{"id":18589,"date":"2023-02-07T22:12:53","date_gmt":"2023-02-08T01:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=18589"},"modified":"2023-02-07T22:12:54","modified_gmt":"2023-02-08T01:12:54","slug":"o-percurso-da-aguia-28-desafios-da-policial-thaiane-quaresma-frente-ao-tatico-movel-pmmg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=18589","title":{"rendered":"<strong>O percurso da \u00c1guia 28: desafios da policial Thaiane Quaresma frente ao T\u00e1tico M\u00f3vel PMMG<\/strong>"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Juliana.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18590\" width=\"371\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Juliana.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Juliana-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Juliana-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 371px) 100vw, 371px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Cada vez mais, espa\u00e7os historicamente ocupados por homens t\u00eam sido ocupados tamb\u00e9m por mulheres. Esse movimento acontece mais depressa nos grandes centros urbanos, em detrimento das localidades mais long\u00ednquas, onde ainda impera a cren\u00e7a de que determinadas atividades n\u00e3o s\u00e3o destinadas \u00e0s mulheres. Rompendo paradigmas, Thaiane Quaresma, a protagonista desta edi\u00e7\u00e3o, mostrou que essa ideia pode e deve ser superada. A Policial foi a n\u00ba 28 do curso de Radiopatrulhamento T\u00e1tico M\u00f3vel \u2013 RTM realizado em outubro de 2018, na capital mineira. Ao concluir os 30 dias de exaustivas atividades, o aluno aprovado em todas as fases tem seu nome gravado em uma placa que enaltece a conquista da conclus\u00e3o de um dos mais desafiantes cursos da Pol\u00edcia Militar de Minas Gerais &#8211; PMMG, superado pelos que passam a integrar o seleto grupo daqueles que s\u00e3o nomeados de \u00c1guia.<\/p>\n\n\n\n<p>No campo da seguran\u00e7a p\u00fablica, majoritariamente composto de profissionais do sexo masculino, ocupar espa\u00e7os tradicionalmente liderados, controlados e dominados por homens \u00e9 t\u00e3o desafiante quanto submeter a estrutura f\u00edsica e mental \u00e0 exaust\u00e3o durante um curso ou treinamento. No interior, embora tivesse disposi\u00e7\u00e3o, as vagas n\u00e3o eram o bastante para que Thaiane conseguisse se candidatar, ainda mais sendo uma volunt\u00e1ria mulher, que dificilmente seria indicada para fazer um curso para uma modalidade de policiamento desejada por policiais masculinos. Chegou a ouvir de um colega que o credenciamento para uso de fuzil (um curso breve) seria muito pesado para ela, e que n\u00e3o daria conta. O citado curso baseia-se no manuseio, tiro, montagem e desmontagem do armamento em espa\u00e7o com g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, e sempre sob estresse.<\/p>\n\n\n\n<p>Thaiane disse ter ficado bastante chateada com a afirma\u00e7\u00e3o do colega, mas, entendeu que precisaria estar em um lugar com mais possibilidades. Foi em raz\u00e3o dessa e de outras constata\u00e7\u00f5es, aliadas ao desejo de integrar grupamentos especializados da PMMG, que decidiu solicitar sua transfer\u00eancia do 19\u00ba Batalh\u00e3o \u2013 15\u00aa Regi\u00e3o, em Te\u00f3filo Otoni, para o 5\u00ba Batalh\u00e3o \u2013 1\u00aa RPM, em Belo Horizonte. Thaiane ingressou na PM no ano de 2010, com apenas 18 anos de idade, mas, j\u00e1 era fascinada com o policiamento especializado, com \u00eanfase na repress\u00e3o qualificada. Trabalhou em Nanuque, na tr\u00edplice fronteira \u2013 Minas, Bahia e Esp\u00edrito Santo \u2013, por um ano. De 2012 a 2018 serviu em Te\u00f3filo Otoni. Desde ent\u00e3o, comp\u00f5e o efetivo do 5\u00ba BPM, na capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu pedido foi atendido em 2018, mesmo ano em que se voluntariou a integrar o curso TM. Apesar de ter encontrado mais espa\u00e7o e oportunidade na capital, Thaiane foi desestimulada por um colega que questionava a legitimidade de seu interesse. De pronto, Thaiane destacou que o curso era uma forma de superar a si mesma e que em nenhum momento teve o intuito de se colocar como melhor que outros policiais.<\/p>\n\n\n\n<p>O TM constitui policiamento de recobrimento para interven\u00e7\u00e3o qualificada em ocorr\u00eancias de maior complexidade. Poucas policiais femininas o integram. Thaiane afirma que fez parte do grupamento at\u00e9 a ocasi\u00e3o do acidente automobil\u00edstico que sofreu, onde fraturou o f\u00eamur e trincou o quadril. Por esta raz\u00e3o, que ainda causa fortes dores, ficou sem condi\u00e7\u00f5es de permanecer no TM. Enquanto se recuperava, trabalhou no setor administrativo da sua unidade e recentemente, foi incorporada ao Grupo Especializado em Policiamento em \u00c1reas de Risco \u2013 o GEPAR. Ocorre que, h\u00e1 uma cren\u00e7a externa \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es, alimentada por alguns profissionais da seguran\u00e7a privada\/ p\u00fablica, de que certas atividades t\u00eam mais import\u00e2ncia que outras. Como se um profissional fosse menos profissional que o outro por n\u00e3o atuar em determinada \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p>O curso RTM aconteceu entre os dias 01 e 30 de outubro de 2018. No 3\u00ba dia, Thaiane j\u00e1 teve que lidar com um inesperado incha\u00e7o do dedo polegar da m\u00e3o direita, que estava inflamado, roxo e latejando. \u201cEu estava com medo de falar para os monitores que minha m\u00e3o estava machucada e ser mal interpretada. Na minha cabe\u00e7a, como eu sou mulher, se eu fraquejasse, ia mostrar que eu n\u00e3o era capaz. Eu tinha que ser 200%.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu pensava: tenho que ser igual aos caras\u201d. Na prova para credenciamento de fuzil, houve outro contratempo. Thaiane treinou a desmontagem de um modelo de arma, e na hora, a desmontagem foi de outra. No manuseio, feriu sua m\u00e3o esquerda, o que a fez sangrar muito. Sem poder intervir, o monitor apenas observou, mas, mostrou-se preocupado. A press\u00e3o era demais porque aquela era uma prova que eliminava o candidato do curso. \u201cEu n\u00e3o queria ser desligada. Fiz o que tinha de fazer com uma das m\u00e3os inchada, e a outra sangrando\u201d. Vendo a situa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o da policial, o Coronel Anderson, \u00e0 \u00e9poca, Comandante do Policiamento da Capital \u2013 CPC, a orientou a pedir o desligamento do curso. Em resposta: \u201cSenhor Coronel, eu prometi pra mim mesma e para v\u00e1rias amigas que me deram apoio que eu iria me formar. Eu n\u00e3o vou me desligar do curso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o leitor que n\u00e3o tem proximidade com pessoas que passaram pelo ambiente de treinamento policial pode parecer absurdo a pessoa ignorar ferimentos e persistir, mesmo exausta e sentindo dor. Na l\u00f3gica policial, especialmente, militar, a regra \u00e9 condicionar o corpo e a mente para trabalhar al\u00e9m do limite e por uma decis\u00e3o pessoal. No dia da prova de armamento, sob estresse, Thaiane montou sete armas. Suas pe\u00e7as estavam misturadas e o ambiente era escuro. Foi aprovada na prova que \u00e9 bem mais dif\u00edcil do que aquele credenciamento que queria fazer e o colega disse que ela n\u00e3o daria conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do curso, Thaiane, conquistou o lugar de primeira policial do 5\u00ba BPM, que tinha 96 anos \u00e0 \u00e9poca (2018), a se voluntariar e concluir com \u00eaxito o curso TM. Isso muito a orgulha e empodera. Al\u00e9m disso, foi homenageada pelo CPC, que destacou ter visto o que ela fez durante o curso. Para a policial, aquele momento foi t\u00e3o especial que ela ficou emocionada. Para ela, o reconhecimento, vindo de uma autoridade t\u00e3o importante da capital, selava o quanto o curso fez sentido na sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os preconceitos, Thaiane alertou que n\u00e3o se limita aos homens. Como se sabe, \u00e9 estrutural o movimento de reprodu\u00e7\u00e3o das desigualdades entre homens e mulheres. \u00c9 algo que ganha espa\u00e7o no discurso de ambos. Nesse sentido, \u201cescutei, mulheres falando que o TM e o GEPAR n\u00e3o eram para PFem. H\u00e1 muita mulher que desacredita a outra e muita mulher que n\u00e3o acredita em si\u201d. Acrescenta que, \u201capesar de eu saber da minha capacidade, \u00e0s vezes, a inseguran\u00e7a batia. E esse era o momento que chegavam para me dar um apoio tremendo, o Paulo, o Denner, o Renan, o Praxedino, o Pereira&#8230; ajudaram muito eu sustentar at\u00e9 o final do curso\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>As m\u00e3os feridas e inflamadas renderam febre. N\u00e3o teve como segurar mais. O coordenador chamou a aten\u00e7\u00e3o da Thaiane por n\u00e3o ter dado a devida aten\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria sa\u00fade. Segundo ela, foi um autoboicote, ela quem resistia em n\u00e3o pedir ajuda. Os colegas foram muito solid\u00e1rios. Depois de todos os perrengues aqui contados, ainda apareceram conhecidos para tentar diminuir a conquista da policial julgando que ela teve algum tipo de facilita\u00e7\u00e3o para ter conseguido concluir um curso t\u00e3o \u201cpesado\u201d. Coment\u00e1rios que j\u00e1 n\u00e3o surpreendem nossa protagonista. \u201cDentro da Pol\u00edcia Militar, esse curso foi minha maior realiza\u00e7\u00e3o pessoal e profissional. Eu sempre achei que a gente tem que t\u00e1 onde gosta. Voc\u00ea trabalha bem com aquilo que voc\u00ea gosta, ent\u00e3o, voc\u00ea desenvolve um bom servi\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na PMMG, do filtro dos processos de sele\u00e7\u00e3o por concurso, restam os aptos. E dentre os aptos, h\u00e1 os mais diversos perfis de pessoas. Perfis incorpor\u00e1veis na variabilidade de modalidades de atua\u00e7\u00e3o policial dispon\u00edveis na institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 plenamente poss\u00edvel que os profissionais sejam notados e aproveitados de acordo com as especificidades que caracterizam cada um. Seja em fun\u00e7\u00e3o do seu cabedal t\u00e9cnico, da sua experi\u00eancia emp\u00edrica\/pr\u00e1tica, ou mesmo, pela bagagem e forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-cient\u00edfica constitu\u00edda tanto no espa\u00e7o interno, quanto no espa\u00e7o externo \u00e0 corpora\u00e7\u00e3o. Thaiane encontra-se dentre os perfis que j\u00e1 encontraram seus lugares. Fotos: acervo pessoal.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>OBS:<\/strong> O presente texto constitui, t\u00e3o somente, um relato de experi\u00eancia de Thaiane Quaresma sobre a conclus\u00e3o do curso TM, o qual participou, h\u00e1 4 anos. A narrativa utiliza-se de apontamentos sobre a realidade das mulheres em espa\u00e7os laborais tradicionalmente ocupados por homens, desafios e potencial de supera\u00e7\u00e3o. Assim, n\u00e3o se trata de um texto que representa a opini\u00e3o da Pol\u00edcia Militar enquanto institui\u00e7\u00e3o.<\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/16bd40fe-d4f1-4bc7-b6b0-373df039869b.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18591\" width=\"843\" height=\"297\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/16bd40fe-d4f1-4bc7-b6b0-373df039869b.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/16bd40fe-d4f1-4bc7-b6b0-373df039869b-300x106.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/16bd40fe-d4f1-4bc7-b6b0-373df039869b-696x246.jpg 696w\" sizes=\"(max-width: 843px) 100vw, 843px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais, espa\u00e7os historicamente ocupados por homens t\u00eam sido ocupados tamb\u00e9m por mulheres. 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