{"id":9959,"date":"2021-05-14T11:55:30","date_gmt":"2021-05-14T14:55:30","guid":{"rendered":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=9959"},"modified":"2021-05-20T23:32:55","modified_gmt":"2021-05-21T02:32:55","slug":"rota-critica-das-mulheres-em-situacao-de-violencia-o-drama-na-busca-por-ajuda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariotribuna.com.br\/?p=9959","title":{"rendered":"Rota cr\u00edtica das mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia: o drama na busca por ajuda"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9961\" width=\"281\" height=\"294\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-2.jpg 650w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-2-286x300.jpg 286w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-2-401x420.jpg 401w\" sizes=\"(max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><figcaption><strong>Juliana Lemes da Cruz<\/strong>.<br>Doutoranda em Pol\u00edtica Social \u2013 UFF.<br>Pesquisadora GEPAF\/UFVJM.<br>Coordenadora do Projeto MLV.<br>Contato: <a href=\"mailto:julianalemes@id.uff.br\">julianalemes@id.uff.br<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-9960\" width=\"508\" height=\"453\" srcset=\"https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-1.jpg 700w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-1-300x267.jpg 300w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-1-696x620.jpg 696w, https:\/\/diariotribuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/unnamed-1-471x420.jpg 471w\" sizes=\"(max-width: 508px) 100vw, 508px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A &#8220;rota cr\u00edtica&#8221; envolve o percurso que uma mulher faz para romper o ciclo de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nesse caminho, ela depara com portas fechadas, falta de apoio, preconceito e revitimiza\u00e7\u00e3o. Esse esfor\u00e7o pode levar bastante tempo, por vezes, anos. Muitas mulheres, ao decidirem pelo rompimento do relacionamento afetivo percorrem v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es, buscam apoio de familiares, dos membros de suas respectivas igrejas, vizinhos e\/ou de amigos, at\u00e9 que, finalmente, sentem-se livres.<\/p>\n\n\n\n<p>Para qualquer mulher, independente dos marcadores de ra\u00e7a e classe, \u00e9 extremamente dif\u00edcil reconhecer que se est\u00e1 em um ciclo violento no \u00e2mbito das suas rela\u00e7\u00f5es intrafamiliares. Por isso, \u00e9 t\u00e3o comum que o sil\u00eancio impere em espa\u00e7os que, visivelmente, n\u00e3o s\u00e3o saud\u00e1veis aos membros que os comp\u00f5em. As mulheres mant\u00eam relacionamentos abusivos por v\u00e1rios motivos, dentre os quais: por medo de caminhar sozinha, de ser ridicularizada, de que seus filhos sejam criados sem pai, de que as promessas de agress\u00e3o e morte se cumpram; por depend\u00eancia econ\u00f4mica; por depend\u00eancia emocional; por confundirem amor com controle de seus corpos; ou mesmo, por naturalizar viol\u00eancias que n\u00e3o chegam a lhes machucar fisicamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se n\u00e3o bastasse as barreiras pessoais enfrentadas diante de situa\u00e7\u00f5es violentas, as mulheres ainda dependem da sorte para encontrar profissionais qualificados para acolh\u00ea-las da forma mais adequada \u00e0s suas demandas. Embora existam recomenda\u00e7\u00f5es, orienta\u00e7\u00f5es e normatiza\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a abordagem do fen\u00f4meno, estes, nem sempre, s\u00e3o seguidos. Como se sabe, legisla\u00e7\u00f5es n\u00e3o t\u00eam o poder de transformar mentalidades. A forma de atendimento e a n\u00e3o prioriza\u00e7\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o do problema refletem valores que constituem a estrutura da sociedade. A contesta\u00e7\u00e3o das posturas que dizem respeito \u00e0 nega\u00e7\u00e3o da complexidade da rota cr\u00edtica para as mulheres em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia ainda \u00e9 muito recente. Deste modo, encontra certa resist\u00eancia nos diversos \u00e2mbitos da vida cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda \u00e9 comum que as mulheres em flagrante situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia encontrem portas fechadas, preconceito, descr\u00e9dito, insensibilidade e rispidez em locais que deveriam prezar pelo acolhimento e por parte de pessoas que poderiam oferecer a escuta e ajuda, mas, escolhem a omiss\u00e3o. Importa considerar que, quando a mulher decide romper o ciclo violento, ela procura formas de obter \u00eaxito nesse objetivo. T\u00eam como norteadores os servi\u00e7os de sa\u00fade, de assist\u00eancia social e de seguran\u00e7a p\u00fablica, al\u00e9m das redes sociais compostas por familiares, membros de suas comunidades, iniciativas independentes, grupos de mulheres, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o estatais e pessoas da sociedade civil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, o apoio e prote\u00e7\u00e3o da mulher s\u00e3o de extrema relev\u00e2ncia para que ela tenha sucesso no desejo de romper o ciclo de viol\u00eancia. Nessa dire\u00e7\u00e3o, a pesquisadora Montserrat Sagot (2000), que trouxe \u00e0 nossa compreens\u00e3o a no\u00e7\u00e3o de \u201crota cr\u00edtica\u201d, afirmou que a \u201cviol\u00eancia intrafamiliar \u00e9 um problema complexo e que requer para a sua solu\u00e7\u00e3o, pol\u00edticas e a\u00e7\u00f5es coordenadas e intrasetoriais com a participa\u00e7\u00e3o do Estado e da sociedade civil\u201d. A soci\u00f3loga, que \u00e9 de Costa Rica, refere-se \u00e0 realidade das mulheres diante dos desdobramentos da \u201crota cr\u00edtica\u201d em estudos de caso que se referem a dez pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p>Sagot, Montserrat. Ruta critica de las mujeres afectadas por la viol\u00eancia intrafamiliar em Am\u00e9rica Latina. Whashington, D.C; Organizaci\u00f3n Panamericana de la Salud; 2000. 181p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/bases.bireme.br\/cgi-bin\/wxislind.exe\/iah\/online\/?IsisScript=iah\/iah.xis&amp;src=google&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;nextAction=lnk&amp;exprSearch=381142&amp;indexSearch=ID\">http:\/\/bases.bireme.br\/cgi-bin\/wxislind.exe\/iah\/online\/?IsisScript=iah\/iah.xis&amp;src=google&amp;base=LILACS&amp;lang=p&amp;nextAction=lnk&amp;exprSearch=381142&amp;indexSearch=ID<\/a> ).<\/p>\n\n\n\n<p>Arboit J, Padoin SMM, Paula CC. Critical path of women in situation of violence: an integrative literature review. Rev Bras Enferm. 2019;72. (Suppl 3):321-32. Doi: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/0034-7167-2018-0265\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/0034-7167-2018-0265<\/a> . (Imagem).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A &#8220;rota cr\u00edtica&#8221; envolve o percurso que uma mulher faz para romper o ciclo de viol\u00eancia dom\u00e9stica. Nesse caminho, ela depara com portas fechadas, falta de apoio, preconceito e revitimiza\u00e7\u00e3o. Esse esfor\u00e7o pode levar bastante tempo, por vezes, anos. 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