{"id":6725,"date":"2020-12-18T18:29:13","date_gmt":"2020-12-18T21:29:13","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=6725"},"modified":"2020-12-18T18:29:14","modified_gmt":"2020-12-18T21:29:14","slug":"mudancas-vivendo-e-aprendendo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=6725","title":{"rendered":"Mudan\u00e7as: vivendo e aprendendo&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-6726\" width=\"294\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-300x248.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-696x575.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-509x420.jpg 509w\" sizes=\"(max-width: 294px) 100vw, 294px\" \/><figcaption><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves &#8211; Pedagogo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mais uma semana come\u00e7a sem alarde, discreta, iniciando seu ciclo igual a todas as semanas de sempre. E minha vida tamb\u00e9m parece recome\u00e7ar com ela, pois assim caminha, descaminha a humanidade em qualquer lugar desse mundo velho sem porteiras nem fronteiras. Certamente, se o inesperado n\u00e3o mostrar a sua cara, todos os dias decorrer\u00e3o t\u00e3o rotineiramente semelhantes feito irm\u00e3os g\u00eameos. Nada poderei fazer para mudar tal estado de coisas. S\u00f3 me restar\u00e1 seguir, acompanhar obediente o marchar do resto do rebanho a batalhar, sem descanso, pela sobreviv\u00eancia. Raros homens est\u00e3o libertos desse cotidiano, esmagador destino.<\/p>\n\n\n\n<p>A juventude nos d\u00e1 esse direito de sermos tolos e ing\u00eanuos, preparando a alma para suportar, mais tarde, o terr\u00edvel peso da realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que a vida, embora seus pesares, indubitavelmente vale a pena de ser vivida. N\u00e3o profiro aqui nenhuma novidade. Tampouco besta n\u00e3o sou de pensar o contr\u00e1rio. Por maiores e mais graves que sejam os problemas \u2013 tal como o alarde que fazem dessa pandemia do novo Coronav\u00edrus, traduzida em novos quadros depressivos e ansiol\u00edticos \u2013, que nos afligem, nos atormentam, roubam descaradamente o nosso sono, existe sempre um jeito de resolv\u00ea-los, de encontrar uma solu\u00e7\u00e3o, uma sa\u00edda de uma maneira ou de outra, por bem ou por mal, quer nos custe mais ou menos. Ou ent\u00e3o, na pior das hip\u00f3teses, de conseguir atenu\u00e1-los do melhor modo poss\u00edvel que esteja ao nosso alcance. Nada \u00e9 definitivo. Tudo \u00e9 circunstancial, delet\u00e9rio, provis\u00f3rio, assim acredito. J\u00e1 aprendi, l\u00e1 em Coroaci e aqui em Te\u00f3filo Otoni, a procurar viver intensamente um dia de cada vez, preso a cada momento, a cada instante do tempo presente, do aqui e agora, despido de preocupa\u00e7\u00f5es quanto ao futuro, pois sei que ele chegar\u00e1 impreterivelmente, pontual como um cobrador, ao meu encontro. Enquanto o amanh\u00e3 n\u00e3o acontece, somente o hoje me importa, interessa, faz parte do meu show, seja ele alegre ou triste, me mostre uma cara simp\u00e1tica ou me exiba um sarc\u00e1stico sorriso.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 gente que escolhe viver \u00e0 moda Peru de Natal, morrendo de v\u00e9spera, cingido pelo abra\u00e7o doentio da ansiedade, que, sobremaneira, se expandiu nessa pandemia do novo Coronav\u00edrus. J\u00e1 fui assim nas antigas quebradas do meu existir. Se as coisas n\u00e3o ocorriam como eu as havia planejado, costumava armar uma tosca trag\u00e9dia de um teatro de fantoches.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltava-me senso de humor suficientemente capaz de me fazer rir das minhas pr\u00f3prias desditas. E sem senso de humor, at\u00e9 uma prosaica topada num paralelep\u00edpedo assume ares de uma tremenda cat\u00e1strofe. Pronunciava a palavra azar por qualquer d\u00e1 c\u00e1 aquela palha sem perceber que a m\u00e1 sorte sempre atende a quem lhe chama, lhe invoca com imbecil assiduidade. Custei a aprender a viver, mas fui for\u00e7ado a adquirir esse demasiado necess\u00e1rio aprendizado que diferencia os homens dos meninos na hora da on\u00e7a beber \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>A velhice e o sofrimento podem n\u00e3o nos tornar mais s\u00e1bios, mas nos ensinam a compreender que as coisas s\u00e3o como s\u00e3o. Algumas podem ser por n\u00f3s mudadas e outras, n\u00e3o. As coisas est\u00e3o no mundo, s\u00f3 que \u00e9 preciso aprender.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a minha toler\u00e2ncia ficou mais el\u00e1stica, inclusive para com a burrice alheia. Claro que n\u00e3o desenvolvi a infinita paci\u00eancia de um monge, por\u00e9m deixei de correr continuamente o risco de morrer de raiva, enfurecido por qualquer besteira. Findei por descobrir a verdade mais simples de que n\u00e3o posso controlar tudo aquilo que acontece ao meu redor, a falar menos e escutar mais, tornar-me mais flex\u00edvel em minhas opini\u00f5es, mantendo, entretanto, a rigidez dos meus princ\u00edpios \u00e9ticos. At\u00e9 chego a levar, como n\u00e3o fazia dantes, desaforo pra casa, desde que n\u00e3o me sinta profundamente ofendido nem desrespeitado, porque a\u00ed o neg\u00f3cio muda de figura e minha rea\u00e7\u00e3o \u00e9 do tamanho ou maior que a a\u00e7\u00e3o. Meu sangue continua quente, contudo aprendi como esfri\u00e1-lo nos momentos em que se faz preciso tentar resolver os conflitos usando a calma de um pacifista. Manter a tranquilidade tornou-se uma arte que busco exercitar todos os dias e vi que minha vida melhorou bastante em qualidade. Sei que inda falta muito o que aprender na dura escola do existir, por\u00e9m procuro ir me transformando em um aluno bem comportado, mas n\u00e3o tanto que termine por virar covarde e saia correndo, com o rabo entre as pernas, diante dos insultos e amea\u00e7as alheias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong> \u00e9 pedagogo, graduado em Administra\u00e7\u00e3o Escolar, ex-diretor da Escola Estadual de Coroaci &#8211; MG [hoje Dona Sinhaninha Gon\u00e7alves] e professor de Filosofia, Sociologia e Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Foi chefe do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cooperativista da CLTO. Atualmente, jornalista e radialista da 98 FM (Te\u00f3filo Otoni) e colunista do Jornal Di\u00e1rio Tribuna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais uma semana come\u00e7a sem alarde, discreta, iniciando seu ciclo igual a todas as semanas de sempre. 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