{"id":29076,"date":"2025-03-17T23:28:31","date_gmt":"2025-03-18T02:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=29076"},"modified":"2025-03-17T23:28:32","modified_gmt":"2025-03-18T02:28:32","slug":"a-casa-como-local-pouco-seguro-para-meninas-e-mulheres-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=29076","title":{"rendered":"A casa como local pouco seguro para meninas e mulheres no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"700\" height=\"942\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Juliana-Lemes-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29077\" style=\"width:270px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Juliana-Lemes-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Juliana-Lemes-2-223x300.jpg 223w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Juliana-Lemes-2-696x937.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Juliana-Lemes-2-312x420.jpg 312w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz.<\/strong><br><strong>Doutora em Pol\u00edtica Social (UFF).<\/strong><br><strong>Conselheira do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica.<\/strong><br><strong>Contato: <\/strong><a href=\"mailto:lemes.jlc@gmail.com\">lemes.jlc@gmail.com<\/a><strong> | @julianalemesoficial<\/strong><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A pesquisa Vis\u00edvel e Invis\u00edvel: a vitimiza\u00e7\u00e3o de mulheres no Brasil, publicada no dia de mar\u00e7o, destacou, mais um ano, que a casa\/resid\u00eancia n\u00e3o constitui local seguro para meninas e mulheres. O estudo foi elaborado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Instituto Datafolha. No \u00faltimo ano, em 57% dos casos, o local das viol\u00eancias mais graves teria ocorrido \u201cem casa\u201d. Os dados mostraram que quase 70% das viol\u00eancias cometidas contra elas foram provocadas por c\u00f4njuges\/companheiros (40%) ou ex-c\u00f4njuges\/ex-companheiros (26,8%). Nesse cen\u00e1rio, o levantamento ainda evidenciou que em 92% dos casos, os epis\u00f3dios violentos foram testemunhados por amigos\/conhecidos (47,3%), filhos (27%), outros parentes (12,4%) e apenas 7,7% por desconhecidos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"539\" height=\"278\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/infografico-FBSP-2025.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-29078\" style=\"width:473px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/infografico-FBSP-2025.jpeg 539w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/infografico-FBSP-2025-300x155.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 539px) 100vw, 539px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Decerto, cada um desses personagens elabora a seu modo a viol\u00eancia presenciada. No entanto, o grupo dos \u201cfilhos\u201d demanda especial aten\u00e7\u00e3o. Isso porque, estudos apontam as crian\u00e7as como especialmente impactadas pelas viv\u00eancias que as atravessam. Ainda mais quando se trata da experi\u00eancia violenta sofrida por sua refer\u00eancia materna, o que pode ser t\u00e3o prejudicial ao indiv\u00edduo que assiste, quanto se fosse perpetrada contra este. O estudo destacou que 1 a cada 4 brasileiras sofreu viol\u00eancias diante dos seus filhos no \u00faltimo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>A vitimiza\u00e7\u00e3o das mulheres em raz\u00e3o do ass\u00e9dio sexual tamb\u00e9m \u00e9 um elemento monitorado pela pesquisa. Nela, observou-se que, nos \u00faltimos 12 meses, o ass\u00e9dio \u00e0 mulher enquanto estava andando na rua representou 40,8% dos relatos; no ambiente de trabalho, 20,5%; e em transporte coletivo, 15,3%. O estudo mostrou que a indica\u00e7\u00e3o de ter sofrido algum tipo de ass\u00e9dio alcan\u00e7ou 49,6% do universo da pesquisa, ao passo que em 2017, essa marca era de 40,2%.<\/p>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise do perfil das v\u00edtimas constatou-se que 46,8% tinham idade entre 25 e 34 anos; 44% entre 35 e 44 anos e 44,9% entre 45 e 59 anos. Quanto as viol\u00eancias por n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, as mulheres com baixa escolaridade (ensino fundamental) foram as mais impactadas (45,5%), seguidas daquelas com ensino superior completo (41,7%). Observou-se que aquelas com baixa escolaridade sofreram mais viol\u00eancias f\u00edsicas, enquanto aquelas com n\u00edvel superior de escolaridade, viol\u00eancias verbais. A preval\u00eancia no fator ra\u00e7a\/cor sinalizam as negras (soma de pretas e pardas), representando 41,9%.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo abordou ainda os mecanismos de controle perpetrado pela parte autora da viol\u00eancia, o que envolve situa\u00e7\u00f5es sofridas ao longo da vida identificadas em mais 50,4% das respostas. O que envolve os elementos de menosprezo, humilha\u00e7\u00e3o, quebra de objetos, invas\u00e3o de privacidade, amea\u00e7as, protagonismo das decis\u00f5es, posturas que rebaixam a autoestima, dentre outros. Segundo a pesquisa, os epis\u00f3dios violentos ao longo da vida afetaram mais: mulheres evang\u00e9licas (49,7%) do que cat\u00f3licas (44,3%); mulheres com filhos (51,7%) do que sem filhos (47,5%); mulheres separadas\/divorciadas (60,9%) do que casadas (44,4%); e mulheres de munic\u00edpios das capitais ou regi\u00f5es metropolitanas (54,4%), do que as do interior (47,5%).<\/p>\n\n\n\n<p>Para fazer frente ao problema, recomenda-se a cria\u00e7\u00e3o e fortalecimento das redes de apoio (fam\u00edlia, amigos, comunidade, grupo de mulheres&#8230;); nos casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, a constru\u00e7\u00e3o de um \u201cPlano de den\u00fancia ou quebra do ciclo violento\u201d; a busca por \u00f3rg\u00e3os oficiais (Pol\u00edcias, CRAS, CREAS, Posto de sa\u00fade&#8230;) para ter acesso a informa\u00e7\u00f5es que ajudem na compreens\u00e3o e\/ou supera\u00e7\u00e3o do problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa Vis\u00edvel e Invis\u00edvel: a vitimiza\u00e7\u00e3o de mulheres no Brasil, publicada no dia de mar\u00e7o, destacou, mais um ano, que a casa\/resid\u00eancia n\u00e3o constitui local seguro para meninas e mulheres. 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