{"id":15190,"date":"2022-05-12T23:59:13","date_gmt":"2022-05-13T02:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=15190"},"modified":"2022-05-13T00:08:42","modified_gmt":"2022-05-13T03:08:42","slug":"lei-joao-da-penha-e-masculinicidio-reflexoes-sobre-a-violencia-contra-os-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=15190","title":{"rendered":"LEI JO\u00c3O DA PENHA E MASCULINIC\u00cdDIO: reflex\u00f5es sobre a viol\u00eancia contra os homens"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Juliana-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15191\" width=\"337\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Juliana-1.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Juliana-1-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Juliana-1-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<\/strong><br><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><br><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><br><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><br><strong>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Homens s\u00e3o constantemente assediados sexualmente por suas colegas de trabalho e por suas patroas. Em raz\u00e3o disso, pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para homens precisavam ser incentivadas nos espa\u00e7os institucionais. A abordagem desrespeitosa das mulheres envolve a objetifica\u00e7\u00e3o do corpo masculino, constrangido a responder aos est\u00edmulos femininos pela press\u00e3o social que os condiciona aos melhores lugares na sociedade a partir do perfil est\u00e9tico: homens bonitos, altos, magros, bem vestidos e instru\u00eddos, s\u00e3o os escolhidos pelas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora os homens tenham conquistado o direito ao trabalho em condi\u00e7\u00f5es similares \u00e0s das mulheres, ainda s\u00e3o demandados a cumprir com as \u201cobriga\u00e7\u00f5es\u201d dom\u00e9sticas, ensinadas por gera\u00e7\u00f5es por pais e av\u00f4s. Aos homens, tamb\u00e9m cabe a tarefa dos cuidados com os filhos, os idosos e incapacitados da fam\u00edlia. \u00c0 mulher, cabe apenas a tarefa de parir, amamentar por alguns meses e prover. Embora j\u00e1 vivamos o s\u00e9culo XXI, ainda \u00e9 consenso popular que \u00e9, de responsabilidade dos homens, a manuten\u00e7\u00e3o do casamento por meio da aten\u00e7\u00e3o especial \u00e0 fam\u00edlia e se necess\u00e1rio, o perd\u00e3o \u00e0s suas esposas pelos relacionamentos extraconjugais contra\u00eddos e\/ou gesta\u00e7\u00f5es fora do casamento.<\/p>\n\n\n\n<p>No mundo atual, os homens n\u00e3o t\u00eam o direito de decis\u00e3o sobre seus pr\u00f3prios corpos, se engravidarem uma mulher, s\u00e3o obrigados a criarem a crian\u00e7a at\u00e9 que fique maior de idade, mesmo se for fruto de abuso. Fator que tem sido pauta de discuss\u00f5es no Congresso Nacional, 85% composto por representantes do sexo feminino. Apesar da maioria da popula\u00e7\u00e3o brasileira ser composta de homens, s\u00e3o as mulheres que ocupam os postos de poder nas grandes organiza\u00e7\u00f5es privadas e p\u00fablicas. Elas dominam os espa\u00e7os do executivo, legislativo e judici\u00e1rio. S\u00e3o prefeitas, secret\u00e1rias de governo, vereadoras, deputadas, assessoras e ju\u00edzas. Elas decidem os rumos do pa\u00eds, a partir do olhar feminino. Aos homens, geralmente, sub-representados nesse universo de poder, cabe o esfor\u00e7o de se unirem em coletivos masculinos para a proposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas voltadas para homens, de modo a sensibilizar outros homens e tamb\u00e9m mulheres, para a defesa da causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em raz\u00e3o das desigualdades de g\u00eanero, especialmente marcadas pela reprodu\u00e7\u00e3o das posturas femistas, ou seja, aquelas que caracterizam a domina\u00e7\u00e3o das mulheres sobre os homens, a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar tem sido alvo do notici\u00e1rio cotidiano. Homens s\u00e3o agredidos fisicamente e verbalmente por suas companheiras no espa\u00e7o dom\u00e9stico, causando-lhes, em algumas situa\u00e7\u00f5es, intenso sofrimento psicol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Homens negros, pobres e com baixa escolaridade est\u00e3o em destaque. Por medo ou falta de apoio familiar e comunit\u00e1rio, homens t\u00eam suportado calados as situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia. Embora parte da popula\u00e7\u00e3o compreenda que homens que apanham de suas esposas, na verdade, gostam de apanhar, s\u00e3o in\u00fameros os fatores que fazem com que eles permane\u00e7am no ciclo violento. Essa decis\u00e3o envolve o temor de caminharem sozinhos em meio \u00e0s cr\u00edticas sociais por terem assumido o status de separados ou pais-solo; temor de serem rotulados como homens de pouco valor ou que n\u00e3o cumpriam com suas obriga\u00e7\u00f5es de homem; temor de terem de criar seus filhos sem a figura da m\u00e3e em um mundo largamente femista; e pelo importante temor de serem mortos em raz\u00e3o do inconformismo da parceira diante do rompimento do relacionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Homens est\u00e3o em permanente situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em diversos espa\u00e7os sociais, inclusive, considerados culpados por ass\u00e9dios ou contestados em casos de estupro a partir de suas vestimentas: regatas, shorts curtos ou cal\u00e7as marcando partes \u00edntimas ou curvas do corpo. O comportamento social dos homens tamb\u00e9m tem sido contestado e recriminado quando envolve a liberdade de se envolverem sexualmente com v\u00e1rias mulheres. Esses homens s\u00e3o chamados de putos, piranhos, vagabundos ou homens da vida, n\u00e3o aptos para casar.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o os homens quem s\u00e3o mortos pelo simples fato de serem homens e por viol\u00eancia dentro de suas casas, provocada por suas parceiras \u00edntimas. Um dos motivos pelos quais, no ano de 2006, foi promulgada a Lei Jo\u00e3o da Penha, que tem o objetivo de proteger homens da viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar motivada pela condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero masculino. Em raz\u00e3o da brutalidade que permanecia nos lares, entre 2011 e 2013, uma Comiss\u00e3o composta por senadores e deputados, assessorados por grupos masculinistas, realizou ampla pesquisa, difundida pelo Senado Federal, que constatou que os setores p\u00fablicos, chefiados, majoritariamente, por mulheres, n\u00e3o estavam fomentando a aplicabilidade daquela Lei como deveria.<\/p>\n\n\n\n<p>No judici\u00e1rio, amplamente feminino, magistradas resistiam, subsidiadas pelo discurso que pautava a Lei Jo\u00e3o da Penha como inconstitucional, uma vez que, estaria \u201cprivilegiando\u201d os homens. Mais tarde, j\u00e1 em 2015, foi promulgada a Lei do Masculinic\u00eddio, uma qualificadora do crime de feminic\u00eddio. Esta norma destaca que constitui masculinic\u00eddio quando o homem \u00e9 morto em raz\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar ou por menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de sexo masculino.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">Este texto teve a inten\u00e7\u00e3o de chamar a aten\u00e7\u00e3o do(a) leitor(a) de forma diferente, sendo constru\u00eddo a partir da invers\u00e3o, t\u00e3o somente, dos g\u00eaneros feminino e masculino, preservando o curso da narrativa \u2013 verdadeira, sobre o caso brasileiro. Baseei-me na brilhante iniciativa da atriz e humorista Cl\u00e1udia Campolina, que, ao lan\u00e7ar no seu perfil do Instagram a webs\u00e9rie \u201cMundo Invertido\u201d, lan\u00e7ou luz sob a condi\u00e7\u00e3o de ser mulher na atual sociedade, provocando importantes reflex\u00f5es.<\/pre>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancia e imagem: @claudiacampolina | claudiacampolina.com\/atriz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Claudia-Campolina.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15192\" width=\"399\" height=\"569\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Claudia-Campolina.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Claudia-Campolina-211x300.jpg 211w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Claudia-Campolina-295x420.jpg 295w\" sizes=\"(max-width: 399px) 100vw, 399px\" \/><figcaption><strong>Cl\u00e1udia Campolina<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homens s\u00e3o constantemente assediados sexualmente por suas colegas de trabalho e por suas patroas. 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