{"id":16957,"date":"2022-09-30T11:31:23","date_gmt":"2022-09-30T14:31:23","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=16957"},"modified":"2022-09-30T11:32:48","modified_gmt":"2022-09-30T14:32:48","slug":"eleicoes-2022-brasileiros-temem-agressoes-fisicas-por-suas-escolhas-politicas-ou-partidarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=16957","title":{"rendered":"Elei\u00e7\u00f5es 2022: brasileiros temem agress\u00f5es f\u00edsicas por suas escolhas pol\u00edticas ou partid\u00e1rias"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-16958\" width=\"371\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Juliana-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 mera impress\u00e3o. Os eleitores est\u00e3o com medo de manifestar suas inten\u00e7\u00f5es de voto nas elei\u00e7\u00f5es de 2022. E n\u00e3o \u00e9 por acaso. Ondas de intoler\u00e2ncia pol\u00edtica, regadas de viol\u00eancia f\u00edsica t\u00eam sido registradas em diferentes regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Pesquisa \u201cViol\u00eancia e democracia: panorama brasileiro pr\u00e9-elei\u00e7\u00f5es 2022\u201d encomendada ao Datafolha pela Rede de A\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica pela Sustentabilidade &#8211; RAP, em parceria com o F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, 7 a cada 10 brasileiros entrevistados disseram ter medo de agress\u00f5es f\u00edsicas em raz\u00e3o de sua escolha pol\u00edtica ou partid\u00e1ria e que 9% dos eleitores podem se abster de votar por conta do medo da viol\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o m\u00eas de julho de 2022, segundo o jornal Estad\u00e3o, o n\u00famero de assassinatos por motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas j\u00e1 havia superado os n\u00fameros de quatro \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es (1989 \u2013 23 casos; 1994, 17; 2006, 25; e 2014, 20). Registros deram conta de 26 assassinatos dessa natureza nesse ano eleitoral (2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Isso parece ocorrer em raz\u00e3o do acirramento da tradicional polariza\u00e7\u00e3o entre candidaturas \u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica no Brasil. No pleito de 2022, a principal disputa est\u00e1 entre Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva, que foi presidente do pa\u00eds por dois mandatos consecutivos (entre 2003 e 2010), e Jair Messias Bolsonaro, atual presidente, eleito nas elei\u00e7\u00f5es 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>De um lado, uma candidatura baseada em discursos associados \u00e0 \u201cesquerda\u201d. De outro, uma candidatura associada \u00e0 \u201cdireita\u201d. Trata-se de polos opostos, que apresentam significativas diferen\u00e7as, especialmente quanto \u00e0s pautas a serem mais observadas durante os respectivos governos. No entanto, a depender da hist\u00f3ria e do contexto cultural de cada pa\u00eds, as caracter\u00edsticas de \u201cesquerda e direita\u201d variam ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas defini\u00e7\u00f5es surgiram no s\u00e9culo XVIII, durante a primeira fase da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, de modo que a burguesia, que buscava o apoio da popula\u00e7\u00e3o, levou \u00e0s assembleias constitu\u00eddas o interesse na diminui\u00e7\u00e3o dos poderes associados \u00e0 nobreza e ao clero. \u201cCom a Assembleia Nacional Constituinte montada para criar a nova Constitui\u00e7\u00e3o, as classes mais ricas n\u00e3o gostaram da participa\u00e7\u00e3o das mais pobres, e preferiram n\u00e3o se misturar, sentando separadas, do lado direito. Por isso, o lado esquerdo foi associado \u00e0 luta pelos direitos dos trabalhadores, e o direito ao conservadorismo e \u00e0 elite francesa\u201d (ESTADO DE MINAS, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil essas defini\u00e7\u00f5es tomaram corpo no per\u00edodo do regime militar, quando, associou-se partidos e grupos pol\u00edticos ao governo autorit\u00e1rio \u00e0 \u00e9poca. Em contraponto, partidos e grupos que n\u00e3o concordavam com o regime imposto, foram associados \u00e0 esquerda. Muitos partidos pol\u00edticos, inclusive, operaram na clandestinidade, tornando-se alvos da repress\u00e3o adotada no per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, de forma descomplicada, a \u201cesquerda\u201d representaria bandeiras associadas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre, \u00e0 corrente progressista, na defesa e garantia dos direitos dos trabalhadores, al\u00e9m de prezar pelas responsabilidades do Estado, especialmente na promo\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social. Noutro sentido, a \u201cdireita\u201d faria alus\u00e3o \u00e0s bandeiras mais conservadoras e tradicionais, relacionadas \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do poder das elites e \u00e0 promo\u00e7\u00e3o das liberdades individuais. Defende a redu\u00e7\u00e3o da interfer\u00eancia do Estado em certas quest\u00f5es, especialmente na economia, sendo favor\u00e1vel, inclusive, \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando, membros de ao menos um desses polos agem de forma intolerante \u00e0 posi\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ou pol\u00edtica partid\u00e1ria de membros do polo oposto ao seu, no momento presente, corre-se o risco de que o desacerto termine em trag\u00e9dia. Para evitar situa\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis protagonizadas pela rea\u00e7\u00e3o de pessoas que pensam diferente, alguns eleitores t\u00eam deixado de manifestar sua posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, embora, seja consenso de que a livre manifesta\u00e7\u00e3o de pensamento constitui condi\u00e7\u00e3o prevista no \u00e2mbito de uma democracia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong> Pesquisa RAP\/FBSP: https:\/\/www.raps.org.br\/biblioteca\/pesquisa-violencia-e-democracia-panorama-brasileiro-pre-eleicoes-2022\/?b=20807\/\/\/ <strong>Mat\u00e9ria Estad\u00e3o:<\/strong> https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/especiais\/educacao\/enem\/2019\/03\/15\/noticia-especial-enem,1037686\/direita-e-esquerda-entenda-seu-significado.shtml\/\/\/ <strong>Artigo:<\/strong> \u201cEsquerda e Direita no Brasil: uma an\u00e1lise conceitual\u201d https:\/\/periodicoseletronicos.ufma.br\/index.php\/rpcsoc\/article\/view\/591<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 mera impress\u00e3o. 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