{"id":24116,"date":"2024-04-08T19:21:43","date_gmt":"2024-04-08T22:21:43","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=24116"},"modified":"2024-04-08T19:21:44","modified_gmt":"2024-04-08T22:21:44","slug":"a-paternidade-como-dever-e-direito-um-relato-do-cleriston-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=24116","title":{"rendered":"A paternidade como dever e direito: um relato do Cleriston pai"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"942\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Juliana-Lemes-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24117\" style=\"width:399px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Juliana-Lemes-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Juliana-Lemes-2-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Juliana-Lemes-2-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Juliana-Lemes-2-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><br><strong>Doutora em Pol\u00edtica Social (UFF).<\/strong><br><strong>Conselheira do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/strong><br><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:lemes.jlc@gmail.com\">lemes.jlc@gmail.com<\/a><strong> | @julianalemesoficial<\/strong><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Recente pesquisa mostrou que 76% dos brasileiros entendem que a licen\u00e7a paternidade (5 dias) deve ser estendida (DATAFOLHA, 2024). Enquanto para alguns \u201cpais\u201d isso n\u00e3o faz diferen\u00e7a, afinal, negam ou negligenciam o dever da paternidade sem pudor ou culpa, para Cleriston, seria o ideal para que pudesse exercer efetivamente seu direito de ser pai, podendo ter acompanhado e cuidado das filhas nos primeiros meses de vida. Alguns homens entendem a condi\u00e7\u00e3o de \u201cpai\u201d de forma deturpada, como se contribuir com o material gen\u00e9tico para a procria\u00e7\u00e3o fosse o bastante para serem vistos como \u201cpais\u201d. Quando na verdade, com tal postura, n\u00e3o passam de genitores.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"640\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Cleriston-com-Helena-e-Rebeca.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24118\" style=\"width:467px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Cleriston-com-Helena-e-Rebeca.jpg 640w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Cleriston-com-Helena-e-Rebeca-300x300.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Cleriston-com-Helena-e-Rebeca-150x150.jpg 150w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Cleriston-com-Helena-e-Rebeca-420x420.jpg 420w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Cleriston com as filhas Helena e Rebeca<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O Conselho Nacional de Justi\u00e7a (2013), com base em dados de 2011, apontou que o Brasil tinha 5 milh\u00f5es e meio de crian\u00e7as sem o nome dos pais nas suas certid\u00f5es de nascimento. Boa parte dos homens genitores decidiu, simbolicamente, \u201cabortar\u201d a crian\u00e7a, ignorando sua concep\u00e7\u00e3o. Postura, at\u00e9 hoje, pouco contestada socialmente quando se \u00e9 decidida por um homem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dentre aqueles que registram as crian\u00e7as e abrem m\u00e3o da paternidade, destaco tr\u00eas perfis:<\/strong> 1) aquele que assume a paternidade no registro, mas, n\u00e3o o exerce nem de forma financeira, tampouco, afetiva; 2) aquele que reduz a paternidade ao pagamento da pens\u00e3o-aliment\u00edcia e \u00e9 afetivamente ausente; e 3) aquele que oferece afeto, mas, n\u00e3o paga pens\u00e3o. Para esses, a paternidade parece facultativa e o que fizeram ou fazem pelos filhos \u00e9 o bastante e, inclusive, elogi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o bastasse a evid\u00eancia de que a mulher de hoje n\u00e3o \u00e9 mais a mulher de antigamente, ou seja, n\u00e3o est\u00e1 exclusivamente se dedicando \u00e0 vida dom\u00e9stica, h\u00e1 outro elemento determinante nesse cen\u00e1rio. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira, ao definir 5 dias para a licen\u00e7a paternidade e 120 dias para a licen\u00e7a maternidade, comunica \u00e0 sociedade que a responsabilidade pela crian\u00e7a \u00e9 mais da m\u00e3e do que do pai. Logo, muitos homens deixam de cumpri-la, sob o discurso amplamente difundido e aceito de que a m\u00e3e cuida, se ela faltar, tem-se a av\u00f3 ou a tia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, alguns homens t\u00eam constitu\u00eddo nova consci\u00eancia sobre a mat\u00e9ria. \u00c9 o caso do Cleriston, que relata sua dificuldade para exercer plenamente sua paternidade. E como a define? Explico. Para eles, todas as tarefas de cuidados podem e devem ser desenvolvidas por ele em equil\u00edbrio com sua esposa, a Fl\u00e1via. Salvo, quando a amamenta\u00e7\u00e3o for via seio materno. Apesar do Brasil ter evidenciado nos \u00faltimos anos redu\u00e7\u00e3o a taxa de natalidade, o que indica que os brasileiros est\u00e3o optando por terem menos filhos ou n\u00e3o os ter, alguns casais fazem o movimento inverso.<\/p>\n\n\n\n<p>Cleriston e Fl\u00e1via fazem parte do grupo de pessoas que decidiram enfrentar o desafio de buscar na ci\u00eancia e tecnologia a alternativa para o alcance do objetivo de constitu\u00edrem suas fam\u00edlias do modo que sonharam, sendo pais biol\u00f3gicos dos seus filhos. Gentilmente, Fl\u00e1via autorizou que fosse abordado aqui est\u00e1gios da sua jornada at\u00e9 que se tornasse m\u00e3e. Condi\u00e7\u00e3o que envolveu, al\u00e9m de investimento financeiro do casal, frustra\u00e7\u00e3o, dor e culpa. No entanto, a persist\u00eancia e f\u00e9 que tiveram nesse percurso merece ser destacado como exemplo de supera\u00e7\u00e3o para casais que tamb\u00e9m sonham serem pais.<\/p>\n\n\n\n<p>Decidiram engravidar em 2018, mas o teste positivo n\u00e3o chegava. \u201cForam muitas expectativas, emo\u00e7\u00f5es, medos e afli\u00e7\u00f5es\u201d. Em 2020 procuraram ajuda de uma cl\u00ednica de reprodu\u00e7\u00e3o assistida. Na 1\u00aa tentativa, n\u00e3o deu certo. Na 2\u00aa, deu positivo, \u201cChoramos, vibramos, agradecemos a Deus, mas&#8230; 2 dias depois o nosso beb\u00ea estava nos deixando\u2026 perdemos!!\u201d, disse Fl\u00e1via. Em 2022, buscaram uma nova cl\u00ednica, fizeram v\u00e1rios exames at\u00e9 chegarem ao diagn\u00f3stico de trombofilia, o que foi tratado e finalmente, chegou \u201co t\u00e3o sonhado e desejado POSITIVO\u201d. Relata que foi uma \u201c[&#8230;] alegria sem medida, mas a incerteza e o medo ainda perduravam, afinal de contas era s\u00f3 o come\u00e7o [&#8230;]\u201d, e n\u00e3o desistiram. No m\u00eas seguinte, \u201c[&#8230;] pareceu estarmos vivendo outro pesadelo, pois n\u00e3o havia batimento card\u00edaco\u201d identificado pelo ultrassom. Em 10 dias repetiram o exame e foram \u201c[&#8230;]dias de muita ang\u00fastia, ansiedade, medo\u201d. Conforme destacou Fl\u00e1via: \u201cn\u00e3o havia 1 cora\u00e7\u00e3o batendo, havia 2! Nosso \u00fanico embri\u00e3o se dividiu! Eram 2 beb\u00eas id\u00eanticos! Vibramos muito. Como Deus \u00e9 bom!\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"631\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/0668ab62-7ed1-4c1a-a677-5e1ade5b60ce.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24119\" style=\"width:580px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/0668ab62-7ed1-4c1a-a677-5e1ade5b60ce.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/0668ab62-7ed1-4c1a-a677-5e1ade5b60ce-300x270.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/0668ab62-7ed1-4c1a-a677-5e1ade5b60ce-696x627.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/0668ab62-7ed1-4c1a-a677-5e1ade5b60ce-466x420.jpg 466w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As pequenas Helena e Rebeca nasceram em agosto de 2023 e junto delas nasceu a Fl\u00e1via m\u00e3e o Cleriston pai. Como ocorre em todo puerp\u00e9rio, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 nova vida foi muito dif\u00edcil para ambos, mas, teria sido menos desgastante se a legisla\u00e7\u00e3o brasileira reconhecesse que, assim como a m\u00e3e, o pai tem papel fundamental nos primeiros meses de vida da crian\u00e7a, pois exige aten\u00e7\u00e3o em tempo integral dos cuidadores. Para dar conta, o casal fez uma for\u00e7a tarefa com apoio da rede familiar. Cleriston, que \u00e9 policial, estava em per\u00edodo de curso integral, o que limitou no apoio que gostaria de ter prestado \u00e0 sua companheira. Fl\u00e1via \u00e9 enfermeira e ficou licenciada durante os 120 dias previstos em lei.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram noites de revezamento de priva\u00e7\u00e3o de sono entre o casal. E por mais que estivesse se esfor\u00e7ando, Cleriston sentiu muito por querer cumprir seu papel de pai como acha que deve ser, mas, se viu limitado pelas responsabilidades laborais. Como poucos com esta consci\u00eancia, testemunhei sua inquieta\u00e7\u00e3o em n\u00e3o poder minimizar os esfor\u00e7os de sua esposa para cuidar das pequenas, motivo pelo qual me chamou a aten\u00e7\u00e3o, despertando em mim o desejo de dissertar sobre sua viv\u00eancia nesta Coluna.<\/p>\n\n\n\n<p>De fato, ele queria estar junto, presente e compromissado em passar com ela aquela fase mais dif\u00edcil. No entanto, ainda vivemos em uma sociedade em que mesmo que disposto, o homem, ainda encontra resist\u00eancia para cumprir tarefa dos cuidados \u2013 fun\u00e7\u00e3o historicamente delegada \u00e0s mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em alguns pa\u00edses da Europa, por exemplo, a licen\u00e7a maternidade \u00e9 combinada \u00e0 licen\u00e7a paternidade, de modo que os pais escolhem a melhor forma de usufru\u00ed-la. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre dias concedidos a mulheres ou a homens. Ambos n\u00e3o tiram as licen\u00e7as em um mesmo momento, mas, podem revezar entre eles durante todo o per\u00edodo de licen\u00e7a, reduzindo assim, a desigualdade em fun\u00e7\u00e3o dos cuidados entre pais e m\u00e3es.<\/p>\n\n\n\n<p>Por aqui, no Brasil, ainda precisamos desconstruir a ideia de que homens n\u00e3o t\u00eam as mesmas obriga\u00e7\u00f5es que as mulheres na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio o cont\u00ednuo debate sobre o assunto para que se produza sensibiliza\u00e7\u00e3o social e movimento legislativo \u2013 norma\/ lei \u2013 para comunicar oficialmente \u00e0 sociedade que o Estado brasileiro entende que o homem tem tanta responsabilidade quanto a mulher frente \u00e0s pessoas que trazem ao mundo. (Colabora\u00e7\u00e3o: Fl\u00e1via e Cleriston Tameir\u00e3o).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recente pesquisa mostrou que 76% dos brasileiros entendem que a licen\u00e7a paternidade (5 dias) deve ser estendida (DATAFOLHA, 2024). 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