{"id":16888,"date":"2022-09-23T15:50:10","date_gmt":"2022-09-23T18:50:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=16888"},"modified":"2022-09-23T15:53:44","modified_gmt":"2022-09-23T18:53:44","slug":"candidaturas-femininas-crescem-em-2022-mas-a-representacao-ainda-e-baixa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=16888","title":{"rendered":"Candidaturas femininas crescem em 2022, mas a representa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 baixa\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16890\" width=\"344\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-1.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-1-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-1-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/a518f0ff-9413-4192-9871-d7b90e96599c.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16889\" width=\"703\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/a518f0ff-9413-4192-9871-d7b90e96599c.jpg 597w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/a518f0ff-9413-4192-9871-d7b90e96599c-300x139.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 703px) 100vw, 703px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, o que significa mais de 80 milh\u00f5es de votantes. Ainda assim, essa parcela feminina da popula\u00e7\u00e3o padece da sub-representatividade pol\u00edtica em todas as inst\u00e2ncias associadas \u00e0 governabilidade do pa\u00eds. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 ONU, a m\u00e9dia atual entre os pa\u00edses do mundo \u00e9 de 25% de representa\u00e7\u00e3o feminina na pol\u00edtica. O Brasil segue abaixo dessa m\u00e9dia, com apenas 14,8% de representantes mulheres. Tanto no executivo (prefeituras\/governos estaduais\/presid\u00eancia), quanto no legislativo (c\u00e2maras de vereadores, de deputados estaduais\/ federais e no senado), as mulheres s\u00e3o minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme informa\u00e7\u00f5es oficiais do Senado Federal, as elei\u00e7\u00f5es de 2022 marcaram o recorde de candidaturas femininas, o que se traduziu em 33,3% dos registros em \u00e2mbito federal, estadual e distrital. No Senado, elas ocupam apenas 17,28% das cadeiras. Para fazer frente a isso, em 2009 foi promulgada a Lei n\u00ba 12.034, que assegura o percentual m\u00ednimo de 30% e m\u00e1ximo de 70% para candidaturas de cada sexo, destinando 30% dos recursos de fundos espec\u00edficos para as campanhas. O que, em tese, induziria a candidatura feminina, mesmo que por vias indiretas, quando a obrigatoriedade desse percentual \u201cfor\u00e7a\u201d os partidos a buscarem por mulheres interessadas em se candidatar ou convenc\u00ea-las do quanto seria significativa a participa\u00e7\u00e3o delas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, essa legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m abriu margem para as candidaturas femininas \u201claranja\u201d. Ou seja, nos casos em que a mulher \u00e9 levada (consciente ou n\u00e3o) a registrar sua candidatura para que outros candidatos de um determinado partido tenham acesso ao Fundo Eleitoral espec\u00edfico, e n\u00e3o chegam a se lan\u00e7arem na disputa por votos. Nesse cen\u00e1rio, o principal desafio ainda \u00e9 a despropor\u00e7\u00e3o de eleitos. Afinal, apesar do percentual de candidaturas femininas ter crescido nos \u00faltimos pleitos, o n\u00famero de mulheres eleitas ainda \u00e9 baixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas, o que importa para as mulheres o aumento do n\u00famero da ocupa\u00e7\u00e3o feminina de cadeiras do legislativo e executivo? <\/strong>Importa muito, \u00e0 medida que n\u00e3o podemos desconsiderar que a prioriza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas associadas \u00e0 melhoria de vida das fam\u00edlias depende do olhar de figuras da sociedade que, em virtude de suas particularidades, se veem, constantemente, em situa\u00e7\u00e3o desigual perante pessoas do g\u00eanero masculino. Dentre as quais, ser mulher e reconhecer que esta condi\u00e7\u00e3o, por si s\u00f3, representa a potencializa\u00e7\u00e3o do conjunto de vulnerabilidades (social, econ\u00f4mica, cultural, pol\u00edtica), que afeta em menor grau os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os desafios do cotidiano tendem a afetar, principalmente, as mulheres, logo, a representatividade feminina na pol\u00edtica \u00e9 importante porque possibilita o fomento de relevantes mudan\u00e7as nas legisla\u00e7\u00f5es vigentes, a cria\u00e7\u00e3o de novas, al\u00e9m da destina\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria orientada ao desenvolvimento de pol\u00edticas voltadas para mulheres, diante da necessidade de sua inclus\u00e3o como sujeitos ativos para transforma\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">No Brasil, foram 18.128 candidaturas masculinas validadas (66,21%) pelo Tribunal Superior Eleitoral \u2013 TSE e 9.249 candidaturas femininas (33,78%). Em Minas Gerais, houve 2.399 candidaturas deferidas, sendo que 1.601 (66,74%) delas foram de homens e 798 (33,26%) de mulheres.<\/pre>\n\n\n\n<p>Quando assinalo esses pontos, minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 destacar a urg\u00eancia do amplo debate sobre a inser\u00e7\u00e3o efetiva das mulheres na pol\u00edtica e o quanto o protagonismo delas nesse espa\u00e7o poderia frear, por exemplo, o avan\u00e7o descarado da viol\u00eancia contra meninas e mulheres no Brasil. A falta de representatividade pol\u00edtica constitui um grave problema para todas as mulheres, uma vez que a sociedade \u00e9 conduzida pelos que dominam a pol\u00edtica. Esse dom\u00ednio est\u00e1 longe de ser algo equitativo, ou seja, com o mesmo \u201cpeso\u201d entre homens e mulheres. Sendo assim, um caminho vi\u00e1vel e simples seriam as exaustivas discuss\u00f5es sobre o assunto em diversos espa\u00e7os, at\u00e9 que seja poss\u00edvel mobilizar o suficiente para que o cen\u00e1rio nos pr\u00f3ximos anos seja diferente do que hoje se apresenta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres representam 53% do eleitorado brasileiro, o que significa mais de 80 milh\u00f5es de votantes. Ainda assim, essa parcela feminina da popula\u00e7\u00e3o padece da sub-representatividade pol\u00edtica em todas as inst\u00e2ncias associadas \u00e0 governabilidade do pa\u00eds. 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