UTIs se esgotam em 154 cidades de Minas, envolvendo 3,3 milhões de pessoas

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Problema pode atingir a metade da população do estado nos próximos dias

Respiradores recuperados foram entregues pelo estado em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, macrorregião Nordeste, que agora chega ao esgotamento: cidade é oitava em casos de coronavírus (foto: Pedro Gontijo/ImprensaMG/divulgação – 19/5/20)

Enquanto muita gente defende a flexibilização do distanciamento social e a retomada de atividades econômicas, a COVID-19 avança em Minas e já deixa 3,3 milhões de pessoas sem leitos de UTI em 154 municípios do estado. Considerando os municípios à beira do esgotamento, o total de desassistidos pode chegar a quase 10 milhões de pessoas – ou metade da população mineira.

A última macrorregião a ter vagas de tratamento intensivo esgotadas foi a Nordeste, que reúne 57 cidades com população total de 832.829 habitantes. Ela se junta a Jequitinhonha (407.213 habitantes), Triângulo do Norte (1.294.816) e Vale do Aço (839.344), que desde sexta-feira já não dispunham de locais para doentes que requerem cuidados especiais, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG). Em Minas há 454 mortos pela doença.

A macrorregião Nordeste tem como polo Teófilo Otoni, que é a oitava cidade de Minas em número de casos, com 410. Ela é apenas a 18ª mais populosa do estado, com pouco mais de 140 mil habitantes. Em outras regiões os contaminados na cidade-polo também estiveram acima da proporção populacional, que não é o único dado a ser levado em conta. Como Ipatinga, no Vale do Aço, que é a 10ª em população (263 mil habitantes) e a quarta com mais registros (658).

A prefeitura do município informou que há na cidade 30 pacientes de COVID-19 internados em unidades intensivas. Devido à sobrecarga do seu sistema de saúde, nove foram transferidos para outras cidades da região – oito para Caratinga e um para Coronel Fabriciano.

As autoridades certamente estão preocupadas, porque outras cinco macrorregiões já estão próximas da ocupação total de leitos em UTI. Na Sul (2.797.399 habitantes), apenas 12,32% das vagas estão disponíveis. Na Sudeste (1.668.453), 11,2%. Na Oeste (1.280.907), 16,36%, enquanto na Noroeste (701.605), 9,61%. Já a Leste (689.689) dispõe de apenas 10,52% dos leitos de UTI para atender os enfermos.

Números relativizados

Questionada, a SES-MG relativizou os números em resposta via e-mail: “Ao publicar as taxas de ocupação na plataforma BI, é possível que algumas regiões apresentem índices mais elevados, próximos à casa de 100%, uma vez que o extrato de dados do dia é retirado às 23h59 de cada dia e as altas dadas pelos médicos costumam ser feitas à noite, quando é comum haver trocas de turno. Até que a alta seja efetivamente lançada em sistema, é possível que o leito ainda esteja ocupado em sistema, apesar de já liberado na prática”.

Segundo a secretaria, “a média de ocupação no Estado de Minas Gerais” de leitos de UTI é de 71,71%, “sendo 12,21% ocupados por pacientes com COVID-19 ou suspeitos. A macro Sudeste tem 21,53% de ocupação de leitos com pacientes com suspeita ou com o novo coronavírus. A macro Sul está com 13,01%. A Macro Oeste tem ocupação em 12,12%. A Noroeste, ocupação de 21,05%, e a Centro-Sul, 6,25%”.

De acordo com a SES, as abordagens são regionalizadas. “Para traçar metas específicas para cada região, foram criados Planos de Contingência de cada macrorregião, elaborados para o enfrentamento à pandemia. Esse plano estabelece ações complementares para desacelerar disseminação do novo coronavírus no território mineiro. É previsto o acompanhamento da situação de saúde dos usuários, monitoramento remoto e mapeamento mais próximo da capacidade de aumento de leitos de UTI”.

Ainda conforme o órgão, na quarta-feira o Ministério da Saúde habilitou 328 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) no Estado. “São leitos de UTI adulto para atendimento a pacientes com COVID-19 em estabelecimentos de saúde dos municípios do estado. Para os próximos dias, é aguardada a chegada de uma nova leva dos 1.047 respiradores adquiridos pelo Estado”.

Impacto em Uberlândia

Minas chegou ontem a 454 mortes pela COVID-19. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, houve oito óbitos a mais em relação ao balanço de sexta-feira. O número de casos confirmados subiu para 20.614, com aumento de 508 novos registros em um único dia. Houve três mortes em Uberlândia e nos municípios de Belo Horizonte, Campo Belo, Mariana, Contagem e Monte Alegre de Minas. A capital mineira chegou a 67 mortos e tem 3.157 casos. Uberlândia, a 34 mortes, com 2.127 infectados.

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Como a COVID-19 é transmitida? 

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Os tipos de sintomas para COVID-19 aumentam a cada semana conforme os pesquisadores avançam na identificação do comportamento do vírus. 

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o vírus Sars-CoV-2 é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus. (em.com.br).

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