Polícia Civil mira núcleo estratégico da FTO e prende lideranças na Operação Fachada

0
61

Na manhã da última quinta-feira (4/12), a Polícia Civil de Minas Gerais deflagrou a Operação Fachada — ofensiva que mira diretamente a cúpula da facção criminosa Família T.O. (FTO), organização com atuação no Vale do Mucuri e vinculada ao Comando Vermelho (CV). 

Operação fachada
Operação fachada

Prisões, bloqueios e apreensões:

 Foram expedidos 23 mandados de prisão contra membros da facção. Deste total, 20 pessoas foram capturadas, dessas 6 já estavam detidas anteriormente, e 5 seguem foragidas. Entre os presos estão nomeados lideranças e gerentes do grupo, além de uma advogada, um policial militar e um empresário com atuação no comércio de veículos, apontados como responsáveis por funções de comando, logística, finanças e apoio operacional. As autoridades também cumpriram 13 mandados de busca. Em paralelo, foram bloqueados bens e valores atribuídos aos alvos — incluindo o sequestro de um veículo de luxo. Segundo a Polícia Civil, celulares, documentos e recursos financeiros foram apreendidos e seguem sob análise.

Objetivo: desarticular a estrutura criminosa

De acordo com os investigadores, a “Operação Fachada” visa atingir o núcleo decisório da FTO e descapitalizar o tráfico, destruindo seus canais de financiamento e apoio logístico. A ação reafirma o compromisso das autoridades no combate ao crime organizado e à corrupção, com foco tanto em quem comete crimes violentos e tráfico quanto em quem dá suporte — direta ou indiretamente — às atividades ilícitas.

As investigações apontam que a FTO atuava com estrutura empresarial paralela, utilizando empresas de fachada para lavagem de dinheiro, tráfico e outras atividades criminosas. Relatórios recentes detectaram movimentações suspeitas e pulverização de depósitos, práticas típicas de esquemas de evasão financeira. 

Contexto de recentes ofensivas contra facções

A “Fachada” insere-se num contexto maior de ofensivas contra facções criminosas em Minas Gerais. Em setembro de 2025, a Operação Custos Fidélis teve como alvo também a FTO, cumprindo mais de 120 mandados de prisão e busca e determinação de bloqueio de aproximadamente R$ 18 bilhões em bens, contas bancárias e cripto ativos em diversos estados. A operação evidenciou como a organização operava com núcleos estruturados de logística, finanças e transporte de drogas — inclusive com empresas de fachada nos setores de gás, internet e comércio atacadista.  DRD+2Band+2 – Autoridades ouvidas na época ressaltaram que “não basta prender quem vende drogas ou comete violência; é crucial desmantelar o suporte financeiro e empresarial dessas organizações”. 

Repercussão e desafios à frente

O êxito da “Fachada” é celebrado como um duro golpe contra a FTO, mas especialistas alertam que a eficácia dependerá da continuidade das investigações — sobretudo no que diz respeito à recuperação de bens, bloqueio de ativos e condenação dos envolvidos. A fragmentação da estrutura em diferentes núcleos (comando, logística, financiamento, fachada empresarial) torna a tarefa complexa e demanda cooperação entre diversas forças de segurança e o aparato judicial. Em Teófilo Otoni, moradores e autoridades expressaram alívio com a ação, na esperança de que a ofensiva representasse uma guinada no combate ao crime organizado local — um problema que afeta diretamente a segurança e a vida cotidiana da população.

O que muda

Com a prisão de líderes, gerentes e apoiadores, e com o bloqueio de recursos e bens, a expectativa das autoridades é de enfraquecer seriamente a FTO. A operação marca uma nova estratégia: não apenas mirando crimes isolados, mas desarticulando a engrenagem completa da organização — o que pode reduzir a possibilidade de retaliações e novos crimes se a estrutura foi desmontada de forma eficaz.

Por Redação Diário Tribuna.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui