Incêndio já queimou mais de mil hectares e ameaça aldeias indígenas no Vale do Mucuri

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Fogo atinge a Terra Indígena Maxakali desde 7 de outubro, destrói plantações e vegetação nativa e chega perto de residências; seis militares de Teófilo Otoni reforçam o combate às chamas

Um incêndio de grandes proporções atinge a Terra Indígena Maxakali, no Vale do Mucuri, desde 7 de outubro. Segundo estimativas dos brigadistas que atuam na região, mais de mil hectares já foram atingidos pelas chamas. O fogo ameaça comunidades indígenas, destrói plantações e vegetação nativa e provocou a morte de animais.

A situação preocupa moradores das aldeias Pradinho e Água Boa, na região de Água Boa. Em alguns pontos, as chamas chegaram perto das residências, colocando as famílias em alerta e exigindo esforços dos próprios indígenas para impedir que o fogo avançasse.

O combate reúne equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, brigadistas voluntários indígenas e profissionais do Prevfogo, ligado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A operação também conta com apoio aéreo da Polícia Militar de Minas Gerais.

Seis militares mobilizados a partir de Teófilo Otoni foram enviados para reforçar as equipes que atuam no território.

Fogo chegou perto das casas durante a madrugada

A situação se agravou durante a madrugada, quando as chamas avançaram em direção à aldeia de Valdomiro, por volta das 2h. Segundo relatos dos moradores, as famílias passaram horas tentando impedir que o fogo alcançasse as casas.

As chamas chegaram muito perto das residências e queimaram parte dos quintais. Conforme os relatos, a situação começou a melhorar após a chegada do helicóptero de apoio, por volta das 6h20.

O avanço do incêndio é dificultado pela grande extensão da área atingida e pelo acesso restrito a determinados pontos do território. As condições do tempo, incluindo altas temperaturas, ventos e vegetação seca, também favorecem a propagação das chamas.

Bombeiros utilizam equipamentos para alcançar áreas de difícil acesso

O tenente Alonso, comandante da unidade do Corpo de Bombeiros em Teófilo Otoni, explicou que os militares realizam o combate direto aos focos de incêndio, com apoio da aeronave da Polícia Militar no transporte de equipes e nas ações operacionais.

O trabalho reúne bombeiros militares, brigadistas voluntários da própria aldeia Pradinho e profissionais do Prevfogo/Ibama.

Segundo o comandante, a quantidade de focos ativos e a existência de áreas de difícil acesso estão entre os principais desafios enfrentados pelas equipes.

Entre os equipamentos utilizados está o kit Guarani, que permite transportar água até pontos de acesso mais restrito e facilita o combate direto às chamas. De acordo com o tenente, a água utilizada na operação é retirada de um lago próximo à região atingida.

Mesmo com o reforço das equipes, a extensão do incêndio e a presença de focos ativos exigem a continuidade dos trabalhos para tentar impedir que o fogo alcance novas áreas.

Cacique Marilton Maxakali relata tristeza com a destruição

O cacique Marilton Maxakali relatou tristeza diante dos danos provocados pelo incêndio. Segundo ele, o fogo avançou sobre o território indígena e destruiu áreas de vegetação nativa e de plantio.

Os próprios indígenas participam do combate por meio de uma brigada voluntária, mas enfrentam dificuldades para controlar as chamas.

“E nós, Maxakali, estamos muito tristes nesse momento”, afirmou o cacique ao descrever a situação vivida pelas comunidades.

Marilton também demonstrou preocupação com o avanço do fogo em direção às aldeias Pradinho e Água Boa. Além das perdas ambientais, a destruição das plantações e de áreas utilizadas pelas famílias afeta recursos importantes para a subsistência das comunidades.

Incêndio provoca morte de animais e prejuízos ambientais

O fogo também atingiu a fauna da região. Segundo informações dos brigadistas, centenas de animais morreram em consequência do incêndio.

Áreas de vegetação nativa foram destruídas, e a dimensão total dos danos ainda está sendo levantada. Além das perdas imediatas, a queima de extensas áreas pode dificultar a recuperação da vegetação e comprometer recursos naturais utilizados pelos moradores.

A estimativa de mais de mil hectares atingidos indica a dimensão da ocorrência, embora o levantamento definitivo da área queimada ainda dependa da consolidação das informações.

Equipes continuam mobilizadas

No momento dos relatos, ainda havia focos ativos no território indígena. As equipes permaneciam mobilizadas para tentar controlar as chamas, proteger as residências e evitar que o incêndio atingisse novas áreas.

O reforço de militares enviados de Teófilo Otoni e o apoio aéreo ampliaram a estrutura de combate. A operação busca conter o fogo e reduzir os prejuízos ambientais e sociais provocados pelo incêndio.

Além da preservação da vegetação e dos animais, o trabalho é fundamental para proteger as famílias indígenas, suas moradias, plantações e o território onde vivem.

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