{"id":20029,"date":"2023-05-29T16:02:57","date_gmt":"2023-05-29T19:02:57","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=20029"},"modified":"2023-05-29T16:02:58","modified_gmt":"2023-05-29T19:02:58","slug":"forcas-de-seguranca-para-mulheres-o-duplo-esforco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=20029","title":{"rendered":"For\u00e7as de seguran\u00e7a para mulheres: o duplo esfor\u00e7o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20030\" width=\"335\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-1.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-1-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-1-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Juliana-Lemes-2-1-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Coordenadora do Projeto MLV.<\/strong><\/strong><br><strong><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\"><strong>julianalemes@id.uff.br<\/strong><\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As coisas t\u00eam mudado, mas, o duplo esfor\u00e7o \u00e9 real. O primeiro, de auto supera\u00e7\u00e3o. O segundo, de paradigmas socioculturais a quebrar. Nesse ambiente, homens t\u00eam feito esfor\u00e7os para compreender as din\u00e2micas femininas e reconhecer privil\u00e9gios masculinos t\u00e3o naturalizados que nem s\u00e3o considerados \u201cprivil\u00e9gios\u201d pelos homens. Chegando \u00e0 comemor\u00e1vel postura de n\u00e3o se sentirem atacados ou amea\u00e7ados quando se percebem diante de mulheres fortes.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 homens que n\u00e3o est\u00e3o dispostos a ouvir o que uma mulher tem a dizer, tampouco, atribuir relev\u00e2ncia ao que julga ser importante. V\u00ea-se muito discurso e pouca pr\u00e1tica. Infelizmente, \u00e9 apenas aparente a ideia de que as mulheres s\u00e3o respeitadas nos espa\u00e7os que j\u00e1 ocupam. Certamente, esse alcance ainda demora algum tempo para se mostrar significativo o bastante para que n\u00e3o precisemos mais tocar nesse assunto, exibindo-o numa coluna de jornal. Uma das formas de se desconstruir posturas sociais amplamente difundidas como corretas \u00e9 confront\u00e1-las, apontando suas inconsist\u00eancias. Nesse caminho, a ocupa\u00e7\u00e3o feminina de lugares, h\u00e1 algumas d\u00e9cadas, n\u00e3o \u00e9 associado a elas. A exemplo das for\u00e7as de seguran\u00e7a p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem o compromisso com a mod\u00e9stia s\u00edmbolo da educa\u00e7\u00e3o das mulheres desde a inf\u00e2ncia, h\u00e1 aquelas que desativam, permanentemente, o modo inseguran\u00e7a e se desafiam em profiss\u00f5es que perduraram por muito tempo sem a presen\u00e7a feminina, como \u00e9 o caso da Pol\u00edcia Militar mineira, a institui\u00e7\u00e3o militar estadual mais antiga do pa\u00eds. Em espa\u00e7os essencialmente masculinizados, o desafio \u00e0s mulheres \u00e9 ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Minas Gerais, s\u00e3o 2.933 policiais militares femininos, dentre as quais, 226 oficiais (coron\u00e9is, tenentes coron\u00e9is, majores, capit\u00e3es e tenentes) e 2.473 pra\u00e7as (subtenentes, sargentos, cabos e soldados). O que representa 8,37% do efetivo de policiais militares de todo o Estado. No interior, atuam 53% delas e na regi\u00e3o metropolitana de Belo Horizonte, 47% (TV PMMG, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Minas possui 853 munic\u00edpios e nessa conjuntura, imposs\u00edvel contar com pelo menos uma policial do sexo feminino em cada munic\u00edpio do estado, algo que ocorre no caso dos policiais masculinos. A PMMG \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o estadual com a maior capilaridade dentre todas, alcan\u00e7a a totalidade dos munic\u00edpios. O percentual mineiro de mulheres integrantes das fileiras da corpora\u00e7\u00e3o \u00e9 menor que a m\u00e9dia nacional, que chega a 11,59%, segundo dados da Pesquisa sobre o perfil das institui\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a p\u00fablica tendo como base o ano de 2020 (MJSP, 2022). A PMMG delimita cota de 10% das vagas para ingresso de mulheres, o que pode, sem d\u00favidas, retardar a mudan\u00e7a cultural no que se refere \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o quanto \u00e0s mulheres trabalhadoras no campo da seguran\u00e7a. As policiais ainda convivem com a subjuga\u00e7\u00e3o e o desrespeito, que tendem a diminuir \u00e0 medida que mais mulheres assumem fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a. O processo seletivo da corpora\u00e7\u00e3o est\u00e1 em curso e admitir\u00e1 mais mulheres na PMMG ainda no ano de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do certame, ingressar\u00e3o mulheres que marcar\u00e3o novas quebras de paradigmas e ser\u00e3o exemplos importantes para outras que ainda ocupar\u00e3o tais espa\u00e7os. Permito-me citar algumas pioneiras que conheci durante minha trajet\u00f3ria, tamb\u00e9m bastante marcante pelo protagonismo em determinadas \u00e1reas, especialmente, na concilia\u00e7\u00e3o entre o campo acad\u00eamico e a experi\u00eancia profissional.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. ILMARA, de soldado a Tenente<\/strong>, cumpriu seus trinta anos na corpora\u00e7\u00e3o, sendo a primeira policial feminina natural de Te\u00f3filo Otoni a servir no munic\u00edpio, enfrentando os obst\u00e1culos de um tempo (d\u00e9cada de 1990), em que \u00e0s mulheres policiais, n\u00e3o eram garantidos direitos que atualmente fazem jus.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Schirley ingressou como soldado e atualmente est\u00e1 sargento<\/strong>, gradua\u00e7\u00e3o que a oportunizou ter sido a primeira policial feminina da regi\u00e3o a comandar um destacamento de pol\u00edcia. A Sargento Schirley comandou no munic\u00edpio de Pav\u00e3o e h\u00e1 quem ainda lembra das suas atividades de destaque por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. VER\u00d4NICA, iniciou sua carreira como Tenente<\/strong> e, recentemente, foi anunciada como a primeira policial feminina a comandar uma Companhia PM no munic\u00edpio de Almenara, no Vale do Jequitinhonha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Karine, como cabo, foi a pioneira de Itaip\u00e9<\/strong>, sob a condi\u00e7\u00e3o mais complicada da corpora\u00e7\u00e3o para o trabalho feminino: o operacional. Complicado em duplo sentido. Por um lado, por precisar superar seus limites f\u00edsicos e de adapta\u00e7\u00e3o em jornadas diferentes ao longo do dia \u2013 m\u00e3e, estudante e trabalhadora. Por outro lado, o desafio de enfrentar preconceitos associados a posturas mis\u00f3ginas \u2013 \u00f3dio ou avers\u00e3o \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, h\u00e1 pessoas pouco ou nada acostumadas a receber ordens de mulheres, v\u00ea-las em posi\u00e7\u00f5es de poder ou mesmo, intelectualmente independentes. Destaco algumas pioneiras para enfatizar quantas barreiras vistas com desimport\u00e2ncia ainda precisam ser superadas para que n\u00e3o precisemos mais levantar assuntos como este em colunas de jornal com a finalidade principal de provocar a reflex\u00e3o. Para evidenciar lacunas, abrir caminhos e legitimar suas capacidades, as mulheres precisar\u00e3o ter, para al\u00e9m de coragem de apertar gatilhos e portar fuzis, a autenticidade pr\u00f3pria daquelas que reconhecem, que ainda h\u00e1 muito o que se fazer. Tal qual demonstram as policiais militares Rejane, Luara ou Tha\u00eds; as civis K\u00e1tia, Priscila ou Grazielle; as penais, Virg\u00ednia, Ivone ou Sandra. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que cada uma delas, sob a diversidade de policiais que representam em suas respectivas categorias, t\u00eam hist\u00f3rias de singular significado e, certamente, inspiradoras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As coisas t\u00eam mudado, mas, o duplo esfor\u00e7o \u00e9 real. O primeiro, de auto supera\u00e7\u00e3o. O segundo, de paradigmas socioculturais a quebrar. Nesse ambiente, homens t\u00eam feito esfor\u00e7os para compreender as din\u00e2micas femininas e reconhecer privil\u00e9gios masculinos t\u00e3o naturalizados que nem s\u00e3o considerados \u201cprivil\u00e9gios\u201d pelos homens. 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