Flávio Roscoe aponta contradições da política econômica, juros altos e distorções no mercado de trabalho como entraves ao desenvolvimento

Por mais que os números indiquem crescimento, a economia brasileira segue presa a um problema estrutural que impede avanços mais consistentes: a baixa produtividade.
A avaliação é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que analisa com cautela a expansão de cerca de 2,4% do PIB nacional
e aponta entraves que limitam o desenvolvimento do País e de Minas Gerais. O executivo participou nesta quinta-feira, 18, do tradicional almoço com a imprensa, na sede da Fiemg, em Belo Horizonte, quando é feito um balanço do ano.
Segundo Roscoe, o crescimento brasileiro em 2025 foi puxado majoritariamente pelo agronegócio e pela
indústria extrativa, especialmente o setor de petróleo realidade que não se reflete de forma homogênea nos estados. Em Minas Gerais, a ausência da produção petrolífera e o desempenho abaixo da média nacional do agronegócio fi zeram com que o crescimento estadual fique aquém do índice nacional.
“A indústria extrativa nacional cresceu perto de 8%, enquanto em Minas ficou em torno de 1,9%, porque boa parte desse avanço veio do petróleo, que nós não temos aqui. Isso puxa a média nacional para cima e deixa Minas abaixo”, explica.
Apesar desse cenário, Roscoe destaca um ponto positivo: a indústria de transformação mineira tem apresentado desempenho superior à média nacional, resultado direto, segundo ele, da melhoria do ambiente de negócios e da política de atração de investimentos adotada pelo Estado nos últimos anos.
O presidente da Fiemg avalia que o Brasil vive hoje um momento de desalinhamento na condução da política econômica. De um lado, o Banco Central eleva a taxa de juros para conter a inflação; do outro, o governo federal mantém uma trajetória de expansão dos gastos públicos.
“Temos forças que se anulam e, pior, ambas gastando dinheiro público. O governo acelera o gasto e o Banco Central freia a economia com juros altos. Isso gera uma expansão da dívida dos dois lados”, avalia.
Para Roscoe, sem rigor fiscal, não haverá queda sustentável da taxa de juros. “Enquanto houver risco inflacionário alimentado pelo gasto público, o Banco Central continuará usando a única ferramenta que restou: elevar os juros”, completa.
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