{"id":23572,"date":"2024-02-26T23:24:45","date_gmt":"2024-02-27T02:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23572"},"modified":"2024-02-26T23:24:46","modified_gmt":"2024-02-27T02:24:46","slug":"paciente-da-casa-de-saude-santa-izabel-em-betim-faz-100-anos-e-pede-namorada-em-casamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23572","title":{"rendered":"Paciente da Casa de Sa\u00fade Santa Izabel, em Betim, faz 100 anos e pede namorada em casamento"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Casal ficou noivo ap\u00f3s conviv\u00eancia de quase duas d\u00e9cadas na unidade da Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Minas Gerais<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"466\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed-file.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23573\" style=\"width:464px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed-file.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed-file-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed-file-696x463.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/unnamed-file-631x420.jpg 631w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O amor n\u00e3o escolhe idade e nem lugar para acontecer. Na literatura e nas telas n\u00e3o faltam hist\u00f3rias rom\u00e2nticas que ilustrem isso. Na vida real &#8211; mais especificamente em Betim, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) &#8211; Osvaldo Pinto da Silva, de 100 anos, e Maria Nilza Rodrigues do Santos, de 57, s\u00e3o protagonistas de um romance que poderia ser considerado improv\u00e1vel, por quest\u00f5es de sa\u00fade e de um hist\u00f3rico de segrega\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, os pacientes, que convivem h\u00e1 quase 18 anos na Casa de Sa\u00fade Santa Izabel (CSSI), da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fhemig.mg.gov.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig)<\/a>, manifestaram o desejo de celebrar o afeto constru\u00eddo entre eles. No fim do ano passado, oficializaram o noivado durante a comemora\u00e7\u00e3o do cent\u00e9simo anivers\u00e1rio do seu Osvaldo, conhecido por todos como Paran\u00e1. A psic\u00f3loga da CSSI, D\u00e9bora Gabriele Tolentino Alves, acompanha os dois pacientes e conta um pouco mais sobre o relacionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO Paran\u00e1 est\u00e1 aqui h\u00e1 mais de 40 anos e a Nilza h\u00e1 27. Ele, por conta da hansen\u00edase, e ela, por sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC). Em 2006, eles come\u00e7aram a conviver, ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Unidade de Cuidados ao Adulto (UCA), onde vivem atualmente. J\u00e1 h\u00e1 alguns anos observamos eles sempre pr\u00f3ximos, juntos na hora da refei\u00e7\u00e3o, nas oficinas terap\u00eauticas, ele buscando \u00e1gua para ela, oferecendo lanche. Perguntei \u00e0 Maria Nilza se ela estava confort\u00e1vel com as manifesta\u00e7\u00f5es de carinho por parte dele e ela respondeu que sim, tratando tudo de forma muito natural\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim do ano passado, Osvaldo completou 100 anos e a equipe n\u00e3o queria que a data passasse em branco. Por isso, planejaram uma festa de anivers\u00e1rio para ele. \u201cDurante a organiza\u00e7\u00e3o, ele nos procurou para dizer que queria ficar noivo na ocasi\u00e3o, que j\u00e1 havia pedido sua curadora para comprar as alian\u00e7as para pedir a m\u00e3o da Maria Nilza em casamento. E ela havia aceitado. Em respeito ao desejo dos dois, ao que estavam manifestando naquele momento, providenciamos tudo para que, durante o anivers\u00e1rio, ele pudesse fazer esse pedido. Foi emocionante e eles ficaram muito agradecidos\u201d, conta D\u00e9bora.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a psic\u00f3loga, escutar o desejo e fazer o poss\u00edvel para atender \u00e9 uma forma de valorizar os pacientes asilares. \u201cOs dois v\u00eam de uma hist\u00f3ria em que esses direitos s\u00e3o negados &#8211; ele pela hansen\u00edase e ela por ser uma pessoa com defici\u00eancia. E ouvir e apostar nisso \u00e9 uma forma de valorizar o que eles est\u00e3o nos trazendo, de manter a autonomia deles enquanto sujeitos de direitos e com desejos. Aqui, eles est\u00e3o tendo oportunidade de ser algu\u00e9m: o Paran\u00e1, de ser noivo da Nilza; e a Nilza, a noiva do Paran\u00e1. Ent\u00e3o foi por isso que, com muita alegria, a gente acolheu esse pedido, para que eles se sintam especiais, se sintam pessoas. O que, durante muito tempo, foi algo negado aos dois\u201d, enfatiza D\u00e9bora.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal afirma ter planos de comprar uma casa em Juatuba, onde Maria Nilza tem uma filha, e contratar uma pessoa como cuidadora para os dois, pois reconhecem as limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas de ambos e que precisam de ajuda no dia a dia. Mas antes, ela, que \u00e9 evang\u00e9lica, quer que o noivo se converta \u00e0 sua religi\u00e3o. \u201cS\u00f3 depois que ele batizar vamos casar. Ele sempre falava comigo que eu sou muito bonita. Por que voc\u00ea quis ficar noivo? Voc\u00ea gosta de mim?\u201d, indagou Nilza. \u201cEu gosto de voc\u00ea. Desde a primeira vez eu gostei dela. Ela \u00e9 bonita. Quando o caf\u00e9 chega, a gente fica junto. Eu s\u00f3 fico perto dela. Temos que comprar casa e mob\u00edlia primeiro\u201d, respondeu Osvaldo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Casa de Sa\u00fade Santa Izabel<\/strong> &#8211; A Casa de Sa\u00fade Santa Izabel tem 92 anos de exist\u00eancia. Seu surgimento se deu ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica sanit\u00e1ria de tratamento da hansen\u00edase no Brasil, que determinava a cria\u00e7\u00e3o de col\u00f4nias agr\u00edcolas, sanat\u00f3rios, hospitais e asilos, nos quais as pessoas diagnosticadas com a doen\u00e7a deveriam ser compulsoriamente internadas, mantendo-as distantes dos centros populacionais, a fim de evitar uma contamina\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, a unidade teve seu perfil assistencial modificado, conforme as demandas de sa\u00fade p\u00fablica local. Atualmente, a unidade oferece assist\u00eancia com foco em reabilita\u00e7\u00e3o e cuidados prolongados a pacientes cr\u00f4nicos e oferta tamb\u00e9m a linha de cuidado voltada \u00e0s pessoas acometidas pela hansen\u00edase.<br><br>A CSSI oferece assist\u00eancia multidisciplinar, humanizada, composta por m\u00e9dicos, assistentes sociais, psic\u00f3logos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudi\u00f3logos, nutricionistas e enfermeiros; com o objetivo de respeitar e estimular a autonomia e independ\u00eancia dos usu\u00e1rios. (Imprensa\/ Governo de Minas\/ Cr\u00e9dito-Foto:\u00a0Rafael Assis).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casal ficou noivo ap\u00f3s conviv\u00eancia de quase duas d\u00e9cadas na unidade da Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Minas Gerais O amor n\u00e3o escolhe idade e nem lugar para acontecer. Na literatura e nas telas n\u00e3o faltam hist\u00f3rias rom\u00e2nticas que ilustrem isso. 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