{"id":7837,"date":"2021-02-13T15:27:02","date_gmt":"2021-02-13T18:27:02","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7837"},"modified":"2021-02-13T15:27:04","modified_gmt":"2021-02-13T18:27:04","slug":"sobre-a-criacao-de-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=7837","title":{"rendered":"Sobre a cria\u00e7\u00e3o de filhos&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-7839\" width=\"335\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-300x224.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-80x60.jpg 80w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-265x198.jpg 265w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-696x520.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/f9718fac-dbb2-45bc-ab17-a6cc5a19a494-2-562x420.jpg 562w\" sizes=\"(max-width: 335px) 100vw, 335px\" \/><figcaption><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves &#8211; Pedagogo<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Leio, entre espantado e estarrecido, uma not\u00edcia nos jornais do dia que me deixou de cabelo em p\u00e9, descoro\u00e7oado. O fato \u00e9 que est\u00e1 se tornando cada vez mais uma atitude bastante frequente em nossos dias os pais espionarem, fu\u00e7arem a vida de seus pr\u00f3prios desdobramentos celulares, com o objetivo de descobrirem se os filhos e as filhas andam se comportando normalmente como manda o tradicional figurino, seguindo as normas, padr\u00f5es e regras estabelecidos. Ou se est\u00e3o usando drogas, de que tipos de amigos se cercam, com quem namoram, que lugares frequentam em suas baladas e roteiros. Em suma, os cuidadosos genitores querem ter nas m\u00e3os o controle total sobre os seus rebentos e a privacidade deles que se dane. Afinal, o pre\u00e7o da seguran\u00e7a \u00e9 a eterna vigil\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois \u00e9, vejam a que ponto chegamos nesse despaut\u00e9rio geral. J\u00e1 n\u00e3o se fazem nem mais existem pais e filhos como antigamente. O mundo muda feito a moda. E os costumes tamb\u00e9m. N\u00e3o sei se para melhor ou para pior, mas muda. \u00c9 incontest\u00e1vel. Assim como os chamados la\u00e7os de fam\u00edlia. As rela\u00e7\u00f5es entre pais e filhos assumiram um car\u00e1ter burocr\u00e1tico, formal, despido das nuances da intimidade, no qual manda, reina quem pode e obedece quem tem ju\u00edzo. O diabo \u00e9 que nem os papais t\u00eam mais tanto poder o quanto pensam, nem os bruguelos obedecem tanto quanto deles se esperava.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pais, assoberbados pelos in\u00fameros compromissos do trabalho, foram pouco a pouco apelando para a sa\u00edda mais f\u00e1cil, terceirizando o poder p\u00e1trio, delegando-o aos professores, aos t\u00e9cnicos dos esportes que os filhos praticam. E, finalmente, no frigir dos ovos, quando a barra pesa de verdade, aos cuidados dos psic\u00f3logos e dos psiquiatras. Os pais parecem estar perdidos no mato sem cachorro, distanciados anos-luz de suas fun\u00e7\u00f5es primordiais que s\u00e3o as de ensinar, reprimir, impor limites, dar amor e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou de uma gera\u00e7\u00e3o em que o pai \u2013 em meu caso espec\u00edfico, Jos\u00e9 Ramos Gon\u00e7alves \u201cGon\u00e7alinho\u201d \u2013 era o chefe do cl\u00e3 familiar, exercendo o poder de que se conferia. Sua palavra era o sin\u00f4nimo de lei incontest\u00e1vel, que devia ser rigorosamente obedecida, cumprida sem qualquer discuss\u00e3o, sob pena de entrar na correia e dar literalmente a m\u00e3o \u00e0 implac\u00e1vel palmat\u00f3ria. E o \u00fanico di\u00e1logo poss\u00edvel, permitido se resumia \u00e0 servil frase pronunciada, de cabe\u00e7a baixa, pelo filho e servo: &#8211; Sim, senhor! Era proibido permitir, com o sim riscado do nosso vocabul\u00e1rio cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Coroaci, minha terra natal, era proibido jogar sinuca no bar do \u201cSeu\u201d Dirceu \u201cPaca\u201d, onde o soldado Machadinho, com uma vara de pau Mulatinho, nos espantava daquele local. Era proibido frequentar a zona bo\u00eamia na \u201cVila do Reino\u201d. Era proibido escutar ou se intrometer na conversa dos adultos durante visita, por exemplo, ao saudoso vizinho \u201cDuca do \u2018Seu\u2019 Di\u201d. E era proibido pegar biscoitos de goma na gamela em casas de vizinhos sem a devida anu\u00eancia paterna.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 completar os meus dezoito anos e adentrar os port\u00f5es da universidade, tinha eu hora marcada para tudo. Pra voltar pra casa quando sa\u00eda de dia e de noite. E, se porventura me atrasasse por algum motivo alheio \u00e0 minha vontade, de nada adiantava fornecer explica\u00e7\u00f5es, por exemplo, [para a minha saudosa tia Sinhaninha] as mais l\u00f3gicas e razo\u00e1veis. Os paternos ditames eram inflex\u00edveis. Deviam ser cumpridos \u00e0 risca, debaixo de pau e pedra. Evidente que n\u00e3o se pode criar os filhos desse modo, privados parcial ou totalmente de liberdade. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o se deve cri\u00e1-los sem imporlhes nenhum limite, nenhum controle, liberando-os da responsabilidade devida por seus atos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem tanto ao mar, nem tanto \u00e0 terra, reza a s\u00f3bria par\u00eamia do princ\u00edpio do equil\u00edbrio. A rela\u00e7\u00e3o entre pais e filhos, para ser boa e eficientemente educativa, h\u00e1 de ser constru\u00edda com carinho e cara zangada, com admoesta\u00e7\u00f5es e elogios, com respeito m\u00fatuo, com dureza e suavidade, com uma intimidade tal que permita confiss\u00f5es e confian\u00e7a, que assegure aos filhos a prote\u00e7\u00e3o suficiente, capaz de se tornarem adultos maduros para o conv\u00edvio social.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong> \u00e9 pedagogo, graduado em Administra\u00e7\u00e3o Escolar, ex-diretor da Escola Estadual de Coroaci &#8211; MG [hoje Dona Sinhaninha Gon\u00e7alves] e professor de Filosofia, Sociologia e Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Foi chefe do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cooperativista da CLTO. Atualmente, jornalista e radialista da 98 FM (Te\u00f3filo Otoni) e colunista do Jornal Di\u00e1rio Tribuna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leio, entre espantado e estarrecido, uma not\u00edcia nos jornais do dia que me deixou de cabelo em p\u00e9, descoro\u00e7oado. 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