{"id":5117,"date":"2020-10-19T00:07:20","date_gmt":"2020-10-19T03:07:20","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=5117"},"modified":"2020-10-19T00:07:21","modified_gmt":"2020-10-19T03:07:21","slug":"fim-do-distanciamento-social-pode-provocar-sindrome-da-cabana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=5117","title":{"rendered":"Fim do distanciamento social pode provocar \u201cs\u00edndrome da cabana\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Profissionais sugerem busca de ajuda em casos dif\u00edceis<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/17_07_2020_covid_ibirapuera-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5118\" width=\"515\" height=\"307\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/17_07_2020_covid_ibirapuera-5.jpg 600w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/17_07_2020_covid_ibirapuera-5-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 515px) 100vw, 515px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O retorno \u00e0 rotina antes da pandemia de\u00a0covid-19, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das medidas protetivas, o fim do isolamento ou do distanciamento social podem causar em algumas pessoas um fen\u00f4meno que os psic\u00f3logos chamam de \u201cs\u00edndrome da cabana\u201d.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1390951&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do nome, n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a e nem \u00e9 considerado transtorno mental, mas um acometimento, um estresse adaptativo\u00a0entre pessoas que possam passar por dificuldades emocionais ao\u00a0ter\u00a0que sair do estado de retiro em sua casa e voltar \u00e0s atividades presenciais no trabalho, \u00e0s compras no com\u00e9rcio ou tenham que comparecer a uma reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, como uma ag\u00eancia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tenho pacientes que ainda est\u00e3o muito angustiados por n\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;vacina contra a covid&nbsp;e a vida estar voltando \u00e0&nbsp;rotina de trabalho\u201d, relata a psic\u00f3loga C\u00e9lia Fernandes, de Bras\u00edlia, acostumada a lidar com demandas provocadas por medo e ang\u00fastia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A express\u00e3o\u00a0 &#8220;s\u00edndrome da cabana&#8221; tem origem no in\u00edcio do s\u00e9culo 20<\/strong>\u00a0e serviu para relatar viv\u00eancias de pessoas que ficavam isoladas em per\u00edodos de nevasca no Hemisf\u00e9rio Norte e que depois tinham que retomar o conv\u00edvio. Tamb\u00e9m acometia ca\u00e7adores profissionais que se embrenhavam nas matas no passado e, no presente, pode afetar trabalhadores que est\u00e3o sempre afastados em raz\u00e3o do of\u00edcio, como por exemplo os empregados em plataformas de petr\u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fora de controle<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cTodo tipo de isolamento pode desencadear a s\u00edndrome, principalmente se \u00e9 um per\u00edodo extenso e que est\u00e1 ligado ao medo. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o fato de estar em casa por longos per\u00edodos, mas a sensa\u00e7\u00e3o de que l\u00e1 fora tem algo desconhecido que pode infectar, matar ou adoecer\u201d, contextualiza D\u00e9bora Noal, tamb\u00e9m psic\u00f3loga em Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga Ana Carolina de Araujo Cunto, do Rio&nbsp;de Janeiro, explica que o momento de suspens\u00e3o do distanciamento pode ser desafiador para algumas pessoas. \u201cEssa transi\u00e7\u00e3o de sair do ambiente confort\u00e1vel, e controlado, para o&nbsp;mundo l\u00e1 fora pode soar como uma coisa amea\u00e7adora, assustadora. A pessoa pode sim&nbsp;ter&nbsp;dificuldade em retomar essas atividades e sofrer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSair n\u00e3o \u00e9 mais natural como antes. As pessoas saiam de casa, estavam na rua e pronto. Agora n\u00e3o, t\u00eam que se preocupar com a m\u00e1scara, t\u00eam que se preocupar em&nbsp;ter&nbsp;o distanciamento f\u00edsico das pessoas. N\u00e3o podem tocar nas coisas. Devem lavar as m\u00e3os ou passar \u00e1lcool em gel. Verificar se est\u00e3o sentadas em um lugar perto de ventila\u00e7\u00e3o. Ficamos em um estado de alerta constante\u201d, descreve Cunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para as pessoas com s\u00edndrome da cabana, a casa \u00e9 o melhor lugar para estar, explica a psic\u00f3loga: \u201cquando o mundo l\u00e1 fora passa a ser amea\u00e7ador, seja por quais raz\u00f5es forem, a casa representa um lugar de prote\u00e7\u00e3o. Onde me sinto bem, onde estou protegido e onde consigo&nbsp;ter&nbsp;o controle das coisas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara ela, a&nbsp;casa representa o ref\u00fagio, o&nbsp;conforto,&nbsp;a&nbsp;sensa\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o, cuidado e acolhimento. &#8220;\u00c9 como se houvesse l\u00e1 fora&nbsp;esse desconhecido que n\u00e3o posso ver, que no caso \u00e9 o v\u00edrus, aquilo que n\u00e3o posso&nbsp;ter&nbsp;certeza, se tem algu\u00e9m contaminado\u201d, acrescenta D\u00e9bora Noal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aten\u00e7\u00e3o na retomada<\/h2>\n\n\n\n<p>A retomada das atividades pode ser pouco produtiva no&nbsp;momento inicial. As psic\u00f3logas orientam para que as pessoas fiquem atentas aos sinais de ansiedade, medo e at\u00e9 p\u00e2nico. Pode haver desconfortos como taquicardia, sudorese e dificuldade de dormir. O apetite pode mudar, desde a perda da fome&nbsp;at\u00e9 a ingest\u00e3o de maior n\u00famero de alimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>As psic\u00f3logas orientam que cada pessoa mensure o seu estresse adaptativo. Se for muito dif\u00edcil a retomada, tente se lembrar das estrat\u00e9gias que usou para outros desafios, busque apoio em sair de casa em sua \u201crede socioafetiva\u201d, formada por familiares, amigos e vizinhos, e se tiver f\u00e9, acione a espiritualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma sugest\u00e3o \u00e9 sair de casa junto com algu\u00e9m em que confie&nbsp;e que tamb\u00e9m se previna contra a covid-19. Outra dica \u00e9 ensaiar a sa\u00edda, iniciando com uma descida at\u00e9 a portaria do pr\u00e9dio ou ao port\u00e3o da casa. Depois, em outro momento, alguns passos na rua, e mais adiante, passeios maiores para restabelecer a confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Caso isso n\u00e3o seja suficiente, as psic\u00f3logas sugerem que as pessoas busquem atendimento especializado em consult\u00f3rio. \u201cPara compreender as rea\u00e7\u00f5es, como elas se d\u00e3o e quais s\u00e3o as ferramentas que ela pode utilizar para enfrentar\u201d, diz&nbsp;D\u00e9bora Noal.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSe a pessoa perceber que n\u00e3o est\u00e1 conseguindo ultrapassar suas dificuldades, e que isso se tornou uma coisa maior e paralisante, a ponto de n\u00e3o conseguir cumprir com as atividades fora de casa, ent\u00e3o acende uma luzinha de que precisa olhar para isso com mais cautela. Se n\u00e3o consegue fazer isso sozinha, \u00e9 recomendado que busque uma terapia para conseguir entender se tem alguma raiz mais profunda\u201d, acrescenta\u00a0Ana Carolina Cunto. (Ag\u00eancia Brasil)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Profissionais sugerem busca de ajuda em casos dif\u00edceis O retorno \u00e0 rotina antes da pandemia de\u00a0covid-19, a flexibiliza\u00e7\u00e3o das medidas protetivas, o fim do isolamento ou do distanciamento social podem causar em algumas pessoas um fen\u00f4meno que os psic\u00f3logos chamam de \u201cs\u00edndrome da cabana\u201d. 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