{"id":14277,"date":"2022-02-20T00:33:56","date_gmt":"2022-02-20T03:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14277"},"modified":"2022-02-20T01:04:48","modified_gmt":"2022-02-20T04:04:48","slug":"mulheres-em-cumprimento-de-penas-privativas-de-liberdade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=14277","title":{"rendered":"Mulheres em cumprimento de penas privativas de liberdade no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><strong><strong>As Regras de Bangkok e a promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos<\/strong><\/strong><\/h1>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14278\" width=\"597\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb-300x228.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb-696x529.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/8cd76082-d3f5-4775-83f7-e83fee7cf0eb-553x420.jpg 553w\" sizes=\"(max-width: 597px) 100vw, 597px\" \/><figcaption><strong><strong>Jeferson Botelho Pereira &#8211; <\/strong>Professor de Direito Penal e Processo Penal.<\/strong><br><strong>Especializa\u00e7\u00e3o em Combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, Antiterrorismo e combate ao<\/strong><br><strong>crime organizado pela Universidade de Salamanca &#8211; Espanha. Mestrando<\/strong><br><strong>em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es pela Faculdade Unida de Vit\u00f3ria\/ES. Advogado<\/strong><br><strong>e autor de obras jur\u00eddicas. Palestrante.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Por fim, coloca-se uma bifurca\u00e7\u00e3o na sua frente. De um lado, a estrada no bem, voc\u00ea pode trilhar por ela e colher os benef\u00edcios de sua decis\u00e3o, do seu processo de escolha. De outro lado, o caminho do mal, da ruptura, da trucul\u00eancia e da maldade. Se fizer a op\u00e7\u00e3o por esse caminho torto, o seu corpo sofrer\u00e1, e como bem asseverou a dra. Tatiana Telles, m\u00e9dica-legista e Secret\u00e1ria Executiva de Seguran\u00e7a P\u00fablica em Minas Gerais, <em>\u201ca dor e o sofrimento do corpo a gente n\u00e3o tem o pleno dom\u00ednio, mas posso dominar minha alma e minha mente a ponto de minimizar o sofrimento da vida\u201d. Assim, nessa encruzilhada da vida, domine a sua mente e fa\u00e7a a escolha pelo caminho do bem e colher\u00e1s bons frutos.<\/em><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>RESUMO:<\/strong> O presente ensaio tem por fim colimado analisar a evolu\u00e7\u00e3o normativa acerca do cumprimento da penas privativas de liberdade de mulheres em estabelecimentos penais do Brasil, com perfil de conformidade com as normas de direitos humanos, notadamente em estrita obedi\u00eancia com determina\u00e7\u00f5es emanadas das Regras de Bangkok evidentemente, sem car\u00e1ter exauriente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-Chave:<\/strong> Pris\u00e3o; mulheres; direitos; garantias; humanos; Bangkok; regras; dignidade; necessidade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>A vida \u00e9 um misto de evolu\u00e7\u00e3o e retrocessos. A hist\u00f3ria vai sendo constru\u00edda de acordo com a evolu\u00e7\u00e3o dos tempos. Com o passar dos dias e com a experi\u00eancia acumulada, apreende-se a conviver em sociedade com comportamentos, deslizes, adapta\u00e7\u00f5es em culturas diferentes, num processo de acultura\u00e7\u00e3o. Aprende-se com a trope\u00e7os e trai\u00e7\u00f5es, com as perf\u00eddias, deslealdade, desvios alheios, hipocrisia, manifesta\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias, ingratid\u00e3o, e esse sem n\u00famero de sentimentos e vaz\u00e3o do comportamento humano t\u00eam o cond\u00e3o de polir a conduta das pessoas, e aprimorar o car\u00e1ter, desenvolvendo a\u00e7\u00f5es virtuosas, de fortalecimento da autoestima para continuar focado em atividades agregadoras, e \u00e0s vezes se desviando para o caminho do mal ou do abismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Avan\u00e7os existem, mas \u00e9 claro que essa evolu\u00e7\u00e3o deve estar sempre em constante movimento em face das muta\u00e7\u00f5es, adapta\u00e7\u00f5es e modas, inven\u00e7\u00f5es, velocidade da tecnologia, servindo a Ci\u00eancia Jur\u00eddica como instrumento vi\u00e1vel para disciplinar as rela\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nesse emaranhado de sentimentos e rea\u00e7\u00f5es surgem as viola\u00e7\u00f5es graves e relevantes para o Direito Penal e para outros ramos da ci\u00eancia jur\u00eddica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E \u00e9 a\u00ed que mora o perigo. Toda infra\u00e7\u00e3o cometida surge para o Estado o poder de punir o agressor das normas justamente para restaurar a paz quebrada. O crime, como fen\u00f4meno social, pode ser praticado por qualquer pessoa, independente de sexo, classe social, cor, proced\u00eancia nacional, etnia, nascendo para o Estado como se disse o dever de punir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando praticado por mulher e comprovada a culpabilidade, chega-se o momento de cumprimento de penas, existindo in\u00fameras normas de vig\u00eancia e aplica\u00e7\u00e3o, tema que ser\u00e1 desenvolvido doravante.<\/em> O Conselho Nacional de Justi\u00e7a, considerando a s\u00e9rie Tratados Internacionais de Direitos Humanos trouxe em 2006, as Regras das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas n\u00e3o privativas de liberdade para mulheres infratoras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Logo na apresenta\u00e7\u00e3o dos trabalhos chama-se a aten\u00e7\u00e3o para este fen\u00f4meno das mulheres privativas de liberdade<em>, in verbis:<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O aprisionamento de mulheres \u00e9 um fen\u00f4meno que tem aumentado significativamente no Brasil nas \u00faltimas d\u00e9cadas, trazendo impacto para as pol\u00edticas de seguran\u00e7a, administra\u00e7\u00e3o penitenci\u00e1ria, assim como para as pol\u00edticas espec\u00edficas de combate \u00e0 desigualdade de g\u00eanero. Essa problem\u00e1tica vem chamando a aten\u00e7\u00e3o de diversos atores estatais e da sociedade civil, o que tem levado a uma intensa produ\u00e7\u00e3o normativa, de pesquisas e debates, assim como de dados oficiais para jogar luz sobre essa realidade tradicionalmente negligenciada. 1 Segundo os \u00faltimos dados de junho de 2014, publicados em 2015 no \u201cLevantamento Nacional de Informa\u00e7\u00f5es Penitenci\u00e1rias \u2013 INFOPEN Mulheres \u2013 Junho de 2014\u201d, o Brasil conta com uma popula\u00e7\u00e3o prisional de 607.731 pessoas (Sistema Penitenci\u00e1rio, Secretarias de Seguran\u00e7a e carceragens de delegacias), dentre as quais 579.7811 est\u00e3o custodiadas no Sistema Penitenci\u00e1rio. Deste total, 37.380 s\u00e3o mulheres e 542.401 homens. No per\u00edodo de 2000 a 2014 o aumento da popula\u00e7\u00e3o feminina foi de 567,4%, enquanto a m\u00e9dia de crescimento masculino, no mesmo per\u00edodo, foi de 220,20%, refletindo, assim, a curva ascendente do encarceramento em massa de mulheres. O encarceramento de mulheres merece destaque. As mulheres em situa\u00e7\u00e3o de pris\u00e3o t\u00eam demandas e necessidades muito espec\u00edficas, o que n\u00e3o raro \u00e9 agravado por hist\u00f3ricos de viol\u00eancia familiar e condi\u00e7\u00f5es como a maternidade, a nacionalidade estrangeira, a perda financeira ou o uso de drogas. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel desprezar, nesse cen\u00e1rio, a distin\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos e rela\u00e7\u00f5es familiares estabelecidos pelas mulheres, bem como sua forma de envolvimento com o crime, quando comparados com a popula\u00e7\u00e3o masculina, o que repercute de forma direta as condi\u00e7\u00f5es de encarceramento a que est\u00e3o submetidas. Historicamente, a \u00f3tica masculina tem sido tomada como regra para o contexto prisional, com preval\u00eancia de servi\u00e7os e pol\u00edticas penais direcionados para homens, deixando em segundo plano as diversidades que compreendem a realidade prisional feminina, que se relacionam com sua ra\u00e7a e etnia, idade, defici\u00eancia, orienta\u00e7\u00e3o sexual, identidade de g\u00eanero, nacionalidade, situa\u00e7\u00e3o de gesta\u00e7\u00e3o e maternidade, entre tantas outras nuan\u00e7as. H\u00e1 grande defici\u00eancia de dados e indicadores sobre o perfil de mulheres em priva\u00e7\u00e3o de liberdade nos bancos de dados oficiais governamentais, o que contribui para a invisibilidade das necessidades dessas pessoas.<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O cumprimento de pena em estabelecimentos penais no Brasil obedece a uma sequ\u00eancia de normas, desde o Brasil Imperial at\u00e9 os dias hodiernos. \u00c9 claro que a pena privativa de liberdade foi uma conquista da sociedade, que antes tinha que conviver com a possibilidade de cumprimento de penais corporais, castigos f\u00edsicos e outras penas de car\u00e1ter cruel.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><em><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> Conselho Nacional de Justi\u00e7a. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/documento-regras-de-bangkok.pdf\">https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/documento-regras-de-bangkok.pdf<\/a>. Acesso em 16 de fevereiro de 2022<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O C\u00f3digo Criminal de 1830, \u00e0 guisa de exemplos, tinha a previs\u00e3o de pena de morte e penas de car\u00e1ter perp\u00e9tuo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, este C\u00f3digo Criminal de 16 de dezembro de 1830, j\u00e1 em seus primeiros artigos tinham preceitos de legalidade, e logo no artigo 1\u00ba previa que n\u00e3o haver\u00e1 crime ou delito, sem uma lei anterior que o qualificasse, o famoso princ\u00edpio do <strong>nullum crimen,&nbsp;nulla poena sine&nbsp;praevia&nbsp;lege, <\/strong>hoje previsto no artigo 1\u00ba do C\u00f3digo Penal de 1940 e repetido no artigo 5\u00ba, inciso XXXIX da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, com a cl\u00e1usula do n\u00e3o h\u00e1 crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem pr\u00e9via comina\u00e7\u00e3o legal.<\/p>\n\n\n\n<p>A pena de morte era detalhada a partir do artigo 38, que logo informava ser essa pena dada na forca. Dizia que a pena de morte d<a><\/a>epois que se tiver tornado irrevog\u00e1vel a senten\u00e7a, seria executada no dia seguinte ao da intima\u00e7\u00e3o, a qual nunca se faria na v\u00e9spera de domingo, dia santo, ou de festa nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a><\/a>r\u00e9u com o seu vestido ordin\u00e1rio, e preso, era conduzido pelas ruas mais publicas at\u00e9 \u00e0 forca, acompanhado do Juiz Criminal do lugar, aonde estiver, com o seu Escriv\u00e3o, e da for\u00e7a militar, que se requisitar.<a><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O Juiz Criminal, que acompanhasse, presidiria a execu\u00e7\u00e3o at\u00e9 que se ultime; e o seu Escriv\u00e3o passava certid\u00e3o de todo este ato, a qual se ajuntar\u00e1 ao processo respectivo. <a><\/a>Os corpos dos enforcados eram entregues a seus parentes, ou amigos, se os pedirem aos Ju\u00edzes, que presidiam \u00e0 execu\u00e7\u00e3o; mas n\u00e3o poderiam enterr\u00e1-los com pompa, sob pena de pris\u00e3o por um m\u00eas a um ano. <a><\/a>&nbsp;Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher gr\u00e1vida n\u00e3o se executava a pena de morte, nem mesmo ela seria julgada, em caso de a merecer, sen\u00e3o quarenta dias depois do parto.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando das regras atuais, como norma de direitos fundamentais, o artigo 5\u00ba, inciso L, da Carta Magna de 1988, preceitua que \u00e0s presidi\u00e1rias ser\u00e3o asseguradas condi\u00e7\u00f5es para que possam permanecer com seus filhos durante o per\u00edodo de amamenta\u00e7\u00e3o. &nbsp;O artigo 5\u00ba, item 6, do Pacto de S\u00e3o Jos\u00e9 da Costa Rica, prev\u00ea que as penas privativas de liberdade devem ter por finalidade essencial a reforma e a readapta\u00e7\u00e3o social dos condenados.<\/p>\n\n\n\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988, logo o artigo 24, I, previu a compet\u00eancia concorrente para legislar sobre Direito Penitenci\u00e1rio, sendo que Minas Gerais, possui a Lei n\u00ba 11.404, de 1994 que traduz as normas de execu\u00e7\u00e3o penal no \u00e2mbito do Estado de Minas Gerais, que logicamente convive com as normas gerais da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, a Lei n\u00ba 7.210, de 84.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal de 1984, esta j\u00e1 passou por diversas modifica\u00e7\u00f5es ao longo dos seus 38 anos de exist\u00eancia, sendo de bom alvitre mencionar a Lei 11.942, de 28 de maio de 2009, que nasceu do Projeto de Lei n\u00ba 335, de 2015. Esta lei modificou substancialmente os artigos 14, 83 e 89 da Lei de Execu\u00e7\u00e3o Penal, despertando um novo olhar para o cumprimento de penas de pris\u00e3o para as mulheres, sobretudo, no campo da assist\u00eancia m\u00e9dico, em especial no acompanhamento de gr\u00e1vidas e gestantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o artigo 14, em seu 3\u00ba passou a prever que ser\u00e1 assegurado acompanhamento m\u00e9dico \u00e0 mulher, principalmente no pr\u00e9-natal e no p\u00f3s-parto, extensivo ao rec\u00e9m-nascido. J\u00e1 o artigo 83, \u00a7 2\u00ba da LEP, passou a definir que os estabelecimentos penais destinados a mulheres ser\u00e3o dotados de ber\u00e7\u00e1rio, onde as condenadas possam cuidar de seus filhos, inclusive amament\u00e1-los, no m\u00ednimo, at\u00e9 6 (seis) meses de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, de forma importante o artigo 89 da Lei n\u00ba 7.210, de 1984, passou a disciplinar outros requisitos gerais atinentes aos estabelecimentos penais no Brasil, conforme dic\u00e7\u00e3o do artigo 88 em lei em ep\u00edgrafe, afirmando que a penitenci\u00e1ria de mulheres ser\u00e1 dotada de se\u00e7\u00e3o para gestante e parturiente e de creche para abrigar crian\u00e7as maiores de 6 (seis) meses e menores de 7 (sete) anos, com a finalidade de assistir a crian\u00e7a desamparada cuja respons\u00e1vel estiver presa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>S\u00e3o requisitos b\u00e1sicos da se\u00e7\u00e3o e da creche referidas neste artigo:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">I \u2013 atendimento por pessoal qualificado, de acordo com as diretrizes adotadas pela legisla\u00e7\u00e3o educacional e em unidades aut\u00f4nomas; e<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">II \u2013 hor\u00e1rio de funcionamento que garanta a melhor assist\u00eancia \u00e0 crian\u00e7a e \u00e0 sua respons\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Ressalte-se que o artigo 81 da Lei Estadual n\u00ba 11.404, de 94, define que no pres\u00eddio e na cadeia p\u00fablica, haver\u00e1 unidades independentes para a mulher, para o jovem adulto, para o preso que tenha exercido fun\u00e7\u00e3o policial, de bombeiro militar, de agente de seguran\u00e7a penitenci\u00e1rio ou de agente de seguran\u00e7a socioeducativo e para o cumprimento de pena privativa de liberdade e de limita\u00e7\u00e3o de fim de semana. \u00c0s presidi\u00e1rias ser\u00e3o asseguradas condi\u00e7\u00f5es para permanecer com os filhos durante o per\u00edodo de amamenta\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Importante ressaltar que em 2008, segundo relat\u00f3rio final da CPI do Sistema Carcer\u00e1rio, em 2008 havia 27 mil mulheres presas no Brasil, o que representava na \u00e9poca 6% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria existente.<\/pre>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">De acordo com o relat\u00f3rio final da CPI do Sistema Carcer\u00e1rio, em 2008 havia 27 mil mulheres presas no Brasil, o que representava 6% da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria da \u00e9poca, de 450 mil pessoas. A CPI concluiu que h\u00e1 508 pres\u00eddios com mulheres no Pa\u00eds, dos quais 58 s\u00e3o exclusivamente femininos e 450 para ambos os sexos. Nas unidades mistas, h\u00e1 pavilh\u00f5es e celas adaptados, mas sem diferen\u00e7a real em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura destinada aos homens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Apenas 27,45% dos estabelecimentos t\u00eam instala\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para gestantes; 19,61% contam com ber\u00e7\u00e1rios e somente 16,13% mant\u00eam creches. Mesmo assim, h\u00e1 crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas na maioria dos pres\u00eddios.<a href=\"#_ftn1\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Imperioso pontuar que que no 22 de julho de 2010, por meio da Resolu\u00e7\u00e3o 2010\/16, o Conselho Econ\u00f4mico e Social recomendou \u00e0 Assembleia Geral a ado\u00e7\u00e3o do seguinte projeto de resolu\u00e7\u00e3o: Regras das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o tratamento de mulheres presas e medidas n\u00e3o privativas de liberdade para mulheres infratoras (Regras de Bangkok).<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><em><a href=\"#_ftnref1\">[2]<\/a> C\u00e2mara dos Deputados. Ag\u00eancia C\u00e2mara. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/129501-lei-que-garante-bercarios-e-creches-em-presidios-e-sancionada\/\">https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/129501-lei-que-garante-bercarios-e-creches-em-presidios-e-sancionada\/<\/a>. Acesso em 16 de fevereiro de 2022, \u00e0s 15h49min.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Existem importantes regras no tocante ao ingresso de mulheres presas. Assim, aten\u00e7\u00e3o adequada deve ser dedicada aos procedimentos de ingresso de mulheres e crian\u00e7as, devido \u00e0 sua especial vulnerabilidade nesse momento. Rec\u00e9m ingressas dever\u00e3o ser providas de condi\u00e7\u00f5es para contatar parentes; acesso a assist\u00eancia jur\u00eddica; informa\u00e7\u00f5es sobre as regras e regulamentos das pris\u00f5es, o regime prisional e onde buscar ajuda quando necess\u00e1rio e em um idioma que elas compreendam; e, em caso de estrangeiras, acesso aos seus representantes consulares. Antes ou no momento de seu ingresso, dever\u00e1 ser permitido \u00e0s mulheres respons\u00e1veis pela guarda de crian\u00e7as tomar as provid\u00eancias necess\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o a elas, incluindo a possibilidade de suspender por um per\u00edodo razo\u00e1vel a medida privativa de liberdade, levando em considera\u00e7\u00e3o o melhor interesse das crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A regra n\u00ba 4 diz respeito \u00e0 aloca\u00e7\u00e3o da mulher.<\/strong> Desta feita, mulheres presas dever\u00e3o permanecer, na medida do poss\u00edvel, em pris\u00f5es pr\u00f3ximas ao seu meio familiar ou local de reabilita\u00e7\u00e3o social, considerando suas responsabilidades como fonte de cuidado, assim como sua prefer\u00eancia pessoal e a disponibilidade de programas e servi\u00e7os apropriados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A regra 5 diz respeito \u00e0 higiene pessoal.<\/strong> A acomoda\u00e7\u00e3o de mulheres presas dever\u00e1 conter instala\u00e7\u00f5es e materiais exigidos para satisfazer as necessidades de higiene espec\u00edficas das mulheres, incluindo absorventes higi\u00eanicos gratuitos e um suprimento regular de \u00e1gua dispon\u00edvel para cuidados pessoais das mulheres e crian\u00e7as, em particular mulheres que realizam tarefas na cozinha e mulheres gestantes, lactantes ou durante o per\u00edodo da menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos cuidados com a sa\u00fade da mulher presa, as regras de Bangkok, determinam que nos estabelecimentos penitenci\u00e1rios para mulheres devem existir instala\u00e7\u00f5es especiais para o tratamento das reclusas gr\u00e1vidas, das que tenham acabado de dar \u00e0 luz e das convalescentes. Desde que seja poss\u00edvel, devem ser tomadas medidas para que o parto tenha lugar num hospital civil. Se a crian\u00e7a nascer num estabelecimento penitenci\u00e1rio, tal fato n\u00e3o deve constar do respectivo registro de nascimento. Quando for permitido \u00e0s m\u00e3es reclusas conservar os filhos consigo, devem ser tomadas medidas para organizar um invent\u00e1rio dotado de pessoal qualificado, onde as crian\u00e7as possam permanecer quando n\u00e3o estejam ao cuidado das m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Nesse quesito, relevante mencionar que no dia 17 de fevereiro de 2022, \u00e0s 09 horas, no Gabinete do Secret\u00e1rio Adjunto de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica de Minas Gerais, o Diretor-Geral do Departamento Penitenci\u00e1rio, Rodrigo Machado e Diretor de Trabalho e Produ\u00e7\u00e3o do Departamento Penitenci\u00e1rio, Paulo Duarte apresentaram um inovador projeto denominado<strong> <em>LIBERDADE EM CICLOS,<\/em><\/strong><em> <\/em>uma bela iniciativa do Departamento Penitenci\u00e1rio de Minas Gerais para produ\u00e7\u00e3o de absorventes higi\u00eanicos para distribui\u00e7\u00e3o gratuita \u00e0s mulheres presas e exerc\u00edcio de filantropia \u00e0s outras entidades carentes, como forma de garantia da dignidade menstrual das mulheres conforme previsto da regra 06 das Regras de <em>Bangkok<\/em>. Sabe-se que o trabalho do condenado, como dever social e condi\u00e7\u00e3o de dignidade humana, ter\u00e1 finalidade educativa e produtiva.<\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery columns-2 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><ul class=\"blocks-gallery-grid\"><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"486\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e.jpg\" alt=\"\" data-id=\"14279\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=14279\" class=\"wp-image-14279\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e-300x208.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e-100x70.jpg 100w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e-218x150.jpg 218w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e-696x483.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/6b89eb20-e1df-4fdd-86fb-76003b1f387e-605x420.jpg 605w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/li><li class=\"blocks-gallery-item\"><figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"512\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5.jpg\" alt=\"\" data-id=\"14280\" data-full-url=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5.jpg\" data-link=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?attachment_id=14280\" class=\"wp-image-14280\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5-300x219.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5-696x509.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/0252f2c5-d451-44b7-a6b2-fe339552c1a5-574x420.jpg 574w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure><\/li><\/ul><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFLEX\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora se reconhe\u00e7a a necessidade de impulsionar a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de alternativas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de penas de pris\u00e3o \u00e0s mulheres, \u00e9 estrat\u00e9gico abordar o problema primeiramente sob o vi\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o do encarceramento feminino provis\u00f3rio. De acordo com as Regras de Bangkok, deve ser priorizada solu\u00e7\u00e3o judicial que facilite a utiliza\u00e7\u00e3o de alternativas penais ao encarceramento, principalmente para as hip\u00f3teses em que ainda n\u00e3o haja decis\u00e3o condenat\u00f3ria transitada em julgado.&nbsp; (Ricardo Lewandowski)<\/p>\n\n\n\n<p>Nos arremates finais deste humilde trabalho acad\u00eamico, exp\u00f5e-se uma triste realidade. Atualmente, tudo vem acontecendo com muta velocidade na sociedade hodierna. Num piscar de olhos tudo se transforma, as pessoas dormem e acordam sempre com nova not\u00edcia, tudo acontece com muita velocidade, como disparo de uma luz, uma passagem de raio, um tocar de dedos, essa sociedade din\u00e2mica nos surpreende cada vez mais, e com todas essas transforma\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas, existe muita gente ainda que parece n\u00e3o ter acordado, vive em sonhos profundos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tem muita gente vivendo no mundo da lua, lun\u00e1tico inveterado, estando na posi\u00e7\u00e3o de dec\u00fabito dorsal, repousando a massa corp\u00f3rea numa <em>queen ou king size<\/em>, numa verdadeira jun\u00e7\u00e3o de c\u00edlios, acirrados, entrela\u00e7ados, firmemente colados, enormemente envolvidos nos bra\u00e7os encantadores do morfeu, amante avassalador do deus grego dos sonhos, sem saber donde vem o chilreio dos p\u00e1ssaros ou tilintar dos sinos, ou mesmo a dire\u00e7\u00e3o do estridente cantar do colibri, e nem de onde vem o apito do trem, da maria fuma\u00e7a, s\u00e3o insofism\u00e1veis seres errantes a procura de uma alma coabitando o universo sideral, o firmamento azul, tudo isso para assentar seu tecido adiposo e choramingando rios de l\u00e1grimas da domina\u00e7\u00e3o corro\u00edda.<\/p>\n\n\n\n<p>E quando se despertam para a vida, podem ser movidos por mera promo\u00e7\u00e3o institucional, outros acometidos pela s\u00edndrome cr\u00f4nica da ascens\u00e3o por cargos na Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica, passando a lan\u00e7ar suas nocivas pe\u00e7onhas homiziados no denuncismo nojento do anonimato, jogando pedras e escondendo as m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>A norma \u00e9 clara. Transcende com a luz solar, certa como qualquer express\u00e3o alg\u00e9brica. Precisa como a evid\u00eancia. E por isso pode-se afirmar, sem margem de erros, a grande maioria das pessoas deseja uma sociedade melhor para se viver, se esfor\u00e7a para um mundo melhor, s\u00e3o imbu\u00eddas de objetivos nobres, mesmo convivendo dentro de uma sociedade hip\u00f3crita e criminosa. Em Minas Gerais existe um percentual de 3,44% de mulheres cumprindo penas privativas de liberdade, do total da popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria no Estado, cujo Departamento Penitenci\u00e1rio tem se esfor\u00e7ado grandiosamente, com tenacidade e boa vontade para garantia da dignidade da pessoa humana, compromisso \u00e9tico com o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o, profissionalismo, escorreita atividade t\u00e9cnica, e esp\u00edrito humano no tratamento com a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria na \u00e1rdua miss\u00e3o de fazer gest\u00e3o qualificada, com firme prop\u00f3sito de cuidar com efici\u00eancia da seguran\u00e7a prisional e da sociedade mineira, mesmo diante de aberra\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, das adversidades log\u00edsticas, e de v\u00e1rios outros fatores de risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa salientar que o Departamento Penitenci\u00e1rio em Minas Gerais faz a gest\u00e3o de 33 estabelecimentos prisionais femininas, dentre unidades exclusivas e mistas, e o faz cumprindo rigorosamente as normas de vig\u00eancia, sempre com foco na efici\u00eancia, transpar\u00eancia e promo\u00e7\u00e3o de projetos de inser\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos exige constante aprimoramento, atividade cont\u00ednua, sem interrup\u00e7\u00e3o, mas ressalta aqui o compromisso de cada profissional no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es, todos conscientes de sua miss\u00e3o na promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, agindo com a nota caracter\u00edstica da irrenunciabilidade, universalidade, historicidade e inalienabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O Policial Penal, e os servidores administrativos, assistente, analista e auxiliares, todos s\u00e3o servidores honrados que trabalham em prol da Seguran\u00e7a social, todos s\u00e3o sabedores do movimento de promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, \u00e9 de saben\u00e7a geral as normas do artigo 1\u00ba, III, da CF\/88, e principalmente, a partir da decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal no Habeas Corpus Coletivo n\u00ba 143.641-SP, e a influ\u00eancia das Regras de Bangkok conforme exposto em ep\u00edgrafe. A pris\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a melhor op\u00e7\u00e3o para conter os desvios de conduta do criminoso. A segrega\u00e7\u00e3o acaba sendo um mal necess\u00e1rio para reprimir aquele que fez mau uso da liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro, a pris\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a mais indicada forma de conter a viol\u00eancia numa sociedade civilizada. Ela avilta, maltrata e arrebenta o ser humano. Mas n\u00e3o se pode fechar os olhos para o grande mal que o delinquente causou \u00e0 fam\u00edlia da v\u00edtima. A pris\u00e3o ent\u00e3o serve para revelar a revolta da sociedade, a resposta do Estado no seu poder de punir, \u00e9 claro que a resposta deve ser proporcional ao grau de viola\u00e7\u00e3o. Talvez essa igualdade n\u00e3o seja t\u00e3o real, por exemplo, quando o criminoso assassina uma pessoa, a fam\u00edlia desta v\u00edtima nunca mais ter\u00e1 contato com o ente querido, \u00e0s vezes, morta t\u00e3o prematuramente, de forma covarde, brutal, e daqui a pouco o delinquente estar\u00e1 novamente nas ruas, notadamente, se houver enquadramento no artigo 318 do CPP, quando o juiz poder\u00e1 substituir a pris\u00e3o preventiva pela domiciliar quando o agente for gestante ou mulher com filho de at\u00e9 12 (doze) anos de idade incompletos&nbsp;conforme reda\u00e7\u00e3o determinada pela Lei n\u00ba 13.257 de 2016<a><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O certo \u00e9 que fazer gest\u00e3o p\u00fablica de seguran\u00e7a nos dias atuais \u00e9 sempre um fator de rico e um enorme desafio no Brasil. Tem muito agente p\u00fablico s\u00e9rio e comprometido com os ideais de justi\u00e7a, acredita-se que seja a regra, mas existem umas figurinhas carimbadas que levam sua milit\u00e2ncia ideol\u00f3gica para o exerc\u00edcio da fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica, e claro, tudo isso \u00e9 ruim para a verdadeira promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a efetiva, a decis\u00e3o acaba sendo viciada por ado\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es pessoais e ideol\u00f3gicas, com s\u00e9rias amea\u00e7as para os direitos humanos e para a realiza\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Reafirma-se, que a priva\u00e7\u00e3o da liberdade n\u00e3o \u00e9 a mais humana forma de tratamento, mas infelizmente, n\u00e3o sendo a mais indicada, continua sendo necess\u00e1ria para conter os \u00edndices de criminalidade quando exerce fun\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a geral e coa\u00e7\u00e3o social, e exercer a ess\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o retributiva prevista no final do artigo 59 do C\u00f3digo Penal, comando normativo da dosimetria da pena. O ser humano na sua ess\u00eancia \u00e9 bom, mas possui uma faceta de maldade,&nbsp; possui \u00edndole para o crime, planeja, arquiteta e executa, quase sempre imprevis\u00edvel, comete desvios de conduta, numa perspectiva de exce\u00e7\u00e3o, quando assassina, rouba, sequestra, trafica drogas, e pratica toda sorte de viola\u00e7\u00f5es, contum\u00e9lia irremiss\u00edvel, sendo certo que a lei existe, o autor conhece a sua normatividade, tem discernimento do seu conceito proibitivo, tem livre arb\u00edtrio, mas infelizmente um peda\u00e7\u00e3o de papel(em St\u00fcck Papier), com licen\u00e7a a Ferdinand Lassalle, t\u00e3o somente uma folha com letras impressas, n\u00e3o tem a for\u00e7a de refrear a conduta avassaladora do delinquente. E nesse momento, traum\u00e1tico e avassalador, entra em cena a necessidade de aplica\u00e7\u00e3o da pena para restabelecer a paz ultrajada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, coloca-se uma bifurca\u00e7\u00e3o na sua frente. De um lado, a estrada no bem, voc\u00ea pode trilhar por ela e colher os benef\u00edcios de sua decis\u00e3o, do seu processo de escolha. De outro lado, o caminho do mal, da ruptura, da trucul\u00eancia e da maldade.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Se fizer a op\u00e7\u00e3o por esse caminho torto, o seu corpo sofrer\u00e1, e como bem asseverou a dra. Tatiana Telles, m\u00e9dica-legista e Secret\u00e1ria Executiva de Seguran\u00e7a P\u00fablica em Minas Gerais, <em>\u201ca dor e o sofrimento do corpo a gente n\u00e3o tem o pleno dom\u00ednio, mas posso dominar minha alma e minha mente a ponto de minimizar o sofrimento da vida\u201d. Assim, nessa encruzilhada da vida, domine a sua mente e fa\u00e7a a escolha pelo caminho do bem e colher\u00e1s bons frutos<\/em><\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4b86c701-9c6a-4eaf-ad49-089c24e736fc-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14285\" width=\"476\" height=\"299\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4b86c701-9c6a-4eaf-ad49-089c24e736fc-2.jpg 676w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4b86c701-9c6a-4eaf-ad49-089c24e736fc-2-300x189.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/4b86c701-9c6a-4eaf-ad49-089c24e736fc-2-668x420.jpg 668w\" sizes=\"(max-width: 476px) 100vw, 476px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/80963025-df67-47ec-9d8d-3d0548c406ab-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-14286\" width=\"480\" height=\"397\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/80963025-df67-47ec-9d8d-3d0548c406ab-2.jpg 613w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/80963025-df67-47ec-9d8d-3d0548c406ab-2-300x248.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/80963025-df67-47ec-9d8d-3d0548c406ab-2-508x420.jpg 508w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h2>\n\n\n\n<p>BRASIL. C\u00e2mara dos Deputados. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/129501-lei-que-garante-bercarios-e-creches-em-presidios-e-sancionada\/\">https:\/\/www.camara.leg.br\/noticias\/129501-lei-que-garante-bercarios-e-creches-em-presidios-e-sancionada\/<\/a>. Acesso em 16 de fevereiro de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>CONSELHO NACIONAL DE JUSTI\u00c7A. Dispon\u00edvel em <a href=\"https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/documento-regras-de-bangkok.pdf\">https:\/\/carceraria.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/documento-regras-de-bangkok.pdf<\/a>. Acesso em 16 de fevereiro de 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Regras de Bangkok e a promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos Por fim, coloca-se uma bifurca\u00e7\u00e3o na sua frente. De um lado, a estrada no bem, voc\u00ea pode trilhar por ela e colher os benef\u00edcios de sua decis\u00e3o, do seu processo de escolha. 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