{"id":25582,"date":"2024-08-02T10:44:20","date_gmt":"2024-08-02T13:44:20","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=25582"},"modified":"2024-08-02T10:45:26","modified_gmt":"2024-08-02T13:45:26","slug":"18-anos-da-lei-maria-da-penha-e-ainda-ha-quem-acredite-que-violencia-domestica-nao-acontece-sem-agressao-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=25582","title":{"rendered":"18 anos da Lei Maria da Penha e ainda h\u00e1 quem acredite que viol\u00eancia dom\u00e9stica n\u00e3o acontece sem agress\u00e3o f\u00edsica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"942\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Juliana-Lemes-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25585\" style=\"width:351px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Juliana-Lemes-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Juliana-Lemes-2-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Juliana-Lemes-2-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Juliana-Lemes-2-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><br><strong>Doutora em Pol\u00edtica Social (UFF).<\/strong><br><strong>Conselheira do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/strong><br><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:lemes.jlc@gmail.com\">lemes.jlc@gmail.com<\/a><strong> | @julianalemesoficial<\/strong><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mo\u00e7as se casavam jovens na esperan\u00e7a de fugirem dos abusos f\u00edsicos e\/ou psicol\u00f3gicos dos pais muito severos. No entanto, a hist\u00f3ria de viol\u00eancia se perpetuava pelas atitudes do ent\u00e3o esposo que, sem resist\u00eancia, imprimia outras formas de abuso \u00e0quela mulher j\u00e1 t\u00e3o acostumada a suportar o sofrimento intrafamiliar. Assim, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o mulheres conformaram com suas dores como se fossem resultantes inevit\u00e1veis de embates t\u00edpicos da vida de casal e sem perceberem, reproduziram as viol\u00eancias sofridas para seus filhos e filhas, ensinando meninos a se portarem como esperado de homens e as meninas, a serem pacientes e compreensivas diante da personalidade de seus companheiros.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que a Lei 11.340 foi promulgada em 7 de agosto de 2006, o m\u00eas tem sido de celebra\u00e7\u00e3o nacional para a ampla difus\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es sobre a viol\u00eancia dom\u00e9stica contra meninas e mulheres no Brasil. Apesar de bastante conhecida, as d\u00favidas sobre a norma persistem. H\u00e1 quem n\u00e3o deixe marcas f\u00edsicas no cometimento de m\u00faltiplas viol\u00eancias contra filhas, namoradas, esposas, m\u00e3es, empregadas dom\u00e9sticas, primas, tias e sobrinhas, e nem imagine que pode estar sujeito(a) \u00e0 Lei Maria da Penha. Engano bastante comum em todas as camadas sociais, dos pobres aos abastados.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>O conjunto de viol\u00eancias que gera sofrimento baseado na condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero \u00e0s meninas e mulheres pode ser compreendido como viol\u00eancia dom\u00e9stica. Isso inclui sofrimento decorrente de viol\u00eancia f\u00edsica, mas tamb\u00e9m, viol\u00eancia psicol\u00f3gica, moral, patrimonial e sexual.<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"443\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7987.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25583\" style=\"width:529px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7987.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7987-300x204.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7987-218x150.jpg 218w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7987-616x420.jpg 616w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Meninas e mulheres precisam se blindar dos distintos tipos de viol\u00eancia dom\u00e9stica para que preservem a sa\u00fade f\u00edsica e mental. Para tanto, \u00e9 importante que aprendam a identificar os sinais para serem capazes de inibir o avan\u00e7o do abuso antes que as situa\u00e7\u00f5es violentas se tornem costumeiras ou naturais. Infelizmente, vivemos em uma cultura onde, n\u00e3o raro, as fam\u00edlias consideram normal as brigas\/desaven\u00e7as intrafamiliares, regadas de insultos, manipula\u00e7\u00e3o, chantagens e gritos. Ao se permitir e\/ou se negligenciar condutas abusivas de pessoas mais pr\u00f3ximas, a tend\u00eancia \u00e9 que se admita padr\u00f5es similares de abuso em outros campos da vida, naturalizando o sofrimento provocado por viol\u00eancias n\u00e3o f\u00edsicas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como refer\u00eancia, destaco alguns ind\u00edcios de que a menina\/mulher pode estar em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica:<\/strong> 1) muda de comportamento quando o(a) parceiro(a) est\u00e1 por perto; 2) dist\u00e2ncia de amigos e parentes; 3) defende atitudes claramente abusivas por parte do(a) parceiro(a); 4) perde o \u201cbrilho\u201d \u2013 abandona a pr\u00f3pria ess\u00eancia; 5) nega seus desejos, se adaptando ao desejo alheio; 6) romantiza o controle e autoriza, inconscientemente, sua manipula\u00e7\u00e3o pelo(a) outro(a); 7) abre m\u00e3o de si para atender a vontade alheia em prol da manuten\u00e7\u00e3o do relacionamento; 8) reconhece que a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem atendido suas expectativas, mas, a mant\u00e9m por medo de n\u00e3o conseguir caminhar sozinha; 9) inventa desculpas para si e para outrem quando deixa de fazer atividades que sempre gostou. E segue a lista, que mais parece infind\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<pre class=\"wp-block-verse\"><strong>Nesse contexto, elementos dificultadores e\/ou facilitadores podem ser identificados. O primeiro, exp\u00f5e condicionantes \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o da v\u00edtima no ciclo da viol\u00eancia, o segundo, apresenta fatores capazes de subsidiar a quebra do ciclo violento.<\/strong><\/pre>\n\n\n\n<p><strong>Dificultadores:<\/strong> desinforma\u00e7\u00e3o sobre os pr\u00f3prios direitos, como e onde buscar apoio; nega\u00e7\u00e3o prolongada da viol\u00eancia sofrida; tentativa de justifica\u00e7\u00e3o da atitude do(a) abusador(a); aposta na mudan\u00e7a de postura da pessoa ofensora; baixa autoestima; pouca no\u00e7\u00e3o do que merece; contentamento com migalhas de afeto; amar mais ao pr\u00f3ximo do que a si mesma; excesso de resili\u00eancia; colocar os filhos como empecilho \u00e0 tomada de decis\u00e3o sobre a quebra do ciclo violento; n\u00e3o reconhecimento do fracasso da rela\u00e7\u00e3o \u00edntima de afeto; acreditar que seu esfor\u00e7o para \u201csalvar\u201d a rela\u00e7\u00e3o ser\u00e1 \u00fatil; depend\u00eancia econ\u00f4mica; filhos em idade escolar; etc.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Facilitadores:<\/strong> autorreconhecimento de que tem vivido rela\u00e7\u00e3o abusiva; compreens\u00e3o de que n\u00e3o deve tolerar viol\u00eancia; clareza das motiva\u00e7\u00f5es que a fazem permanecer na rela\u00e7\u00e3o abusiva; presen\u00e7a de rede de apoio familiar e\/ou comunit\u00e1ria; acompanhamento psicoter\u00e1pico; desistir de mudar ou salvar o(a) outro(a); decis\u00e3o consciente de priorizar a si; autonomia financeira; etc.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized is-style-default\"><img decoding=\"async\" width=\"650\" height=\"351\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7988.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-25584\" style=\"width:553px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7988.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/IMG_7988-300x162.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algumas d\u00e9cadas, mo\u00e7as se casavam jovens na esperan\u00e7a de fugirem dos abusos f\u00edsicos e\/ou psicol\u00f3gicos dos pais muito severos. 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