{"id":5824,"date":"2020-11-13T10:45:31","date_gmt":"2020-11-13T13:45:31","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=5824"},"modified":"2020-11-17T00:21:49","modified_gmt":"2020-11-17T03:21:49","slug":"politica-por-vocacao-o-profissional-o-tradicional-e-o-carismatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=5824","title":{"rendered":"Pol\u00edtica por voca\u00e7\u00e3o: o profissional, o tradicional e o carism\u00e1tico"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/unnamed-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5826\" width=\"246\" height=\"288\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/unnamed-4.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/unnamed-4-256x300.jpg 256w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/unnamed-4-696x815.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/unnamed-4-359x420.jpg 359w\" sizes=\"(max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/><figcaption><strong><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>. Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF. Pesquisadora GEPAF\/UFVJM. Coordenadora do Projeto MLV. Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5825\" width=\"392\" height=\"471\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1-5.jpg 706w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1-5-249x300.jpg 249w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1-5-696x837.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1-5-349x420.jpg 349w\" sizes=\"(max-width: 392px) 100vw, 392px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em termos objetivos, sem levar em considera\u00e7\u00e3o as ideologias de A ou B, qualquer que seja o grupo pol\u00edtico partid\u00e1rio, tende a resumir os eleitores a variadas por\u00e7\u00f5es de massas de modelar. Cada parcela admite um ingrediente para ficar no ponto e aderir \u00e0 receita proposta. Isso significa que percep\u00e7\u00f5es, interesses e prioridades norteiam a escolha das massas por um ou outro candidato. O pol\u00edtico, por sua vez, diz e compromete-se com a camada que melhor lhe dar\u00e1 retorno. Sabe bem que s\u00f3 poder\u00e1 deixar grupos insatisfeitos se eles n\u00e3o representarem for\u00e7a pol\u00edtica capaz de prejudicar seus votos. Afinal, o que interessa nesse no jogo eleitoral \u00e9 o voto. Ele sim, mant\u00eam, destitui ou concede poderes.<\/p>\n\n\n\n<p>Para discorrer sobre isso nesse reduzido texto, utilizei argumentos de um autor que buscou conceituar os tipos de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica representados por tr\u00eas perfis de pol\u00edtico: o tradicional, o profissional e o carism\u00e1tico. Max Weber, um dos propulsores da ci\u00eancia pol\u00edtica, exp\u00f4s em uma confer\u00eancia realizada no ano de 1918 na Alemanha, algumas caracter\u00edsticas da pol\u00edtica aplicada ao mundo ocidental. O que me chamou aten\u00e7\u00e3o neste tema \u00e9 compreender que passados mais de cem anos, as ideias formuladas por Weber permanecem atuais, o que mostra que s\u00e3o, decerto, atemporais.<\/p>\n\n\n\n<p>O dom\u00ednio tradicional, como o pr\u00f3prio nome j\u00e1 diz, baseia-se nas tradi\u00e7\u00f5es, nas posturas do passado. O dom\u00ednio profissional pauta-se na no\u00e7\u00e3o de legalidade, fundamentado na compet\u00eancia. E o dom\u00ednio pelo carisma sustenta-se a partir de caracter\u00edsticas pessoais do pol\u00edtico que se torna uma refer\u00eancia para o eleitor, respons\u00e1vel por um sem n\u00famero de seguidores da sua figura. Representa um perfil determinante no jogo pol\u00edtico, porque \u00e9 nele que as pessoas depositam a confian\u00e7a.&nbsp; Afinal, no Estado Moderno, a submiss\u00e3o e obedi\u00eancia se firmam pelo medo ou pela esperan\u00e7a. Al\u00e9m disso, a qualidade carism\u00e1tica produz l\u00edderes, diferente do perfil de pol\u00edtico profissional, sem voca\u00e7\u00e3o e privado de carisma.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor sinalizou duas caracter\u00edsticas atribu\u00edveis aos pol\u00edticos profissionais que podem ser identificadas em qualquer que seja o territ\u00f3rio analisado: a) os que vivem da pol\u00edtica; e b) os que vivem para a pol\u00edtica. Salienta, apesar disso, que um pol\u00edtico comprometido vive de pol\u00edtica, uma vez que, nem o oper\u00e1rio, tampouco, o empres\u00e1rio, teriam o tempo dispon\u00edvel para o que demanda a pol\u00edtica. No entanto, este molde gera uma s\u00e9rie de problemas, dentre os quais, alimenta expectativas de pessoas que buscam emprego ou querem manter-se em postos de poder indicados pelos pol\u00edticos eleitos. S\u00e3o profissionais em fazer pol\u00edtica, mas, nem tanto, comprometidos com alguma causa ou projeto de sociedade. Weber sintetiza que h\u00e1 dois pecados principais em pol\u00edtica: n\u00e3o defender causa alguma e n\u00e3o ter sentido de responsabilidade em suas decis\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, n\u00e3o basta a luta ideol\u00f3gica ou propostas dos planos de governo, o campo pol\u00edtico, para al\u00e9m disso, significa o controle de uma fatia do Estado para distribui\u00e7\u00e3o de empregos. Por isso, Weber explica, que h\u00e1 uma tend\u00eancia \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ao apego \u00e0 m\u00e1quina p\u00fablica. Nesse contexto, s\u00e3o crias do sistema dois tipos de funcion\u00e1rios, aqueles de carreira, que conquistaram espa\u00e7o por compet\u00eancia e os funcion\u00e1rios pol\u00edticos, que s\u00e3o transit\u00f3rios. Dentre os citados funcion\u00e1rios, na qualidade de contratados, destacam-se especialistas em pol\u00edtica de massas que est\u00e3o no suporte e subordinados \u00e0 estrat\u00e9gia determinada pelo chefe pol\u00edtico. No Estado moderno s\u00e3o os advogados e jornalistas quem d\u00e3o suporte ao perfil de pol\u00edtico mais comum no ocidente, o demagogo.<\/p>\n\n\n\n<p>O exerc\u00edcio do voto \u00e9 o \u00fanico nesse pa\u00eds que coloca em p\u00e9 de igualdade a for\u00e7a de ricos e pobres. Para lidar com essa realidade, quem se especializa no jogo pol\u00edtico sabe bem que para chegarem ao poder, a massa, que \u00e9 majoritariamente pobre economicamente e\/ou simplesmente, pobre culturalmente, precisa ser convencida que seu discurso \u00e9 o mais representativo. Alia-se a este elemento a ades\u00e3o dos nomes de prest\u00edgio social ou express\u00e3o econ\u00f4mica que cercam o candidato, as pautas que este defende e tamb\u00e9m aquelas que ele opta por silenciar. Afinal, o sil\u00eancio tamb\u00e9m \u00e9 um discurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse molde, o partido pol\u00edtico chegou a ser definido pelo autor como uma \u201cempresa de interesses\u201d, distribuidora de cargos, ca\u00e7adora de recursos e poder. Assim sendo, est\u00e1 repleta de pol\u00edticos profissionais ao seu dispor. Por outro lado, para a sobreviv\u00eancia dos partidos pol\u00edticos \u00e9 conveniente que existam pessoas que tenham na pol\u00edtica, a principal profiss\u00e3o. Nesse sentido, as elei\u00e7\u00f5es acabam sendo definidas por crit\u00e9rios econ\u00f4micos de partidos que investem cada vez mais em pol\u00edticos profissionais, que se elegem e formam suas bases de poder, legitimando uma ideia de modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse jogo, vale a venda de sonhos e de esperan\u00e7a, acusa\u00e7\u00f5es indevidas aos advers\u00e1rios, as desqualifica\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas aos que elucidam estas rela\u00e7\u00f5es e os sorrisos for\u00e7ados. Para que a frustra\u00e7\u00e3o n\u00e3o nos consuma no p\u00f3s elei\u00e7\u00e3o, precisamos reconhecer que a disputa pela representatividade congrega algumas boas inten\u00e7\u00f5es que dar\u00e3o certo e outras, que n\u00e3o sair\u00e3o do papel (WEBER, Max.&nbsp;<em>A Pol\u00edtica como Voca\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/em>In: WEBER, Max.&nbsp;<em>Ci\u00eancia e Pol\u00edtica,<\/em>&nbsp;<em>Duas Voca\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Cultrix, 1996. p. 53-124; Imagem:&nbsp;<a href=\"http:\/\/vectorstock.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">vectorstock.com<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em termos objetivos, sem levar em considera\u00e7\u00e3o as ideologias de A ou B, qualquer que seja o grupo pol\u00edtico partid\u00e1rio, tende a resumir os eleitores a variadas por\u00e7\u00f5es de massas de modelar. Cada parcela admite um ingrediente para ficar no ponto e aderir \u00e0 receita proposta. 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