{"id":20105,"date":"2023-06-07T19:23:12","date_gmt":"2023-06-07T22:23:12","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=20105"},"modified":"2023-06-12T22:51:39","modified_gmt":"2023-06-13T01:51:39","slug":"teoria-da-putrefacao-e-corrupcao-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=20105","title":{"rendered":"Teoria da putrefa\u00e7\u00e3o e Corrup\u00e7\u00e3o no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Uma doen\u00e7a infectocontagiosa e incur\u00e1vel<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-20106\" width=\"516\" height=\"396\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c-300x230.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c-696x534.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/aaacede6-e3c1-4649-9a97-ac4b5f2d076c-547x420.jpg 547w\" sizes=\"(max-width: 516px) 100vw, 516px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Prof J\u00e9ferson Botelho &#8211; Delegado-Geral da Pol\u00edcia Civil de Minas Gerais \u2013 aposentado. Prof de Direito Penal e Processo Penal. Prof de Teoria Geral do Processo. Prof de Institui\u00e7\u00f5es de Direito P\u00fablico e Privado. Mestre em Ci\u00eancias das Religi\u00f5es pela Faculdade Unida de Vit\u00f3ria. Especializa\u00e7\u00e3o em Combate a Corrup\u00e7\u00e3o, Antiterrorismo e Combate ao Crime organizado pela Universidade de Salamanca-Espanha. P\u00f3s-graduado em Direito Penal e Processo Penal pela FADIVALE em Governador Valadares. Advogado em Minas Gerais. Autor de obras jur\u00eddicas. Jurista e palestrante. Membro da Banca Examinadora de Processo Penal do Concurso para<\/strong> <strong>Membro da Academia de Letras de Te\u00f3filo Otoni. Cidad\u00e3o honor\u00e1rio de Governador Valadares, Contagem e Belo Horizonte.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><em><mark style=\"background-color:rgba(0, 0, 0, 0);color:#74777a\" class=\"has-inline-color\"><strong>A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um c\u00e2ncer putrefeito que aniquila a qualidade de vida do povo, corr\u00f3i a sociedade e detona a esperan\u00e7a de uma Na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/mark><\/em><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>Resumo:<\/strong> O texto discorre sobre o pand\u00eamico fen\u00f4meno da corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, corrosivo e constante, enfrentando causas e efeitos desse mal que dizima e assola brutalmente a estrutura da humanidade. Aborda temas inovadores como a teoria da putrefa\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico, o malicioso projeto do chapa-branquismo sist\u00eamico no pa\u00eds, a constante t\u00e9cnica de constru\u00e7\u00e3o de um s\u00f3lido empoderamento e base de blindagem do poder decis\u00f3rio, este literalmente contaminado por profundas ideologias e marcas indel\u00e9veis das manobras pol\u00edticas para assegurar a perpetua\u00e7\u00e3o do poder em face do forte esquema de garantia da impunidade por atos lesivos a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Corrup\u00e7\u00e3o; teoria; putrefa\u00e7\u00e3o; poder; pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 necessidade de estudos cient\u00edficos para confirmar os efeitos danosos causados por essa doen\u00e7a devastadora, corrosiva. Os estudos farmacol\u00f3gicos s\u00e3o desesperan\u00e7osos. A luz foi embora; a escurid\u00e3o atrapalha enxergar uma dire\u00e7\u00e3o segura. Na claridade, entrementes, os sintomas s\u00e3o conhecidos, as consequ\u00eancias nefastas todo mundo conhece, a hist\u00f3ria se repete com muita frequ\u00eancia. Cora\u00e7\u00e3o arrebentado, milh\u00f5es de neur\u00f4nios destru\u00eddos, portanto, a sa\u00fade delimitada, n\u00e3o existe vacina, a ci\u00eancia n\u00e3o consegue estancar a sua hemorragia; na educa\u00e7\u00e3o um flagelo, n\u00e3o existe f\u00f3rmula milagrosa para equacionar o problema; na seguran\u00e7a p\u00fablica e no sistema de justi\u00e7a, uma guerra declarada; mas os atores do movimento beligerante est\u00e3o desarmados, combatendo os malfeitores com flores nas m\u00e3os, todos perdidos sem armas e sem muni\u00e7\u00f5es. Uma luta sem fim, ferida que n\u00e3o cicatriza; algo imundo, nojento, que avilta, causa dor, sofrimento, provoca fome, destrui\u00e7\u00e3o em massa. Compromete o desenvolvimento sustent\u00e1vel, enfraquece as institui\u00e7\u00f5es e os valores da democracia, da \u00e9tica e da justi\u00e7a. Uma express\u00e3o muita conhecida desde os tempos remotos; s\u00e3o nove letras que destroem a esperan\u00e7a de um pa\u00eds, fuzilam covardemente o povo brasileiro. Provoca um massacre imperdo\u00e1vel, um processo de deteriora\u00e7\u00e3o sist\u00eamica do pa\u00eds, fruto de uma anarquia clara evidenciada por meio de uma anomia social. <strong><em>O nome dessa enfermidade grav\u00edssima e incruenta \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que o tema corrup\u00e7\u00e3o sempre despertou grandes interesses sociais, jur\u00eddicos, filos\u00f3ficos, repercuss\u00f5es econ\u00f4micas, sendo certo que quase todo mundo j\u00e1 ouviu falar, ficou sabendo de algu\u00e9m que foi preso sob acusa\u00e7\u00e3o de desvios do dinheiro p\u00fablico, informa\u00e7\u00f5es de notici\u00e1rios de televis\u00e3o ou redes sociais, estando este tema sempre presente nas rodas de conversa. Mas afinal de contas, o que \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o, quaisquer os compromissos do Brasil com a comunidade internacional, qual a sua previs\u00e3o legal, medidas preventivas, repressivas, al\u00e9m de outras?<\/p>\n\n\n\n<p>Com o advento do C\u00f3digo Penal em 1940, Decreto-lei n\u00ba 2848, de 07 de dezembro, o citado comando normativo logo se incumbiu de criar ao menos quatro categorias de condutas desviantes pun\u00edveis na forma do estatuto repressor, no caso, o peculato, a concuss\u00e3o, a corrup\u00e7\u00e3o passiva e a corrup\u00e7\u00e3o ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em simples palavras, peculato \u00e9 quando o funcion\u00e1rio p\u00fablico se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem m\u00f3vel, p\u00fablico ou particular, de que tem a posse em raz\u00e3o do cargo, ou desvi\u00e1-lo, em proveito pr\u00f3prio ou alheio, com pena de reclus\u00e3o, de dois a doze anos, e multa.<\/p>\n\n\n\n<p>O crime de concuss\u00e3o \u00e9 quando em que o servidor p\u00fablico exige para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da fun\u00e7\u00e3o ou antes de assumi-la, mas em raz\u00e3o dela, vantagem indevida, pun\u00edvel com a mesma pena do crime anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>De outro lado, o CP pune com pena de at\u00e9 12 anos de reclus\u00e3o o agente p\u00fablico corrup\u00e7\u00e3o, aquele que venha a solicitar ou receber, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da fun\u00e7\u00e3o ou antes de assumi-la, mas em raz\u00e3o dela, vantagem indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem, conduta de corrup\u00e7\u00e3o passiva prevista no artigo 317 do CP.<\/p>\n\n\n\n<p>E a quarta conduta vinculada a corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 a chamada corrup\u00e7\u00e3o ativa, aquele comportamento criminoso praticado pelo particular, previsto no artigo 333 do CP, consistente em oferecer ou prometer vantagem indevida a funcion\u00e1rio p\u00fablico, para determin\u00e1-lo a praticar, omitir ou retardar ato de of\u00edcio. O ideal aqui nesses dois \u00faltimos crimes, \u00e9 que aquele que oferece e aquele que recebe devem ser presos na mesma cela, com a mesma pena, de at\u00e9 12 anos de reclus\u00e3o, porque os dois s\u00e3o vagabundos e imorais.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da edi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo penal, em 1940 outras legisla\u00e7\u00f5es vieram fortalecer as medidas preventivas e repressivas na tentativa de proteger a Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica dos sanguessugas dos cofres p\u00fablicos, a exemplo do Decreto 5687, de 2006, em que o Brasil se filiou \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o de M\u00e9rida que visa estancar a hemorragia da corrup\u00e7\u00e3o, porque esta pr\u00e1tica atenta com a ordem jur\u00eddica, contra os direitos humanos, e contra a pr\u00f3pria exist\u00eancia da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa mesma toada o Brasil ratificou a Conven\u00e7\u00e3o de Palermo, por meio do Decreto n\u00ba 5015, de 12 de mar\u00e7o de 2004, promulgando, destarte, a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas contra o Crime Organizado Transnacional. A presente Conven\u00e7\u00e3o definiu grupo criminoso organizado como sendo o grupo estruturado de tr\u00eas ou mais pessoas, existente h\u00e1 algum tempo e atuando concertadamente com o prop\u00f3sito de cometer uma ou mais infra\u00e7\u00f5es graves ou enunciadas na presente Conven\u00e7\u00e3o, com a inten\u00e7\u00e3o de obter, direta ou indiretamente, um benef\u00edcio econ\u00f4mico ou outro benef\u00edcio material.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos artigos 8\u00ba e 9\u00ba os pa\u00edses se comprometem a criminalizar os atos de corrup\u00e7\u00e3o e a adotar a medidas contra a corrup\u00e7\u00e3o, sobretudo, promover a integridade e prevenir, detectar e punir a corrup\u00e7\u00e3o dos agentes p\u00fablicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por crime organizado, a Lei n\u00ba 12.850, de 02 de agosto de 2013, em seu artigo 1\u00ba, \u00a7 1\u00ba, considera-se como sendo a associa\u00e7\u00e3o de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divis\u00e3o de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a pr\u00e1tica de infra\u00e7\u00f5es penais cujas penas m\u00e1ximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de car\u00e1ter transnacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o combate eficaz ao crime organizado, sobretudo, em face da corrup\u00e7\u00e3o, \u00e9 premente salientar a fragilidade do sistema de persecu\u00e7\u00e3o criminal brasileiro, naquilo que chamamos de grave sistema de justi\u00e7a criminal, em especial nas fases investigativas e processual. Reconhece-se a necessidade de cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os s\u00f3lidos de colabora\u00e7\u00e3o transnacional, considerando tratar-se de problema de \u00e2mbito global.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 urgente acabar com a farra do sistema de recursos intermin\u00e1veis, cab\u00edvel a cada passo da investiga\u00e7\u00e3o, a cada passo processual, o que causa preju\u00edzos para os anseios sociais, mas consciente da necessidade inarred\u00e1vel de se preservar o sistema de garantias. O que a sociedade mundial clama urgentemente \u00e9 por uma justi\u00e7a que realmente funcione na sua inteireza.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, lamentavelmente, a corrup\u00e7\u00e3o generalizada no Brasil, com indubit\u00e1vel desvio de finalidade, apresenta obst\u00e1culos intranspon\u00edveis para a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de implementa\u00e7\u00e3o dos direitos humanos, configurando, portanto, les\u00e3o de dif\u00edcil repara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia aqui referenciada \u00e9 justamente a nega\u00e7\u00e3o por parte do Estado dos direitos constantes do m\u00ednimo existencial, como sa\u00fade para todos, educa\u00e7\u00e3o com qualidade e seguran\u00e7a efetiva, garantindo exist\u00eancia humana digna, a exigir presta\u00e7\u00f5es estatais positivas, e que somando aos altos \u00edndices de criminalidade, aqui entendida como sendo o somat\u00f3rio de infra\u00e7\u00f5es penais, chega-se \u00e0 conclus\u00e3o de que o Brasil \u00e9 um dos lugares mais perigosos do mundo para se viver.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 caso de vida ou morte implantar no Brasil um forte aparato legislativo, aprimorado, contemplando a figura criminosa da corrup\u00e7\u00e3o entre particulares, cujo modelo poder\u00e1 ser o espanhol, artigo 286 do C\u00f3digo Espanhol, a cria\u00e7\u00e3o de penas mais r\u00edgidas para punir corruptos, a rotula\u00e7\u00e3o do crime de corrup\u00e7\u00e3o como crime hediondo, a possibilidade da cria\u00e7\u00e3o de uma nova modalidade de pris\u00e3o preventiva para assegurar a devolu\u00e7\u00e3o do dinheiro desviado, n\u00e3o como forma de pena, mas de execu\u00e7\u00e3o indireta, nos moldes daquilo que acontece hoje com a pris\u00e3o alimentar que prev\u00ea pris\u00e3o em regime fechado para o devedor de alimentos, conforme dic\u00e7\u00e3o do artigo 911 <em>usque<\/em>&nbsp; 913 do C\u00f3digo de Processo Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Para n\u00e3o ficar nenhuma d\u00favida, preste aten\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos versos. Para ser claro como qualquer express\u00e3o alg\u00e9brica, preciso com a evid\u00eancia, l\u00edmpido como sol que derrama seus raios estilha\u00e7ados neste momento no alto do Jardim Iracema, em Te\u00f3filo Otoni, nas Minas Gerais, ber\u00e7o da liberdade, o que se exige mesmo, na moral, com todas as letras, \u00e9 JUSTI\u00c7A EFETIVA e n\u00e3o simplesmente uma justi\u00e7a do faz de conta.<\/p>\n\n\n\n<p>O delinquente, em especial a criminalidade pol\u00edtica organizada, orquestrada deve ter a certeza da puni\u00e7\u00e3o, qualquer que seja a gradua\u00e7\u00e3o da pena, e a investiga\u00e7\u00e3o empresa, devidamente coordenada e harmoniosa, em perfeita sintonia empresarial entre pessoas, meios, organiza\u00e7\u00e3o e estrat\u00e9gias, sem d\u00favidas, \u00e9 a melhor dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 preciso cumular com a pena privativa de liberdade, com a possibilidade concreta de varrer definitivamente dos portais da Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica os sanguessugas do povo, os insens\u00edveis chacais sociais, os roedores de ossos inacabados.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos de justi\u00e7a r\u00e1pida e eficiente, com recheios de preserva\u00e7\u00e3o das garantias fundamentais. Decis\u00e3o judici\u00e1ria que demora muito tempo ofende com pena de atrocidade o direito de razoabilidade da conclus\u00e3o do procedimento, consoante artigo 5\u00ba, inciso LXXVIII, da Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de 1988.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>REFLEX\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p><strong>\u201cUm n\u00famero muito pequeno de leis ser\u00e1 suficiente em um Estado bem ordenado, com um bom pr\u00edncipe e magistrados honestos, e se as coisas forem diferentes, nenhuma quantidade de leis ser\u00e1 suficiente.\u201d<\/strong> <a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando a alta complexidade do tema, e ainda a necessidade de discorrer com amplitude para melhor entendimento do assunto, mister se faz deixar lan\u00e7ados pequenos raios de luzes em linhas gerais acerca da tem\u00e1tica em testilha, mesmo porque, como bem ensina RADBRUCH<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, que n\u00e3o constitui segredo para ningu\u00e9m que \u00e9 justamente da ess\u00eancia do direito a que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel renunciar o de achar-se eternamente condenado a ver somente as \u00e1rvores e jamais a floresta. Contentamo-nos, pois, com as \u00e1rvores, sem, todavia, cometer o desatino de negar a exist\u00eancia das florestas.<\/p>\n\n\n\n<p>O que se vive no Brasil hoje, ao que parece, ou pelo menos deixa transparecer, \u00e9 uma inequ\u00edvoca e mera transfer\u00eancia de bast\u00e3o de atos de corrup\u00e7\u00e3o, num esquema de prova de revezamento, todos entrela\u00e7ados e misturados num objetivo semelhante, comercializa\u00e7\u00e3o de fuma\u00e7a nas promessas de combate; por mais que criem medidas, regras, leis, regimentos, nada disso tem efic\u00e1cia. O grave problema permanece, persiste com insist\u00eancia, pois novas descobertas de dinheiro s\u00e3o realizadas. Desvios em or\u00e7amentos secretos, esc\u00e2ndalos constantes, entram e saem governos, a doen\u00e7a permanece, n\u00e3o existe rem\u00e9dio eficaz, o estado de sa\u00fade do paciente \u00e9 grav\u00edssimo, h\u00e1 um forte esquema de desvios de dinheiro p\u00fablico, dinheiro em cueca, homiziados em orif\u00edcios inimagin\u00e1veis, dinheiro em cofres, desvios do dinheiro da vacina, um modelo de chapa-branquismo sist\u00eamico, nas palavras do brilhante jornalista Felipe Brasil, uma esp\u00e9cie de sabotagem de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e \u00e0 impunidade, e por isso o que existe neste pa\u00eds \u00e9 uma doente corrosiva infectocontagiosa em continuidade delitiva, crimes da mesma esp\u00e9cie, com as mesmas condi\u00e7\u00f5es de tempo, lugar, maneira de execu\u00e7\u00e3o e outras semelhantes, adotando o sistema de perd\u00e3o difuso no enfrentamento \u00e0 puni\u00e7\u00e3o dos asseclas e compart\u00edcipes do esquema que tomou conta do pa\u00eds, tudo isso aos olhos de um sistema de justi\u00e7a exangue e fracassado, parcial e politizado, um mecanismo perfeito para instala\u00e7\u00e3o do um contagioso estado do caos, em detrimento dos interesses da coletividade.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><em>[1] ROTERD\u00c3. Erasmo. Te\u00f3logo e fil\u00f3sofo holand\u00eas. A educa\u00e7\u00e3o de um pr\u00edncipe crist\u00e3o\u201d, presente no livro \u201cConselhos aos governantes\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:12px\"><em>[2] RADBRUCH. Gustav. Foi professor de direito na Universidade de Heidelberg.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O povo cansou, a paci\u00eancia esgotou, faz-se mister ado\u00e7\u00e3o de medidas s\u00e9rias de enfrentamento da corrup\u00e7\u00e3o, mas que sejam a\u00e7\u00f5es concretas, vi\u00e1veis, sem embroma\u00e7\u00f5es, e assim, a\u00e7\u00f5es urgentes de investimentos na promo\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de transpar\u00eancia e preven\u00e7\u00e3o devem receber prioridade, considerando que a repress\u00e3o tem demonstrado insignific\u00e2ncia e inefici\u00eancia. Assim, trabalhar a preven\u00e7\u00e3o a exemplo do fomento ao reportante do bem, chamado doutrinariamente de&nbsp;<em>whistleblower<\/em>, aquele que oferece informa\u00e7\u00f5es que sejam \u00fateis para a preven\u00e7\u00e3o, a repress\u00e3o ou a apura\u00e7\u00e3o de crimes ou il\u00edcitos administrativos, inclusive, se preciso for com oferecimento de recompensas, de vantagens, medida j\u00e1 prevista na legisla\u00e7\u00e3o brasileira com advento da Lei n\u00ba 13.608, de 2018, e mais que isso, ado\u00e7\u00e3o e medidas de combate \u00e0s fraudes fiscais e ado\u00e7\u00e3o de normas preventivas de combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e estancamento da impunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E nem adianta mudar por mudar, simplesmente trocar a roupa do corpo, as medidas do manequim, as caras novas na galeria de fotos, tendo-se em vista que perdura no pa\u00eds a moderna teoria da putrefa\u00e7\u00e3o d\u00faplice do poder pol\u00edtico. Uma moderna constru\u00e7\u00e3o que prop\u00f5e an\u00e1lise meticulosa da atual conjuntura brasileira. Assim, por Teoria da Putrefa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica entende-se pela exist\u00eancia de uma doen\u00e7a incur\u00e1vel, onde existe de um lado um verdadeiro monte de abutres devorando um corpo putrefeito em adiantado estado de decomposi\u00e7\u00e3o, insofism\u00e1vel processo de necr\u00f3fagos pelo poder; todos vorazes e famintos; sinecuras do poder, mas ningu\u00e9m deseja perder o poder de usufruir dessas facilidades. De outro lado, aparece um tanto de carniceiros, \u00e1vidos pelo poder, invejosos, tentado tomar o produto putrefeito dos primeiros; por via de consequ\u00eancia, surge a g\u00eanese do problema social; surgem os conflitos de grupos antagonistas, cada um defendendo a sua cota-parte no processo de decomposi\u00e7\u00e3o. E quando aparece algu\u00e9m voluntariamente querendo resolver a quest\u00e3o, sepultar o mal, nunca por ideologia de salvador da P\u00e1tria, mas por meio de uma insofism\u00e1vel assepsia social, aparece um monte de asseclas da ndrangheta digital, ferozes an\u00f4nimos do mal, varapau da ignor\u00e2ncia, com estupidez e agress\u00e3o dizendo: \u201cpega esse idiota e enterra\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a moderna teoria da putrefa\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico \u00e9 uma moderna cria\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria em face das claras manifesta\u00e7\u00f5es do modelo atual de se fazer a eros\u00e3o do er\u00e1rio p\u00fablico, dilapidando o seu patrim\u00f4nio, \u00e0s vezes claramente, outras usando nomes de laranjas, numa s\u00f3lida t\u00e9cnica de lavagem de dinheiro, onde grupos antagonistas, sorrateira e agressivamente v\u00e3o aos campos de batalha numa guerra silenciosa e imunda se apresentando como pele de cordeiro prometendo libertar a sociedade da opress\u00e3o e do jogo sujo de manipula\u00e7\u00f5es maliciosas, cujo fim colimado \u00e9 viver \u00e0 custa da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Como bem assegura o excelso Alessandro Visacro, as guerras j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o mais as mesmas. Em vez da confronta\u00e7\u00e3o militar formal, o mundo vem assistindo a uma s\u00e9rie de guerras &#8220;irregulares&#8221;, como terrorismo, guerrilha, insurrei\u00e7\u00e3o, movimentos de resist\u00eancia e conflitos assim\u00e9tricos em geral.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a teoria da putrefa\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico se apresenta camuflado de um jogo de estratagemas e t\u00e9cnicas do mal, onde a for\u00e7a bruta b\u00e9lica \u00e9 substitu\u00edda por guerreiros desarmados e velados que se apresentam no meio social como pessoas inteiramente integradas, teoricamente, ajustadas socialmente, mas acometidas gravemente pela s\u00edndrome do engodo &nbsp;e de car\u00e1ter desviante, em meio a um inv\u00f3lucro com recheio de psicopatia aguda, com alto n\u00edvel de transmiss\u00e3o, e tra\u00e7os de desvio de car\u00e1ter capazes de sangrar o cora\u00e7\u00e3o do advers\u00e1rio, rompendo com os obst\u00e1culos postos \u00e0 sua frente, ainda que tenham que cometer matric\u00eddios covardes e cru\u00e9is como forma de afastar o \u00f3bice encontrado do meio do caminho que os impe\u00e7am de alcan\u00e7ar a simpatia e o desiderato do corpo social, culminando com o mortic\u00ednio de grupos rivais que aparecem no meio do espinhoso caminho, tentando obstar seus desejos amesquinhados e sede pelo poder.<\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:10px\"><em><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> VISACRO. Alessandro. &nbsp;Coronel do Ex\u00e9rcito Brasileiro, graduado na arma de infantaria pela Academia Militar das Agulhas Negras em 1991. Guerra irregular:&nbsp;Terrorismo,&nbsp;guerrilha e movimentos de resist\u00eancia ao longo da hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, arremata-se, em breve s\u00edntese, afirmando com acerto que a corrup\u00e7\u00e3o produz inevit\u00e1veis monstros sociais, pe\u00e7onhentos, devoradores insaci\u00e1veis do poder, que se intitulam porta-vozes da raz\u00e3o, mas que na verdade s\u00e3o transgressores do pacto social, perversos genocidas de plant\u00e3o, tudo isso, porque ostentam brados fortes, gritarias, apela\u00e7\u00f5es, rupturas, viola\u00e7\u00f5es do jogo democr\u00e1tico, utilizando-se de narrativas convincentes, discursos polidos, um forte e robusto sistema de blindagem de aliados pol\u00edticos, um escudo protetor \u00e0 prova de balas, num s\u00f3lido circuito de manobras jur\u00eddicas de garantia do passe livre, do perd\u00e3o eterno, e um sem n\u00famero de verborragias com selo de bo\u00e7alidades, todavia, com sintomas de fraquezas porque atentam contra os direitos humanos, produzindo assassinatos em s\u00e9rie, uma esp\u00e9cie clara e insofism\u00e1vel de serial killer da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma doen\u00e7a infectocontagiosa e incur\u00e1vel A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 um c\u00e2ncer putrefeito que aniquila a qualidade de vida do povo, corr\u00f3i a sociedade e detona a esperan\u00e7a de uma Na\u00e7\u00e3o Resumo: O texto discorre sobre o pand\u00eamico fen\u00f4meno da corrup\u00e7\u00e3o no Brasil, corrosivo e constante, enfrentando causas e efeitos desse mal que dizima e assola brutalmente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20106,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"rop_custom_images_group":[],"rop_custom_messages_group":[],"rop_publish_now":"initial","rop_publish_now_accounts":[],"rop_publish_now_history":[],"rop_publish_now_status":"pending","footnotes":""},"categories":[24],"tags":[393,1749,5463],"class_list":["post-20105","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-brasil","tag-jeferson-botelho-pereira","tag-teoria-da-putrefacao-e-corrupcao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20105"}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20105"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20105\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20165,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20105\/revisions\/20165"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20105"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20105"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20105"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}