{"id":23915,"date":"2024-03-22T14:26:20","date_gmt":"2024-03-22T17:26:20","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23915"},"modified":"2024-03-22T14:26:20","modified_gmt":"2024-03-22T17:26:20","slug":"janaina-a-mae-atipica-em-sentido-duplo-fe-e-amor-adocao-e-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23915","title":{"rendered":"Jana\u00edna, a m\u00e3e at\u00edpica em sentido duplo: f\u00e9 e amor, ado\u00e7\u00e3o e autismo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"942\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Juliana-Lemes-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23916\" style=\"width:290px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Juliana-Lemes-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Juliana-Lemes-2-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Juliana-Lemes-2-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Juliana-Lemes-2-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><br><strong>Doutora em Pol\u00edtica Social (UFF).<\/strong><br><strong>Conselheira do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/strong><br><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:lemes.jlc@gmail.com\">lemes.jlc@gmail.com<\/a><strong> | @julianalemesoficial<\/strong><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Desenho aqui, em palavras, a emo\u00e7\u00e3o que senti ao organizar este texto sobre a 2\u00aa parte da jornada de Jana\u00edna Mendon\u00e7a. Trata-se de um relato sobre a maternidade via ado\u00e7\u00e3o e da adapta\u00e7\u00e3o da vida com a presen\u00e7a do autismo. Diz sobre as viv\u00eancias dessa m\u00e3e at\u00edpica em sentido duplo que nasceu em 2018, em meio a um marcante processo de ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"472\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23917\" style=\"width:483px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3-3.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3-3-300x202.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3-3-696x469.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/3-3-623x420.jpg 623w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Jean e seus pais, Jana\u00edna e Cadu<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 hist\u00f3rias comuns de vida e h\u00e1 hist\u00f3rias capazes de projetar quem a acessa ao transbordamento espiritual e humano, tamanha a dimens\u00e3o do cuidado ao pr\u00f3ximo manifestado por personagens conhecidos ou an\u00f4nimos que protagonizam, mesmo na mais genu\u00edna das inten\u00e7\u00f5es, exemplos de vida baseados no amor.<\/p>\n\n\n\n<p>O desejo de Jana\u00edna pela maternidade aflorou em meio ao sucesso profissional relatado no texto anterior desta Coluna<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><strong>,<\/strong> onde ilustrei a primeira parte dessa hist\u00f3ria. Sua inquieta\u00e7\u00e3o tornou-se ainda mais latente em virtude da sua dificuldade de engravidar, mesmo o m\u00e9dico afirmando que a apendicite tratada em momento anterior n\u00e3o tenha interferido no seu aparelho reprodutor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23484\">https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=23484<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A maternidade pela ado\u00e7\u00e3o &#8211;<\/strong> Fato \u00e9 que o obst\u00e1culo fez despertar em seu cora\u00e7\u00e3o um desejo de crian\u00e7a, o de adotar. Ap\u00f3s um bom papo com uma profissional da \u00e1rea, viu-se \u201cgr\u00e1vida do cora\u00e7\u00e3o\u201d. Jana\u00edna estava decidida e espiritualmente mobilizada a sensibilizar seu companheiro, o Cadu. Motivo pelo qual, com f\u00e9, pediu \u00e0 Deus que a ajudasse nessa empreitada. Recebida com resist\u00eancia, a novidade foi absorvida por Cadu ap\u00f3s uma pergunta chave da esposa. \u201cJ.- Voc\u00ea tem vontade de ter filho n\u00e3o tem? C.- Sim, tenho! J.- E pra qu\u00ea? C.- Pra passar as coisas boas que a gente tem, pra ensinar, pra deixar uma pessoa melhor pra sociedade, pra poder compartilhar a vida com essa crian\u00e7a. J.- Mas, isso tudo a ado\u00e7\u00e3o te permite!\u201d. Foi esse o gatilho para que Cadu se abrisse para a ado\u00e7\u00e3o. O que se concretizou, meses depois, para aquele pai, com um abra\u00e7o do pequeno Jean e a pergunta seguinte de Jana\u00edna: \u201cE a\u00ed, n\u00f3s vamos continuar? C.- Esse foi o abra\u00e7o mais perto de um pai que eu recebi\u201d. Come\u00e7ou a\u00ed o processo de aproxima\u00e7\u00e3o dos rec\u00e9m pais com o beb\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma crian\u00e7a das ruas<\/strong> &#8211; Jean foi uma crian\u00e7a gerada por uma mulher em situa\u00e7\u00e3o de rua, portadora de doen\u00e7a mental, usu\u00e1ria de drogas il\u00edcitas e que sofria abusos e viol\u00eancias nos ambientes por onde passava \u2013 desde a regi\u00e3o rural de Pav\u00e3o\/MG at\u00e9 Te\u00f3filo Otoni\/MG. Ao nascer, Jean foi direcionado a um abrigo para a ado\u00e7\u00e3o, assim como outros filhos daquela mesma mulher. Ele nasceu com s\u00edfilis cong\u00eanita e tinha possibilidade de ter problemas de audi\u00e7\u00e3o. O casal assinalou na ficha de cadastro que aceitaria adotar uma crian\u00e7a com doen\u00e7as trat\u00e1veis, o que fez com que subissem para o 1\u00ba lugar da fila. O processo todo demorou apenas 10 meses. Jean foi acolhido, e na semana seguinte da ado\u00e7\u00e3o, descobriu-se que ele n\u00e3o tinha problemas de audi\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e relata que se detectado na semana anterior, Jean n\u00e3o estaria com eles, porque a ordem da fila de espera se alteraria. Tamb\u00e9m por isso, entendeu que aquela era a crian\u00e7a destinada para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Jana\u00edna, \u201ca ado\u00e7\u00e3o \u00e9 um jeito de ser fam\u00edlia, um meio de responsabilidade social tamb\u00e9m para com aqueles que foram violentados por v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es, mas, n\u00e3o s\u00f3 isso. \u00c9 uma hist\u00f3ria de amor m\u00fatuo, porque n\u00e3o s\u00f3 ele (Jean) recebeu uma oportunidade, mas, n\u00f3s tamb\u00e9m recebemos a oportunidade de sermos pais e de receber o amor dele\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"818\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/5ec08911-2d09-4c6c-94ba-9a65943e899b-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-23919\" style=\"width:443px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/5ec08911-2d09-4c6c-94ba-9a65943e899b-1.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/5ec08911-2d09-4c6c-94ba-9a65943e899b-1-257x300.jpg 257w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/5ec08911-2d09-4c6c-94ba-9a65943e899b-1-696x813.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/5ec08911-2d09-4c6c-94ba-9a65943e899b-1-359x420.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O diagn\u00f3stico de autismo &#8211;<\/strong> Em 2022, quando Jean tinha de 3 para 4 anos, come\u00e7aram a observar a forma como ele brincava: empilhando e enfileirando os brinquedos, andando na ponta dos p\u00e9s, com seletividade alimentar, intoler\u00e2ncia \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o, hiperfoco em planetas, dentre outras caracter\u00edsticas observadas tanto por pessoas da rede de apoio (Mayara), quanto da sua pediatra. Buscou-se informa\u00e7\u00f5es junto \u00e0 APAE e em janeiro de 2023, j\u00e1 residindo em Belo Horizonte, o casal teve o diagn\u00f3stico conclusivo de que Jean era autista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O Transtorno do Espectro Autista (TEA) <\/strong>afeta pacientes no campo da comunica\u00e7\u00e3o. \u00c9 identificado nos primeiros anos de vida, com o retardamento da fala, por exemplo. Mas, pode ser descoberto j\u00e1 na fase adulta. A dificuldade de intera\u00e7\u00e3o social, comportamentos incomuns, foco em detalhes, rituais\/rotina fixa, dificuldade para interpretar a linguagem, a exemplo de uma ironia ou brincadeira, s\u00e3o caracter\u00edsticas desses c\u00e9rebros que t\u00eam funcionamento ainda misterioso para a ci\u00eancia. Ocorre por causas diversas, desde gen\u00e9tica a fatores ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, autistas apresentam formas de intera\u00e7\u00e3o diferentes, a depender se o transtorno \u00e9 de n\u00edvel leve (1), moderado (2) ou severo (3), o que sinaliza graus de depend\u00eancia do indiv\u00edduo ou sua necessidade de suporte. Vale esclarecer que o <strong>autismo n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a<\/strong>, mas, uma condi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ou defici\u00eancia neurol\u00f3gica, reconhecida pela Lei n\u00ba 12.764\/2012.<\/p>\n\n\n\n<p>Jana\u00edna lembrou que sofreram muito preconceito das pessoas ao seu redor, sendo a escola ainda muito despreparada para lidar com o autismo e por isso, foi muito desafiador. No entanto, disp\u00f5e de uma rede de apoio forte, composta por familiares, tanto de sua parte, quanto da parte do Cadu. Relata que para conseguir ser m\u00e3e \u00e9 essa rede que te d\u00e1 suporte. Desde 2022, Jana\u00edna tem viajado o estado inteiro a trabalho e isso faz com que ela tenha que lidar com a culpa de n\u00e3o estar presente. Desabafa que consegue porque tem ao seu lado o Cadu: \u201c[&#8230;] muito parceiro, companheiro, me potencializa, me valoriza, me impulsiona a ser a profissional que eu sou e a mulher que eu sou, ficando na retaguarda nos cuidados do Jean\u201d. O casal precisou estudar muito e se adaptar \u00e0s sess\u00f5es terap\u00eauticas que, em certas ocasi\u00f5es, s\u00e3o realizadas no ambiente familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um sorriso no rosto e muita f\u00e9, Jana\u00edna tem abra\u00e7ado seus desafios porque compreende que s\u00e3o prop\u00f3sitos de Deus em sua vida. Ela acredita que Jean foi enviado por Ele para ser cuidado pelo casal, devolvendo-os o amor que recebe. O menino \u00e9 a maior alegria de suas vidas, por onde passa, cativa as pessoas. Essa maternidade at\u00edpica significa para Jana\u00edna um misto de alegria, paix\u00e3o e cumplicidade. Um privil\u00e9gio que ela atribui ao Divino, porque cr\u00ea no melhor que Ele sempre faz aos seus filhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desenho aqui, em palavras, a emo\u00e7\u00e3o que senti ao organizar este texto sobre a 2\u00aa parte da jornada de Jana\u00edna Mendon\u00e7a. Trata-se de um relato sobre a maternidade via ado\u00e7\u00e3o e da adapta\u00e7\u00e3o da vida com a presen\u00e7a do autismo. 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