{"id":8118,"date":"2021-02-26T00:08:18","date_gmt":"2021-02-26T03:08:18","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=8118"},"modified":"2021-02-26T00:08:21","modified_gmt":"2021-02-26T03:08:21","slug":"tudo-na-mao-dependencia-e-coisa-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=8118","title":{"rendered":"\u201cTudo na m\u00e3o\u201d: depend\u00eancia e coisa p\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unnamed-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8119\" width=\"310\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unnamed-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unnamed-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/unnamed-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong><br>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM<br>Coordenadora do Projeto MLV<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Milton-Cesar.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-8120\" width=\"340\" height=\"284\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Milton-Cesar.jpg 400w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Milton-Cesar-300x251.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Mesmo hoje, com o amplo alcance dos canais de comunica\u00e7\u00e3o, v\u00ea-se dificuldade de parcela significativa da sociedade quanto ao acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que comp\u00f5em o exerc\u00edcio da cidadania. N\u00e3o raro, os governos desempenham atividades relacionadas \u00e0 assist\u00eancia \u00e0 popula\u00e7\u00e3o e estas s\u00e3o entendidas como uma esp\u00e9cie de favor, quando na verdade, a realidade \u00e9 outra. A reprodu\u00e7\u00e3o dessa no\u00e7\u00e3o se deve, em certa medida, pelo hist\u00f3rico s\u00f3cio cultural de cada regi\u00e3o. Em alguns territ\u00f3rios o discurso do favor no desempenho de atividades de natureza p\u00fablica j\u00e1 n\u00e3o produz eco. Por outro lado, noutras, esta pr\u00e1tica segue incorporada \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas por meio de seus agentes.<\/p>\n\n\n\n<p>A discuss\u00e3o desse assunto n\u00e3o \u00e9 simples, por isso, nesse espa\u00e7o, ele aparecer\u00e1 apenas como uma provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Percebe-se que onde as pr\u00e1ticas clientelistas est\u00e3o mais impregnadas h\u00e1 muita dificuldade na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, uma vez que, como no dizer popular, as pessoas j\u00e1 se acostumaram a receber \u201ctudo na m\u00e3o\u201d.&nbsp; Assim, a participa\u00e7\u00e3o nas atividades que demandam a presen\u00e7a do p\u00fablico alvo precisa ser condicionada a uma oferta atrativa. O simples fato da implementa\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica que beneficiaria um grupo da popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o basta para que haja interesse. Com esse entrave, a operacionaliza\u00e7\u00e3o de certas pol\u00edticas em determinados territ\u00f3rios demanda a ado\u00e7\u00e3o de diferenciados esfor\u00e7os estrat\u00e9gicos, dentre os quais, a reorienta\u00e7\u00e3o do planejamento aplicado ao \u00e2mbito local.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o \u201ctudo na m\u00e3o\u201d torna-se regra, a pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o cumpre seu papel de transformar a realidade que apresenta um problema latente a ser resolvido. O ciclo vicioso da troca de favores se mant\u00eam, e parcela da popula\u00e7\u00e3o persiste com a ideia de que o que \u00e9 p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 para todos porque n\u00e3o \u00e9 de ningu\u00e9m, esperando o favorecimento particular. Por vezes, revoltando-se com os gestores quando suas vontades deslocadas da dire\u00e7\u00e3o coletiva, n\u00e3o s\u00e3o atendidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa forma de tratar a coisa p\u00fablica, perpetuada por gera\u00e7\u00f5es, refor\u00e7a a depend\u00eancia e o sentimento de gratid\u00e3o das pessoas pelos agentes que n\u00e3o fizeram mais do que seus deveres, dada a investidura do cargo\/fun\u00e7\u00e3o que ocupam. A solidariedade individual e\/ou coletiva se confunde com a atribui\u00e7\u00e3o dos governos. Quando essa diferen\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 bem sinalizada para o representante do povo ou para indiv\u00edduos que se entendem povo, essas rela\u00e7\u00f5es passam a serem vistas como integradas entre si. Como se um agente p\u00fablico desempenhasse suas atividades para o bem comum e de natureza t\u00e9cnica, por ser, na sua individualidade, pessoa solid\u00e1ria e boa. Uma coisa n\u00e3o se confunde com a outra, a menos que o interesse seja de fato, a confus\u00e3o das ideias das pessoas e a manuten\u00e7\u00e3o de certo estado de coisas.<\/p>\n\n\n\n<p>Imagem: Milton C\u00e9sar, 2020. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.xbreporter.com.br\/noticia\/989\/0-eleitor-tambem-e-corrupto-venal-omisso-e-prostituto\">http:\/\/www.xbreporter.com.br\/noticia\/989\/0-eleitor-tambem-e-corrupto-venal-omisso-e-prostituto<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo hoje, com o amplo alcance dos canais de comunica\u00e7\u00e3o, v\u00ea-se dificuldade de parcela significativa da sociedade quanto ao acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas que comp\u00f5em o exerc\u00edcio da cidadania. 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