{"id":7739,"date":"2021-02-08T23:51:47","date_gmt":"2021-02-09T02:51:47","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7739"},"modified":"2021-02-08T23:58:27","modified_gmt":"2021-02-09T02:58:27","slug":"magistrados-de-contagem-apadrinham-funcionario-da-limpeza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7739","title":{"rendered":"Magistrados de Contagem apadrinham funcion\u00e1rio da limpeza"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Jovem teve todas as mensalidades pagas nos cinco anos do curso de Direito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/403c11c836cca8777b01aa490eb90be8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7740\" width=\"520\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/403c11c836cca8777b01aa490eb90be8.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/403c11c836cca8777b01aa490eb90be8-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/403c11c836cca8777b01aa490eb90be8-696x463.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/403c11c836cca8777b01aa490eb90be8-631x420.jpg 631w\" sizes=\"(max-width: 520px) 100vw, 520px\" \/><figcaption><strong>O ex-faxineiro Samuel da Silva fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na<\/strong><br><strong>Universidade<\/strong> <strong>de S\u00e3o Paulo (USP), depois<\/strong><br><strong>de se graduar em Direito<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Era um simples debate sobre teoria da posse no estacionamento do antigo f\u00f3rum de Contagem. O juiz Wagner Cavalieri, da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Criminais, gostava de parar ali e discutir temas do cotidiano com servidores e colegas. Naquele dia, o funcion\u00e1rio da faxina que ouvia a conversa defendeu um ponto de vista jur\u00eddico com afinco e atraiu a aten\u00e7\u00e3o curiosa do magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz achou a situa\u00e7\u00e3o inusitada. Investigou e descobriu que aquele rapaz, segurando vassoura e saco de lixo, era um sobrevivente, que usou a paix\u00e3o pelo saber jur\u00eddico como combust\u00edvel para lutar. At\u00e9 ent\u00e3o, uma das principais conquistas do jovem Samuel Santos da Silva tinha sido frequentar, como universit\u00e1rio, por apenas seis meses, a faculdade de Direito da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Minas Gerais (PUC Minas).<\/p>\n\n\n\n<p>Sem conseguir pagar as mensalidades do curso, foi obrigado a desistir dos estudos. Ao saber disso, o juiz Wagner Cavalieri se juntou ao amigo e colega de profiss\u00e3o Afonso Jos\u00e9 de Andrade, hoje aposentado, para apadrinhar o trabalhador terceirizado. O jovem, ent\u00e3o, conseguiu voltar \u00e0 universidade. O apoio financeiro foi assumido durante anos tamb\u00e9m por diversos ju\u00edzes que est\u00e3o no f\u00f3rum ou que passaram pela comarca. Aluno exemplar, Samuel se graduou cinco anos depois&nbsp;e hoje \u00e9 estagi\u00e1rio de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Procuradoria-Geral do Munic\u00edpio de Contagem.<\/p>\n\n\n\n<p>A luta que o jovem enfrentou, no entanto, come\u00e7ou muito antes, aos cinco anos de idade. Ele era o \u00fanico companheiro da m\u00e3e, rec\u00e9m-separada do marido, quando sa\u00edram de S\u00e3o Paulo com destino a Minas, em busca de uma vida mais digna. Aqui, passou fome, dormiu em igrejas e pra\u00e7as e sofreu a fase mais dif\u00edcil da sua vida em dias e noites na rua. Por pouco, ele e a m\u00e3e n\u00e3o se tornaram mendigos, como faz quest\u00e3o de enfatizar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com problemas psicol\u00f3gicos, a m\u00e3e\u00a0precisou ser internada. Apesar de mais um drama, Samuel sentiu, durante aquele epis\u00f3dio, o gosto da compaix\u00e3o e da solidariedade. Sem lugar para ficar, foi adotado por um casal que tinha sido padrinho de casamento dos seus pais. Um marceneiro e uma faxineira que deram a ele uma cama para dormir, comida, educa\u00e7\u00e3o e um lar com outros 11 irm\u00e3os. Viveu e cresceu de forma simples.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/a9c91a8cd697d59ddc3d4e2103d2286e86f65113.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7741\" width=\"532\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/a9c91a8cd697d59ddc3d4e2103d2286e86f65113.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/a9c91a8cd697d59ddc3d4e2103d2286e86f65113-300x200.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/a9c91a8cd697d59ddc3d4e2103d2286e86f65113-696x463.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/a9c91a8cd697d59ddc3d4e2103d2286e86f65113-631x420.jpg 631w\" sizes=\"(max-width: 532px) 100vw, 532px\" \/><figcaption><strong>(Da esq. para a dir.) Os ju\u00edzes Afonso Jos\u00e9 de Andrade e\u00a0Wagner<br>Cavalieri, com o ent\u00e3o formando em Direito, Samuel da<\/strong><br><strong>Silva, e seu pai adotivo, Jos\u00e9 In\u00e1cio Gomes<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Dia da ado\u00e7\u00e3o: paix\u00e3o<\/strong> &#8211; O dia em que o menino entrou no f\u00f3rum de Contagem para ser oficialmente adotado despertou, naquela crian\u00e7a, o desejo que ele s\u00f3 foi entender quando adulto: a paix\u00e3o pelo Direito. Quis servir ao Judici\u00e1rio, almejava ajudar outras pessoas e pensou em prestar concurso para oficial de justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Fez vestibular para Direito em duas universidades. Passou nas duas, e optou pela PUC. S\u00f3 teve condi\u00e7\u00f5es de pagar a matr\u00edcula, mesmo assim porque uma antiga professora do ensino fundamental se prontificou a quitar o boleto. N\u00e3o tinha dinheiro para estudar e cursou todo o semestre inadimplente. Por isso, n\u00e3o conseguiu fazer rematr\u00edcula e, antes de trancar a faculdade, abra\u00e7ou a oportunidade de ser volunt\u00e1rio conciliador no local que sonhou trabalhar, o f\u00f3rum. Era o ano de 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho volunt\u00e1rio permitiu a ele procurar alguma oportunidade de emprego no pr\u00e9dio. Entregou curr\u00edculos e descobriu que as empresas terceirizadas s\u00f3 contratavam para as \u00e1reas administrativas e de servi\u00e7os gerais. Depois de muito tempo, foi chamado para trabalhar na limpeza. \u201cAdmiro muito a profiss\u00e3o de faxineiro, que \u00e9 a profiss\u00e3o da minha m\u00e3e adotiva. Fui orientado a esperar um pouco porque, como universit\u00e1rio, poderia surgir uma oportunidade melhor, mas eu comecei a trabalhar com dignidade e fazendo as coisas com muito amor\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;\u201cDe repente eu estava ali naquele f\u00f3rum que me colocou em uma fam\u00edlia adotiva, quando tudo come\u00e7ou a dar certo, e as melhores oportunidades come\u00e7aram a surgir. Meu sentimento foi de enorme gratid\u00e3o\u201d, disse. Nas conversas com os colegas de faxina sempre levantava alguma teoria sobre a aplicabilidade do Direito e foi despertando a aten\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes e servidores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O sonho \u00e9 ser juiz<\/strong> &#8211; \u201cEle tem grandes virtudes, \u00e9 perseverante e sempre procura se aperfei\u00e7oar. As dificuldades n\u00e3o o abalaram. V\u00ea-lo graduado foi um pr\u00eamio pra mim, sensa\u00e7\u00e3o de satisfa\u00e7\u00e3o por ter apoiado algu\u00e9m que n\u00e3o poder\u00edamos perder no mundo jur\u00eddico\u201d, destaca o juiz Afonso Andrade. \u201cEle sempre disse que seria um grande operador do Direito\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>O juiz Wagner Cavalieri lembrou que, ao longo de todo o curso, o rapaz fez quest\u00e3o de prestar contas das notas que tirava, dos trabalhos na faculdade e projetos futuros. \u201cDesde o in\u00edcio, vimos que o Samuel n\u00e3o se fez de v\u00edtima e era extremamente interessado em teorias e teses jur\u00eddicas\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais adotivos tamb\u00e9m admiram a persist\u00eancia do jovem. \u201cDos 12 filhos, apenas ele e uma irm\u00e3 conseguiram se formar na faculdade\u201d, disse o pai Jos\u00e9 In\u00e1cio Gomes. A m\u00e3e, Maria da Silva Gomes, recorda a primeira conversa que teve com os magistrados. \u201cEles disseram que iam apoiar os estudos do meu filho. Os ju\u00edzes me ajudaram a cri\u00e1-lo\u201d, emociona-se.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ex-faxineiro, a dedica\u00e7\u00e3o em tudo que faz \u00e9 uma maneira de honrar os pais e todos aqueles que o ajudaram em algum momento. \u201cImagina a situa\u00e7\u00e3o. Os ju\u00edzes me apadrinharam e pagaram minha faculdade do 2\u00ba per\u00edodo ao final do curso e ainda quitaram a minha d\u00edvida que ficou do primeiro per\u00edodo. V\u00e1rios magistrados chegavam \u00e0 comarca e persistiam em querer ajudar, os servidores tamb\u00e9m. Foi muito importante para mim viver tudo isso\u201d, define o hoje p\u00f3s-graduado.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1gio, artigos em revistas, trabalho em escrit\u00f3rios de advocacia e em institui\u00e7\u00f5es do sistema de justi\u00e7a, convites para participar da autoria de livros, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) em gest\u00e3o escolar e outros cursos em universidades norte-americanas. Mas o sonho maior \u00e9 se tornar juiz de direito, \u201cpara poder ajudar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>(<strong>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Institucional \u2013 Ascom<\/strong> \/ <strong>TJMG \u2013 Unidade F\u00f3rum Lafayette<\/strong>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovem teve todas as mensalidades pagas nos cinco anos do curso de Direito Era um simples debate sobre teoria da posse no estacionamento do antigo f\u00f3rum de Contagem. 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