Campanha nacional segue até sexta-feira (28) e busca ampliar as chances de identificação e localização de pessoas desaparecidas; coleta é gratuita e indolor

Começou nesta segunda-feira (24) e segue até sexta-feira (28) a quarta Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas. A iniciativa, coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em parceria com os institutos de perícia federal e estaduais, disponibiliza 342 pontos de coleta em todo o país para familiares que ainda não forneceram material genético.
Em Teófilo Otoni, o atendimento está sendo realizado no Centro Médico Philadelfia, na Avenida Dr. Júlio Rodrigues, nº 650, 3º andar, bairro Marajoara, em frente ao Hospital Philadélfia. O telefone para informações é (33) 3529-3737. O endereço consta na relação oficial de pontos de coleta divulgada pelo Ministério da Justiça.
A mobilização tem como principal objetivo ampliar os bancos estaduais e o banco nacional de perfis genéticos, aumentando as possibilidades de identificação de pessoas desaparecidas. O material genético fornecido pelos familiares é comparado com perfis de pessoas encontradas, vivas ou mortas, que ainda não tiveram a identidade confirmada.
Quem pode doar
A recomendação é priorizar familiares de primeiro grau da pessoa desaparecida, na seguinte ordem: pai e mãe biológicos; filhos e o outro genitor de um filho da pessoa desaparecida; e irmãos biológicos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe. Segundo o Ministério da Justiça, no caso de filhos e irmãos, a orientação é que sejam coletadas amostras do maior número possível de parentes.
Caso não seja possível seguir essa ordem, outros familiares também podem ser considerados, conforme avaliação dos profissionais responsáveis. Crianças também podem fornecer material genético, desde que acompanhadas pelo responsável legal. Quem já doou anteriormente não precisa repetir o procedimento.
A coleta é gratuita, rápida e indolor: o perito utiliza um cotonete para recolher material da parte interna da bochecha — não é necessária a coleta de sangue.
O que é preciso levar
Para participar, o familiar deve apresentar documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência (BO) registrado no momento em que o desaparecimento foi comunicado — número do registro, estado onde o boletim foi feito e delegacia responsável pelo caso. Uma cópia do documento é recomendada, mas não obrigatória.
O desaparecimento pode ter ocorrido em qualquer estado do país. O familiar não precisa se deslocar até a cidade onde o caso foi registrado: a amostra pode ser fornecida em qualquer ponto oficial, bastando informar os dados aos profissionais responsáveis pela coleta.
Como o DNA pode ajudar a encontrar uma pessoa
Depois de coletado, o material é analisado por laboratórios especializados, e o perfil genético passa a integrar os bancos de dados utilizados pelas forças de segurança. Os perfis dos familiares são cruzados com amostras genéticas de pessoas encontradas sem identificação, em bancos estaduais e no banco nacional — o que pode ajudar tanto na identificação de pessoas encontradas mortas quanto na localização de desaparecidos que ainda estejam vivos.
Caso seja confirmada uma correspondência, é elaborado um laudo oficial de identificação, e a delegacia responsável pelo caso entra em contato com a família para comunicar o resultado e orientar sobre os próximos passos.
Números mostram avanço dos bancos genéticos
Segundo o Ministério da Justiça, desde 2021 o número de perfis de pessoas desaparecidas — vivas ou falecidas — inseridos nos bancos de dados da rede integrada saltou de cerca de 3 mil para mais de 14 mil. Até julho deste ano, também haviam sido cadastrados mais de 10 mil perfis genéticos de familiares.
“A gente vê a mobilização como uma possibilidade de resposta. Durante a semana, pedimos que os esforços sejam concentrados para avisar às pessoas, aos amigos, conhecidos e a quem tem um familiar desaparecido, para que doe o seu material genético”, afirmou a técnica da Coordenação de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas do MJSP, Simone de Jesus, em nota divulgada pelo ministério.
A força-tarefa deste ano ocorre no mês em que se marca o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimento Forçado, celebrado em 30 de agosto.
Não é preciso esperar a mobilização para fazer a coleta
Embora a força-tarefa nacional ocorra entre os dias 24 e 28 de agosto, a coleta de DNA de familiares de pessoas desaparecidas não fica restrita ao período da campanha — o procedimento pode ser feito a qualquer momento, em laboratórios ou institutos de perícia habilitados, desde que exista um Boletim de Ocorrência registrado. Também não há prazo máximo relacionado ao tempo de desaparecimento: mesmo que a pessoa esteja desaparecida há muitos anos, os familiares podem fornecer material genético para ampliar as possibilidades de identificação.
A campanha ocorre em um contexto de grande demanda nacional. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), o Brasil registrou mais de 84 mil pessoas desaparecidas em 2025, sendo quase 24 mil crianças e adolescentes. A estratégia de utilização de bancos genéticos já apresentou resultados concretos: dados apresentados ao Senado Federal indicaram que a mobilização de 2024 contribuiu para a identificação de 35 pessoas — o que reforça a importância da participação das famílias na formação dos bancos de perfis genéticos.
Ponto de coleta em Teófilo Otoni
Centro Médico Philadelfia
📍 Avenida Dr. Júlio Rodrigues, nº 650, 3º andar, bairro Marajoara
📌 Em frente ao Hospital Philadélfia
📞 (33) 3529-3737
A orientação é que familiares de pessoas desaparecidas que ainda não fizeram a coleta procurem o ponto oficial e levem documento de identificação e as informações do Boletim de Ocorrência.
Para famílias que convivem há meses ou anos com a ausência de um ente querido, a coleta de DNA representa mais uma ferramenta de investigação — e pode contribuir para transformar uma busca marcada pela incerteza em uma resposta definitiva.
- Por: Jornalista, Raissa Yelena









