 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