{"id":7464,"date":"2021-01-26T00:45:53","date_gmt":"2021-01-26T03:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7464"},"modified":"2021-01-26T00:45:54","modified_gmt":"2021-01-26T03:45:54","slug":"brasil-tem-quase-30-mil-novos-casos-de-hanseniase-por-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7464","title":{"rendered":"Brasil tem quase 30 mil novos casos de hansen\u00edase por ano"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Semana Mundial de Luta contra a doen\u00e7a come\u00e7a hoje<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/92c423d1-9dc3-47c0-8069-51b6f1f6de8a.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7465\" width=\"510\" height=\"304\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/92c423d1-9dc3-47c0-8069-51b6f1f6de8a.png 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/92c423d1-9dc3-47c0-8069-51b6f1f6de8a-300x179.png 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/92c423d1-9dc3-47c0-8069-51b6f1f6de8a-696x416.png 696w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Manchas brancas ou avermelhadas pelo corpo, sensa\u00e7\u00e3o de dorm\u00eancia e n\u00e3o sentir calor ou frio s\u00e3o sintomas de uma doen\u00e7a que tem cura, mas ainda \u00e9 estigmatizada e negligenciada por muitos brasileiros: a hansen\u00edase.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>No Brasil, foram 312 mil novos casos registrados nos \u00faltimos dez anos<\/strong>, o que coloca nosso pa\u00eds na <strong>segunda posi\u00e7\u00e3o no\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0mundial da doen\u00e7a<\/strong>, atr\u00e1s da \u00cdndia. Aqui, <strong>a m\u00e9dia \u00e9 de 30 mil novos casos por ano<\/strong>. O n\u00famero vem se mantendo com uma discreta queda, mas ela ainda n\u00e3o \u00e9 considerada significativa para se dizer que a doen\u00e7a est\u00e1 em decl\u00ednio, destacou o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Heitor Gon\u00e7alves, em entrevista \u00e0\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aten\u00e7\u00e3o aos sintomas<\/h2>\n\n\n\n<p>O presidente da SBD, diz que, mesmo \u00e1reas sem manchas, em que a pessoa se queime e n\u00e3o perceba, ou que se machuque e n\u00e3o sinta dor, indicam falta de sensibilidade no local. Isso \u00e9 provocado por les\u00f5es nos nervos causadas pela hansen\u00edase. \u201cEsses casos de mancha, dorm\u00eancia ou insensibilidade s\u00e3o suspeitos e necessitam formalmente de uma assist\u00eancia para diagn\u00f3stico m\u00e9dico cl\u00ednico\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o da hansen\u00edase, desde o momento em que a pessoa entra em contato com a micr\u00f3bio at\u00e9 a doen\u00e7a aparecer, vai de dois at\u00e9 dez anos pois a bact\u00e9ria respons\u00e1vel pelos sintomas se multiplica muito lentamente. Por isso, a doen\u00e7a atinge muitas crian\u00e7as e jovens. \u201cQuanto mais jovem a pessoa, mais anos ela vai viver e mais chances tem de adoecer\u201d, afirma Gon\u00e7alves.<\/p>\n\n\n\n<p>Do total dos 312 mil registros feitos de 2010 at\u00e9 2019, 30% foram diagnosticados com algum grau de incapacidade f\u00edsica, ou seja, apresentavam perda de for\u00e7a ou da sensibilidade ou ainda deformidades vis\u00edveis nas m\u00e3os, p\u00e9s ou olhos, o que compromete o trabalho ou a realiza\u00e7\u00e3o de atividades do dia a dia, alertou o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o presidente da SBD, Mauro Enokihara, a detec\u00e7\u00e3o e o tratamento precoces da doen\u00e7a s\u00e3o fundamentais para que o paciente possa se tratar e n\u00e3o apresente sequelas, al\u00e9m de diminuir a chance de transmiss\u00e3o para outras pessoas, em especial aquelas com as quais convive.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Incid\u00eancia e transmiss\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Heitor Gon\u00e7alves explicou que o maior fator de risco para a hansen\u00edase s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas de aglomera\u00e7\u00f5es. Um exemplo s\u00e3o as defici\u00eancias de habita\u00e7\u00e3o que fazem com que mais pessoas morem juntas e acabem transmitindo a doen\u00e7a por meio da tosse. A aglomera\u00e7\u00e3o no transporte \u00e9 outro fator. Contribuem ainda o baixo n\u00edvel educacional e a dificuldade de acesso a sistemas de sa\u00fade. Eles dificultam diagn\u00f3stico precoce e facilitam a transmiss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alves informou que a maior incid\u00eancia da hansen\u00edase no Brasil est\u00e1 nas regi\u00f5es com menor \u00edndice de desenvolvimento humano (IDH). O maior n\u00famero de casos novos identificados na \u00faltima d\u00e9cada est\u00e1 na Regi\u00e3o Nordeste (43% do total, ou o equivalente a 132,7 mil pacientes). Em seguida, v\u00eam o Centro-Oeste, com 20% dos casos; o Norte (19%); e o Sudeste (15%). <\/p>\n\n\n\n<p>Apenas 4% dos novos pacientes registrados nos \u00faltimos dez anos apareceram na Regi\u00e3o Sul do pa\u00eds. O vice-presidente da SBD chamou a aten\u00e7\u00e3o, entretanto, que, no Rio Grande do Sul, se perdeu a cultura de buscar casos de hansen\u00edase e de se divulgar a doen\u00e7a no estado. Com isso, pacientes chegam nos m\u00e9dicos para diagn\u00f3stico j\u00e1 com incapacidade f\u00edsica. \u201cEssa \u00e9 uma sequela da falsa elimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021-617x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-7466\" width=\"499\" height=\"827\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021-617x1024.png 617w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021-181x300.png 181w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021-696x1155.png 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021-253x420.png 253w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/mapa_hanseniase_brasil_2021.png 700w\" sizes=\"(max-width: 499px) 100vw, 499px\" \/><figcaption><strong>Casos de Hansen\u00edase no Brasil. &#8211;\u00a0Arte\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preconceito<\/h2>\n\n\n\n<p>O presidente da SBD esclareceu que menos da metade dos pacientes com hansen\u00edase transmite a doen\u00e7a, mesmo sem tratamento, porque mais de 50% t\u00eam imunidade razo\u00e1vel contra o micr\u00f3bio. \u00a0A transmiss\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil como muitos pensam. Segundo Gon\u00e7alves, \u201co bacilo n\u00e3o salta de dentro da pele do doente para fora\u201d. Isso significa que tocar a m\u00e3o de uma pessoa doente n\u00e3o transmite hansen\u00edase. \u00c9 preciso que o doente tenha um ferimento na pele, bem como a outra pessoa, e que esses ferimentos se encontrem para que o bacilo passe de um para o outro. Por isso, o dermatologista afirmou que \u00e9 dif\u00edcil a transmiss\u00e3o pela pele. O principal fator de transmiss\u00e3o \u00e9 a tosse, reiterou.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a hansen\u00edase acomete mais os homens do que as mulheres. Nos dez anos compreendidos entre 2010 e 2019, foram detectados 172.659 casos novos entre pessoas do sexo masculino e 139.405 em mulheres. Essa diferen\u00e7a, contudo, est\u00e1 diminuindo, indicou o vice-presidente da SBD. O que ocorre, \u201cprovavelmente, \u00e9 que o homem ainda se exp\u00f5e mais que as mulheres\u201d, avaliou. Os homens, al\u00e9m disso, n\u00e3o t\u00eam costume de ir ao m\u00e9dico, como as mulheres. Considerando as classes sociais mais desfavorecidas, os homens saem mais do que as mulheres. \u201cEsse talvez seja o motivo\u201d, estimou o dermatologista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Campanha<\/h2>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alves afirmou que a SBD tem como princ\u00edpio e miss\u00e3o resgatar seu papel na abordagem das doen\u00e7as negligenciadas que acometem a pele. A principal delas \u00e9 a hansen\u00edase. H\u00e1 tamb\u00e9m a leishmaniose, s\u00edfilis, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em apoio \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os dermatologistas brasileiros far\u00e3o circular entre m\u00e9dicos, pacientes e outros profissionais da sa\u00fade informa\u00e7\u00f5es de utilidade p\u00fablica preparadas por especialistas da SBD, descrevendo sinais e sintomas da hansen\u00edase e orientando sobre onde buscar diagn\u00f3stico e iniciar o tratamento. <strong>A campanha do Janeiro Roxo, criada no Brasil em 2016, aborda tamb\u00e9m a necessidade de se combater o estigma e o preconceito contra as pessoas que t\u00eam a doen\u00e7a<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O tratamento para a hansen\u00edase \u00e9 gratuito no pa\u00eds e oferecido pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Os pacientes podem se tratar em casa, com supervis\u00e3o peri\u00f3dica nas unidades b\u00e1sicas de sa\u00fade. A coordenadora do Departamento de Hansen\u00edase da SBD, Sandra Dur\u00e3es, salientou que apesar de ser uma doen\u00e7a infecciosa que pode levar a incapacidades f\u00edsicas, seu tratamento precoce promove a cura. Segundo enfatizou, a preven\u00e7\u00e3o consiste no diagn\u00f3stico e tratamento precoces, porque isso ajuda a evitar a transmiss\u00e3o e o surgimento de novos casos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>(Ag\u00eancia Brasil)<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Semana Mundial de Luta contra a doen\u00e7a come\u00e7a hoje Manchas brancas ou avermelhadas pelo corpo, sensa\u00e7\u00e3o de dorm\u00eancia e n\u00e3o sentir calor ou frio s\u00e3o sintomas de uma doen\u00e7a que tem cura, mas ainda \u00e9 estigmatizada e negligenciada por muitos brasileiros: a hansen\u00edase. 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