{"id":843,"date":"2020-06-26T01:09:19","date_gmt":"2020-06-26T04:09:19","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=843"},"modified":"2020-06-26T01:09:45","modified_gmt":"2020-06-26T04:09:45","slug":"hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=843","title":{"rendered":"Hoje&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Anibal-Gon\u00e7alves-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-844\" width=\"164\" height=\"210\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Anibal-Gon\u00e7alves-1.jpg 634w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Anibal-Gon\u00e7alves-1-234x300.jpg 234w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Anibal-Gon\u00e7alves-1-328x420.jpg 328w\" sizes=\"(max-width: 164px) 100vw, 164px\" \/><figcaption><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em meio a essa pandemia do novo Coronav\u00edrus a tarde cai e \u00e9 t\u00e3o linda, embora a paisagem em minha volta permane\u00e7a a mesma, sem atrativos que se possa chamar de especiais. Mas quando digo e escrevo que a tarde est\u00e1 linda n\u00e3o se trata somente de uma prosaica figura de ret\u00f3rica. A verdade \u00e9 que \u00e9 assim que meus limitad\u00edssimos sentidos \u2013 nesse isolamento social que me foi imposto \u2013, a percebem em meio \u00e0 confus\u00e3o geral de Te\u00f3filo Otoni.<\/p>\n\n\n\n<p>Parem, por um breve e rapid\u00edssimo instante, tudo o que est\u00e3o fazendo agora, livrem-se da pressa que os move, ergam a cabe\u00e7a e olhem o c\u00e9u. Vejam como ele est\u00e1 vestido de um azul claro, l\u00edmpido, brilhante como um jeans rec\u00e9m-lavado l\u00e1 da Laila Confec\u00e7\u00f5es. Depois, podem retomar as tarefas habituais do dia a dia. N\u00e3o, eu n\u00e3o estou ficando louco. Estou tomado por uma tamanha lucidez que chego a me assustar com isso.<\/p>\n\n\n\n<p>A tarde cai e \u00e9 t\u00e3o linda, repito. Basta olhar em torno para ver que n\u00e3o estou mentindo, n\u00e3o \u00e9 mesmo, doutor Jo\u00e3o Virgilino?<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje decidi esquecer todas as corriqueiras preocupa\u00e7\u00f5es que me afligem, mesmo diante da Covid\u201319. Portanto, n\u00e3o escreverei uma linha sequer sobre acontecimentos e nem tampouco farei refer\u00eancias aos notici\u00e1rios eivados de not\u00edcias t\u00f3xicas sobre essa pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tento olhar todas as coisas que me rodeiam com a mais intensa \u00eanfase poss\u00edvel para evitar que se tinjam com as cores da tristeza. Chega de empregar as palavras a servi\u00e7o do t\u00e9dio, do triste, do amargor, da desesperan\u00e7a. Com palavras n\u00e3o se brinca de bandido e mocinho. Algumas t\u00eam esp\u00edrito carnavalesco, mas nem todas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase n\u00e3o percebi, por\u00e9m j\u00e1 se iniciou o p\u00f4r do Sol, desvestindo a noite. Mesmo em sua decad\u00eancia \u2013 como diria o fot\u00f3grafo \u201cPara\u00edba\u201d, a tarde continua linda no que agora lhe resta de beleza. Pena que j\u00e1 n\u00e3o consigo ver o que me cerca com perfeita nitidez. Acesas as luzes da minha resid\u00eancia. Os postes da rua Epaminondas Otoni tamb\u00e9m rebrilham suas luzes morti\u00e7as. Aumenta veloz o fluxo dos carros. Ou\u00e7o os passos e as vozes das pessoas na cal\u00e7ada. Um casal passa discutindo alto. O que haver\u00e1 acontecido entre os dois? Talvez algum incidente grave. Quem sabe n\u00e3o brigam por qualquer besteira. Mais tarde, mais calmos, acabar\u00e3o fazendo as pazes na cama. Ou dormir\u00e3o de costas um pro outro. Amanh\u00e3, se arrepender\u00e3o do tempo perdido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMudando de pau pra cavaco\u201d \u2013 ou seja, mudando de assunto, creio que no momento em que a barra pesa, o bicho pega, o nosso ilus\u00f3rio mundinho desaba tal e qual um castelo de cartas derrubado pelo dedo mindinho de uma crian\u00e7a de colo. Ent\u00e3o, mesmo que tentemos disfar\u00e7ar o tanto quanto podemos, somos tomados pelo desamparo, pelo medo do que nos pode acontecer no presente e no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso aprendi a amar cada vez mais a vida, por\u00e9m somente enquanto me valer a pena de ser vivida. Algumas limita\u00e7\u00f5es nos meus prazeres at\u00e9 consigo aceitar, desde que n\u00e3o ultrapassem os limites que eu mesmo impus. Eu me conhe\u00e7o. Bem sei at\u00e9 quando e o quanto posso suportar de priva\u00e7\u00f5es, da aus\u00eancia dela, de cadeados e grades. Continuo amando a vida, mas dela jamais serei escravo. Tenho o micr\u00f3bio da liberdade e da escolha ardendo em minhas veias.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora a noite caiu. Hoje n\u00e3o quero lembrar da minha juventude l\u00e1 em Coroaci, remexer no fundo sem fundo dos tempos idos e vividos &#8211; alguns deles l\u00e1 na Vila do Reino ou na Cachoeira. Outro dia, talvez, quem sabe os des\u00edgnios das palavras que escrevo. Prefiro restar namorando a noite jovem e bela que nem a tarde que se foi, deixando-me um brilho solar que n\u00e3o se apagou ainda<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>An\u00edbal Gon\u00e7alves<\/strong> \u00e9 pedagogo, graduado em Administra\u00e7\u00e3o Escolar, ex-diretor da Escola Estadual de Coroaci &#8211; MG [hoje Dona Sinhaninha Gon\u00e7alves] e professor de Filosofia, Sociologia e Hist\u00f3ria da Educa\u00e7\u00e3o. Foi chefe do Departamento de Educa\u00e7\u00e3o Cooperativista da CLTO. Atualmente, jornalista e radialista da 98 FM (Te\u00f3filo Otoni) e <strong>colunista do Jornal Di\u00e1rio Tribuna.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a essa pandemia do novo Coronav\u00edrus a tarde cai e \u00e9 t\u00e3o linda, embora a paisagem em minha volta permane\u00e7a a mesma, sem atrativos que se possa chamar de especiais. Mas quando digo e escrevo que a tarde est\u00e1 linda n\u00e3o se trata somente de uma prosaica figura de ret\u00f3rica. 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