{"id":18468,"date":"2023-01-31T10:39:57","date_gmt":"2023-01-31T13:39:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=18468"},"modified":"2023-01-31T10:39:59","modified_gmt":"2023-01-31T13:39:59","slug":"a-pioneira-de-itaipe-destaques-de-karine-mendes-sobre-o-duplo-desafio-de-ser-mulher-mae-e-autoridade-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=18468","title":{"rendered":"<strong>A pioneira de Itaip\u00e9: destaques de Karine Mendes sobre o duplo desafio de ser mulher-m\u00e3e e autoridade policial<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Juliana-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18469\" width=\"305\" height=\"320\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Juliana-4.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Juliana-4-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Juliana-4-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>\u00c9 um consenso afirmar que a mulher tem ganhado espa\u00e7o nas mais diversas profiss\u00f5es formatadas a partir do universo masculino. Apesar disso, a mudan\u00e7a cultural n\u00e3o tem acontecido na velocidade em que as mulheres ocupam os espa\u00e7os de trabalho historicamente ocupados por homens. Diante disso, necess\u00e1rio \u00e0 quebra de paradigmas, o que envolve a confronta\u00e7\u00e3o de elementos presentes na arena dos costumes ou da tradi\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\">At\u00e9 a chegada de Karine Mendes no munic\u00edpio de Itaip\u00e9 \u2013 localizado no Vale do Mucuri, distante 530km da capital mineira \u2013, a popula\u00e7\u00e3o contava apenas com a refer\u00eancia masculina de pol\u00edcia. A pioneira de Itaip\u00e9 chegou no ano de 2015, ainda como soldado da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais (PMMG).<\/pre>\n\n\n\n<p>Apesar de ter suas ra\u00edzes no munic\u00edpio de Te\u00f3filo Otoni, Karine, que atualmente est\u00e1 Cabo PM, ingressou na corpora\u00e7\u00e3o na cidade de Belo Horizonte, em 2011. Serviu por tr\u00eas anos em Santa Luzia, regi\u00e3o metropolitana de BH e logo a inquieta\u00e7\u00e3o para retornar para casa tomou conta dos seus pensamentos para o futuro. Ela queria viver pr\u00f3ximo da sua fam\u00edlia e ter a oportunidade de trabalhar no lugar em que aprendeu com seu pai, policial militar reformado (aposentado), a natureza do servi\u00e7o de rua. Pelo qual sempre teve admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio de pedido formal, Karine foi transferida para a Unidade do 19\u00ba Batalh\u00e3o PM, com sede em Te\u00f3filo Otoni. No entanto, ao contr\u00e1rio do que planejou, foi lotada no destacamento de Itaip\u00e9, h\u00e1 aproximadamente 80km de onde sua fam\u00edlia residia. O munic\u00edpio \u00e9 de pequeno porte, motivo pelo qual disp\u00f5e de um efetivo reduzido de policiais, apenas sete. Com caracter\u00edsticas de relevante rotatividade desses profissionais. A protagonista da nossa hist\u00f3ria \u00e9 o componente mais antigo dentre os policiais atuantes em Itaip\u00e9, munic\u00edpio em que serve h\u00e1 oito anos e onde admite que chegou com orgulho de ter sido a primeira policial feminino a prestar servi\u00e7o ordinariamente por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Surpreendentemente, Karine que foi considerada por m\u00e9dicos como uma mulher est\u00e9ril, engravidou ap\u00f3s seis meses de chegada \u00e0 cidade, per\u00edodo em que cursava gradua\u00e7\u00e3o em Direito que, com muito esfor\u00e7o, conseguiu concluir em 2019. Como se n\u00e3o bastasse os in\u00fameros apertos para acompanhar o desenvolvimento da sua beb\u00ea, Karine descobriu uma nova gravidez ap\u00f3s um ano dela ter nascido. Com o apoio incondicional da sua fam\u00edlia, especialmente da m\u00e3e, irm\u00e3 e sobrinhas, ela conseguiu seguir firme. Fator determinante na fase em que passou pela separa\u00e7\u00e3o do seu companheiro, um ano ap\u00f3s o nascimento da sua segunda filha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cFoi uma fase muito conturbada [&#8230;]. Quando eu olhava as duas, eu pensava que era por elas que eu estava lutando. Quero dar um futuro melhor pra elas. Ent\u00e3o, eu sigo firme e forte por causa delas, porque assim&#8230; \u00e9 bem complicado&#8230;\u00e9 muito dif\u00edcil voc\u00ea morar numa cidade e trabalhar noutra, tentando acompanhar o crescimento dos seus filhos. Para uma m\u00e3e, isso \u00e9 bem estressante. Se n\u00e3o fosse minha fam\u00edlia, eu teria que me mudar para Itaip\u00e9\u201d. Algo que relutou para n\u00e3o acontecer, pois ficaria distante dos familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Itaip\u00e9, Karine considerou como excelente a acolhida que teve dos colegas militares. Disse ter sido muito importante a defer\u00eancia que tiveram com ela, o respeito e considera\u00e7\u00e3o. Por outro lado, no que se refere \u00e0 presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o \u00e0 comunidade em raz\u00e3o dos acionamentos, Karine destacou que teve de quebrar tabus, \u201c[&#8230;] numa cidade pequena com algumas pessoas com mente [postura] machista\u201d. No in\u00edcio, esse cen\u00e1rio provocou bastante inc\u00f4modo na Karine. Ressalta que o comportamento de alguns homens abordados pela guarni\u00e7\u00e3o reflete o quanto discriminam a figura feminina. Destacou que se ela, como mulher, faz uma pergunta, \u00e9 respondida com rispidez, de forma bruta. Ao passo que, situa\u00e7\u00e3o como esta n\u00e3o costuma ocorrer quando o policial que aborda \u00e9 do sexo masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, no imagin\u00e1rio popular, a pol\u00edcia parece ter a refer\u00eancia de autoridade policial baseada na condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero masculino, ao passo que, a condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero feminino constitui, n\u00e3o raro, alvo de desrespeito, descr\u00e9dito quanto \u00e0 capacidade t\u00e9cnica e compet\u00eancia profissional por parte de figuras tanto do sexo masculino, quanto do feminino. Com frequ\u00eancia, especialmente nos munic\u00edpios menores, as mulheres policiais s\u00e3o afrontadas por envolvidos em ocorr\u00eancias, gerando um grau de resist\u00eancia impratic\u00e1vel no caso de os policiais serem homens. H\u00e1 a cren\u00e7a equivocada de que as mulheres n\u00e3o ser\u00e3o capazes de intervir nas ocorr\u00eancias de forma en\u00e9rgica.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Karine, algumas pessoas t\u00eam a ideia de que a policial mulher \u00e9 meiga e fraca. \u201cQuando olham pra mim que sou mais baixinha ent\u00e3o&#8230; (risos)\u201d. Essas percep\u00e7\u00f5es t\u00eam mudado nesses oito anos que Karine serve em Itaip\u00e9, mas, ainda gera desgaste. Se considerarmos que a PMMG completou 247 anos e h\u00e1 apenas 42 anos houve o ingresso das primeiras mulheres policiais na corpora\u00e7\u00e3o, o comportamento adotado por alguns homens nada mais \u00e9 que o reflexo da costumeira atribui\u00e7\u00e3o de autoridade policial \u00e0 figura masculina, associado, sem sombra de d\u00favidas, ao machismo estrutural que potencializa a desigualdade entre g\u00eaneros promovida por rela\u00e7\u00f5es de poder, onde os homens t\u00eam a primazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Importa considerar esses entraves ao trabalho da mulher policial em raz\u00e3o de ser mais um dos in\u00fameros desafios que as mulheres que ingressam nas carreiras policiais est\u00e3o expostas pelo simples fato de serem mulheres e n\u00e3o serem admitidas socialmente como autoridades, tal qual os homens policiais. Acrescido \u00e0s quest\u00f5es que decorrem da profiss\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 simples nem para os homens, as mulheres ainda t\u00eam que lidar com o fator \u201cculpa\u201d, o que inclui a materna e a conjugal; com o ac\u00famulo de atividades de naturezas diversas; e com as cobran\u00e7as sociais intermin\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/db68f797-a6f5-4014-a9dc-b8c1a23a4d59.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18470\" width=\"568\" height=\"679\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/db68f797-a6f5-4014-a9dc-b8c1a23a4d59.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/db68f797-a6f5-4014-a9dc-b8c1a23a4d59-251x300.jpg 251w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/db68f797-a6f5-4014-a9dc-b8c1a23a4d59-696x831.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/db68f797-a6f5-4014-a9dc-b8c1a23a4d59-352x420.jpg 352w\" sizes=\"(max-width: 568px) 100vw, 568px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 um consenso afirmar que a mulher tem ganhado espa\u00e7o nas mais diversas profiss\u00f5es formatadas a partir do universo masculino. 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