{"id":19765,"date":"2023-05-05T14:58:14","date_gmt":"2023-05-05T17:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=19765"},"modified":"2023-05-10T20:35:18","modified_gmt":"2023-05-10T23:35:18","slug":"violencia-escola-crianca-e-adolescente-um-sistema-em-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=19765","title":{"rendered":"Viol\u00eancia, escola, crian\u00e7a e adolescente: um sistema em crise"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19804\" width=\"348\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 348px) 100vw, 348px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de afeto, aten\u00e7\u00e3o, respeito e reconhecimento, aliado \u00e0 nega\u00e7\u00e3o de direitos, refletem a falta de compromisso familiar, da comunidade e dos governos quanto \u00e0s necessidades b\u00e1sicas das crian\u00e7as e adolescentes, por vezes, expostos \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Sob priva\u00e7\u00f5es, riscos, abandono e viol\u00eancia. A inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia constituem as etapas iniciais de educa\u00e7\u00e3o formal e informal de um indiv\u00edduo. \u00c9 por meio da escola que a educa\u00e7\u00e3o formal se viabiliza e por meio das viv\u00eancias cotidianas nos grupos sociais, com membros da vizinhan\u00e7a, parentes, amigos, coletivos religiosos e colegas de trabalho, que a educa\u00e7\u00e3o informal acontece.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, estudar em uma escola ou mesmo, ser alfabetizado por algu\u00e9m, era privil\u00e9gio de poucos. Diante da pobreza, crian\u00e7as e adolescentes de poucos recursos eram criados para o trabalho, n\u00e3o para o estudo. Afinal, fam\u00edlias numerosas demandam mais despesa e a for\u00e7a de trabalho dos\/as filhos\/as era situa\u00e7\u00e3o muito bem vinda para os pais que precisavam garantir a sobreviv\u00eancia da fam\u00edlia. Tempo em que crian\u00e7as chegavam a morrer de fome e n\u00e3o existiam programas de transfer\u00eancia de renda, a exemplo do Bolsa Fam\u00edlia para fazer frente ao problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, aprender a ler e escrever era privil\u00e9gio. H\u00e1 poucas d\u00e9cadas, um caderno brochur\u00e3o encapado com papel de p\u00e3o, l\u00e1pis e borracha carregados em um saco pl\u00e1stico de arroz era o que mais importava para quem queria estudar. S\u00e3o mem\u00f3rias dos \u201cantigos\u201d, os av\u00f3s e bisav\u00f3s da atualidade. Crian\u00e7as e adolescentes foram reconhecidos pelo estado brasileiro como sujeitos de direito a partir de 1988 com a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e logo em seguida, em 1990, com a regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei n\u00ba 8.069, que criou o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, o ECA. At\u00e9 aquele momento, a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia respondiam como \u201cmenores\u201d. Raz\u00e3o pela qual, at\u00e9 os dias atuais, ainda seja bastante comum o uso do termo por pessoas de v\u00e1rios segmentos sociais, inclusive, autoridades. Na verdade, trata-se de uma heran\u00e7a associada ao \u201cC\u00f3digo de Menores\u201d criado em 1927 e reformulado em 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>Crian\u00e7as e adolescentes consiste, assim, num dos segmentos sociais que mais exprime o estado da cidadania e do tratamento dos direitos humanos no Brasil hoje e s\u00e3o alvo de \u201cviol\u00eancia social\u201d, \u00e0 medida que s\u00e3o expostos \u00e0 falta de projetos de vida, ao desemprego de seus cuidadores, \u00e0s dificuldades de acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, esporte e lazer de qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com o ECA, objeto de constantes disputas pol\u00edtico-ideol\u00f3gicas, a inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia brasileira continuam ref\u00e9ns da manipula\u00e7\u00e3o constru\u00edda conforme interesses dos tomadores de decis\u00e3o. Normalmente, a pauta da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e fundamental p\u00fablica \u00e9 capturada quando conv\u00e9m sua incorpora\u00e7\u00e3o aos emocionados discursos p\u00fablicos que buscam responder \u00e0s demandas que aparecem em raz\u00e3o da necessidade de administra\u00e7\u00e3o das crises. <strong>Os mais recentes epis\u00f3dios geradores da crise no campo da educa\u00e7\u00e3o acenderam o alerta p\u00fablico: <\/strong>1) o ataque dentro da sala de aula de uma escola no estado de S\u00e3o Paulo, onde um aluno adolescente, armado com uma faca desferiu v\u00e1rios golpes na sua professora, o que a levou \u00e0 morte; e 2) o ataque no interior de uma escola particular infantil no estado de Santa Catarina, onde um homem ceifou a vida de pelo menos quatro crian\u00e7as, tamb\u00e9m utilizando uma arma branca ou instrumento cortante\/faca.<\/p>\n\n\n\n<p>Pronto! Em tempos de redes sociais freneticamente ativas, crise instaurada com sucesso! Amea\u00e7as \u00e0 integridade f\u00edsica de membros da comunidade escolar passaram a acontecer de forma recorrente, pressionando as institui\u00e7\u00f5es a apresentarem respostas ao problema. No campo da seguran\u00e7a p\u00fablica, atividades foram desencadeadas para levar aos familiares, professores e estudantes das escolas (do n\u00edvel prim\u00e1rio ao universit\u00e1rio), a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, uma vez que a crise havia sido instaurada em todo o pa\u00eds. No \u00e2mbito familiar, sinal vermelho quanto \u00e0 poss\u00edvel aus\u00eancia de acompanhamento das crian\u00e7as e adolescentes nas suas rotinas di\u00e1rias \u2013 acessos a jogos virtuais; influ\u00eancias; e mudan\u00e7as de comportamento. No \u00e2mbito dos executivos locais, alguns implementaram pol\u00edticas espec\u00edficas que buscam apoiar o controle de acesso aos pr\u00e9dios escolares como a contrata\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7as. Reflexo de a\u00e7\u00f5es REATIVAS, ou seja, formuladas \u00e0s pressas no intuito de responder de forma imediata a um problema superdimensionado, em raz\u00e3o da inexist\u00eancia de planejamento pr\u00e9vio adequado \u00e0 realidade de cada lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa vez, n\u00e3o foi poss\u00edvel a perman\u00eancia de parte do setor p\u00fablico com os olhos vendados. Jogou-se luz ao problema que se arrasta h\u00e1 d\u00e9cadas: a viol\u00eancia nas escolas entre os membros que as integram e a viol\u00eancia de outrem contra a comunidade escolar. O caminho parece longo, porque envolve quest\u00f5es outras que atravessam o debate sobre viol\u00eancia nas escolas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aus\u00eancia de afeto, aten\u00e7\u00e3o, respeito e reconhecimento, aliado \u00e0 nega\u00e7\u00e3o de direitos, refletem a falta de compromisso familiar, da comunidade e dos governos quanto \u00e0s necessidades b\u00e1sicas das crian\u00e7as e adolescentes, por vezes, expostos \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Sob priva\u00e7\u00f5es, riscos, abandono e viol\u00eancia. 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