Necropsia confirma disparo de arma de fogo na morte de Mateus Lopes, encontrado carbonizado em Teófilo Otoni

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Polícia Civil agora investiga o caso como homicídio; delegada não descarta que incêndio tenha sido usado para ocultar vestígios do crime, e nenhum suspeito foi identificado até o momento

Mateus Lopes, de 45 anos, conhecido como “Matheuzinho”, era líder comunitário no bairro Frei Dimas — Foto: Reprodução/Redes sociais

A Polícia Civil investiga a morte de Mateus Lopes, de 45 anos, conhecido como “Matheuzinho”, encontrado carbonizado dentro da residência onde morava, no bairro Frei Dimas, em Teófilo Otoni. O caso foi registrado na madrugada do último sábado (26), depois que o imóvel foi atingido por um incêndio.

A ocorrência mobilizou inicialmente equipes do Corpo de Bombeiros para o combate às chamas. Depois de controlado o fogo, foram feitos os trabalhos periciais no local, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). O exame necroscópico identificou uma perfuração na região da face provocada por disparo de arma de fogo, além da localização de um projétil — elemento que mudou o rumo da investigação.

Segundo a delegada de Homicídios de Teófilo Otoni, Érika Ribeiro, responsável pelo caso, a descoberta levou a Polícia Civil a tratar a morte como homicídio. “Considerando o disparo e o projétil localizado, nós consideramos a incidência de um homicídio”, afirmou.

Polícia apura se houve outros disparos

A delegada informou que moradores relataram ter ouvido possíveis outros disparos de arma de fogo durante a madrugada do crime, mas essa informação ainda não foi confirmada pela investigação. Segundo Érika Ribeiro, os disparos podem ter ocorrido na área externa da residência, e os peritos aguardam a conclusão dos exames para verificar se há outras marcas ou vestígios que sustentem essa hipótese. Até o momento, o único elemento confirmado é o disparo que atingiu a vítima, e a polícia ainda não tem informação sobre o calibre da arma usada.

Incêndio pode ter sido usado para ocultar o crime

A origem do incêndio é outro ponto central da apuração. Segundo a delegada, ainda não é possível afirmar se o fogo começou de forma acidental, por problema elétrico, ou se foi provocado intencionalmente. Os peritos vão tentar identificar onde as chamas começaram e como se espalharam. Entre as hipóteses investigadas está a de que o incêndio tenha sido provocado depois da morte de Mateus, como tentativa de eliminar vestígios do crime — possibilidade que, segundo a delegada, ainda não foi confirmada. “Não descartamos que tenha sido uma forma de a pessoa ou as pessoas que teriam praticado esse ato lá, executado nessa vítima, e depois colocado fogo na casa”, disse Érika Ribeiro.

Vítima morava sozinha e celular foi encontrado danificado

Segundo a delegada, o fato de Mateus morar sozinho dificulta o trabalho de reconstituição dos últimos momentos da vítima, já que não há testemunhas dentro da residência. Familiares, amigos e pessoas que mantinham relação com ele devem ser ouvidos para que a polícia entenda o contexto de vida da vítima e seus últimos contatos. “Todas as pessoas que tinham ligação com ele possivelmente vão ser inquiridas”, explicou.

O celular usado pela vítima foi encontrado danificado no local, mas, segundo a delegada, isso não significa que as informações armazenadas tenham sido perdidas — o aparelho deve passar por análise técnica que pode ajudar a reconstruir os últimos contatos de Mateus.

Histórico da vítima é analisado

A Polícia Civil também levantou informações sobre o histórico de Mateus Lopes. Segundo Érika Ribeiro, foram identificados procedimentos mais antigos relacionados a documentação e uso de documentos falsos, classificados como crimes contra a fé pública. A delegada destacou que não foi identificado, até o momento, envolvimento da vítima com tráfico de drogas.

Mateus era conhecido na cidade e participava de eventos festivos. Segundo a delegada, ele também já havia trabalhado em atividades relacionadas a vereadores do município — informação que compõe o levantamento de contexto feito pela investigação, sem que isso represente, até agora, qualquer indicação sobre a motivação do crime.

Nenhum suspeito identificado

Até o momento, ninguém foi apontado como suspeito do homicídio. A Polícia Civil está em fase inicial de apuração da autoria, motivação e dinâmica do crime, e busca imagens de câmeras de segurança nas proximidades da residência que possam ter registrado movimentação antes, durante ou depois do crime.

A delegada pede que moradores da região que tenham câmeras de segurança em imóveis ou estabelecimentos próximos, ou qualquer informação sobre o caso, procurem a Delegacia de Homicídios ou liguem para o telefone 197. Segundo a Polícia Civil, o anonimato é garantido.

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