Cala-se a Voz da Verdade, Ergue-se a Eterna Lenda do Jornalismo no Vale do Mucuri

A morte é o silêncio que floresce em saudade e se eterniza em memória. Um silêncio sagrado ecoa nas fontes vivas da eternidade. A saudade, agora imortal, gravar-se-á nas páginas da história como testemunho de uma vida reta e luminosa. Amiga fiel, de conduta escorreita e alma primaveril, irradiava cores de esperança em um mundo fatigado pelo ódio, derramando ternura como quem semeia paz. Seu epitáfio poderia ser escrito assim:
“Uma estrela que partiu da terra levando consigo a pureza da essência e a bondade do coração; um farol de ética, de verdade e de respeito, que agora brilha no céu da eternidade.”
Isabel Cristina Moutinho dos Santos não foi apenas uma jornalista; foi a encarnação viva do jornalismo ético, corajoso e socialmente responsável. Uma mulher à frente do seu tempo, cuja trajetória marcou para sempre a história da imprensa no Vale do Mucuri e além.
Com sua postura firme e ternura ímpar, ensinou gerações sobre o verdadeiro papel do jornalismo: informar com responsabilidade, dignidade e respeito à verdade. Profissional respeitada, conquistou a confiança da sociedade e das instituições, tornando-se voz de credibilidade em um tempo de incertezas e sombras.
Cristina esteve presente nos momentos mais decisivos da segurança pública regional. Testemunhou de perto as megas operações de repressão qualificada deflagradas pela Polícia Civil em Teófilo Otoni — da Gênesis ao Apocalipse — registrando, com precisão e coragem, capítulos indeléveis da luta contra a criminalidade em Minas Gerais.
Tive a honra de compor sua banca de TCC em Jornalismo, cujo tema, o jornalismo investigativo, era reflexo de sua própria essência: inquieta, destemida e sedenta pela verdade. Também fui privilegiado por sua amizade em madrugadas de diálogos intensos, revisões generosas de meus artigos jurídicos e reflexões fecundas sobre segurança pública.
Há episódios que selam laços eternos: recordo com emoção o dia em que, após disputar a corrida rústica do Atlético Mineiro na Pampulha, sendo cruzeirense, vesti a camisa gloriosa do Galo e, sem demora, percorri centenas de quilômetros até Teófilo Otoni para presenteá-la com aquele símbolo. Gesto simples, mas carregado de afeto e admiração, que apenas ela testemunhou em silêncio e ternura.
Cristina foi — e permanecerá sendo — um marco do jornalismo no Vale do Mucuri. Sua atuação não se restringiu à cobertura policial: dedicou-se também a temas sociais, culturais e comunitários, sempre comprometida com a verdade, mesmo diante de pressões e ameaças. No Jornal Diário Tribuna, onde brilhou com zelo e esmero, deixou um legado de rigor, transparência e respeito à dignidade humana.
Foi pioneira do jornalismo investigativo em Teófilo Otoni, enfrentando as sombras com a luz da caneta e do microfone. Sua coragem e rigor inigualáveis abriram caminhos para uma imprensa mais crítica, profunda e democrática.
O legado de Isabel Cristina transcende a técnica: ele se inscreve na história como um ato de serviço público elevado, um sacerdócio da verdade. Para colegas, amigos e familiares, ela permanece inspiração de integridade; para a sociedade, um farol de justiça; para Deus, agora, uma alma pura que retorna coroada pela eternidade.
Isabel Cristina Moutinho foi, é e será sempre o incensário do jornalismo no Vale do Mucuri, espalhando o perfume eterno da ética, da coragem e da verdade.
Hoje, o céu se ilumina em festa para receber uma estrela de coração bondoso.
Nas portas da eternidade, abre-se o palco da luz, onde o humanismo dança com a serenidade e a paz, onde a verdade resplandece como farol diante da escuridão.
Isabel Cristina, princesa do Vale, mulher de fibra e de ternura, pisa agora no tapete vermelho da eternidade, conduzida pelos anjos que reconhecem nela uma joia rara, uma profissional honrada que fez do jornalismo não apenas ofício, mas missão divina.
Sua vida foi escrita com letras indeléveis de ética, coragem e responsabilidade social. Sua pena era espada, sua voz era clarim, sua presença era bálsamo. Nos silêncios das madrugadas, entre revisões e diálogos com o infinito, ela se fazia companheira do tempo e guardiã da verdade.
Hoje, os céus a recebem como rainha de sua própria história, enquanto a Terra se curva em reverência à mulher que transformou informação em justiça, palavra em esperança, e jornalismo em eternidade.
Respeitosamente,
Prof. Jeferson Botelho









