{"id":3682,"date":"2020-09-04T09:23:13","date_gmt":"2020-09-04T12:23:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=3682"},"modified":"2020-09-04T09:23:14","modified_gmt":"2020-09-04T12:23:14","slug":"atlas-da-violencia-2020-a-violencia-letal-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=3682","title":{"rendered":"Atlas da viol\u00eancia 2020: a viol\u00eancia letal no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/unnamed-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3683\" width=\"304\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/unnamed-3.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/unnamed-3-256x300.jpg 256w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/unnamed-3-696x815.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/unnamed-3-359x420.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/><figcaption><strong>Ju<strong>liana Lemes da Cruz<\/strong>. Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF. Pesquisadora GEPAF\/UFVJM. Coordenadora do Projeto MLV. Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3684\" width=\"437\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020.png 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020-300x225.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020-80x60.png 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020-265x198.png 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Atlas-2020-561x420.png 561w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O Atlas da viol\u00eancia 2020 trouxe dados produzidos sobre a realidade violenta no ano de 2018, que apontam para a queda do n\u00famero de homic\u00eddios em quase todos os estados do Brasil, per\u00edodo em que foram registrados 57.956 assassinatos. O estudo considera dados da [&#8230;] \u00fanica fonte de dados com abrang\u00eancia nacional, consist\u00eancia e confiabilidade sobre a evolu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia letal desde 1979\u201d, o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (SIM\/MS). \u00a0O Atlas do ano anterior (2019) j\u00e1 apontava a tend\u00eancia de redu\u00e7\u00e3o dos registros, conforme vinha ocorrendo em anos anteriores. Naquela ocasi\u00e3o, dentre outros elementos, foram apontadas tr\u00eas principais raz\u00f5es para este cen\u00e1rio: 1) a diminui\u00e7\u00e3o da propor\u00e7\u00e3o de jovens na popula\u00e7\u00e3o por conta da transi\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica \u2013 o Brasil est\u00e1 envelhecendo; 2) o Estatuto do Desarmamento que funcionou como freio; e 3) as pol\u00edticas estaduais de seguran\u00e7a focadas em preven\u00e7\u00e3o e controle da criminalidade violenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise dos pesquisadores sobre a redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios no ano de 2018, expresso no Atlas 2020, apontam al\u00e9m dos fatores anteriores, a tr\u00e9gua entre as fac\u00e7\u00f5es criminosas e o aumento recorde do n\u00famero de mortes violentas com causa indeterminada (MVCI) \u2013 25,6%, se comparado ao ano de 2017. Este \u00faltimo fator pode ter deixado na invisibilidade milhares de homic\u00eddios. O Atlas relaciona este aumento das MVCI \u00e0 \u201cpiora substancial na qualidade dos dados de mortalidade [&#8230;]. Quatro estados da federa\u00e7\u00e3o foram destaque na propor\u00e7\u00e3o de mortes violentas sem causa determinada. A taxa de MVCI por 100 mil habitantes na Bahia foi de 10,6% (1.570 mortes); em Minas Gerais foi 6% (1.252), no Rio de Janeiro foi 8,4% (1.440) e em S\u00e3o Paulo 9,4% (4.265). Isso significa que parte das mortes violentas que aconteceram no ano de 2018 pode ter deixado de integrar as estat\u00edsticas de forma correta por preenchimento incorreto de dados, deixando caracter\u00edsticas da morte na invisibilidade: se resultado de les\u00e3o autoprovocada (suic\u00eddio), de acidentes, de agress\u00e3o de terceiros ou interven\u00e7\u00e3o legal \u2013 agentes da Lei (homic\u00eddios). Quando isso acontece, h\u00e1 perda da qualidade dos dados que serviriam de subs\u00eddio para formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da criminalidade violenta.<\/p>\n\n\n\n<p>O Atlas 2020 apresenta dados sobre a \u201cjuventude perdida\u201d, evidenciando que 53,3% do total de homic\u00eddios do pa\u00eds vitimaram pessoas entre 15 e 29 anos. Sendo que, a parcela da juventude mais vitimada encontrava-se com idade entre 15 e 19 anos (meninos, 55,6% dos homic\u00eddios e meninas, 16,2%). Sobre a \u201cviol\u00eancia contra a mulher\u201d, destaca a morte de 4.519 mulheres em 2018, tendo reduzido a taxa de homic\u00eddios para cada 100 mil habitantes do sexo feminino para 4,3. Entre os anos de 2017 e 2018 esta taxa era de 9,3%. Dentre os estados com as menores taxas em 2018, destacam-se S\u00e3o Paulo, 2%; Santa Catarina, 2,6%; Minas Gerais, 3,3% e Distrito Federal 3,4%. Apesar dessa redu\u00e7\u00e3o, os pesquisadores alertam que se observado o per\u00edodo entre 2008 e 2018, os assassinatos de mulheres aumentou 4,2% e em alguns estados, mais que dobrou. \u201cEm 2018, uma mulher foi assassinada no Brasil a cada duas horas [&#8230;]. Segundo a classifica\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a\/cor do IBGE, a soma de pretas e pardas considera-se \u201cnegras\u201d e a soma de brancas, amarelas e ind\u00edgenas, considera-se \u201cn\u00e3o negras\u201d. Entre 2008 e 2018 os dados apontaram que houve redu\u00e7\u00e3o de 11,7% na taxa de homic\u00eddio de mulheres n\u00e3o negras e aumento de 12,4% na taxa de homic\u00eddio das mulheres negras. Em 2018, 68% das mulheres assassinadas no Brasil eram negras. Em Minas Gerais, foram expressivos 69,7%. As mulheres continuam a morrer mais em ambiente dom\u00e9stico, dentro da resid\u00eancia. Entre 2013 e 2018 a taxa de homic\u00eddio de mulheres fora de casa apresentou redu\u00e7\u00e3o de 11,5%. No entanto, dentro de casa aumentou 8,3%. O uso de arma de fogo na morte das mulheres dentro de casa aumentou 25% no mesmo per\u00edodo analisado. Quanto \u00e0 \u201cviol\u00eancia contra pessoas negras\u201d, o estudo revelou que 75,7% dos homic\u00eddios diziam respeito \u00e0 esta parcela da sociedade. \u201cComparativamente, entre os n\u00e3o negros, a taxa foi de 13,9, o que significa que, para cada indiv\u00edduo n\u00e3o negro morto em 2018, 2,7 negros foram mortos. Refor\u00e7ando, para cada n\u00e3o negro morto, quase 3 negros foram mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o, a pretens\u00e3o \u00e9 retomar a exposi\u00e7\u00e3o dos dados publicados no Atlas 2020 sobre os demais aspectos trabalhados no estudo: \u201ca viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o LGBTQI+\u201d, \u201co perfil dos homic\u00eddios no Brasil\u201d, as \u201carmas de fogo\u201d, al\u00e9m do t\u00f3pico sobre as \u201cpol\u00edticas p\u00fablicas baseadas em evid\u00eancias [&#8230;]\u201d. O documento considera tamb\u00e9m que mudan\u00e7as no modelo de gest\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica, dentre as quais, a qualifica\u00e7\u00e3o do trabalho policial e a\u00e7\u00f5es preventivas no campo social tem se destacado como geradores de bons resultados.&nbsp; (Fonte: IPEA e FBSP, Atlas da Viol\u00eancia 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/24\/atlas-da-violencia-2020\">https:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/24\/atlas-da-violencia-2020<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Atlas da viol\u00eancia 2020 trouxe dados produzidos sobre a realidade violenta no ano de 2018, que apontam para a queda do n\u00famero de homic\u00eddios em quase todos os estados do Brasil, per\u00edodo em que foram registrados 57.956 assassinatos. 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