{"id":2177,"date":"2020-07-31T00:31:10","date_gmt":"2020-07-31T03:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=2177"},"modified":"2020-07-31T11:47:33","modified_gmt":"2020-07-31T14:47:33","slug":"infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=2177","title":{"rendered":"Inf\u00e2ncia&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-2178\" width=\"283\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-4.jpg 634w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-4-234x300.jpg 234w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Anibal-Gon\u00e7alves-4-328x420.jpg 328w\" sizes=\"(max-width: 283px) 100vw, 283px\" \/><figcaption><strong><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong> &#8211; Pedagogo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>De que eu me lembre, quando eu era crian\u00e7a l\u00e1 em Coroaci, n\u00e3o havia ainda o Dia da Crian\u00e7a tal como existe hoje, depois que cresci. Tamb\u00e9m n\u00e3o tinha shopping center, videogame, hamb\u00farguer, Disneyl\u00e2ndia e outros badulaques que fazem a festa da meninada de agora. Tinha televis\u00e3o em preto e branco, quando eu era crian\u00e7a, imaginem voc\u00eas. Como me disse Marlene [leia-se Sal\u00e3o Requinte] &#8211; uma das melhores escultoras de estruturas capilares femininas dessas plagas do Nordeste mineiro &#8211; \u201cnaquele tempo, tinham muitas goiabeiras, muitos riachos\u201d. A inf\u00e2ncia n\u00e3o passava de uma aventura t\u00e3o simples, sem superprodu\u00e7\u00e3o nem outros quaisquer apelos consumistas. Por\u00e9m, em compensa\u00e7\u00e3o, havia espa\u00e7os vazios como quintais, ruas, entre outros, onde pod\u00edamos brincar \u00e0 vontade e em perfeita liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Os meninos de \u00e9pocas passadas n\u00e3o eram obrigados a viverem confinados, feito prisioneiros perp\u00e9tuos, nos playgrounds dos condom\u00ednios como passarinhos no espa\u00e7o restrito das gaiolas. Todos os dias, exceto s\u00e1bados e domingos, os meninos viviam uma doce rotina di\u00e1ria. E a minha era acordar cedo, tomar banho frio no p\u00e9 nos v\u00e1rios po\u00e7os d\u2019\u00e1gua l\u00e1 da horta feita e cuidada pela Maria Juquinha &#8211; minha segunda m\u00e3e, ir para a aula no grupo escolar Padre Sady Rabelo, almo\u00e7ar, e depois brincar e brincar e brincar. Nos fins de semana, como era de praxe, as crian\u00e7as apenas brincavam, brincavam, brincavam. O tempo demorava, custava tanto a passar que parecia que a gente nunca mais iria crescer. V\u00e3 ilus\u00e3o, triste engano.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes eu ainda me pergunto: ser\u00e1 que a inf\u00e2ncia dos meus desdobramentos celulares foi melhor do que a minha? Por mim, eu acredito que sim, eles acreditam que n\u00e3o e eu a eles digo que entre inf\u00e2ncias presentes e passadas n\u00e3o cabe nenhuma compara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Inf\u00e2ncia para ser boa s\u00f3 precisa de uma coisa: ser inf\u00e2ncia com \u201cI\u201d mai\u00fasculo. Assim como os meninos n\u00e3o devem querer tentar ser outra coisa sen\u00e3o meninos. E isso por uma raz\u00e3o bastante simples. Quem n\u00e3o p\u00f4de ser crian\u00e7a geralmente torna-se um adulto amargurado, ruminando raivosamente a sua inf\u00e2ncia perdida ou roubada.<\/p>\n\n\n\n<p>Das poucas certezas de que sou feito, de uma certamente eu n\u00e3o abro m\u00e3o. Eu fui menino, eu era t\u00e3o menino e creio sinceramente que ainda o sou ou me torno de vez em quando. Ainda trago embutido na alma de adulto um moleque quase travesso. Esse menino \u00e9 quem me redime quando perco a esperan\u00e7a na humanidade &#8211; como a bandalheira\/roubalheira que ora assistimos em cores neste nosso pa\u00eds, com essas compras sem licita\u00e7\u00f5es realizadas pelos gestores p\u00fablicos de diferentes esferas do poder, a t\u00edtulo de enfrentamento \u00e0 Covid-19, quando o meu cora\u00e7\u00e3o se transforma num po\u00e7o acre de amargura. O maior crime que se pode cometer contra a inf\u00e2ncia e o mais perverso \u00e9 impedi-la de ser plenamente inf\u00e2ncia. Deixemos ent\u00e3o as crian\u00e7as serem simplesmente crian\u00e7as. Essa \u00e9 a mais bela, mais rara, mais urgente oferenda nos tumultuados e estressantes dias de hoje. Aqui em Te\u00f3filo Otoni, ou em Coroaci ou em qualquer outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>P.S.: Dedicado ao meu pai Jos\u00e9 Ramos Gon\u00e7alves, \u201cGon\u00e7alinho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong> \u00e9 pedagogo, graduado em Administra\u00e7\u00e3o Escolar, ex-diretor da Escola Estadual de Coroaci &#8211; MG [hoje Dona Sinhaninha Gon\u00e7alves] e professor de Filosofia, Sociologia e Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Foi chefe do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cooperativista da CLTO. Atualmente, jornalista e radialista da 98 FM (Te\u00f3filo Otoni).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De que eu me lembre, quando eu era crian\u00e7a l\u00e1 em Coroaci, n\u00e3o havia ainda o Dia da Crian\u00e7a tal como existe hoje, depois que cresci. Tamb\u00e9m n\u00e3o tinha shopping center, videogame, hamb\u00farguer, Disneyl\u00e2ndia e outros badulaques que fazem a festa da meninada de agora. 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