A região de Teófilo Otoni foi a que mais expulsou gente em MG

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Juliana Lemes da Cruz.
Doutoranda em Política Social – UFF.
Pesquisadora GEPAF/UFVJM.
Coordenadora do Projeto MLV.
Contato: julianalemes@id.uff.br

A região de Teófilo Otoni foi a que mais expulsou gente do seu território entre os anos de 2005 e 2010. O estudo publicado pela Fundação João Pinheiro (FJP) em 2019, confirma a sensação da população de que as pessoas estão indo embora daqui. As partes escuras da figura apresentam as regiões mais críticas no que tange à saída da população. Apesar de a análise fazer referência ao início desta década, ainda hoje, sentimos que a expulsão de nossa gente é uma preocupante realidade. No mês passado, tive a oportunidade de participar de um evento na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), em que um pesquisador da FJP alertava sobre a migração em Minas Gerais, chamando a atenção para as taxas elevadas de saída de população, principalmente dos territórios de desenvolvimento do Vale do Mucuri e do Vale do Jequitinhonha.

A projeção, ou seja, a tendência até 2040 é de esvaziamento dessas regiões de forma bastante acelerada, se comparado às demais regiões do estado. Nesse cenário, um fator que está bastante presente na realidade das pessoas que por aqui ficaram, refere-se à intensa saída dos nativos no início da década de 2000, rumo aos Estados Unidos, geralmente, em busca de trabalho que os possibilitasse retorno financeiro para investimento em bens móveis e imóveis em território brasileiro.

Após quase duas décadas, retornando ao Brasil, muitos dos que se foram naquela época alcançaram seus objetivos; alguns mudaram seus planos e decidiram ficar pelas terras norte-americanas; e outros, tiveram seus planos frustrados por conta da situação de ilegalidade no território estrangeiro. Aliado a esse fator, que pode ter influenciado nos índices revelados pela citada Fundação, podemos perceber que outras direções também foram tomadas pelas pessoas da região de Teófilo Otoni, especialmente rumo aos grandes centros urbanos.

O estudo revelou que 70% das migrações dos mineiros aconteceram dentro do próprio estado. Outro dado importante indica que, entre os anos de 2000 e 2010, a região geográfica de Teófilo Otoni teve o menor crescimento populacional do Estado de Minas Gerais, 0,39%, seguida da região de Governador Valadares, com 0,48% ao ano. A região que mais cresceu em Minas foi a região de Uberaba, com 1,89%. Neste mesmo período, a região de Teófilo Otoni teve a maior taxa de fecundidade (nascimentos) do estado, ao passo que também foi líder na taxa de mortalidade infantil.

Atualmente, continuam distintas as motivações que encorajam os residentes desta região a buscarem outros lugares, dentre eles, as limitadas possibilidades de ascensão profissional em determinadas áreas do conhecimento, a carência de postos de trabalho formalizado (com carteira assinada) e os problemas recorrentes relacionados à saúde, à escassez de água e à educação.

Um estudo da FJP publicado em 2018 apontou que, quanto às movimentações dentro de Minas, a saída das pessoas da região de Teófilo Otoni foi, principalmente, em direção aos municípios de: 1º) Belo Horizonte; 2º) Nova Serrana; 3º) Governador Valadares; e 4º) Betim. Quanto às saídas rumo aos municípios de outros estados da federação, os que mais acolheram os mineiros da região de Teófilo Otoni foram: 1º) São Paulo/SP; 2º) Serra/ES; 3º) Nova Viçosa/ BA; e 4º) Mucuri/BA. A saída das pessoas da região de Teófilo Otoni segue concomitante ao envelhecimento da população. Em alguns anos, o cenário populacional desta região pode ser totalmente diferente, visto que, a expulsão da população permanece caminhando a passos largos. (Imagem e informações: fjp.mg.gov.br).

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